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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

CONSEQUÊNCIAS E RESPONSABILIDADES DO ABORTO


         São muito graves os efeitos na economia moral de quem opta por fazer o aborto ou de quem o incentiva. Na ignorância moral em que se encontra e estando consciente da ocorrência, o Espírito abortado rebela-se e busca vingança, por compreender que lhe foi negada a oportunidade de evoluir. Não são poucos os casos de obsessões que tem a sua gênese no aborto provocado.

         As mulheres que engravidam e matam seus filhos com muita naturalidade desconhecem que são responsáveis por esse terrível flagelo que se impõem a si mesmas, pois os Espíritos abortados normalmente não as perdoam, o que provocará um litígio de grandes proporções. Eles acompanham sutilmente essas mulheres até que elas vivenciem alguma dificuldade na vida. Nesse momento, eles se voltam contra elas e exacerbam seus conflitos existenciais até conseguirem perturbá-las, atirando-as em estados depressivos ou facilitando quadros psicóticos aparentes, que na verdade são transtornos mediúnicos, classificados como obsessões espirituais. Em seguida, esse processo alcançará também o homem que foi motivo do crime hediondo.

         Quando ainda não se encontra consciente do que lhe ocorreu, o Espírito sofre o ato cruel e imanta-se por afinidade àquela que o expulsou do útero materno. Como esses seres prematuramente expulsos do corpo já estavam com seu períspirito imantado às células, o organismo físico é eliminado, mas permanecem as suas fixações perispirituais junto ao organismo da mulher, o que poderá causar um futuro câncer de colo de útero e outras doenças do sistema reprodutor feminino. O ódio desses seres que tiveram a vida cerceada transforma-se em uma alucinação convertida em ondas mentais deletérias no organismo fragilizado da mulher, que as assimila e sofre alterações no seu estado de saúde.


         O médium e orador espírita Divaldo Franco relata a seguinte história: “Certa vez, eu conheci uma senhora que deveria ter uns trinta anos de idade, quando começou a frequentar a Mansão do Caminho.
         Quando contava aproximadamente cinquenta e cinco anos, ela recebeu o diagnóstico de um câncer de útero, que ao ser revelado já havia produzido metástase óssea que lhe provocava dores quase insuportáveis.
         Naquela época, na cidade de Salvador, não havia quimioterapia. O único tratamento disponível era a radioterapia aplicada no Hospital do Câncer. A minha amiga submeteu-se ao tratamento radioterápico e ficou com muitas lesões no corpo, porque a técnica ainda estava em fase experimental. Quando ela estava muito mal mandou chamar-me. Eu já a visitava periodicamente, mas, na ocasião, ela deu-se conta de que iria desencarnar e desejava falar-me. O câncer já havia invadido o mediastino e o óbito era uma questão de tempo.
         Eu procurei levantar-lhe o ânimo, quando, então, ela fez-me a seguinte revelação: 
         — Divaldo, as Leis de Deus são soberanas. Eu sei por que estou com câncer. E felizmente a Doutrina Espírita chegou em boa hora para mim. Só a assimilei depois da doença. Como você sabe, eu conheço o Espiritismo há alguns anos, pois frequento a sua instituição faz muito tempo. Mas ainda não o havia digerido adequadamente. Eu aceitava a proposta sem maiores compromissos e permanecia enganando-me. A minha situação é a seguinte: eu tenho um companheiro que é um homem casado. Eu o amo muito e ele também diz que me ama. Nesses últimos vinte anos eu realizei mais de uma dezena de abortos dele, já que eu não poderia ser mãe. Ele me garantia que se eu preservasse um filho nosso e ele descobrisse, seria a última vez em que nos veríamos, pois ele nunca deixaria a esposa e nunca registraria um filho fora do casamento. Naquela época, não havia exame de DNA nem a imposição da lei para que o pai biológico assumisse a responsabilidade pelo filho. Então, por amor a ele, eu abortei em mais de dez ocasiões diferentes.
         Eu fiquei simplesmente estarrecido! Como a alma humana é complexa! Como é que ela pôde ouvir a proposta de Jesus, os enunciados a respeito do “Não matarás”, e em nome de um amor irreal, que era somente desejo, tormento sexual, matar crianças com tanta impiedade? Porque o amor não mata! O amor liberta! Se ela realmente amasse aquele homem, dir-lhe-ia: “Prefiro vê-lo feliz com a sua mulher a vê-lo atormentado comigo, causando-me também infelicidade”. Se ela de fato o amasse, renunciaria ao relacionamento sexual com ele e continuaria amando-o, desde que ele já era feliz com a esposa.
         Por isso, o câncer era o resultado de todas as agressões que ela praticou contra o próprio organismo. Felizmente, a sua consciência despertou ainda aqui na Terra. E menos de uma semana depois do nosso diálogo ela desencarnou.
         Muitos anos mais tarde eu a encontrei em uma visita a uma região dolorosa do mundo espiritual inferior, para onde os Espíritos amigos me conduziram em desdobramento consciente a fim de realizar observações e estudos. Ela me reconheceu e contou-me as consequências dos seus atos criminosos.
        Esclareceu-me que estava profundamente arrependida dos abortos praticados. Mas os seres cujas vidas ela havia destruído não a perdoaram, sendo que um deles tentou renascer oito vezes, e dela recebendo uma resposta negativa por meio da interrupção criminosa da gestação.
       Alguns dos Espíritos receberam da Misericórdia Divina a oportunidade de reencarnar em outras famílias. Porém, esse reincidente desenvolveu por ela um ódio tão intenso que se lhe alojou psiquicamente no útero e deu início ao processo de alterações celulares que culminou no câncer e na sua desencarnação.
       Por fim, ela informou-me que estava programada para reencarnar junto a esse Espírito vingativo, como gêmeos xifópagos (gêmeos siameses), para que os dois pudessem regularizar o débito contraído. São muitas as consequências do aborto na encarnação subsequente.”

       Poucos sabem que Divaldo Franco poderia ter sido abortado, mas a sua mãe negou fazer o aborto. A seguinte confissão de cunho pessoa de Divaldo sobre o assunto:  “Não tenho a intenção de concordar com a atitude de revide que os seres abortados assumem perante aquelas pessoas que lhes roubaram a oportunidade da reencarnação, mas quero dizer que eu compreendo perfeitamente a dor que lhes aniquila os sentimentos profundos, pois sou o décimo terceiro filho de uma família numerosa, e quase não pude renascer... Pelo desejo dos meus pais, o meu irmão, que é cinco anos mais velho do que eu, seria o último filho a nascer. Minha mãe já experimentava os primeiros sinais do climatério quando percebeu algo estranho no seu corpo e consultou-se com um médico, que lhe deu a inesperada notícia de uma gravidez tardia. Por causa do organismo debilitado, depois de doze partos e três abortos espontâneos, o médico sugeriu-lhe que interrompesse a gestação para que ela não tivesse a saúde gravemente comprometida. A orientação médica foi dada nos seguintes termos:
        — Dona Ana, vamos fazer o aborto! A senhora já realizou sua missão de mãe com os doze filhos que Deus lhe concedeu.
        — Não, doutor! Eu não vou abortar meu filho!
        — Mas esta criança vai matá-la! A senhora não tem condições de saúde para resistir!
        Diante dos argumentos do médico, era provável que qualquer pessoa aderisse à proposta por ele apresentada. Nossa família tinha muitas dificuldades financeiras e faria ainda maiores sacrifícios se mais uma criança viesse ao mundo. Não obstante, a minha mãe, contrariando aquilo que para muitos seria uma solução óbvia, voltou-se para o médico e respondeu:
       — Se eu morrer no intuito de dar a vida a um filho, para mim será uma honra!
       (...) E a minha mãe não me abortou. Eu tenho para com ela uma dívida de gratidão indescritível! Ao correr o risco de sacrificar sua própria vida, ela me permitiu mais de oitenta anos de existência física. Se me tivesse abortado, será que eu a amaria? Será que eu não estaria hoje dominado pela mágoa (e até mesmo pelo ódio) de ver perdida a chance que a Divindade me desenhava naquele momento? Não se pode descartar esta hipótese. No entanto, aqueles seres que indubitavelmente ainda se encontram num patamar incipiente de evolução psicológica cultivarão sentimentos de animosidade e de revolta que geram obsessões das mais lamentáveis, com consequências que se estendem para a vida espiritual.
       É fascinante constatar como devemos fazer tudo ao nosso alcance para preservar a vida. A vida humana é patrimônio de Deus e ninguém, sob pretexto algum, tem o direito de interrompê-la. O aborto, sob qualquer aspecto em que se apresente, permanece como crime hórrido que um dia desaparecerá da Terra, em face da crueldade e covardia de que se reveste.”


Fonte: Livro Sexo e Consciência de Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.

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