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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

VOLTARÁS AMANHÃ


Não repouses na gleba de possibilidades que o Divino Amor te confiou ao coração da Terra.

Voltarás amanhã para colher o que hoje semeias. 

Ninguém te pede milagres de santidade num dia. 

A árvore vigorosa não cresceu de improviso.

A cidade em que renasceste não se levantou de repente. 

Tudo se desenvolve, minuto a minuto... 

A vida impõe-te “agora” as consequências do “antes”. 

Somos hoje no espaço e no tempo, a projeção do que fomos... 

Se a dor é a tua mestra constante, agradece-lhe o serviço e aprende a lição. Ela é o recurso invisível com que a Bondade do Senhor te arrebata ao labirinto das sombras de ti mesmo. 

Se recebeste alguma facilidade para atravessar, com êxito, a escura região terrestre, não te confies à preguiça ou à vaidade, para que o sofrimento não seja convidado a desintegrar a gelada neblina em que te sepultarás sem perceber. 

Não te esqueças.

A oportunidade passa, mas a luta adiada volta sempre. 

Amanhã reencontrar-te-ás contigo mesmo, na paisagem que o mundo te oferece, nos ideais que esposas, nos trabalhos confiados à tua mão ou na pessoa do próximo que honras ou menosprezas... 

Cumpramos, agora, os nossos iluminados deveres à face da Lei. Convertamos nossa experiência pessoal em serviço a todos, transformando as horas, que Deus nos empresta, em bênçãos de utilidade, beleza, graça e harmonia e o futuro constituir-se-á para nossa alma em abençoado e celeste caminho de ascensão.

Não critiques destruindo.

Não julgues o mal por mal.

Não firas a ninguém. 

Não revides os golpes da sombra para que te não demores nas malhas da treva. 

Não retribuas ofensa por ofensa, amargura por amargura, incompreensão por incompreensão. 

Ama, auxilia e passa, e, quando regressares à Terra, amanhã, o mundo receberá teus pés, em chuva de bênçãos. 




Pelo espírito Emmanuel.
Psicografia de Francisco Candido Xavier.



Fonte: Do livro Instrumentos do Tempo. Psicografia de Francisco Candido Xavier.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

SONHOS DE VIDAS PASSADAS

         É grande o interesse em querer saber sobre as vidas passadas, no entanto, esta é uma questão delicada e complexa. Pois, o esquecimento das vidas passadas é fundamental ao progresso humano, sem esse esquecimento haveria um entrave na marcha do progresso. Esquecer o passado é um presente divino. Quando o indivíduo tem algum conhecimento sobre alguma das suas vidas passadas é porque Deus permitiu para o ajudar em algum entrave em que esteja vivenciando em relação a tal existência passada.


        No O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, capitulo XXVI – item 15; encontramos a seguinte informação passada por espíritos superiores sobre nos fazer conhecer nossas existências passadas: “Deus permite, algumas vezes, que sejam reveladas, segundo o objetivo; se é para vossa edificação a vossa instrução, serão verdadeiras, e, nesse caso, a revelação é quase sempre feita espontaneamente, de modo inteiramente imprevisto; mas jamais o permite para satisfazer a uma vã curiosidade.”  

        Assim, de forma espontânea e de modo inteiramente imprevisto, e não por nossa curiosidade; com a permissão de Deus podemos sonhar com alguma vida passada, relembrar algumas cenas que seja necessária para trazer algum entendimento que estamos precisando na vida atual, pois o exame do passado clareia algumas incógnitas, ajudando nas lutas da atual conjuntura.
Mas, como é esta experiência de relembrar o passado por meio de sonho? Algumas vezes as cenas desenrolam-se como se fossemos telespectadores de nós mesmos, nos vendo como se fosse em um filme, mas sentindo todo o sentimento, emoções, dramas, dores... das cenas mostradas. Ou em outras vezes acompanhamos as lembranças como nós mesmos, ou seja, vivenciando toda  cena por nossa perspectiva, e sentindo as emoções e sentimentos dos acontecimentos. Podendo também as lembranças serem mostradas das duas formas, tanto da perspectiva de nós como telespectadores de nós mesmos, como em outras cenas do mesmo sonho estarmos na perspectiva da visão de nós mesmos. Nas lembranças de vidas passadas é possível vivenciar todo o drama envolvido, como sentir o clima do ambiente, se frio ou quente, assim como hostil ou amigável; o cheiro; a noção do tempo, se frio ou quente, ou o século do ocorrido; ter noção do local; sentir literalmente todos os sentimentos e emoções sejam bons ou ruins vivenciados naquelas lembranças, as dores, os dramas, as alegrias... É um processo desnorteante, de carga emocional fortíssima, que muitas vezes pode causar perplexidade devido a intensidade das lembranças, e que causa uma mudança na forma de encarar a vida e nos levando a reflexões profundas.

        Outro fato é que,  em uma cena podemos entender toda as circunstâncias do que levou a tal cena sem nenhuma explicação. A consciência se assevera dos fatos contidos nas cenas. Brota da mente o motivo do acontecimento. É como se toda uma existência passasse em cenas rápidas, que não parecem rápidas e que se compreende todo aquele desenrolar por trás de cada cena sem que ninguém explique, seja durante o sonho ou antes ou depois. É como se fosse uma explicação automática, ou uma auto explicação, que não tem nenhuma necessidade de explicação, pois brota em nossa mente, assim como as emoções e sentimentos que são fortíssimos. É vivenciar tudo novamente. Todas essas experiências são complicadas para explicar, pois só quem viveu tal experiência sabe como é, e a intensidade.

       No livro Do Abismo às Estrelas, ditado pelo Espírito Victor Hugo, psicografado por Divaldo Franco; este livro narrando uma historia real. A personagem central do livro, Suzette-Sara, vivencia enquanto dorme esta experiência de relembrar o passado por meio de sonho, em que nos é explicado o processo em que ela  passou para relembrar. O espírito dela em desdobramento pode meio do sono físico foi levado a uma reunião espiritual com espíritos amigos para que ela relembrasse um determinado acontecimento de uma existência passada para ela entender-se certas circunstancias daquela vida presente dela. Então, o processo em que ela  passou para relembrar, foi da seguinte forma explicado no livro: Graças a um processo de mentalização hipnótica, à medida em que o espírito narrava, as cenas se desenrolavam como uma imensa tela viva de um peculiar cinemascópio. Os presentes acompanhavam os acontecimentos, enquanto, os nele implicados, experimentavam as emoções e dramas do momento evocado.

        Para que nos lembremos dessas lembranças quando nosso espírito volte ao corpo físico, quando acordamos, os espíritos benfeitores atual de modo especial sobre nós para que, ao acordar lembremos do necessário daquelas lembranças mostradas, recuperadas.


        Na questão 396 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, nos é esclarecido que, certas pessoas creem ter uma vaga lembrança de um passado desconhecido que se lhes apresenta como a imagem fugida de um sonho que se procura em vão reter. Essa ideia algumas vezes é real; mas frequentemente, é uma ilusão contra a qual é preciso se colocar em guarda, porque pode ser o efeito de uma imaginação superexcitada.   
    
       No O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, capitulo XXVI- item15. Encontramos a seguinte informação: As questões de vidas passadas que podem serem reveladas em que podemos tirar proveito para nossa melhoria, são o gênero de existência que se teve, a posição social que se ocupou, com as qualidades e defeitos que predominaram em nós. Mas, os espíritos superiores nos diz que, estudando nosso presente, nós mesmos podemos deduzir nosso passado. 

       A verdade é que, sempre queremos saber quem formos em existências passadas, no entanto, nem tão doce é a realidade e a verdade. 


Escrito pelo Jardim Espírita.

Fontes:
O Livro dos Médiuns. Allan Kardec.
O Livro dos Espíritos. Allan Kardec.
Do Abismo às Estrelas. Ditado pelo Espírito Victor Hugo, psicografado por Divaldo Franco.
A outra vez em que eu morri. Frederico Menezes. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

TIPOS DE SONHOS

        O sono existe para que o ser humano possa repor as forças e energias orgânicas e morais, assim, enquanto o corpo físico recupera as energias que perdeu pelas atividades diárias, o espírito em processo de desdobramento, permanecendo ligado ao corpo físico pelo cordão fluídico (também chamado de fio ou laço fluídico, ou cordão de prata ou fluídico), este fio fluídico só se rompe quando o corpo físico morre, nunca ele irá se romper durante a emancipação da alma.



        A classificação dos sonhos é uma maneira de padronizar as possibilidades de atuação de nosso espírito durante o repouso físico. Os tipos de sonhos são classificados em três, que são: fisiológicos, psicológicos e espirituais.

Sonho Fisiológico
       Onde certas interferências fisiológicas determinam características particulares ao sonho, dramatizando o que acontece com o nosso corpo. Por exemplo, comer próximo a hora de dormir, pode fazer com que as atividades digestivas mobilizem a atenção de nosso espírito ao corpo, às vezes as perturbações digestivas irão gerar pesadelos, ou dificuldades em adormecer. Como também se está frio e nos descobrimos, estando em um sono pesado, podemos sonhar que estamos em um campo de neve ou lugar muito frio; como  também a necessidade de urinar durante a noite estando em um sono pesado se pode sonhar em circunstancias de satisfação desta necessidade fisiológica, enquanto faz xixi na cama, podendo sonhar que realmente se está urinando, ou com circunstâncias que aparecem água como mar, rio, chuva...

Sonho Psicológico   
         Caracterizam os estados mentais e emocionais que sentimos no cotidiano, e sobretudo as horas anteriores ao repouso físico. Acarretando sonhos que serão consequências  daquilo que prendeu nossa atenção predominantemente durante o dia ou horas antes de dormir. Assim, poderemos sonhar em atividades que seriam a continuação daquelas onde nossa atenção esteve presa. Como por exemplo, sonhamos que estamos no trabalho desempenhando nossa atividade diária, ou em atividades e objetivos que valorizamos mais durante o dia.

Sonho Espiritual
         São os desdobramentos, também chamado de emancipação da alma, onde nosso espírito encontra outros espíritos encarnados ou desencarnados, participa de reuniões e atividades espirituais reais, na dimensão espiritual. Nosso espírito se encontra com os seus iguais de  vibrações, podendo ter experiências positivas ou negativas, de acordo com as tendências que aspira, ou seja, sonhos edificantes, que trazem paz para quem tem uma vivencia boa  sintonizando com a espiritualidade  benfeitora, ou vivencias que não sejam boas sintonizam com as faixas de vibrações inferiores; em que as experiências boas que o espírito vivencia sempre deixa uma impressão boa, de paz, de bem estar, de harmonia, de amor... Já as experiências ruins que o espírito vivencia deixa uma impressão ruim, de medo, de mau estar, de raiva, de angustia, de tristeza, de perturbação... Assim, temos a lembrança ao acordar das experiências vivenciadas por nosso espírito no mundo espiritual durante o sono físico.

         Algumas vezes não lembramos das experiências espirituais vivenciadas no plano espiritual, isto porque, o cérebro físico não foi utilizado, e quando o espírito volta ao corpo físico, a matéria que é pesada, grosseira não permite o registro das lembranças trazidas pelo espírito. Em outras circunstâncias podemos lembrar apenas das lembranças das experiências de que nosso espírito vivenciou quando saiu ou voltou ao corpo físico. Se essas lembranças se misturam aos problemas fisicopsíquicos, tornam-se confusas, incoerentes. Quando é necessário que lembremos de algo vivenciado por nosso espírito no plano espiritual, os espíritos benfeitores atuam de modo especial sobre nós para que, ao acordar lembremos do necessário da experiência vivenciada por nosso espírito. Os espíritos inferiores também podem fazer o mesmo, que tomam esse poder pelo nosso modo de viver, exercendo influência negativa sobre nós.

       Os tipos de sonhos que temos estão de acordo com o estilo de vida que levamos, de como conduzimos nossa vida, nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossas experiências e convívios.



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

CADA MANHÃ


        Cada manhã, volves ao corpo que te suporta a intemperança e recebes a bênção do sol que te convida ao trabalho, a palavra do amigo que te induz à esperança, o apoio constante da Natureza, o reencontro com os desafetos para que aprendas a convertê-los em laços de beleza e harmonia e, sobretudo, a graça de lutar por teu próprio aprimoramento, a fim de que o tempo te erga à vitória do Bem.

       Desencorajar leve impulso do Bem é o mesmo que sufocar a semente que, divina e multiplicada, será, no caminho, a base de nosso pão.

       Chora, mas constrói o melhor ao teu alcance.

       Sofre, mas adianta-te no caminho.

      Todos somos parcelas de imensa legião de trabalhadores em nome do Cristo, com o dever de cooperar incessantemente para que a harmonia e a felicidade se ergam na Terra, a benefício de todas as criaturas.

      Ainda sim, no contexto geral das atividades, às vezes de sacrifício a que somos chamados, é indispensável compreender que podes e deves conquistar a tua própria paz, e que a tua própria paz depende, exclusivamente, de ti.

      ...Entretanto, existe a âncora que resiste a todas as ventanias da adversidade. Resguardando-te nessa defesa, não há desequilíbrio que te arraste fora do lugar e do dever que te competem.

       Apega-te essa âncora e não temas, porque essa amarra bendita ao alcance de todos é, claramente, Jesus Cristo.

      Por mais sofras, guarda a fé em Deus e segue adiante, no caminho que a vida te deu a trilhar.

      A própria Natureza é um livro de confiança na Providência Divina.


Pelo Espírito Emmanuel.
Psicografia de Chico Xavier. 

Fonte: do livro – Caminho Iluminado. Francisco Cândido Xavier.


domingo, 24 de setembro de 2017

PRECE DE ACEITAÇÃO

Se eu pudesse, Jesus,
Queria estar contigo
Para ser a esperança realizada
De quem vai pelo mundo, estrada a estrada, 
Entre a necessidade e o desabrigo...

Desejava seguir-te, humildemente, 
Sem méritos embora, 
Para erguer-me em consolo de quem chora 
Mostrando o coração enfermo e descontente.

Queria acompanhar-te nos recintos, 
Onde a dor leciona e aperfeiçoa
A fim de ser conforto junto dela 
E, manejando a frase terna e boa
Afirmar como a vida é grande e bela!...

Se pudesse, Senhor, conversaria com todas as crianças 
Para dizer que não te cansas de criar alegria... 
E seria feliz ao converter-me em modesto recado,
Informando, Jesus, a todos os velhinhos 
Que nunca estão sozinhos, porque segues conosco, lado a lado... 
Se dispusesse de recursos, queria ser a vela pequenina,
Acesa no clarão do sol que levas, 
De modo a socorrer aos que jazem nas trevas, 
Fugindo sem razão, da bondade Divina...
Entretanto, Senhor, sei das deficiências que carrego...

Venho a ti como estou, por isto mesmo rogo: 
Não me deixes a sós por onde vou... 
Se não posso, Jesus, ser bondade, socorro, paz e luz, 
Toma-me o coração e, perdoando a minha imperfeição, 
Esquece tudo o que meu sonho almeja e ensina-me Senhor, 
Com o teu imenso amor, o que queres que eu seja.

Pelo Espírito Maria Dolores.
Psicografia de Chico Xavier

                   


Fonte: Livro Recanto de Paz. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Espíritos Diversos.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A RESPONSABILIDADE DO CONTEÚDO DO PENSAMENTO. O QUE VOCÊ ANDA PENSANDO?

        Nesta passagem Jesus nos ensina muito além das palavras que falou. Ensina-nos que nossos atos, seja qual for, começam em nossos pensamentos. E nos transmite o ensino da responsabilidade que temos perante nossos pensamentos, que já é ato. Pois, o pensamento é força, criação.  O texto seguinte está contido no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.



Pecado por pensamento. Adultério

Aprendeste o que foi dito aos Antigos: Não cometereis adultério. Mas eu vos digo que todo aquele que tiver olhado uma mulher com um mau desejo por ela, já cometeu adultério com ela, em seu coração. (São Mateus, cap. V, v. 27 e 28).
A palavra adultério não deve ser entendida aqui no sentido exclusivo de sua acepção própria,mas em sentido mais geral; Jesus, frequentemente, a empregou por extensão designar o mal, o pecado e todo mau pensamento, como, por exemplo, nesta passagem: “Porque se alguém se envergonhar de mim e de minhas palavras entre esta raça adúltera e pecadora, o Filho do Homem se envergonhará também dele, quando vier acompanhado dos santos anjos na gloria de seu Pai.” (São Marcos, Cap. VIII, v. 38).

        A verdadeira pureza não está somente nos atos, mas também no pensamento, porque aquele que tem o coração puro não pensa mesmo no mal; foi isso que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é um sinal de impureza.

        Esse princípio conduz naturalmente a esta questão: Sofrem-se as consequências de um pensamento mau não seguido de efeito? 

       Há aqui uma importante distinção a se fazer. À medida que a alma, empenhada no mau caminho, avança na vida espiritual, se esclarece e se despoja, pouco a pouco, de suas imperfeições, segundo a maior ou menor boa vontade que emprega em virtude do seu livre-arbítrio. Todo mau pensamento, pois, resulta da imperfeição da alma; mas de acordo com o desejo que concebeu de se depurar, mesmo esse mau pensamento torna-se para ela uma ocasião de adiantamento, porque o repele com energia; é o indicio de uma mancha que se esforça para apagar; e não cederá se se apresentar ocasião para satisfazer um mau desejo; e depois que tiver resistido, sentir-se-á mais forte e alegre com a sua vitória.

       Aquele, ao contrario, que não tomou boas resoluções, procura a ocasião para o ato mau, e se não realiza, não é por efeito da sua vontade, mas porque lhe falta oportunidade; ela é, pois, tão culpada como se o cometesse.
Em resumo, na pessoa que não concebe mesmo o pensamento do mal, o progresso está realizado; naquela a quem vem esse pensamento mas o repele, o progresso está em vias de se cumprir; naquela, enfim, que tem esse pensamento e nele se compraz, o mal está ainda com toda a sua força; numa, o trabalho está feito, na outra está por fazer. Deus, que é justo, considera todas essas diferenças na responsabilidade dos atos e dos pensamentos do homem. 


Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Capitulo: VIII.  

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

EVANGELHO NO LAR E HARMONIA CONJUGAL POR DIVALDO FRANCO


       Com o surgimento dos filhos e com a família tornando-se mais coesa, as responsabilidades são maiores, porque, de certo modo, os nossos filhos serão o reflexo do que aprenderem na intimidade do lar. A Psicologia, a Psiquiatria e a psicanálise demonstram os danos que defluem de uma família disfuncional. Conflitos, traumas e complexos longamente fomentados pela convivência familiar irrompem na vida do indivíduo que alcança a adolescência e a fase adulta, explodindo na forma de violência, criminalidade e desprezo pelas bases éticas da sociedade, o que traduz uma resposta consciente ou mesmo inconsciente aos sofrimentos vivenciados no lar.

        Diante do quadro esboçado, como evitar o agravamento dos dramas conjugais-familiares e prevenir as mazelas sociais? Há uma excelente proposta apresentada pela Doutrina Espírita: trazer Jesus para a intimidade do lar mediante o estudo semanal do Evangelho.

        Todos podemos reservar uma noite por semana para uma convivência saudável com nossos familiares. O estudo do Evangelho no Lar é uma medida preventiva para o nosso desconcerto interior, porque nos une na dimensão espiritual dos relacionamentos, portanto, numa dimensão mais profunda, para que não estejamos unidos apenas pelos laços legais e consanguíneos.

       O método para a realização do estudo do Evangelho no Lar é simples, não exigindo condições especiais ou formalismos de qualquer natureza, pois não representa uma cerimônia. Uma vez por semana nos sentamos tranquilamente em volta da mesa e conversamos amorosamente com nossos filhos. O diálogo continua sendo uma das melhores soluções para qualquer conflito nas relações humanas.

       Utilizamos do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo e fazemos a leitura de um pequeno trecho para meditar. No entanto, se o casal é adepto de outra Doutrina, e não a espírita, e por isso prefere uma leitura compatível com suas concepções espirituais, poderá utilizar, por exemplo, o livro-base da sua orientação religiosa. Que recorra à Bíblia ou outro livro que lhe seja satisfatório. Seja da Igreja Católica, na Religião Evangélica, no Budismo ou nos fundamentos do Islã, todos receberemos os benefícios da comunhão de Deus, que será uma terapia de valor inestimável para o grupo familiar.

       

        Normalmente aconselhamos a leitura da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, em razão da forma como os bons Espíritos e Allan Kardec interpretaram as palavras de Jesus, privilegiando os aspectos éticos da sua mensagem.


        Sendo assim, para iniciar o estudo pedimos a um filho que formule uma oração e em seguida solicitamos a outro filho ou filha que leia um pequeno texto do Evangelho. Após a leitura teceremos alguns comentários, aprofundamos alguns ângulos importantes e abordamos questões relativas aos problemas enfrentados pela família ao longo da última semana. Discutimos alguma dificuldade que houve entre nós e elegemos estratégias para solucionar os impasses. Uma discussão indevida, uma atitude irrefletida do pai, um comportamento imprevidente da mãe, uma decisão precipitada de um filho, tudo poderá ser solucionado com um gesto de perdão recíproco, que tem lugar naquele momento em que nos tornamos mais receptivos à Presença Divina em nosso lar.

        Logo depois de comentarmos o texto que foi selecionado enunciamos uma oração. Antes colocamos sobre a mesa um recipiente com água para pedir a Jesus que repita o fenômeno de Caná, quando o Mestre Incomparável, em uma festividade de casamento, manipulou as moléculas da água e conferiu ao líquido um sabor agradável, semelhante ao vinho (porém sem teor alcoólico) para presentear os convidados. Neste sentido, vamos solicitar a Jesus que altere a estrutura molecular da água sobre a nossa mesa e a transforme em medicamento espiritual para as nossas necessidades, consubstanciando um verdadeiro veículo de paz. E que a água sirva para sustentar as nossas energias, estabelecer e manter entre os familiares um vínculo de união.

        Em seguida, ao longo desta mesma oração, vamos pedir por todos nós que ali estamos para entrar em sintonia com a Divindade. É desejável também que nos lembremos dos enfermos, dos parentes e amigos que passam por alguma dificuldade. Mas também iremos recordar-nos dos nossos inimigos, que são aqueles que, por alguma razão, decidiram afastar-se de nós no caminho evolutivo. Ter inimigos é inevitável. Porém, como me disse certo dia Joanna de Ângelis, não é importante que alguém seja nosso inimigo. O importante é que nós não sejamos inimigos de ninguém. Oremos fraternalmente por eles, quer estejam encarnados ou desencarnados, que nos perseguem, nos odeiam e nos criam situações obsessivas embaraçosas. Incluamos os parentes e amigos que nos precederam na grande viagem de retorno ao mundo espiritual.

        Finalmente, elevemos o pensamento aos Espíritos Nobres, para que eles nos visitem em nome do Mestre Nazareno.

       Com esse procedimento o psiquismo insondável de Jesus habitará os recantos da nossa casa.

       A reunião deve transcorrer durante vinte ou trinta minutos, no máximo, tempo suficiente para que o encontro seja produtivo e para articularmos um vínculo de ternura na intimidade no nosso lar. E com esta medida estaremos com as portas abertas para que Jesus seja habitante do núcleo familiar em que nos encontramos.


                                        

       Em síntese, para impedir os conflitos conjugais, necessitamos cultivar o sentimento de espiritualidade em nosso relacionamento. Assim poderemos viver religiosamente, no sentido profundo da palavra, abraçando o amor como a nossa âncora de segurança. Afinal, ao término de uma reunião como essa, quando o casal vai-se recolher ao leito, os parceiros poderão dialogar com transparência e desculpar-se reciprocamente. Cada qual terá a oportunidade de falar sobre suas dificuldades, explicando os problemas e as necessidades interiores que lhe caracterizam a alma, abrindo, enfim, as comportas do coração. Mas é importante que este momento não reproduza uma dessas confissões vulgares que o parceiro afirma estar arrependido, pede perdão e volta a repetir o mesmo engano. Este diálogo conjugal precisa ser um instante de respeito, de solidariedade e de alta consideração, uma vez que é nesta oportunidade que se cria um momento de ternura. É no ato de ternura que o amor se expressa, podendo, inclusive, ter o seu clímax numa relação íntima. O parceiro e a parceira têm a necessidade de conjugar o seu sentimento com o do outro, de fundir-se no outro para descobrir os meandros da alma do ser amado.

       A carícia, a ternura e o amor conjugal fazem com que a família mantenha relações saudáveis, minimizando o impacto das discussões que podem ocorrer e perpetuando a união de todos os membros do grupo. Episódios de discussão fazem-se invitáveis, pois decorrem das diferenças que nos definem como seres no mundo. Mas que as nossas diferenças sirvam para nos auxiliar na verdadeira união.

Divaldo Franco

Fonte: Sexo e Consciência. Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

DESAFIOS E AMIZADE NA VIDA CONJUGAL


         A grande pergunta que norteia qualquer reflexão acerca da experiência conjugai é a forma como poderemos produzir um relacionamento estável e feliz. Primeiro, deveremos realizar um trabalho interior. A proposta da Doutrina Espírita prevê que consigamos o autoconhecimento. Se não nos conhecermos, não saberemos quais serão as nossas reações e não teremos uma ideia de como nos comportar em determinadas situações, o que resultará em atitudes intempestivas desencadeadas por questões familiares muito simples, quando entramos em litígio com o parceiro em nome de verdadeiras banalidades, graças ao capricho de querermos impor a nossa opinião.

         Como a união conjugal é uma parceria, é indispensável que cada um dos membros contribua com a sua melhor parte. Que cada um realize um movimento na direção do outro sem esperar que seja sempre a parte que cede.

        Muitas vezes, no egoísmo masculino, o homem deseja que a mulher permaneça como sua serva, sem dar-se conta de que essa época histórica já passou. O desejo que o outro exerça o papel subalterno pode existir também por parte da companheira, cabendo-lhe tomar os mesmos cuidados que recomendamos para o indivíduo do gênero masculino.

      Vivemos um tempo de direitos iguais na relação a dois, tornando-se imprescindível que ambos se reconheçam como responsáveis por desenvolver a maturidade no relacionamento, numa atitude recíproca de respeito e de compreensão.

      Com muita frequência desejamos que o outro seja o que não conseguimos. A nossa afetividade reproduz uma forma de fuga psicológica. O indivíduo ama na pessoa a imagem do que não consegue ser e ela tem que corresponder a essa expectativa. Este fato é tão comum que a maioria dos casais, quando transcorrem alguns meses após o casamento, enfrenta um processo de insatisfação que leva um dos cônjuges a dizer ao outro: “Eu me decepcionei com você!”.

      É óbvio que isso teria que acontecer, pois a pessoa construiu uma imagem do companheiro ou companheira. Aquele rapaz bonito, gentil e bem cuidado não era exatamente o que ela pensou. A parceira criou uma imagem e desejava obrigar o marido a interpretar aquele papel projetado futuro a fora. Quando ele deixou de ser alguém que queria conquistá-la, porque já o conseguiu e não soube mantê-la, é evidente que a mudança produza um choque.



         Para que uma união seja estável e feliz o casal deverá cultivar o sentimento de amizade e companheirismo, uma parceria afetiva profunda pelo ser que se encontra ao seu lado. Se esta medida for adotada na vida conjugai o êxito será inevitável.

         A amizade é o primeiro passo do amor. Quem não é capaz de ser amigo não será capaz de ser amante, no sentido estético e profundo desta palavra. Porque a amizade é este jogo de fraternidade e de confiança.

        Se o marido chega a casa e não anda muito bem consigo mesmo, a esposa pensa,
inadvertidamente: “Ele está me subestimando’. Está fazendo pouco caso de mim!”

        Em vez de imaginar hipóteses absurdas, a companheira poderia simplesmente entender que ele não está bem e procurar tratá-lo com mais atenção. Se ele não está bem, dê-lhe o direito de ter uma fase ruim e ame-o mais! Somente porque o divórcio está banalizado iremos declinar das nossas responsabilidades diante da primeira dificuldade?

       Ninguém se casou para ter um inimigo dentro de casa, mas para ter um amigo. Se por alguma razão o seu companheiro encontra-se numa fase em que não lhe procura como parceira sexual, receba-o em sua intimidade na condição de um amigo, envolvendo-o em ternura, uma qualidade essencial às relações humanas e que se encontra muito esquecida. Diga-lhe: “Meu bem, não há problema! Eu compreendo você!” Não há homem que resista a uma expressão de carinho da mulher amada! Dê aquele toque de sensibilidade que só as mulheres sabem colocar.

        Há esposas que são curiosas em suas atitudes. Busca o espelho e adorna o cabelo com um penteado especial. Quando o marido vai acariciá-la, tocá-la na cabeça, dá um salto de desespero e solicita: “Não desmanche o meu penteado!” Mas ela está se penteando para quem? Não será para o marido? Eu entendo que ela queira embelezar-se para manter a sua autoestima, em primeiro lugar, mas de permitir que o seu marido mereça uma parte dessa história... Faculte ao seu marido despenteá-la um pouquinho! Eu não sei por que, mas o homem adora desmanchar o cabelo da esposa! A companheira pode até fazer melhor: quando o marido chegar do trabalho, sendo sábia, deve deixar o cabelo exposto... (risos)...

        Por sua vez, o marido tem obrigação de entender a indisposição momentânea da esposa. Ela passa por ciclos hormonais que apresentam fases de intensa alteração física e emocional. É necessário tratá-la como uma pessoa que merece o seu respeito, e não como um objeto que se usa e se descarta como melhor aprazer.

       A nossa viagem em busca do amor que liberta pode ser feita de desafios e dificuldades, que fazem parte do caminho ascensional. O espiritismo, ao nos falar de amor, liberta-nos definitivamente do pieguismo. Amor não é conivência. Muitas pessoas confundem os conceitos e não se dão conta de que a conivência é uma forma de covardia, pois é preciso coragem para dizer não. É uma palavra que podemos utilizar com naturalidade, sem cultivar a raiva daquele de quem discordamos.


Por
Divaldo Franco

Fonte: Sexo e Consciência. Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

REENCANTAR A VIDA A DOIS E ESTÍMULOS SEXUAIS INFERIORES

Muitos casais que se dizem amar verdadeiramente se utilizam do sexo
promíscuo para aquecer o relacionamento e torná-lo mais interessante (segundo eles próprios afirmam). Alguns chegam ao ponto de introduzir outras pessoas na relação sexual ou praticar a troca de casais. Espiritualmente falando, esta é uma escolha que poderá acontecer graves consequências para esses parceiros.

       Poderemos até admitir, em princípio, que os casais que assim procedem realmente se amem, mas certamente não se respeitam.

       Quando nós nos respeitamos a nossa prática sexual estará embasada em um critério de ética. E qualquer manifestação promíscua é um comportamento atentatório aos valores profundos que todos deveremos cultivar.

      O fato de uma determinada prática estar na moda não lhe atribui cidadania no plano da ética. Se a promiscuidade invadiu os espaços sociais isto não a credencia para que possamos dela nos utilizar sem qualquer consequência mais grave.

      Se um casal se ama de fato não tem necessidade de outros indivíduos para se imiscuírem em sua relação íntima, da mesma forma como também não terão necessidade de práticas de extremo apelo erótico, que atinjam o patamar dos transtornos sexuais classificados pela psiquiatria. Parceiros que agem assim não se amam, apenas se utilizam um do outro para aventuras eróticas que satisfaçam a sua sede desenfreada de novos expedientes sexuais, ainda mais porque também são influenciados pelos vampirizadores sexuais do mundo espiritual, que se valem da invigilância do casal para atenderem aos seus apetites, ao seu desvario e à sua ilustração por não disporem mais de corpo físico para continuarem a trajetória de desequilíbrios no campo do sexo.

      Seria conveniente que o casal parasse para meditar e verificasse que a cada dia essa sede vai lhes exigir novas experiências, cada uma delas mais degradante.

      As fantasias sexuais em um ambiente voltado para o ato sexual podem levar os parceiros a sintonizar com Espíritos ligados ao sexo, pois esta sintonia é o fruto de um intercâmbio psíquico.

      Os Espíritos se vinculam a nós produzindo um acoplamento mental, períspirito a períspirito. À medida que a nossa mente emite ondas de teor vibratório inferior elas encontrarão ressonância no mundo espiritual. Aqueles que sincronizam com essas ondas aproximam-se e começam a responder aos nossos apelos mentais. Desta maneira se estabelece um intercâmbio que permite que eles nos influenciem por meio da hipnose, provocando uma dependência emocional entre encarnado e desencarnado. A obsessão está instalada.

      Se o indivíduo deseja experimentar um bom relacionamento, que tenha a característica de ser um vínculo compensador, por que ele deveria fantasiar? Muitos parceiros e parceiras, quando estão tendo intimidades sexuais, optam por imaginar um artista de cinema ou alguém que está presente na mídia para produzir um clima de satisfação pessoal que o outro nem sequer irá perceber. Em outras ocasiões este parceiro poderá se valer da relação sexual em curso para imaginar cenas que são próprias de profundos transtornos mentais na área do sexo. Esta postura irá atrair entidades perversas e viciadas, com se comprazem neste comércio psíquico perturbador, fazendo com que a obsessão seja inevitável, no caso do indivíduo persistir neste comportamento imprevidente.

       Se um casal desejar ir a um motel com a finalidade de usufruir momentos de privacidade, corre o risco de absorver as energias de Espíritos inferiores.

       Por que em nosso lar não poderemos ter a privacidade que desejamos? Será que nos aproximamos da alma do nosso parceiro somente naqueles breves minutos? A privacidade deve ser um estado permanente das almas... Um casal que se ama tem mil momentos privativos no cotidiano.

      Daí, quando desejar a intimidade sexual com seu parceiro ou parceira, que procure ter muita tranquilidade, preparando-se psicologicamente. Que se prepare no ambiente da família, procurando ter reservas e cuidados para não ser perturbado, evitando o voyeurismo e a curiosidade dos filhos. E entregue-se em plenitude.

                            

       Os motéis podem dar conforto promíscuo, roupas contaminadas, lavadas às pressas ou não lavadas, apenas passadas a ferro rapidamente para tirar as dobras produzidas pela utilização do casal anterior. A psicosfera de um ambiente como este é a mais baixa, pois somente vai ali quem está atormentado. A população espiritual é hedionda, porque é composta por entidades enfermas. Aqueles encarnados que chegam abrem-se a esse intercâmbio. Como os motéis possuem uma boa e ilusória aparência, semelhante aos bordéis do século XIX, a pessoa passa a ver nesse lugar um fetiche, da mesma forma como outros indivíduos utilizam uma peça de roupa íntima, um cacho do cabelo do seu parceiro ou qualquer artifício dessa natureza para poder sentir estímulo sexual. Em breve a pessoa conseguirá se estimular somente estando num lugar semelhante a esse, perfeitamente perturbador. Isso porque Espíritos viciosos, que perderam o corpo, mas não perderam a função mental, acercam-se daqueles que trazem as distonias e as manipulam, gerando obsessões das mais sórdidas. É uma interdependência como aquela que ocorre em relação ao uso de drogas, álcool, tabaco e alimentos consumidos em excesso.

      Divaldo Franco narra no livro Sexo e Consciência, a seguinte situação: “Visitando bordéis em Salvador para atender a mulheres que nos solicitavam socorro, especialmente na área histórica da cidade, como no Pelourinho, não poucas vezes, ao entrarmos nos edifícios em que elas se entregavam ao nefando comércio da insensatez, defrontávamos as mais torpes apresentações espirituais. Vimos Espíritos que se metamorfosearam (que perderam relativamente a forma perispiritual) e se imantavam como verdadeiros polvos sobre a área do cerebelo, descendo pela espinha dorsal daquelas pobres meretrizes, que no conúbio com outros parceiros transmitiam-lhes as mesmas energias ou propiciavam que os sugadores de energias se transferissem para aqueles que mantinham com elas a relação sexual destituída de sentimentos. As formas-pensamento me agrediam. As lesmas psíquicas impregnavam o ambiente. Eram esgares transformados em formas mentais semelhantes à água-viva que encontramos no mar.
      No entanto, nesses bordéis, enquanto eu atendia mulheres portadoras de sífilis, tuberculose ou loucura, podia ver que, mesmo nesses lugares de desesperação, vez que outra raiava uma claridade específica de Espíritos superiores que vinham trazer à reencarnação entidades que necessitavam renascer naquele meio hostil e pernicioso, para recomeçarem a marcha sob o açodar de muitas aflições. A mim me espantaram muitas vezes, durante a juventude, esses ambientes, que são indefiníveis para os nossos padrões de compreensão. São lugares soturnos, com odores pútridos da eliminação da sudorese perispiritual dos Espíritos perturbadores. Ali eu encontrei pessoas exauridas e algumas delas desvitalizadas, não pela perda da energia glandular (porque não experimentam nada), mas pela perda do tônus vital, do fluido que os Espíritos sugam no momento do comércio infeliz.
       Ao longo dos anos eu não vi tormentos desta ordem apenas em ambientes de sordidez humana, um dos mais baixos degraus do processo de manifestação sexual. Também vi e vejo tormentos deste tipo em pessoas que vivem do sexo nos apartamentos de luxo. São homens e mulheres que brilham diante das luzes da sociedade, em seus momentos de glória, mas que permanecem igualmente sugados por esses Espíritos soezes, perversos e vampirizadores, que lhes estão roubando a flor juvenil, provocando o envelhecimento precoce e a degradação que logo mais chega, quando eles são expulsos desses lugares de destaque por outros sempre mais jovens, que lhes constituem perigosos competidores.”

                    

      Já em outro parte do mesmo livro citado acima( Sexo e Consciência), Divaldo conta-nos que: “Viajando muito e hospedando-me em várias residências, não poucas vezes eu vi Espíritos nobres postados diante do quarto dos casais para preservá-los da invasão de entidades vulgares, nos momentos em que os parceiros se buscavam para a completude sexual. Conforme já foi mencionado, mesmo aqueles guias que vêm em tarefa reencarnacionista, trazendo Espíritos para uma futura experiência, procedem com imenso respeito pelo casal. Quando se vai reencarnar um Espírito nobre os mentores espirituais fomentam a ternura nos parceiros e os inspiram a um relacionamento íntimo. Os pais são envolvidos em doces expectativa sem relação ao filho que está por vir, mas a intimidade conjugai não é presenciada pelos Mentores. Porque nós temos direito à privacidade. Quando esta privacidade é feita de vulgaridade ela se transforma em espetáculo público de Espíritos também vulgares. Eles veem, gargalham, estimulam, sugerem... É como se fosse um circo, pois, é a lei das afinidades psíquicas. Os vampirizadores participam da relação sexual, hora utilizando um, hora utilizando o outro. Chegam a tombar em volúpia, como se estivessem na convulsão do orgasmo, pois toda sensação encontra-se sob o comando da mente. Allan Kardec, com muita sabedoria, afirmou que o períspirito mantém as impressões do corpo físico e sofre os seus efeitos.”

       Em uma união feita de ternura, amor e cumplicidade há defesas para que a intimidade do casal não se torne um pasto de vampirização espiritual. Por isso, um dos graves problemas do exercício sexual sem a presença do amor é a porta que se abre para as obsessões muito virulentas.


Fonte: Sexo e Consciência. Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

TROCA E CANALIZAÇÃO DE ENERGIA SEXUAL


TROCA DA ENERGIA SEXUAL    
    
         Se nós selecionarmos os conteúdos que guardamos em nosso psiquismo ficará muito mais fácil alcançar a paz interior que nos preservará de tormentos desnecessários. Divaldo Franco, diz que: “Eu procuro manter uma técnica para não impregnar a mente com cenas deploráveis: não me detenho a olhar tudo aquilo que está ao meu alcance. Seleciono as imagens para diferenciar aquelas que são agradáveis daquelas que não me interessa registrar.”

         De acordo com o direcionamento da mente a nossa energia sexual será utilizada de formas variadas. Afinal, os fatores diferenciais do sexo (masculino e feminino) podem ser localizados no sistema reprodutor. Mas a sexualidade está localizada em todo o corpo, na mente, na aura e na emanação psíquica que possuímos.

         Na realidade não é a relação sexual em si mesma que desgasta o corpo e compromete o funcionamento do sistema reprodutor, mas é a mente viciada que lança toxinas psíquicas na estrutura dos órgãos e glândulas sexuais. Quando um casal se ama e se respeita, no momento da relação sexual são liberados também hormônios psíquicos de ternura, que se convertem em verdadeiro nutriente para o corpo e para a mente dos parceiros.

         Certa vez um Espírito amigo disse a Divaldo Franco que:
- “Em uma relação sexual feita de ternura ocorre uma transmissão de energia das mais profundas, semelhante a uma aplicação de passe. Na terapia do passe as energias penetram lentamente a aura e os poros do períspirito para depois beneficiar o corpo físico. Durante a intimidade de um casal que se ama a bioenergia sexual penetra com mais intensidade no organismo. Há um fluxo de bioenergia de fora para dentro, a partir da radiação psíquica absorvida do parceiro, e outro de dentro para fora, que se origina no próprio organismo do indivíduo. Os dois fluxos de energia exercem sobre o casal um efeito terapêutico, irradiando-se pelos órgãos e produzindo saúde. E tudo isso graças ao milagre do amor!”

                     
                     


CANALIZAÇÃO DA ENERGIA SEXUAL


          No livro Missionários da Luz, o Espírito André Luiz refere-se à canalização das energias para o trabalho saudável com o corpo. Ele afirma que os exercícios físicos e a prática esportiva constituem uma forma de eliminar os excessos de energia que se manifestam no indivíduo, sobretudo nos mais jovens.

         Todavia, o autor espiritual também se refere a uma forma de exercício que foi sugerida por Jesus e que a Doutrina Espírita preconiza: a prática do bem. Se pensarmos nos problemas que os nossos irmãos de caminhada evolutiva experimentam, concluiremos que os dramas sexuais que nos alcançam não são tão espinhosos quanto parecem. Há sempre alguém inserido em um processo expiatório ou provacional mais doloroso do que o nosso. Nós até conseguimos pensar no sofrimento de outras pessoas, mas preferimos utilizar o tempo chorando os nossos pesares. Se olharmos aqueles que gostariam de ter pelo menos uma parte do que possuímos, mesmo com aquele problema que nos estiola por dentro iremos reconhecer o quanto temos a agradecer e quão pouco necessitamos de pedir.

         Canalize as suas forças para o Bem. Se na sua percepção o fluxo de energias está excessivo, suba morros e visite residências humildes. Leia o Evangelho para um idoso e deposite um pouco de alegria em um coração amargurado. Não pense que se manterá em equilíbrio apenas estudando a Doutrina Espírita em seu aspecto científico, o que é muito válido. No entanto, todas as pessoas necessitam aliar a teoria à prática. Em vez de ser apenas médiuns de Espíritos desencarnados, que se transformem em médiuns da vida. Concentrar a atenção exclusivamente no estudo científico é um mecanismo de fuga para não se ter que enfrentar o desafio do autoburilamento espiritual.

         Portanto, lembremo-nos todos deste precioso recurso psicoterapêutico para as terríveis expressões do nosso egoísmo, que nos levam a ceder às paixões: visitar pessoas doentes, conviver com as pessoas simples e sofredoras.

       Para conservar o equilíbrio psicológico dispomos também de dois equipamentos infalíveis que Jesus nos ofereceu: a vigilância e a oração. Vigiar as imperfeições, estar atento às deficiências, identificar o próprio calcanhar de Aquiles. São perguntas que teremos que nos fazer constantemente: “Onde está o meu ponto nevrálgico? Em qual ângulo do meu comportamento eu sou frágil e não resisto?” Com essa conduta poderemos trabalhar o ser interior que somos sem desânimo e sem nunca cessar o processo de aprimoramento.

       Se cairmos, levantemos para seguir adiante, porque todos tombamos em algum momento da vida. Não nos esquecermos dos instrumentos da solidariedade e da fraternidade.

       Portanto, a melhor maneira de lutar contra essas paixões que predominam na natureza humana é a coragem da autoanálise e o esforço para ser a cada instante melhor do que antes, evoluindo sempre.



Fonte: Sexo e Consciência. Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.