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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Post.58: JOANA D’ARC REENCARNAÇÃO DE JUDAS ISCARIOTES

Todos nós sabemos sobre as historias das vidas de Judas Iscariotes e de Joana D’arc, por isso que não vou estender sobre a historias de ambos que tem o mesmo espírito.

Depois do ato de suicido de Judas Iscariotes, e tendo passado pouco tempo no vale dos suicidas, ele estando com o espírito profundamente perturbado e enlouquecido, recebeu a visita de Jesus, que permaneceu três dias ao seu lado até que ele adormecesse; só depois desse gesto de amor e de perdão é que Jesus apareceu materializado a Maria Madalena, segundo o Evangelho de João (20: 11 a 18).

Judas obteve a oportunidade de reencarnar diversas vezes na Terra e a sua última reencarnação foi como Joana D'arc, a sua última prova, para resgatar seus débitos para com a sua própria consciência, e se tornar um espírito livre.

Como Joana D'Arc, aos 13 anos de idade começou a ter visões de São Miguel que falava-lhe sobre umas novas aparições, que seria as de Santa Catarina e Santa Margarida que viriam em nome de Deus para cumprirem uma missão, e dar as ordens a Joana D'arc para liderar a França na Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra, como já sabemos. Depois da vitória da França, Joana foi injustamente condenada por bruxaria, heresia e por blasfêmia, por receber tais mensagens, assim considerada bruxa ela foi levada pela Inquisição, onde queimou e sofreu seus últimos instantes na Terra. Ao desencarnar ela se encontrou com Santa Catarina e Santa Margarida, que lhe disseram que Jesus estava pela sua espera há muito tempo. 



A seguir coloco a conversa que o consagrado escritor Humberto de Campos teve com Judas Iscariotes  em Jerusalém, às margens do Jordão, a conversa foi sobre a condenação de Jesus, é uma entrevista esclarecedora, ditada a Chico Xavier, em Pedro Leopoldo, em 19 de abril de 1935. Este texto é do livro "Crônicas de Além-Túmulo". Leiamo-la:

Nas margens caladas do Jordão, não longe talvez do lugar sagrado, onde o Precursor batizou Jesus Cristo, divisei um homem sentado sobre uma pedra. De sua expressão fisionômica irradiava-se uma simpatia cativante.

- Sabe quem é este? - murmurou alguém aos meus ouvidos. - Este é Judas.
- Judas?!...
- Sim. Os espíritos apreciam, às vezes, não obstante o progresso que já alcançaram, volver atrás, visitando os sítios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se momentaneamente transportados aos tempos idos. Então mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao heroísmo necessário do futuro. Judas costuma vir a Terra, nos dias em que se comemora a Paixão de Nosso Senhor, meditando nos seus atos de antanho...

Aquela figura de homem magnetizava-me. Eu não estou ainda livre da curiosidade do repórter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfeição de Judas existia um abismo. O meu atrevimento, porém, e a santa humildade do seu coração ligaram-se para que eu o atravessasse, procurando ouvi-lo.

- O senhor é, de fato, o ex-filho de Iscariotes? - perguntei.
- Sim, sou Judas - respondeu aquele homem triste, enxugando uma lágrima nas dobras de sua longa túnica.

Como o Jeremias, das Lamentações, contemplo às vezes esta Jerusalém arruinada, meditando no juízo dos homens transitórios...

- E uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito à sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus?
- Em parte... Os escribas que redigiram os evangelhos não atenderam às circunstâncias e as tricas políticas que acima dos meus atos predominaram na nefanda crucificação. Pôncio Pilatos e o tetrarca da Galiléia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspirações religiosas dos anciãos judeus. Sempre a mesma história. O Sanedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra. Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder, já que, no seu manto e pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade. Planejei então uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que, aliás, apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos.

- E chegou a salvar-se pelo arrependimento?
- Não. Não consegui. O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores. Depois da minha morte trágica, submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus, e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição, deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentindo na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência...

- E está hoje meditando nos dias que se foram... - pensei com tristeza.
- Sim... estou recapitulando os fatos como se passaram. E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas que ainda não é deste mundo, sinto nestas estradas o sinal de seus divinos passos. Vejo-O ainda na cruz entregando a Deus o seu destino... Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe... Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor... Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Sobre o meu nome pesa a maldição milenária, como sobre estes sítios cheios de miséria e de infortúnio. Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência no tribunal dos suplícios redentores.

Quanto ao Divino Mestre - continuou Judas com os seus prantos - infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque, se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões do ouro amoedado...

- E verdade - concluí - e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-LO.

Judas afastou-se tomando a direção do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invisíveis para o mundo, vi que no céu brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Jordão rolava na sua quietude como um lençol de águas mortas, procurando um mar morto.



5 comentários:

  1. muito bonita a reeleitura com o texto do grande e inesquecível Chico nos mostrou sobre Judas, e no fim de um homem que queria a revolta contra os romanos no fim em sua ultima reecnarnação como Joana D´arc um guerreira que buscou a liberdade de um povo sofrido, obrigado amigos do jardim por mais essa prova de amor e cuidado que Deus e Jesus tem por nós.

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  2. é muito interessante os textos sobre Judas Iscariotes, porque eu não o vejo como um traidor e nem associo-o a tudo que há de ruim neste mundo, mas alguém que cumpriu uma jornada, cumpriu a sua missão.
    não o culpo, tampouco julgo-o pelas atitudes.
    Judas foi e é importante na história de Jesus, alguém teve de fazer o que ele fez, ele foi escolhido para tal.
    sentimo-nos culpados por atitudes e devemos refletir sobre todas as ações, acredito que mesmo perdoados, o ato pesa sobre nossas costas, nossa consciência só nós a conhecemos.

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  3. Agradeço, os comentário deixados aqui., sendo todos de muita importância para mim. Faço minhas as palavras de Kirk Thiago Pedroso, era preciso alguém fazer a tarefa mais difícil, da missão de Jesus, se não fosse o ato de Judas o plano de Jesus não teria se completado. Queira ou não devemos muito a Judas; e Jesus sabe disso.
    E ao nosso amigo Anônimo do primeiro comentário, que fez uma analise muito boa; pois sim Judas queria libertar Israel de Roma, era isso que ele esperava de Jesus. E reencarnando como Joana D’arc volta para libertar a França.
    Um grande abraço a todos, e agradeço novamente os comentários. Que a nossa Luz Brilhe!

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  4. Judas no evangelho é tido como mercenário, como no episódio com Marta em que ele reclama do ungüento usado para ungir Jesus, na mesma passagem ele é acusado de subtrair valores, será que isso também não determinou as escolhas dele ?

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    1. Olá, Vladimir!

      Agradeço a sua participação e a sua pergunta interessante.

      Todos nós estamos na marcha para o progresso evolutivo, mas para atingirmos o ultimo nível evolutivo que é o de anjo, por várias encarnações teremos que passar. Com nossos erros, com nossos acertos, com nossas falhas... Para suprir as dificuldades espiritual, morais, que carregamos.

      Lembremos a escolha magnânima que Jesus fez ao escolher os seus discípulos, pois ali Ele escolheu homens extremamente simples, com o nível evolutivo ainda bruto, carregando muitas falhas, faltas, erros, eram homens comuns sem nada de especial, mas que Jesus sabia do que eles seriam capazes, e os escolheu para lapida-los.

      Uns carregam mais falhas, faltas, erros do que outros, e Judas pelo que conhecemos no evangelho é um desses indivíduos com falhas morais mais acentuadas que os outros discípulos, devido ao seu nível evolutivo naquela vida. As escolhas que aquele espírito fez naquela vida como Judas, estava de acordo com o caráter que ele carregava, por isso que ele foi capaz de fazer tudo o que fez segundo o evangelho. Chegando naquela vida a culminar com o suicídio, por não ter tido o amadurecimento psicológico necessário para suportar aquela situação tão terrível. Então, se refletirmos sob a ótica evolutiva espiritual , o que determinou as escolhas dele, foi o nível espiritual em que ele estava naquela vida, um espírito ainda inferior, bruto, carregando um caráter duvidoso. Ele não poderia dar o que não tinha, como nós não podemos dar o que não temos.

      É através do Espiritismo que passamos a conhecer as outras vidas desses espíritos que deixaram a sua marca na história. Assim, ficamos sabendo que depois de várias outras vidas que este espírito teve - que foi Judas , vidas estas anônimas, sem ser expressiva para a história humana, ele estava se preparando em todas elas para sua grande oportunidade, sua grande missão de reparação de seus erros pretéritos que foi reencarnando em corpo de mulher e tendo a missão que teve como Joana D’arc.

      Nesta passagem de Judas podemos refletir e aprender como sai caro e difícil a reparação de nossos erros.

      Vladimir se você não leu, é interessante você ler a postagem de número 198, sobre o soldado que perfurou Jesus com um lança, e como que personalidade ele reencarna depois na história. Boa leitura, segue o link: http://jardim-espirita.blogspot.com.br/2015/03/post198-quem-foi-o-soldado-que-perfurou_26.html

      Espero que minha resposta tenha lhe sido útil. Volte sempre ao Jardim Espírita, e seja sempre bem vido.

      Deus conosco.
      Paz, Luz e Harmonia.
      Jardim Espírita.

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