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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

SEXO, NO ENTENDIMENTO DO ESPIRITISMO

         A função sexual considerada como fonte de vida pelo milagre da reprodução, é acompanhada pelo prazer no seu exercício saudável, tornando-se, também, fator de desequilíbrio quando alguma dificuldade a inibe, a direciona equivocadamente, através da eleição de conduta patológica.

        Fundamentada na ética do amor, a Doutrina Espírita propõe ao comportamento
sexual higiene moral e respeito indispensável ao exercício da sua função dentro de padrões equilibrados, de modo que se constitua elemento proporcionador de saúde e de bem estar, contribuindo seguramente para o desenvolvimento de todos os valores intelectuais e espirituais em que a vida se estrutura triunfante.

        Isso, porém, deflui da conquista da consciência, do nobre instrumento da razão e do discernimento, que capacita o indivíduo a viver da função e não exclusivamente para ela ou sem ela...

        A partir da gestação, quando o espírito vincula-se ao futuro corpo, as ocorrências do intercâmbio entre a mãe e o futuro filho, as imposições do ambiente, a conduta na vida infantil, a convivência social, influem de maneira inequívoca na construção da sua saudável ou doentia conduta sexual, imprimindo no inconsciente receptivo às informações exteriores, os instrumentos hábeis para o seu desenvolvimento, no que resultam o equilíbrio ou os transtornos graves durante toda a existência.

       O Espírito André Luiz afirma que as nossas atividades sexuais a imundície não está no sexo em si mesmo, mas no comportamento da nossa mente.

       O sexo, assim como qualquer outra função que se manifesta em nossa maquinaria orgânica, deve ser utilizado com o respeito que devemos dedicar aos demais mecanismos fisiológicos. Encarregado de perpetuar a espécie, a sua prática reveste-se de significados profundos, por ensejar a reprodução, particularmente na espécie humana. Igualmente portador de hormônios fisiológicos e psicológicos, pelo prazer que proporciona, merece o envolvimento do amor, sem o qual se torna automatismo orgânico destituído de mais elevada consequência. Ademais, pelo fato de envolver outra pessoa, quando nos relacionamentos saudáveis, sempre se torna responsável pelos efeitos psicológicos que vinculam uma à outra. A sua utilização promíscua e irresponsável sempre gera distúrbios morais, sociais e emocionais profundos, de que padece a nossa sociedade, alguns dos quais serão transferidos para o Além-túmulo.

       Quando observamos a promiscuidade sexual, notamos que a pessoa muda de parceiro, mas não muda de comportamento. E vai procurar no outro parceiro (masculino ou feminino) aquilo que faltava no anterior. É a busca do novo, do diferente, que em breve será normal, repetitivo, cansativo. E, por consequência, o indivíduo passa a usar a função sexual como alimento de variação constante, sem jamais alcançar uma digestão de plenitude.

       Conforme já foi amplamente elucidado, os transtornos da sexualidade não são causados pela estrutura anatomofisiológica do sistema reprodutor, mas residem nas forças mentais que tipificam as criaturas humanas. A mente que retornou viciada à Terra, trazendo seus conflitos do mundo invisível, tem sede, não se incomodando em que recipiente vai sorver a água para saciar-se.

       Não poderemos contestar uma lei que tem vigência nos Soberanos Códigos da Vida: temos o dever de nos respeitar e de respeitar o nosso próximo. Portanto, o que recomendamos é que o indivíduo evite manter uma vida promíscua, entregando-se a aventuras sexuais variadas, sem nenhum respeito por si mesmo nem pelo outro. Esta recomendação é válida para qualquer circunstância. Um indivíduo promíscuo na heterossexualidade, por exemplo, é alguém que estará de alguma forma lesando a sua própria saúde física e psíquica, qual ocorrerá com a promiscuidade em qualquer modalidade de orientação sexual.

      Um dos nossos desafios é manter o equilíbrio sexual, mesmo que sejamos estimulados pela sociedade contemporânea à vulgaridade. Quando exercemos o sexo, sem educação mental, dando campo à pornografia e à utilização de recursos esdrúxulos, produzimos mecanismos de desajuste psicoemocional. A mídia e os meios de difusão da arte projetam conceitos ilusórios em torno do sexo, que contribuem para o nosso desequilíbrio.

       Somente os estímulos sexuais produzidos pela mente bem direcionada, acompanhada do toque de amor, são capazes de gerar saúde integral.

       Segundo os bons Espíritos, o sexo será tão aviltado, conforme já vem acontecendo, que em breve não nos sentiremos estimulados quando focarmos nos veículos de comunicação de massa pessoas completamente desnudas. Paradoxalmente, iremos sentir os ardores da libido quando olharmos as pessoas vestidas. Como o sexo é fortemente induzido pelos recursos da imaginação, um produto excessivamente exposto não provoca a excitação, senão uma volúpia fugaz.

       O sexo sempre foi livre. Infelizmente também foi sempre libertino. Ser livre não significa permitir-se todas as aberrações em nome do prazer, porque, senão, os portadores de transtornos sexuais seriam as pessoas mais felizes da Terra. E não o são!

       Se fizermos um exercício de disciplina mental, poderemos receber as notícias
que circulam na mídia com naturalidade, bloqueando qualquer possibilidade de sermos afetados. Tenhamos a nossa mente tranquila.

      O abuso, o uso inadequado da sexualidade, levam-nos a assumir responsabilidades muito grandes. Em qualquer situação da vida, nós deveremos utilizar o bom senso para viver com saúde integral. Da mesma forma como temos respeito pelos órgãos da digestão, pelo sentido da visão e por outras funções fisiológicas, o sexo, sendo um órgão que faz parte do santuário do corpo, precisa ser vivenciado com critério e dignidade. Quando agredimos o sistema digestório, adotando uma alimentação excessiva, os órgãos que o compõem apresentam falhas funcionais que causam transtornos como a diarreia e as dores abdominais. Quando abusamos do álcool, temos a tendência natural a desenvolver cirrose hepática. Quando abusamos do cigarro, marchamos inevitavelmente para o enfisema pulmonar. Assim também, quando abusamos do sexo, corrompemos a sua função, e sofremos as consequências dessa injunção.

        A exposição excessiva dos corpos tem repercussões deletérias para o indivíduo. O corpo é muito transitório, por mais belo ou dotado de próteses que ele seja. Por mais que tenha sido submetido a cirurgias para torná-lo atraente, termina por decair. É lógico que os recursos da medicina estética podem ser utilizados para que a pessoa se sinta bem e esteja feliz. Contudo, quando esses recursos são empregados exclusivamente para o erotismo, a estimulação visual desencadeia nos seus admiradores ondas mentais de desejo que vão invadir a estrutura fisiopsíquica do homem ou da mulher, causando-lhes prejuízos na saúde, produzindo, depois de certo tempo, transtornos sexuais como a frigidez ou a impotência. Os danos à função sexual farão com que esses indivíduos procurem as drogas para regularizar o organismo, estabelecendo ligações com Espíritos obsessores que se lhes acoplam. Ao desencarnar, esses atormentados do sexo prosseguem sendo vampirizados, como vítimas de si mesmos e dos seres que sintonizaram na mesma frequência mental. São cenas dantescas que normalmente é evitado descrever para não criar imagens perturbadoras na mente das pessoas.

        Divaldo Franco diz no livro Sexo e Consciência: Certo dia eu perguntei aos amigos espirituais até que ponto iríamos suportar o sexo corrompido e vulgar. Eles me contestaram, informando que chegaria um ponto em que ocorreria uma saturação. Quando vemos o triunfo do sadomasoquismo, das drogas estimulantes e outras aberrações, significa que o sexo em si mesmo foi subtraído das suas finalidades. Em alguns segmentos sociais, o sexo natural, defluente do amor, cedeu lugar a esses descalabros, que já nos estão fazendo pensar em voltar aos tempos da afetividade. Daí, a humanidade vai começar a sentir saudades do namoro, do sorriso, do aperto de mão, da relação sexual enriquecida pela amizade entre os parceiros, adornada pela atitude gentil e enobrecedora. Portanto, chegaremos ao máximo, às culminâncias do absurdo, para logo depois fazermos o movimento de retorno, inclusive voltando aos carnavais mais ingênuos que tinham lugar em alguns grupos sociais do passado, divertindo-nos sem mergulharmos na alucinação sexual.

       Quando formos capazes de amar e de usar o sexo com a finalidade reprodutiva para a qual a Divindade o dotou, bem como para o intercâmbio saudável de hormônios, de emoções e de sensações, com ternura e respeito pelo parceiro, ele será uma fonte inexaurível de bênçãos, mesmo que haja uma ou outra dificuldade em nossa caminhada.



Fonte: Sexo e Consciência. Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.

Um comentário:

  1. Bom dia amados.

    Bastante salutar essas informações. Creio que esse desenfreamento sexual de muita gente, deve-se a falta de conhecimento da vida futura. A maioria de nós ainda está muito presa a matéria, o que nos deixa muito aquém das zonas celestiais.
    Que Deus nos abençoe e nos ilumine sempre.

    Muita paz!

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