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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

ORAÇÃO DA CRIANÇA

“Amigo:
Ajuda-me agora, para que eu te auxilie depois.
Não me relegues ao esquecimento, nem me condenes à ignorância ou à crueldade.
Venho ao encontro de tua aspiração, do teu convívio, de tua obra...
Em tua companhia estou na condição de argila nas mãos do oleiro.
Hoje, sou sementeira, fragilidade, promessa... Amanhã, porém, serei tua própria realização.
Corrige-me, com amor, quando a sombra do erro envolve-me o caminho, para que a confiança não me abandone.
Protege-me contra o mal.
Ensina-me a descobrir o bem, onde estiver.
Não me afastes de Deus e ajuda-me a conservar o amor e o respeito que devo às pessoas, aos animais e às coisas que me cerca.
Não me negues tua boa vontade, teu carinho e tua paciência. Tenho tanta necessidade do teu coração, quanto a plantinha tenra precisa de água para prosperar e viver.
Dá-me tua bondade e dar-te-ei cooperação.
De ti depende que eu seja pior, ou melhor, amanhã”.

Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier


Fonte: Antologia da Criança. Francisco Cândido Xavier. Autores Diversos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

COOPEREMOS FIELMENTE

Pois somos cooperadores de Deus. – Paulo (I Coríntios, 3:9)

O Pai é o supremo Criador da vida, mas o homem pode ser fiel cooperador dele.
Deus visita a criatura pela própria criatura.
Almas cerradas sobre si mesmas declarar-se-ão incapazes de serviços nobres; afirmar-se-ão empobrecidas ou incompetentes.
Há companheiros que atingem o disparate de se proclamarem tão pecadores e tão maus que se sentem inabilitados a qualquer espécie de concurso sadio na obra cristã, como se os devedores e os ignorantes não necessitassem trabalhar na própria melhoria.
As portas da colaboração com o divino amor, porém, permanecem constantemente abertas e qualquer homem de mediana razão pode identificar a chamada para o serviço divino.
Cultivemos o bem, eliminando o mal.
Façamos luz onde a treva domine.
Conduzamos harmonia às zonas em discórdia.
Ajudemos a ignorância com o esclarecimento fraterno.
Seja o amor ao próximo nossa base essencial em toda construção no caminho evolutivo.
Até agora, temos sido pesados à economia da vida.
Filhos perdulários, ante o Orçamento divino, temos despendido preciosas energias em numerosas existências, desviando-as para o terreno escuro das retificações difíceis ou do cárcere expiatório.
Ao que nos parece, portanto, segundo os conhecimentos que possuímos, por “acréscimo de misericórdia”, já é tempo de cooperarmos fielmente com Deus, no desempenho de nossa tarefa humilde.



Fonte: Livro Vinha de Luz. Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel. Cap. 48.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

PRECE DA UNIÃO

Senhor Jesus, concedeste-nos o abençoado caminho da união contigo, desde a manjedoura iluminada até a ressurreição divina, com passagem pela cruz do trabalho e da renunciação, da fé viva e do testemunho santificante. Viajores que somos na estrada redentora que a tua misericórdia nos desdobra, no campo da vida eterna, rogamos-te, ainda, luz para as nossas sombras, certeza para as nossas dúvidas, esclarecimentos às nossas hesitações!

Auxilia-nos a aceitar o roteiro que teu amor infinito nos traça a benefício da paz e da felicidade de nós mesmos...

Que o sacrifício seja para nós uma bênção, a luta uma escola de aperfeiçoamento sublime, o serviço a oportunidade salvadora, o obstáculo o ensinamento maior, o sofrimento um mestre sábio e eficaz; que as nossas dores sejam emissárias de alegrias, que os espinhos da estrada permaneçam adornados de flores para os nossos corações e que os percalços e lágrimas da senda constituam renovadas esperanças para nossa alma sequiosa de tua luz!...

Assim te suplicamos, porque a nossa união é alegria para os tristes, vitória para os vencidos, consolo para os desesperados, sementeira de imperecível ventura para quantos prosseguem à retaguarda, aspirando a um mundo melhor!...

Desse modo, Senhor, agradecendo-te a caridade divina da paz com que nos felicitas a alma, neste dia de abençoada luz, esperamos que o teu amor viva em nós infinitamente e que a tua misericórdia nos acompanhe, em todos os passos da redenção espiritual, convictos, quanto estamos, de que em ti encontramos o Caminho, a Verdade e a Vida com eterna libertação.

Cumpra-se em nós a tu vontade, hoje e sempre.

Emmanuel
Psicografia Chico Xavier




Fonte: Livro Cartas do Coração. Francisco Cândido Xavier. Espíritos Diversos. 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Post.213: PODEMOS SENTIR SAUDADE DO MUNDO ESPIRITUAL?

Você já sentiu uma saudade inexplicável? Aquele sentimento de sentir falta de algo ou de algum lugar sem saber o que é exatamente? Ou saudade de alguém, mesmo estando perto das pessoas que ama  neste mundo físico? E desta saudade uma tristeza sem razão? É um vazio, uma saudade, uma solidão. É como se faltasse algo, mas que é de difícil exatidão do que se sente falta, é algo incompreensível.


Para o Espiritismo esta saudade do desconhecido é uma saudade inconsciente do mundo espiritual. A sensação de vazio vem do inconsciente por saber da perda que temos referente a liberdade do espírito, aos amigos que lá deixamos no plano espiritual, falta da felicidade relativa que tínhamos; e a tristeza vem porque estamos aprisionados em corpos físicos, pesados, expostos a influências negativas, necessitados de esforços físicos e morais. Estas sensações e sentimentos é motivo de grande angustia na maioria das vezes, porque não sendo um sentimento de alegria, traz assim tristeza, e incerteza, dos motivos pelo qual isso ocorre.  Esta saudade desconhecida é também chamada de: sentimento estrangeiro.

No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo V – item 25, encontramos a mensagem do Espírito François de Genève, referente a este sentimento de saudade do mundo espiritual, vejamos o texto abaixo:

A melancolia

Sabeis por que uma vaga tristeza se apodera por vezes dos vossos corações e vos faz achar a vida tão amarga? É o vosso espírito que aspira à felicidade e à liberdade e que, preso ao corpo que lhe serve de prisão, se extenua em vãos esforços para dele sair. Mas, vendo que são inúteis, cai no desencorajamento, e o corpo, suportando sua influência, a languidez, o abatimento e uma espécie de apatia se apoderam de vós, e vos achais infelizes.
Crede-me, resistir com energia a essas impressões que enfraquecem vossa vontade. Essas aspirações para uma vida melhor são inatas no espírito de todos os homens, mas não as procureis neste mundo; e, atualmente, quando Deus vos envia seus espíritos para vos instruírem sobre a felicidade que vos reserva, esperai pacientemente o anjo da libertação que deve vos ajudar a romper os laços que mantêm vosso espírito cativo. Lembrai-vos de que tendes a cumprir, durante vossa prova na Terra, uma missão de que não suspeitais, seja em vos devotando à vossa família, seja cumprindo os diversos deveres que Deus vos confiou. E se no curso dessa prova, e desempenhando vossa tarefa, vedes os cuidados, as inquietações, os desgostos precipitarem-se sobre vós, sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os francamente; eles são de curta duração e devem vos conduzir para perto dos amigos que chorais, que se regozijarão com a vossa chegada entre eles e vos estenderão os braços para vos conduzir a um lugar onde os desgostos da Terra não tem acesso.
(François de Genève, Bordéus).

         Esta mensagem nos esclarece que todos as provas e dificuldades que passamos aqui no mundo material, inclusive esta saudade do “desconhecido”, deve ser motivo para nos estimular cada vez mais com o amor ao próximo, com a pratica da caridade, com o desenvolvimento do bem, com  finalidade de diminuirmos a necessidade das encarnações, sobretudo em mundos de provas e expiações, como ainda é a Terra.  Assim, o que devemos e podemos fazer para substituir este sentimento de tristeza, de saudade, de vazio, é trabalhar ativamente e constantemente no bem, é exercer a caridade, aprender cada vez mais os ensinos de Jesus e coloca-los em pratica, estudar para compreender, trabalhar para o nosso progresso, para a nossa evolução, sendo nós espíritos momentaneamente encarnados no planeta Terra que é apenas um dos inúmeros planetas, onde a evolução espiritual se processa. E que com os ensinos de Cristo Jesus podemos sensibilizar a nós mesmos, e canalizar esta tristeza e saudade, para  os ideais de vivencia do amor  pregado por Jesus. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

AS CARTAS QUE GANDHI ESCREVEU PARA HITLER

Como a postagem sobre o espírito de Hitler é a segunda mais lida aqui no Blog Jardim Espírita, achei interessante então colocar as cartas que Gandhi escreveu para Hitler. Segue a matéria do site do Canal History:



“Querido amigo”: as cartas que Gandhi escreveu para Hitler

Quando a terrível Segunda Guerra Mundial estava se desenhando para o mundo, o líder indiano Mahatma Gandhi fez o que pode para evitar que o pior acontecesse. Tanto que a chamada "Grande Alma" escreveu uma carta ao "Dear Friend" Adolf Hitler para tentar convencê-lo de que não era uma boa ideia arrastar a humanidade para um conflito de destruição total.
Duas cartas foram enviadas ao líder nazista alemão, a primeira, em 23 de julho de 1939, e a segunda, em 1941. Em um trecho da primeira carta, Gandhi afirmou que Hitler "era o único homem no mundo que poderia evitar a guerra". A primeira carta parece não ter surtido efeito algum em Hitler. Nos meses seguintes, o alemão assinou o pacto de não agressão com a União Soviética, invadiu a Boêmia e a Moldávia e depois foi para a Polônia, deflagrando de vez a Segunda Guerra Mundial.


TRADUÇÃO DA CARTA
Caro Amigo,
Amigos têm insistido que eu lhe escreva para o bem da humanidade. No entanto, eu tenho resistido ao pedido deles, porque sinto que qualquer carta vinda de mim seria importuna. Mas algo me diz que eu não devo hesitar e que devo fazer meu apelo, qualquer que seja seu valor.
Está claro que você, hoje, é a única pessoa no mundo que pode evitar uma guerra capaz de reduzir a humanidade ao seu estado mais selvagem. Você deve pagar o preço de algo, por mais valioso que pareça ser? Você ouvirá o apelo de alguém que, deliberadamente, deixou de lado os métodos de guerra e obteve um sucesso considerável? De qualquer forma, peço desculpas antecipadas, caso tenha errado em lhe escrever.
Continuo, O seu amigo sincero, M. K. Gandhi.

Uma segunda carta de Gandhi foi enviada ao líder alemão em 1941. Em um texto bem mais longo e com um apelo muito mais forte, o líder indiano clamava que Hitler parasse com a guerra e que, no final, vencedores ou não, todos perderiam. "Seus próprios escritos e pronunciamentos e os de seus amigos e admiradores não deixam margem para dúvidas de que muitos de seus atos são monstruosos e impróprio da dignidade humana", escreveu Gandhi, em um trecho do texto.

TRADUÇÃO DA SEGUNDA CARTA
Caro amigo,
O fato de eu me dirigir a você como amigo não é nenhuma formalidade. Eu não possuo inimigos. Minha ocupação na vida, nos últimos 33 anos, tem sido unir a amizade de toda a humanidade, tornando os homens amigos, independentemente de raça, cor ou fé.
Eu espero que você tenha o tempo e a vontade de saber como uma grande parte da humanidade que tem vivido sob a influência dessa doutrina da amizade universal enxerga suas ações. Nós não temos dúvidas com relação à sua bravura ou devoção à sua terra natal, nem acreditamos que você seja o monstro descrito por seus oponentes. Mas seus próprios escritos e pronunciamentos não deixam margem a dúvidas de que muitos dos seus atos são monstruosos e incompatíveis com a dignidade humana, especialmente em relação a homens como eu, que acreditam na amizade universal. Isso pode ser visto na humilhação da Tchecoslováquia, no estupro da Polônia e na destruição da Dinamarca. Eu estou ciente de que a sua perspectiva de vida vê tais espoliações como atos virtuosos. Mas nós temos sido ensinados desde a infância a considerá-los atos de degradação da humanidade. Por isso, nós não podemos desejar sucesso aos seus empreendimentos.
Contudo, nossa posição é única. Nós resistimos ao Imperialismo Britânico, que não é menor que o Nazismo. Se existe uma diferença, é no grau. Um quinto da humanidade está sob o domínio britânico através de meios que não serão tolerados. Nossa resistência a isso não significa um mal ao povo britânico. Nós queremos convertê-los e não derrotá-los no campo de batalha. A nossa revolta contra o domínio britânico é desarmada. Mas, quer nós o convertamos ou não, nós estamos determinados a tornar o domínio deles impossível através de uma não cooperação não violenta. É um método indefensável em sua natureza. Ele é baseado no conhecimento de que nenhum espoliador pode chegar ao seu objetivo sem um certo grau de cooperação, determinação e compulsória da vítima. Nossos dominadores podem ter nossa terra e corpos, mas não nossas almas. Eles podem ter a primeira ao destruir todos os indianos – homens, mulheres e crianças. É verdade que tudo isso pode não se elevar àquele grau de heroísmo e que um grau razoável de medo pode desanimar a revolta, mas esse argumento seria irrelevante. Pois, se um número considerável de homens e mulheres na Índia estaria disposto a sacrificar suas vidas a se ajoelhar diante dos espoliadores, eles mostrariam o caminho da liberdade através da tirania da violência. Eu peço que você acredite em mim quando eu digo que você encontrará um número inesperado de homens e mulheres dispostos a isso na Índia. Eles têm recebido esse tipo de treinamento pelos últimos 20 anos.
Nós estamos tentando desde a última metade desse século nos livrar do domínio britânico. O movimento de independência nunca foi tão forte quanto agora. A organização política mais poderosa, o Congresso Nacional Indiano, está tentando chegar a esse objetivo. Nós alcançamos um nível de sucesso bem razoável através da não violência. Nós estávamos buscando os meios certos para combater a violência mais organizada do mundo, que é representada pelo poder britânico. Você o desafiou. Ainda falta saber qual é o mais organizado: o alemão ou o britânico. Nós sabemos o que o domínio britânico significa para nós e para as raças não europeias do mundo. Porém, nós nunca desejaríamos o fim do domínio britânico com o apoio da Alemanha. Nós encontramos na não violência uma força que, se organizada, pode, sem dúvidas, unir-se contra as forças mais violentas do mundo. Dentro da técnica da não violência, como eu disse, não existe a derrota. Trata-se de um “viver ou morrer” sem matar ou ferir. Ela pode ser usada praticamente sem dinheiro e, obviamente, sem a ajuda da ciência da destruição, a qual você levou à perfeição. É incrível para mim que você não veja que isso não é um monopólio de ninguém. Se não forem os britânicos, algum outro poder certamente vai aprimorar seu método e derrotá-lo com suas próprias armas. Você não está deixando nenhum legado que trará orgulho ao seu povo. Eles não podem encontrar orgulho em um recital de atos cruéis, por mais bem planejados que tenham sido. Portanto, eu apelo a você, em nome da humanidade, que pare a guerra. Você não vai perder nada levando todas as questões de disputa entre você e a Grã-Bretanha a um tribunal internacional de sua escolha. Se você tiver sucesso na guerra, isso não significa que você estava certo; isso irá apenas provar que o seu poder de destruição era maior, enquanto uma concessão dada por um tribunal imparcial mostrará, até onde é humanamente possível, qual parte estava certa.
Você sabe que, não muito tempo atrás, eu fiz um apelo a todos os britânicos que aceitassem meu método de resistência não violenta. Eu fiz isso porque os britânicos me conhecem como um amigo, embora eu seja um rebelde. Eu sou um estranho para você e para o seu povo. Eu não tenho a coragem de fazer a você o apelo que fiz para todos os britânicos. Não que isso não chegaria a você com a mesma força que chegou a eles; no entanto, minha atual proposta é muito mais simples porque é muito mais prática e familiar.
Nesta temporada, quando os corações dos povos da Europa anseiam por paz, nós suspendemos até mesmo nossa luta pacífica. É muito pedir a você que faça um esforço pela paz em um tempo que pode não significar nada para você pessoalmente, mas que deve significar muito para milhões cujo grito emudecido por paz eu escuto, pois meus ouvidos estão acostumados a escutar os milhões de mudos? A minha intenção é dirigir um apelo conjunto a você e a Signor Mussolini, quem eu tive o privilégio de conhecer quando estive em Roma durante minha visita à Inglaterra como um representante da Round Table Conference. Eu espero que ele a receba com as modificações necessárias.

Infelizmente, os apelos do indiano por uma resolução de conflitos sem armas e violência, com o uso da chamada desobediência civil, não fizeram sentido aos homens por trás das grandes potências e muito menos a Adolph Hitler.
A partir de 1921, Gandhi liderou o movimento de independência indiana através de métodos sem violência, e, finalmente, conseguiu a liberdade do Império Britânico em 1947, seis meses antes de sua morte.

Para ler as duas cartas na íntegra (em inglês) cliquei aqui

Imagem: MKGandhi.org


Fonte: link do site do Canal History com esta matéria: http://seuhistory.com/noticias/querido-amigo-cartas-que-gandhi-escreveu-para-hitler