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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Post.208: NATUREZA E PROPRIEDADES DOS FLUIDOS

ELEMENTOS FLUÍDICOS

                A ciência deu a chave dos milagres que resultam, mais particularmente, do elemento material, seja explicando-os, seja demonstrando-lhes a impossibilidade, pelas leis que regem a matéria; mas os fenômenos em que o elemento espiritual toma parte preponderante, não podendo ser explicados unicamente pelas leis da matéria, escapam às investigações da ciência: é por isso que eles tem, mais que os outros, os caracteres aparentes do maravilhoso. É, pois, nas leis que regem a vida espiritual que se pode encontrar a chave dos milagres desta categoria.

                O fluido cósmico universal é, assim como foi demonstrado, a matéria elementar primitiva, da qual as modificações e transformações constituem a inumerável variedade de corpos da Natureza. Quanto ao princípio elementar universal, ele oferece dois estados distintos: o da eterização ou de imponderabilidade, que se pode considerar como o estado normal primitivo, e o da materialização ou de ponderabilidade que, de alguma sorte, não lhe é senão consecutivo. O ponto intermediário é o da transformação do fluido em matéria tangível; mas, ainda aí, não há transição brusca, porque se podem considerar nossos fluidos imponderáveis como um termo médio entre os dois estados.

                Cada um destes dois estados dá, necessariamente, lugar a fenômenos especiais: ao segundo pertencem os do mundo  visível, e os primeiros, os do mundo invisível. Uns, chamados fenômenos materiais, são da alçada da ciência propriamente dita; os outros, qualificados de fenômenos espirituais ou psíquicos, porque se ligam mais especialmente à existência dos espíritos, estão nas atribuições do Espiritismo; mas como a vida espiritual e a vida corpórea estão em contato incessante, os fenômenos destas duas ordens se apresentam, com frequência, simultaneamente. O homem, no estado de encarnação, não pode ter a percepção senão dos fenômenos psíquicos que se ligam à vida corpórea; aqueles que são do domínio exclusivo da vida espiritual escapam aos sentidos materiais, e não podem ser percebidos senão no estado de espírito.  

                No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme; sem deixar de ser etéreo, ele sofre modificações bastante variadas em seu gênero, e mais numerosas talvez que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem os fluidos diferentes que, se bem que procedendo do mesmo princípio, estão dotados de propriedades especiais, e dão lugar aos fenômenos particulares do mundo invisível.

                Tudo sendo relativo, esses fluidos tem, para os espíritos, que são eles mesmos fluídicos, uma aparência tão material quanto à dos  objetos tangíveis para os encarnados, e são para eles o que são para nós as substâncias do mundo terrestre; eles os elaboram, os combinam para produzirem efeitos determinados, como fazem os homens com os seus materiais, todavia, por procedimentos diferentes.

                Mas lá, como neste mundo, não é dado senão aos espíritos mais esclarecidos compreenderem o papel dos elementos constitutivos de seu mundo. Os ignorantes do mundo invisível são tão incapazes de explicar os fenômenos de que são testemunhas, e para os quais, com frequência, concorrem maquinalmente, quando os ignorantes da Terra o são para explicarem os efeitos da luz ou da eletricidade, de dizerem como veem e ouvem.

                Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção de nossos sentidos, feitos para a matéria tangível  e não para a matéria etérea. Há os que pertencem a um meio de tal modo diferente do nosso, que não podemos julgá-los senão por comparações, tão imperfeitas quanto aquelas pelas quais um cego de nascença procura fazer para si uma idéia de teoria das cores.

                Mas, entre estes fluidos, alguns estão intimamente ligados à vida corpórea, e pertencem, de alguma sorte, ao meio terrestre. Na falta de percepção direta, pode-se observar-lhe os efeitos, como se obsevam os do fluido do ímã, que nunca se viu, e adquirir sobre a sua natureza conhecimento de uma certa precisão. Este estudo é essencial, porque é a chave de uma multidão de fenômenos inexplicáveis unicamente pelas leis da matéria.

                O ponto de partida do fluido universal é o grau de pureza absoluta, de que nada pode nos dar uma idéia; o ponto oposto é a sua transformação em matéria tangível. Entre estes dois extremos, existem inumeráveis transformações, que se aproximam, mais ou menos, de um ou do outro. Os fluidos mais vizinhos da materialidade, os menos puros por consequência, compõem o que se pode chamar a atmosfera espiritual terrestre. É neste meio, onde se encontram igualmente diferentes graus de pureza, que os espíritos encarnados e desencarnados da Terra haurem os elementos necessários à economia de sua existência. Estes fluidos, por sutis e impalpáveis que sejam para nós, não o são menos de uma natureza grosseira, comparativamente aos fluidos etéreos das regiões superiores.

                Ocorre o mesmo na superfície de todos os mundos, salvo as diferenças de constituição e as condições de vitalidade próprias a cada um. Quanto menos a vida é material, menos os fluidos espirituais tem afinidade com a matéria, propriamente dita.

                A qualificação de fluidos espirituais não é rigorosamente exata, uma vez que, em definitivo, é sempre da matéria mais ou menos quintessenciada. Não há de realmente espiritual senão a alma ou principio inteligente. São assim designados por comparação, e em razão, sobretudo, de sua afinidade com os espíritos. Pode-se dizer que são a matéria do mundo espiritual: é por isso que são chamados fluidos espirituais.

                Quem conhece, aliás, a constituição íntima da matéria tangível? Talvez não seja ela compacta senão em relação aos nossos sentidos, e o que o provaria é a facilidade com que é atravessada pelos fluidos espirituais, e os espíritos, para os quais não são mais obstáculos do que os corpos transparentes não o são para a luz.

                A matéria tangível, tendo por elemento primitivo o fluido cósmico etéreo, deve poder, em se desagregando, retornar ao estado de eterização, como o diamante, o mais duro dos corpos, pode se volatizar em gás impalpável. A solidificação da matéria, em realidade, não é senão um estado transitório do fluido universal, que pode retornar ao seu estado primitivo quando as condições de coesão deixam de existir.

                Quem sabe mesmo se, no estado de tangibilidade, a matéria não seria suscetível de adquirir uma espécie de eterização que lhe daria propriedades particulares? Certos fenômenos, que parecem autênticos, tendem a fazê-lo supor. Não possuímos ainda senão as balizas do mundo invisível, e o futuro nos reserva, sem dúvida, o conhecimento de novas leis que nos permitirão compreender  que é ainda, para nós, um mistério. 



Fonte: A Gênese . Allan Kardec. Capítulo XIV, itens 1 à 6. 

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