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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

SEXO: MATÉRIA E ESPIRITUALIDADE

Foi Deus quem criou o sexo para alegria das criaturas e para que o próprio homem criasse as outras formas que devem habitar a Terra, colaborando destarte com a maravilhosa Obra de Deus.  Ninguém deve tornar imundo aquilo que Deus santificou. Não foram essas palavras ditas ao apóstolo?

O problema sexual não restringe somente à esfera da carne ou à crosta terrestre. Ele vai mais além do comum entendimento humano. Sexo, nas esferas espirituais mais elevadas, não significa apenas macho e fêmea, órgãos masculinos e femininos, relações sexuais. Nas esferas espirituais mais elevadas, sexo significa um conjunto de qualidades ou características femininas ou masculinas, positivas ou negativas e neutras, se assim se pode dizer e o ato sexual pode se processar num outro campo de vibrações, resultado de transferências que o homem comum ainda não conhece, no campo do amor. É natural que na esfera de carne entenda o homem que sexo é apenas a relação macho e fêmea de modo a que tudo termine em relações sexuais. No entanto, nos planos espirituais mais elevados, sexo significa mais. Buscando a identificação das almas e a união dos corações. Pode haver, no mundo, sexo sem amor enquanto que aqui (no plano espiritual mais evoluído) geralmente nas mentes mais evoluídas existe amor sem sexo, considerando-se sexo órgãos sexuais. Isso não quer dizer que as almas não apresentem os órgãos sexuais. Por muitos milênios ainda ostentarão os órgãos sexuais.

A verdade deve ser dosada... Fora disso, nos arriscamos a estabelecer a desordem na Casa do Pai. Não se dar mais do que a mente humana pode conter... Milhares de criaturas, anseiam por mais verdade, no entanto, ainda, infelizmente, não temos condições mentais para saber mais.

A Espiritualidade Superior não busca eliminar ou destruir o sexo. A sexualidade é estágio necessário da alma humana em determinadas faixas do universo. Lei da Vida, porta aberta a reencarnação ou caminho da “fábrica de formas”.


Os mundos do tipo da Terra exigem formas a fim de que os Espíritos reencarnem e Deus fez o homem e a mulher com a possibilidade de reproduzir as formas de maneira a que através deles mesmos reencarnem os Espíritos e possa funcionar a Lei de Amor. Assim, foi Deus que fez o sexo. Não há imoralidade alguma no uso dos órgãos sexuais. O que há é uso indevido e risco de se perturbar o desenvolvimento natural do ser. A humanidade está deixando um estagio de completo atraso e vai entrando no campo científico e real de grandes conhecimentos. Quando o homem conquista o espaço é porque já alcançou o direito de liberdade cósmica e não poderia evidentemente continuar vivendo dentro de conceitos, muito bons no passado mas que agora não se coadunam com o avanço de sua inteligência...

O sexo não é empecilho a evolução. Pelo contrário, é porta aberta para a evolução. Não é através da reencarnação que os espíritos vão alcançando maior progresso? O sexo é porta sagrada. A extravagância sexual é que enfraquece o corpo físico e o perispírito do homem. As forças eletromagnéticas dos veículos corpo perispírito tendem a enfraquecer-se ou a gastar-se com o exercício indiscriminado da sexualidade. É como se uma bateria se descarregasse pelo uso excessivo. O celebro material sem a carga eletromagnética necessária, enfraquecido, não tem condições de alçar vôos para o pensamento mais alto. Daí terem os religiosos do passado caído na situação oposta e absurda de tentar a castidade absoluta. Para manter-se uma absoluta castidade, também é necessário que o ser tenha progresso e evolução espiritual. A castidade para o homem comum ou mesmo para aquele que progrediu muito espiritualmente mas ainda não alcançou a beatitude é medida prejudicial porque a criatura encarnada tem a responsabilidade da criação das formas...

Tudo no universo pode espiritualizar ou materializar, depende apenas da fixidez de nossa mente. Onde fixamos a mente colocamos ali o coração e o perispírito passa a adquirir menos velocidade vibratória e com isso tende a se imobilizar ou a enrijecer-se.

Sexo, não é imundície nem imoralidade. É oportunidade de entendimento entre as criaturas e chance de transmissão de fluidos. Quando duas criaturas se amam verdadeiramente, através do sexo e do ato sexual elas se transfundem as vibrações psico-físico-espirituais de que são portadoras e dão e recebem energias extraordinárias para a marcha da vida. Há euforia e grandeza moral e espiritual. Quando, porém, a fixação sexual é demasiada ou exagerada, pode a criatura cair no esgotamento nervoso ou no desgaste e embrutecimento perispiritual, mas apesar disso, perante Deus, não há pecado. Deus criou o sexo não o fez nem moral nem imoral, fê-lo natural e simples para a alegria do homem e da mulher e para progresso dos Espíritos. Sexo é obra divina e o Criador se compraz em verificar que através dele os seres avançam universo a dentro ao encontro de maiores possibilidades e alcançam cada dia maior ascensão espiritual. O sexo sublimar-se-á através dos tempos e por ele, os seres que gravitam nas sombras encontrarão o entendimento maior e se aproximarão do Reino de Deus.

Há duas intensas e poderosas fontes de energia no homem: a fonte mental e a fonte sexual. Ambas se equilibram permanentemente. Uma é a fonte renovadora do mundo e do universo que cerca o homem e que se manifesta através da inteligência nas atividades de cada dia, e a outra é a energia criadora das formas físicas que buscam realizar a obra da criação divina para evolução dos seres. A primeira é força de atividade e realização; a segunda é energia de manutenção e permanência do homem na Terra. Sem o sexo não haveria homem no mundo e não haveria oportunidade de evolução, para os Espíritos que vibram na faixa dos mundos semelhantes à Terra. São mundos de reencarnação que exigem formas físicas. Naturalmente, Deus, em sua Sabedoria determinou que o potencial do sexo se constituísse de extraordinária e poderosa força, de modo a que o homem não se desinteressasse de sua criação e ficasse interrompida a possibilidade de evolução espiritual. Por outro lado, vemos que esse fato existe em toda a Natureza, desde às plantas e os animais até às próprias aves e os insetos. Sexo é Lei da Vida.

O sexo é obra divina e como obra divina tem os atrativos das coisas de Deus. O prazer de amar ainda é um dos irresistíveis prazeres que dominam a humanidade.

O amor e o sexo não estão na carne nem no perispírito. O sexo especialmente está no espírito, na alma. Muita gente alega que a carne é fraca. Não existe fraqueza da carne, o que existe é evolução maior ou menor do espírito. Tudo, no ser, está na mente. A sexualidade e o amor também estão na mente e não na carne. A carne e o perispírito são redes eletromagnéticas de alto potencial, acrescidas, no caso do corpo físico, do material de que se compõe o mundo no qual está vivendo o ser. Apenas isso. Ela é normal e é obra de Deus. O instinto ou necessidade de procriar, força extraordinária da natureza, é que lança o macho e a fêmea na luta sexual. Não há nisso pecado nem crime. É a natureza que se expressa através das formas de maneira a preservar as próprias formas, renovando-as e recriando-as.

Sexo é potencial divino. O uso exagerado, como já dissemos, poderá levar o homem ao embrutecimento e a animalidade mais violenta, mas o uso controlado poderá mantê-lo perfeitamente no seio da criação equilibradamente. O que pode haver em todos os departamentos do universo é somente equilíbrio e desequilíbrio. Quem se desequilibra sofre para readquirir o equilíbrio. Essa luta para a conquista do reequilíbrio é que é sofrimento ou dor. Não há pecado nem Deus pune ninguém. Suas leis funcionam como o mais exato relógio e todos estão sujeitos a essas leis, frias, duras, inexoráveis, mas perfeitas.

Temos dito que amor e sexo são leis da vida, mas o vaso físico, seja ele da Terra ou seja espiritual está sujeito a dilacerações e a responsabilidade caberá sempre à própria criatura que se perde no desgaste eletromagnético. Esses veículos de manifestação da mente e da alma são verdadeiras máquinas construídas com a mais absoluta precisão. As grandes paixões e as grandes cóleras são descargas eletromagnéticas de altíssima voltagem que põem em risco todo o aparelho. A mente emite energias no sentido em que nós a fixamos. Se o nosso pensamento se fixa nas mãos, para elas se dirige a corrente vibratória desencadeada no corpo perispiritual e é lógico que aí se concentrarão violentamente as forças eletromagnéticas comandadas pela mente. Se fixamos a mente nos órgãos sexuais o fenômeno é o mesmo. Cabe-nos a nós dirigir sabiamente as forças interiores que se movimentam sob o comando de nossa mente. Sexo, não é crime, porém o uso imoderado ou descontrolado trará como consequências perturbações de ordem física e psico-física. 

O corpo espiritual adquire maior vitalidade e as suas células espirituais conquistam maior velocidade à proporção que colocamos a mente em Deus e nas coisas espirituais. Por outro lado, as células perispirituais tendem a diminuir a sua velocidade e a imobilizar-se à medida que fixamos a mente nas coisas materiais.

A sexualidade sadia e pura canaliza energias e transfunde fluidos de renovação, expressando o amor verdadeiro, de modo a que as criaturas se sentem fortalecidas. A sexualidade perturbada no entanto, arrasta o ser para as zonas inferiores da vida. Contudo, não há crime. Cada um assume a responsabilidade do seu ato. Aqueles que praticam relações sexuais com este ou com aquele elemento indiscriminadamente não comete nenhum ato que atente contra a Misericórdia de Deus, mas sujeita-se a ligar-se às companhias espirituais que o outro possuí e caminhará na estrada materializante das forças menos elevadas. Como já dissemos, há um desgaste das forças sexuais. Assim como se gasta, na Terra, o patrimônio material, também se gasta o patrimônio das energias sexuais. Aquele que esbanja o que possui, fatalmente, alcançara a pobreza. É lógico que isso se reflete no organismo físico. Porém, a sexualidade de teor mais elevado mantém o ser em boas condições perante os esforços da vida. Tudo no mundo esta sujeito a transformações. O Bem e o Mal transformam-se a cada passo, ou para melhor ou para pior. Compete ao ser dar a direção que conduzirá à luz ou que o atirará nas trevas.

Devemos em tudo, buscar a lei de Deus. E ela representará sempre: harmonia, beleza, verdade, perfeição, amor.

A sexualidade em si é Lei da Vida, e deve ser exercitada, desde que não busque destruir o próprio homem que é obra de Deus.

A mais poderosa força que existe no organismo espiritual depois da força da mente é o sexo. Nele, Deus concentrou montanhas de energias. Liberadas indiscriminadamente, conduzem o ser à desilusão, ao desgaste e até à morte espiritual. É certo que toda a energia da natureza pode ser recomposta com facilidade. Na crosta terrestre, o homem ainda não tem ideia exata do que representa a sexualidade. Nem se deve condenar a sexualidade nem se deve exaltar demasiado as suas alegrias. Sexo como tudo que Deus fez deve se enquadrar na Lei de Equilíbrio. Não há crime em coisa alguma que Deus fez. (...) Os fundamentos do sexo são puramente espirituais. O organismo perispiritual é construção de nossos mais adiantados engenheiros espirituais e remonta a eras milenares vindo de esferas muito superiores à nossa. Segundo nos afirmam os nossos livro (livros nos planos espirituais), não há memória do inicio da criação sexual, mas foi construção espiritual.

As quedas no campo sexual são tão grandes e a decadência moral costuma ser de tal natureza eu não podemos sequer imaginar o fim.

Deus fez o sexo como porta sagrada da reencarnação e da evolução e também como alegria do homem e da mulher. No entanto, dentro de um clima sadio de compreensão e entendimento capaz de concorrer para a felicidade dos cônjuges ou daqueles que se amam. Nunca, porém, para a criatura se despenhe no exagero de malgastar o patrimônio do corpo físico e até do corpo espiritual. O corpo perispiritual é construção carregada de eletromagnetismo em alta escala e até se assim se pode exprimir, alguém de alta voltagem. Outras forças, para as quais no momento, ainda não termos nomenclatura compreensível para a humanidade, percorre esses organismos.

São forças que estão além da invisibilidade ou da percepção mesmo do espírito relativamente adiantado. A incursão indiscriminada no campo sexual, na prática sexual, arrasta o espírito ao desperdício dessas forças que só se aglutinarão de novo mediante laborioso processo de recuperação através dos séculos.

O espírito pode se encaminhar no sentido da inconsciência pelo desgaste das forças mais íntimas.

Na Terra, os homens não fazem ideia exata da origem de suas enfermidades. O sexo está intimamente ligado ao sistema neuro-espinal, com repercussão direta no cerebelo e nos órgãos de digestão, sem se falar na influencia direta nos campos dos órgãos perispirituais de comunicação, como no caso da pituitária. A imaginação funciona nos assuntos sexuais com intensidade extraordinária. A inteligência, que é a força interna de alta propulsão, adquire ritmo inusitado quando se trata de sexualidade, de maneira que sob a influência dos pensamentos sexuais todo organismo físico e perispiritual da criatura passa a vibrar sob poderosa movimentação do motor da mente. Em determinado ritmo o aparelho do corpo que é a representação física da rede perispiritual vibra em relativa normalidade, contudo, se a mente é acelerada mais intensamente, foge da normalidade da Lei e o aparelho passa a vibrar descontroladamente, pondo em risco todo o arcabouço humano. Devemos procurar compreender que entre o tecido das leis que Deus ofereceu para o crescimento e o progresso do homem, existe a Lei Maior que é  Lei do Equilíbrio e que preside os nossos destinos na marcha para os mundos superiores

O desgaste sexual conduz comumente o homem e o espírito à infelicidade. É atividade que atinge principal e diretamente o cérebro e fere profundamente o perispírito. São descargas eletromagnéticas de alto teor vibratório que sacodem todo o organismo. Nos dois mundos: no mundo físico e no mundo psíquico as repercussões são da ordem mais profunda. Interessa ao cérebro, à espinha, a todas as ramificações de natureza nervosa e só posteriormente, aos órgãos sexuais.

Na luta do lar, o sexo desempenha papel preponderante. Desprezá-lo será colocar em prova dura os espíritos que ali reencarnem para um processo maior. Colabora o sexo para a harmonia domestica e para a paz de todos. Compete a cada um separar o joio do trigo. Nem a mulher deve desprezar o homem, nem o homem pode desprezar a mulher. Deus os fez macho e fêmea e como tal devem se unir na gloria universal. Portas abertas para o infinito, o sexo deve honrar o homem como obra divina. Através dele, as gerações se sucederão, e os espíritos que partem retornam um dia para prosseguir no campo das experiências milenares e purificadoras. Grandes espíritos aguardam muitas vezes, a oportunidade para renascer entre os homens. Assim veio ao mundo, há pouco tempo, o velho Demócrito na figura de Einstein e retornou também há pouco para uma grande missão o maravilhoso Claude Bernard, que deixou as esferas dos espíritos sob uma chuva de bênçãos e flores, porque ia levar grandes esperanças à humanidade, em nome dos Grandes Gênios do nosso Sistema Solar.

O sexo, em ultima analise, sedia-se na alma. Sexualidade é uma condição intrínseca do espírito assim como a masculinidade e feminilidade. O Anjo, evidentemente, não possui sexo como nós na Terra o entendemos. A angelitude é o trecho da estrada do espírito que já atingiu altíssima possibilidade de entendimento com Deus. Nessas condições, chega a um ponto que a criatura espiritual não pode mais ser classificada como homem ou mulher. Entra o espírito numa faixa onde os seres não são nem homem nem mulher. Campo neutro do espírito. Acalmadas as paixões, dominados o ódio e a revolta, estabelecido o amor, perde o ser a característica que a animalidade expressa de macho e fêmea. Na realidade, o ser está em ascensão. As forças que governam o espírito são imensamente poderosas. (...) Deus não condena ninguem pelo uso imoderado das forças sexuais, o próprio ser é que se desgasta a si mesmo com o uso imoderado de suas forças. O uso inadequado ou imoderado dessas forças também pode conduzir o espírito à loucura ou a inconsciência. O desgaste atinge sempre diretamente o cérebro através da corrente perispiritual que na terra estrutura o sangue.

No amor físico, não há pecado ou crime. O que pode haver é o mergulho na materialização demorada dos sentimentos e a permanência na carne por muito tempo. A carne dá, que é órgão de natureza puramente espiritual, outras possibilidades de manifestação no campo físico. Já repetimos que sexo não quer dizer apenas procedimento dos órgãos físicos. Sexo é um conjunto de qualidades masculinas e femininas, negativas ou positivas. O que caracteriza o espírito sexualmente é seu modo de ser e não o fato de possuir órgãos de determinado tipo.

Para alcançar a angelitude tem o espírito humano que se libertar do conceito vulgar de sexo. O anjo não é nem homem nem mulher, nem feminino nem masculino. Está acima daquilo que denomina comumente de espírito humano ou que já está envolto nas faixas vibratórias terrestres. Para que o espírito humano faça a travessia, tem necessidade de vencer os dois sexos ou melhor as duas manifestações do sexo porque feminino e masculino são apenas expressões daquilo que se revolver denominar sexo.  

 

Fonte: Livro – O Sexo Além da Morte. Orientado pelo Espírito André Luiz. Obra Mediúnica de R.A. Ranieri.



segunda-feira, 23 de maio de 2022

EROTIZAÇÃO PRECOCE E O PAPEL DOS PAIS

O texto abaixo é do livro: Sexo e Consciência. Divaldo Franco, organizado por Luiz Fernando Lopez.

    O programa educativo estabelecido para um indivíduo na escola ou no lar deve contemplar as questões da sexualidade, para que esteja integrada em um planejamento mais amplo, em vez de ser enquadrada em uma proposta pedagógica à parte. A educação integral deve garantir que o estudo da sexualidade acompanhe todos os outros aspectos do desenvolvimento do ser.

    O papel primordial na educação sexual dos filhos pertence à família. Ninguém transfira essa tarefa para a escola!

     Por isso, deveremos estar atentos às influências que alcançam o nosso filho.

    Muitos pais dizem aos seus filhos: “Quando se está com a boca cheia de comida, à mesa, não se conversa. A mesa é um lugar para se alimentar, não para debates!”. Este é um dever que lhe compete. Mas se todas as boas posturas devem ser ensinadas, também ensinaremos a boa conduta sexual, evitando que os filhos se tornem pessoas hipócritas ou psicologicamente castradas, dois comportamentos extremos que são reconhecidamente prejudiciais.

    Como o impulso sexual é inevitável, um jovem que permaneça sem orientação alguma vai exercer o sexo, ainda que ele conheça ou não os seus mecanismos. Se, durante a vigília, que é a vida consciente, ele não realizar as suas aspirações, nos estados oníricos irá vivenciar seus desejos e terá poluções noturnas, já que a sua mente está cheia de imagens desta e de outras encarnações.

    Desde que o inconsciente tem predominância em nosso comportamento, durante o sono e nos sonhos a sua manifestação é ainda mais acentuada, uma vez que nesse estado há um desbloqueio de toda censura que nos impomos para manter as convenções sociais. No nosso estágio atual de evolução quase tudo que fazemos é regido pelo inconsciente.

    Nesse sentido, eu recomendaria aos pais não anteciparem informações que não forem solicitadas pela criança. Esperem o educando perguntar, mostrem-se aptos a dialogar a respeito de qualquer tema no âmbito da sexualidade. É a proposta do filósofo grego Sócrates, que se procurava utilizar dos conteúdos trazidos pelos educandos para trabalhar os assuntos do seu interesse. Aliás, a palavra latina educare significa mover de dentro para fora. A função do educador é despertar o interesse do educando para que ele formule suas próprias interrogações e busque o conhecimento por si mesmo. Quando Sócrates saía a caminhar pelas ruas de Atenas, na Grécia Antiga, sempre que era interrogado pelos alunos, aproveitava o conhecimento que os educandos detinham para falar sobre os assuntos solicitados, sempre estimulando os jovens a descobrirem as suas respostas. Este método pedagógico é denominado maiêutica, que significava parto.

    O cuidado em não antecipar informações sobre sexo e sexualidade reveste-se de importância que muitos pais e educadores desconhecem. Quando apresentamos esclarecimentos de forma precipitada estamos auxiliando a introjeção de ideias para as quais o psiquismo da criança ainda não amadureceu. No momento em que esses conceitos começam a fazer sentido para o educando ele próprio se encarrega de questionar.

    Evitemos ser coadjuvantes no seu despertamento antecipado para os temas da sexualidade. Enquanto a criança não estiver perguntando sobre esses assuntos, ainda é ingênua. Deixemos que experimente a ingenuidade que é inerente à sua faixa etária, respeitando o seu ciclo de maturação psicológica, do contrário poderemos contribuir com o surgimento da malícia e da erotização precoce, que a criança ainda não construiu no seu psiquismo. O que existe nela não é malícia, mas curiosidade. A malícia encontra-se alojada na mente do adulto, que ao olhar qualquer cena mais insinuante do dia a dia dá-lhe uma conotação sexual à imagem visualizada. Ao contrário disso, a criança registra tudo com naturalidade e vai procurar satisfazer a sua curiosidade em torno do que viu ou escutou, embora os meios de comunicação tenham contribuído, a partir dos referidos anos 1960, para que a inocência infantil sofresse interferências negativas.

    Acompanho na mídia alguns pretensos sexólogos que se aventuram a ensinar sobre sexo e deturpam o significado profundo desta experiência humana tão enriquecedora. Em vez de orientarem para a educação, orientam para a liberação, não estimulando o jovem a refletir sobre os seus valores e sobre os vínculos afetivos.

    É importante que saibamos que essa erotização precoce não produz apenas efeitos psicológicos perturbadores, mas também pode desencadear consequências fisiológicas. Refiro-me à puberdade precoce.

    Joanna de Ângelis me informou que a puberdade precoce é um fenômeno que se vem tornando cada vez mais frequente. Nos climas tropicais, por exemplo, a maturação sexual ocorre mais rapidamente. Por outro lado, os meios de comunicação veiculam informações sobre sexo que estimulam o psiquismo infantil e provocam o amadurecimento psicológico antes do fisiológico. Como consequência, a mente influencia o corpo e o modifica, fazendo o organismo apresentar características não compatíveis com a idade real da criança.

    Quando ligamos a televisão podemos encontrar em determinados canais programas de sexo explícito a qualquer hora do dia. Isso provoca na criança uma expressão de desejo que não está de acordo com a fase de desenvolvimento biológico em que se encontra. As suas energias mentais são mobilizadas e surgem necessidades precoces, que uma atitude educativa cuidadosa pode prevenir ou corrigir, evitando o surgimento da puberdade precoce.

    Quando os pais receberem as primeiras solicitações de esclarecimento, deverão atentar para o fato de que agora o filho iniciou um processo de busca que será ininterrupto. Com isso, os familiares poderão apresentar informações gerais sobre desenvolvimento, puberdade, adolescência e sexualidade, para que a filha não seja surpreendida pela ovulação e a irrupção da menarca, a primeira menstruação, e para que o filho não se espante com o fenômeno da ejaculação, situações que a qualquer momento poderão tornar-se parte das suas vidas.

    Dessa forma, o conhecimento em torno do seu próprio corpo e das próprias reações emocionais evitará que haja traumas no trânsito da infância para a adolescência, ocasião em que o medo e a vergonha podem fazer o jovem ocultar esses fenômenos fisiológicos. O adolescente deverá entender que seu corpo vai aos poucos respondendo aos estímulos sexuais, deflagrando sensações completamente novas para ele.

    Por isso, se os pais imprimem naturalidade ao trabalhar esses conceitos com a criança, o educando terá segurança para formular outras perguntas e para desenvolver a vida sexual saudável.

  A partir daí, vários aspectos relativos à sexualidade deverão ser explicados em caráter preventivo, antes mesmo que o adolescente os solicite.

   Deveremos acompanhar nossos filhos quando eles estiverem na televisão ou no computador para sabermos quais são os seus programas prediletos.

    Não vamos permitir que a ignorância, o supremo desconhecimento sobre o corpo e o sexo, contribua para que nosso filho se envolva em situações amargas.

    Às vezes, eu acompanho um pouco dos programas de televisão para aprender o que não se deve ensinar. E as apresentadoras desses programas, com raríssimas exceções, são selecionadas para essa função somente porque possuem uma aparência erótica e extravagante. Infelizmente, quase todas são destituídas de boa formação moral, cultural e educacional. Bem se vê que uma apresentadora com essas características também não revela qualquer habilidade pedagógica ou de manejo com o público infantil, embora fosse o ideal, pois ela está trabalhando com crianças.

    É de estarrecer que a primeira pergunta que fazem a uma criança que participa de um programa como esse é a seguinte: “E onde está o seu namoradinho?”. É uma pergunta embaraçosa para a mente infantil, pelo fato de que uma criança de cinco ou seis anos de idade não sabe a diferença entre um namorado e aquele amiguinho com quem costuma brincar. Então a apresentadora vai enxertar na mente daquele pequeno ser um conceito que só deveria fazer parte da sua experiência existencial bem mais tarde, quando atingisse a adolescência.

    São as grandes “educadoras” da mídia de diversos países, a quem as mães confiam os seus filhos, porque estão sempre muito ocupadas para dar-lhes atenção.

    Uma criança que foi intensamente estimulada desde cedo chega aos nove, dez ou onze anos ansiosa por vivenciar aquilo que lhe foi incutido na mente. E, na primeira oportunidade em que estiver com alguém, vai realizar a experiência sexual para satisfazer a qualquer preço a sua curiosidade. Como essa criança (ou pré-adolescente) ainda não conhece o próprio corpo e não sabe utilizar os seus equipamentos emocionais, a experiência torna-se uma grande frustração porque não consegue detectar as sensações que envolvem o ato sexual. E necessário que o organismo alcance a fase na qual os hormônios preparam o corpo do indivíduo para uma relação íntima.

    As consequências desse desastroso processo de deseducação sexual podem ser facilmente visualizadas. De uma menina precocemente estimulada, teremos uma adolescente sexualmente frustrada, que estará mudando constantemente de parceiro, procurando em cada um deles a fantasia infantil que não viveu. O mesmo acontecerá em relação aos meninos precocemente estimulados que atingem a adolescência. Eles tentarão encontrar a realização masculina a partir da sua fantasia infantil do que é ser um homem.

    Não se pode estabelecer uma idade fixa e definida para começar a namorar. Todavia, é importante que os pais e educadores respeitem o ritmo do indivíduo em formação, além da necessidade que tem este indivíduo de respeitar o seu tempo e os seus limites.

    Outra questão frequente são as doenças infectocontagiosas que podem ser contraídas através do contato sexual. Deveremos orientar os nossos filhos para o risco que elas representam, esclarecendo sobre o uso do preservativo, embora este não deva ser o foco da nossa orientação. Precisamos infundir-lhes a ideia de que o melhor mecanismo de prevenção é ter uma vida sexual saudável. Se nos concentrarmos em falar somente sobre o preservativo, estaremos liberando o nosso filho para que ele se entregue a aventuras sexuais, o que equivale a dizer que estaremos induzindo-o a uma forma de prostituição. Esta conduta dos pais corresponde a um aplauso diante do desejo do filho de se utilizar de alguém a quem pretende viciar para descartar depois, uma prática que pode desencadear danos psicológicos, às vezes, irreparáveis.

    É evidente que muitas vezes os educandos não seguirão as nossas diretrizes. A nossa tarefa, no entanto, é demonstrar que o sexo é um complemento para o amor, em vez de ser a razão principal para duas pessoas se buscarem na intimidade. E se os filhos insistirem em ignorar as nossas sugestões para um comportamento de educação afetiva, resolvendo-se por ter experiências sexuais variadas e descomprometidas, que utilizem o preservativo para, ao menos, manterem a saúde física, uma vez que a saúde psicológica estará sendo negligenciada por eles.


Fonte: Livro – Sexo e Consciência. Divaldo Franco, organizado por Luiz Fernando Lopez.


domingo, 23 de fevereiro de 2020

A DIFERENÇA ENTRE AMOR E PAIXÃO

Muitas pessoas se preocupam em saber se estamos diante da pessoa que escolhemos no mundo espiritual para ser nosso marido ou esposa. Quem dera que a gente soubesse! Se fosse possível essa identificação sem nenhuma margem de erro, as uniões conjugais seriam muito felizes!

Não é importante saber se o nosso parceiro ou parceira é alguém que elegemos antes de reencarnarmos. O importante é verificarmos se os gostos e tendências do outro demonstram que existe afinidade entre nós, independentemente de já termos convivido com ele ou não. O importante não é uma parceria previamente definida, mas é a formação e a manutenção de uma parceria feliz.


Uma pessoa adequada para nós é aquela que nos produz emoções, não aquela que nos provoca sensações. Se um rapaz encontra uma moça e imediatamente sente a irrupção do desejo sexual, isto é uma sensação. Mas se ele a vê, e logo sente por ela um encantamento especial, um impulso para se aproximar com cuidado e gentileza, estará diante de uma emoção, que tem caráter mais profundo. Por outro lado, uma moça conhece um rapaz e logo o associa à imagem de um ator famoso, que lhe desperta sonhos eróticos e que agora vê de alguma forma materializado na figura do jovem que encontrou. Isto representa uma sensação, uma eclosão de interesse sexual. Contudo, se ela se depara com o rapaz e sente alegria por vê-lo, uma necessidade de estar ao seu lado e de conversar, de tocar-lhe a mão com ternura, ela experimentou uma emoção, o desabrochar de uma centelha de afetividade.

No caso do rapaz que se encantou com uma jovem, e no episódio da moça que se sentiu feliz com o encontro, a comprovação da afinidade se fará somente mais tarde, à medida que o relacionando se tornar mais profundo, porque o sentimento estará mais bem caracterizado. Em caso de se confirmar a afinidade é provável que a pessoa que está em nossa companhia seja uma alma querida, que antes de renascer se comprometeu conosco para a formação de uma família saudável. No entanto, não há como estabelecer critérios infalíveis para essa conclusão.

Se a decisão de unir-se a outra pessoa exige uma análise cuidadosa, que se inicia no
autoconhecimento e tem continuidade na convivência com o outro, isto se torna um dos aprendizados mais importantes para o jovem: a distinção entre amor e paixão.

É medida de urgência que o jovem identifique quando encontrou o amor ou quando foi acometido por um surto de paixão que terá existência breve.

No campo do relacionamento a dois, identificamos duas formas de atração que se hospedam na intimidade do ser humano.

A primeira delas é a paixão, a atração provocada pelos instintos, que surge como uma febre de desejo e está relacionada ao impulso para a procriação. A paixão pode até ser interpretada como uma forma de amor, mas um amor primitivo e imediatista, que todos trazemos das experiências evolutivas do processo antropossociopsicológico, permanecendo em nós para favorecer a perpetuação da vida.

A outra forma de atração que nos motiva a estabelecer vínculos é o amor propriamente dito, verdadeiro e plenificador. Este sentimento também nos impulsiona ao intercurso sexual, cuja finalidade precípua, além da continuidade da espécie, é o intercâmbio de hormônios psíquicos, de vibrações emocionais que sustentam a vida e realimentam os sentimentos profundos daqueles que mantém um vínculo afetivo.

Muitos autores da história da Filosofia, como Epicuro, que viveu aproximadamente no ano 350 antes de Cristo, estabeleceram que a felicidade depende do prazer. Esse pressuposto é o fundamento da doutrina hedonista, segundo a qual para estar realizado o indivíduo necessita ter poder para comprar o que deseja, amealhando posses materiais e desfrutando de todas as oportunidades de prazer que estiverem ao seu alcance.

Neste sentido, o sexo exerce papel preponderante, porque a proposta hedonista se perpetuou em nossa esfera emocional até hoje. Como a maioria de nós vive preocupada em atender ao prazer, mas não consegue obter todos os bens materiais e o poder social que gostaria de possuir, o sexo, na sua feição de instrumento da paixão, acaba tornando-se uma válvula de escape para nossas fugas psicológicas. O ser humano decide praticar o sexo para experimentar o prazer sem a necessidade de ter culpa ou conflito, entendendo que se não está enfrentando ou prejudicando o seu semelhante para obter vantagens materiais, tudo estará dentro de um padrão de normalidade. Ele poderá desfrutar do prazer sexual sem se perturbar e conservando a consciência tranquila. Por isso, a pessoa troca de parceiros sempre buscando experiências agradáveis e aventuras, esquecendo-se de que após o orgasmo, quando advém o relaxamento do corpo e o repouso, a sensação de prazer é logo substituída por um sentimento de frustração. Com a continuidade das experiências malsucedidas, o indivíduo vai lentamente descobrindo que o prazer verdadeiro somente poderá ser vivenciado quando o sexo estiver fixado num sentimento profundo de amor.

Na história evolutiva do espírito, a paixão e o amor se encontram como duas vertentes à disposição do livre-arbítrio, a partir de cuja escolha ocorre o nosso desenvolvimento moral ou a nossa decadência espiritual. Quando optamos pela paixão, estacionamos voluntariamente em alguns degraus da evolução até nos resolvermos pela libertação das amarras da inferioridade mediante a conquista do amor.



Fonte: Livro – Sexo e Consciência. Divaldo Franco, organizado por Luiz Fernando Lopez.


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

POLARIDADE SEXUAIS E MEDIUNIDADE

Francisco Candido Xavier transcendeu a forma. A anima e o animus, os símbolos psíquicos do feminino e do masculino, fundiram-se no psiquismo de Chico Xavier, facultando que ele fosse um verdadeiro pai, quando necessário, e uma mãe generosa, quando indispensável, sem qualquer conflito de identidade sexual.


O médium que realmente se dedica ao trabalho de intercâmbio espiritual irá aos poucos desenvolvendo uma espécie de bipolaridade psicológica. Significa dizer que a médium que se esmera continuamente para atender aos compromissos iluminativos, com o transcorrer do tempo poderá apresentar uma tonalidade emocional nitidamente viril, sem nenhum prejuízo na sua afetividade feminina. Refiro-me ao fato de que ela passará a demonstrar certo vigor diante dos desafios que a existência impõe. São aquelas mulheres alçadas ao patamar de líderes naturais na sustentação de uma obra de amor ou de um ideal. Ou seja, ao lado da sua polaridade feminina, que funciona em regime de perfeita integração fisiopsíquica, ela terá o ensejo de ampliar o seu potencial na polaridade oposta, o que se torna uma excelente oportunidade evolutiva.

Da mesma forma, o médium que permanece dedicado à causa durante muitos anos, ininterruptamente, detectará em si mesmo o afloramento de uma sensibilidade afetiva mais aguçada, de uma tonalidade emocional tipicamente materna, sem nenhum prejuízo da sua condição masculina. Esta nova tonalidade emocional será o fruto da longa permanência na atividade mediúnica, já que a mediunidade é uma forma de maternidade. São aqueles homens que revelam uma especial ternura nas relações interpessoais. Ao lado da sua polaridade masculina ele também terá espaço para desenvolver o potencial anímico na polaridade oposta, o que será uma experiência evolutiva gratificante.

Conforme a conceituação da Psicologia Analítica de Jung, poderíamos sintetizar a tese dizendo que a médium lúcida e idealista desenvolve aos poucos o seu animus (o lado masculino da mulher), enquanto o médium dedicado favorece a manifestação saudável da sua anima (o lado feminino do homem).

Desejo frisar que esta bipolaridade psicológica não guarda relação com a orientação sexual adotada, que não sofre alterações por causa do fenômeno descrito.


Fonte: Livro Sexo e Consciência. Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

SUBLIMAÇÃO SEXUAL

A nossa tarefa evolutiva é aprimorar os recursos espirituais de que somos portadores para atingir um estado de sublimação sexual. Essa sublimação não se dá exclusivamente pela abstinência. O indivíduo poderá se abster do uso do sexo, mas permanecer com os quadros mentais dos tormentos. Parceiros que vivem em plena harmonia estão sublimando a função sexual. E quando um dos dois experimenta a viuvez está tão perfeitamente integrado às aspirações superiores que pode dispensar o exercício da função, já que a mente equilibrada proporciona um estado de paz. Ele preenche os espaços mentais com as lembranças e a gratidão ao ser amado.

Joanna de Ângelis afirma que sublimação não é abandonar a vivencia sexual para assumir uma conduta castradora, inibitória. Afinal, muitas pessoas se encontram em castidade não por opção consciente, mas por conflito.


A disciplina mental, que favorece a sublimação sexual, é um habito que pode ser adquirido mediante o esforço. Se nós selecionarmos os conteúdos que guardamos em nosso psiquismo ficará muito mais fácil alcançar a paz interior que nos preservará de tormentos desnecessários. Divaldo Franco, diz que: “Eu procuro manter uma técnica para não impregnar a mente com cenas deploráveis: não me detenho a olhar tudo aquilo que está ao meu alcance. Seleciono as imagens para diferenciar aquelas que são agradáveis daquelas que não me interessa registrar.”

Quando falamos em sublimação sexual não estamos falando necessariamente de abstinência. Um exemplo disso é o Dr. Bezerra de Menezes, que na sua última encarnação foi casado duas vezes e teve diversos filhos. 

O ser humano tem o direito de exercer a sua sexualidade conforme lhe aprouver. Mas quando procura sublimar as suas aspirações sexuais e canalizá-las dentro dos padrões ético-morais estabelecidos no Evangelho de Jesus, isto lhe dará muito mais plenitude.

Todavia, vivenciar sexo ou transubstanciar as suas energias, aplicando-as em outros campos da vida, é uma decisão de foro íntimo. O apóstolo Paulo já apresentou uma solução para esta questão: se o indivíduo não tiver resistências para optar pela abstinência saudável, sofrendo o perigo de desenvolver um transtorno psicológico perturbador, é melhor que busque amar. Tanto a canalização das energias para causas nobres quanto a vivência de um relacionamento saudável, fundamentado no amor genuíno, constituem terapias para a alma imersa na experiência da sexualidade em processo regenerativo.

A sublimação bem trabalhada não gera conflito, por não constituir uma violência que programamos para submeter o corpo. Como o próprio nome esclarece sublimar significa transformar conscientemente as nossas tendências para o bem, o equilíbrio.

Eu diria àqueles que se encontram nessa transição, entre as experiências anteriores e a conquista da paz na atual reencarnação, que preenchendo as suas horas com quadros mentais superiores, que são o fruto das ações nobres, terão um grande contributo para superar a cada dia as tendências que necessitam de reeducação, até o momento em que as suas emoções lhe facultem a restauração do equilíbrio.

Para que isso ocorra é indispensável evitar as imagens e outros estímulos sensoriais que instigam o afloramento das inclinações negativas, que resumam do passado de descalabros que nos caracteriza. Infelizmente, vivemos em uma sociedade sexualista, em vez de vivermos em uma sociedade afetiva. Os programas televisivos de teor deseducativo, as companhias perturbadoras e os lugares repletos de pessoas igualmente aturdidas pelos conflitos do sexo, funcionam como estímulos perniciosos que depõem contra a nossa paz íntima. Se o indivíduo tomar as precauções necessárias facilmente irá transformando os apetites e as tendências. E se for médium, poderá converter as suas energias sexuais em potências para o desempenho da mediunidade.

O nosso organismo é um laboratório que produz substâncias sob o comando da mente, exigindo que canalizemos as energias sem jamais tentar bloqueá-las ou implodi-las, o que resultaria em um desequilíbrio de consequências lamentáveis para a nossa saúde psicofísica. E se apesar dos cuidados tomados para aplicar as nossas energias o organismo ainda se apresentar com alta potência energética, durante o sono e os sonhos os excessos serão eliminados por meio das ejaculações ou poluções noturnas.


Fonte: Livro Sexo e Consciência. Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

PROSTITUIÇÃO NA VISÃO ESPIRITUAL

         Como devemos comportar-nos ao testemunhar a prostituição? Cabe-nos o dever
de assumirmos numa atitude de compaixão por aqueles que vivem do sexo. Na atualidade, a prostituição assumiu um aspecto de grande variedade, pois não se encontra apenas no bordel, nas ruas escusas da cidade ou nos motéis elegantes da periferia, mas também nos apartamentos de luxo onde desfilam ases e astros que comovem o mundo e que são atormentados sexuais. Essa variedade infinita de formas de prostituição, embora não assalariada, permanece sendo um distúrbio de compostura moral. Quando dizemos que não é assalariada, é porque não há um preço estabelecido na tabela, na entrada do bordel, mas o preço é cobrado de outra maneira. Quantas pessoas se prostituem para granjearem um lugar de destaque na sociedade: na política, nas artes, nos relacionamentos sociais em geral, nas
aspirações de qualquer natureza. Recebem como pagamento apartamentos de luxo, joias de alto preço, automóveis, casacos de peles raras... Nunca, porém, a paz interior! Porque ao trocar de parceiro a pessoa viaja para novas experiências com o sentimento dilacerado, sabendo-se não amada. Se essa pessoa é socialmente influente, sabe que aqueles que lhe falam de amor estão desejando a sua luz para se projetarem com essa claridade. E quando lhe propõem uma união conjugal, quase sempre é para que se tornem comentados pela mídia, partindo, em seguida, para divórcio, quando novamente se tornarão alvo do sensacionalismo dos meios de comunicação.

        Tudo isso são transtornos psicológicos da área sexual, por ausência do amor. Examinemos a paisagem afetiva dos grandes campeões de sexo e veremos quão solitários eles são!

       Quando encontramos uma pessoa bela, atraente e disputada por muitos, estamos longe de conhecer-lhe os conflitos do mundo íntimo.

      Joanna de Ângelis afirma que o sexo sem o amor é como sede de água do mar: quanto mais se sorve, mais sede se tem, porque a água é salgada. Quando o que existe é o simples desejo do sexo pago, do sexo de rua, do sexo apressado, a pessoa abre campo a Espíritos vulgares que se lhes acoplam, psiquicamente, passando a vampirizá-la. Por isso, o sexo, nesse indivíduo, nunca é atendido confortavelmente. Termina a relação sexual com certa frustração, fadiga física e o desejo de mais tarde voltar a praticá-la. É a síndrome de que a pessoa está sendo vitimada por Espíritos que utilizam o seu corpo para atender às paixões que não foram consumidas com a desencarnação.

       Aos nos unirmos sexualmente com alguém, formamos ligações com as companhias espirituais da outra pessoa. Pois, nunca estamos sozinhos, estamos sempre acompanhados de espíritos que se afinizam conosco, com os nossos gostos, atividades, pensamentos, atitudes, emoções...

      Assim, no sexo pago quem costuma comandar a situação são os espíritos desencarnados viciados em sexo. Os lugares ligados à prostituição são habitados por inúmeros espíritos nessas condições, que vivem da energia dos encarnados que os frequentam. São verdadeiras parcerias que se formam entre os dois planos.

      Qualquer pessoa que tenha seu pensamento dominado pela ideia do sexo atrai para si companhias espirituais das quais se torna muito difícil de se livrar.

      Durante o período do nosso físico, nada atrai tanto o espírito encarnado quanto o sexo. Muitos são habituados a se relacionar com desencarnados ou com outros encarnados desdobrados pelo sono. Às vezes são pessoas de conduta exemplar, que racionalmente não procurariam essa situação. Mas, parcialmente livres do corpo físico durante o sono, se deixam dominar pelo subconsciente,  que é onde está armazenada a bagagem de todas as vidas anteriores do espírito.


Fontes da informação: Livro Sexo e Consciência de Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.
E site Espírito Imortal. http://www.espiritoimortal.com.br/espiritismo-e-adulterio/

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

CONTRACEPTIVOS E PLANEJAMENTO FAMILIAR

         No planejamento familiar defrontamos uma necessidade que o progresso nos impôs. Há pessoas que são radicais e advogam a desnecessidade de planejar a família porque Deus sabe o que é melhor para nós.

        Como Deus conhece as nossas necessidades evolutivas, constantemente oferece-nos meios de atenuar a nossa ficha cármica. A Bíblia diz, por exemplo, que “a mulher deve parir com dor”. No entanto, graças ao nosso progresso intelecto-moral, a Divindade nos facultou o alívio de muitas dores com a utilização de anestésicos, desde as experiências iniciais com o éter e o clorofórmio até as substâncias mais modernas elaboradas pela farmacologia. Além disso, a obstetrícia desenvolveu vários métodos para reduzir a severidade do sofrimento durante o parto, incluindo as técnicas de respiração, concentração e ioga. Este avanço científico representa uma conquista da sociedade para que haja a diminuição do sofrimento físico, uma vez que a dor não é de Deus, mas é o resultado de opção nossa. O que provém de Deus é o amor. Quando o rejeitamos, experimentamos o seu oposto, que é o desamor. O sofrimento é uma decorrência natural desta opção infeliz.

        Na esteira desse raciocínio, se a Divindade tem permitido à Ciência reduzir as  dificuldades que se originam nas inúmeras circunstâncias da vida na Terra, os anticoncepcionais (ou contraceptivos) constituem um dos métodos que se ajustam à nossa necessidade de programar a família, pois a mulher não é uma fábrica de crianças. Ela tem direito ao repouso após a fase gestacional. Se este repouso ocorre de forma apropriada a mãe terá tranquilidade para propiciar ao filho melhores meios de educação, nesse momento delicado, que é o primeiro ano de vida da criança. Isso demonstra que os contraceptivos são uma medida muito válida para estabelecer linhas de equilíbrio na dimensão familiar. O planejamento é uma ferramenta muito útil para que os parceiros elaborem programas de assistência alimentar, de saúde e outros, dentro de juízos perfeitamente bem dirigidos.



       Por isso, o Espiritismo examina a questão do planejamento familiar com muita simpatia, identificando os recursos positivos que instituem critérios para excelentes resultados na constituição do lar.

       Divaldo Franco no livro Sexo e Consciência  fala o seguinte: “Em nossa área de promoção social espírita eu conheci vários casos de pessoas com menor instrução e esclarecimento que tiveram dois filhos por ano: um em janeiro e outro em novembro. Em muitas comunidades a ignorância e o vício colaboram para a ocorrência de uma ou duas gestações num curto espaço de tempo, cujos resultados talvez não sejam os melhores. Nessas ocasiões, Espíritos profundamente endividados reencarnam pelo fenômeno do automatismo, mergulhando no anestésico da carne a fim de passarem por estágios incipientes da evolução. Esses reencarnantes cumprirão uma etapa inicial de fixação de potencialidades, em que o instinto se transforma nas primeiras manifestações da inteligência humana. Todos os Espíritos que ainda se encontram nessa fase da evolução renascem dirigidos pela compulsória das reencarnações automáticas. E isso acontece em muitas famílias de periferias urbanas que não tiveram acesso ou que menosprezaram a educação sexual e o planejamento familiar.”

      Encontra-se à nossa disposição um elenco de métodos que são éticos e estão previstos na legislação de inúmeros países. No passado, a Igreja Católica Romana incentivava o planejamento familiar utilizando o método natural do acompanhamento do ciclo menstrual. Mas a Ciência demonstrou que esse método é ineficaz por causa da imprecisão da ciclagem hormonal de muitas mulheres. Às vezes, a ovulação acontece antes do que se imaginava ou depois do previsto, indicando que qualquer casal pode ser surpreendido por uma gravidez não planejada. Para evitar essa situação, a Medicina oferece-nos os contraceptivos femininos e os métodos de prevenção destinados ao público masculino, pois o homem também deve submeter-se aos mesmos cuidados dirigidos à mulher, uma vez que a carga de responsabilidade não deve ficar apenas nas mãos dela.

      Desta forma, à luz da Doutrina Espírita, Divaldo Franco nos esclarece que a utilização de anticoncepcionais é perfeitamente ética, embora Allan Kardec tenha referido que todo e qualquer obstáculo à reprodução torna-se coarctador da reencarnação. O codificador se reportava ao aborto, já que este era o único método conhecido em sua época para interromper a gestação. Vale lembrar que, na metade do século XIX, não se conhecia cientificamente o mecanismo da fecundação, uma vez que os microscópios pouco desenvolvidos daquela época não permitiam aos pesquisadores analisar a união dos gametas.

      Responsabilidade sempre, pois gerar uma vida não é brincadeira, principalmente quando temos tantos métodos contraceptivos de fácil acesso e distribuídos gratuitamente, assim, não há desculpa para não se prevenir de uma gravidez inesperada ou de DST. O que falta é consciência e responsabilidade, e não métodos contraceptivos e preservativos.


Fonte da informação: Livro Sexo e Consciência de Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

DESAFIOS E AMIZADE NA VIDA CONJUGAL


         A grande pergunta que norteia qualquer reflexão acerca da experiência conjugai é a forma como poderemos produzir um relacionamento estável e feliz. Primeiro, deveremos realizar um trabalho interior. A proposta da Doutrina Espírita prevê que consigamos o autoconhecimento. Se não nos conhecermos, não saberemos quais serão as nossas reações e não teremos uma ideia de como nos comportar em determinadas situações, o que resultará em atitudes intempestivas desencadeadas por questões familiares muito simples, quando entramos em litígio com o parceiro em nome de verdadeiras banalidades, graças ao capricho de querermos impor a nossa opinião.

         Como a união conjugal é uma parceria, é indispensável que cada um dos membros contribua com a sua melhor parte. Que cada um realize um movimento na direção do outro sem esperar que seja sempre a parte que cede.

        Muitas vezes, no egoísmo masculino, o homem deseja que a mulher permaneça como sua serva, sem dar-se conta de que essa época histórica já passou. O desejo que o outro exerça o papel subalterno pode existir também por parte da companheira, cabendo-lhe tomar os mesmos cuidados que recomendamos para o indivíduo do gênero masculino.

      Vivemos um tempo de direitos iguais na relação a dois, tornando-se imprescindível que ambos se reconheçam como responsáveis por desenvolver a maturidade no relacionamento, numa atitude recíproca de respeito e de compreensão.

      Com muita frequência desejamos que o outro seja o que não conseguimos. A nossa afetividade reproduz uma forma de fuga psicológica. O indivíduo ama na pessoa a imagem do que não consegue ser e ela tem que corresponder a essa expectativa. Este fato é tão comum que a maioria dos casais, quando transcorrem alguns meses após o casamento, enfrenta um processo de insatisfação que leva um dos cônjuges a dizer ao outro: “Eu me decepcionei com você!”.

      É óbvio que isso teria que acontecer, pois a pessoa construiu uma imagem do companheiro ou companheira. Aquele rapaz bonito, gentil e bem cuidado não era exatamente o que ela pensou. A parceira criou uma imagem e desejava obrigar o marido a interpretar aquele papel projetado futuro a fora. Quando ele deixou de ser alguém que queria conquistá-la, porque já o conseguiu e não soube mantê-la, é evidente que a mudança produza um choque.



         Para que uma união seja estável e feliz o casal deverá cultivar o sentimento de amizade e companheirismo, uma parceria afetiva profunda pelo ser que se encontra ao seu lado. Se esta medida for adotada na vida conjugai o êxito será inevitável.

         A amizade é o primeiro passo do amor. Quem não é capaz de ser amigo não será capaz de ser amante, no sentido estético e profundo desta palavra. Porque a amizade é este jogo de fraternidade e de confiança.

        Se o marido chega a casa e não anda muito bem consigo mesmo, a esposa pensa,
inadvertidamente: “Ele está me subestimando’. Está fazendo pouco caso de mim!”

        Em vez de imaginar hipóteses absurdas, a companheira poderia simplesmente entender que ele não está bem e procurar tratá-lo com mais atenção. Se ele não está bem, dê-lhe o direito de ter uma fase ruim e ame-o mais! Somente porque o divórcio está banalizado iremos declinar das nossas responsabilidades diante da primeira dificuldade?

       Ninguém se casou para ter um inimigo dentro de casa, mas para ter um amigo. Se por alguma razão o seu companheiro encontra-se numa fase em que não lhe procura como parceira sexual, receba-o em sua intimidade na condição de um amigo, envolvendo-o em ternura, uma qualidade essencial às relações humanas e que se encontra muito esquecida. Diga-lhe: “Meu bem, não há problema! Eu compreendo você!” Não há homem que resista a uma expressão de carinho da mulher amada! Dê aquele toque de sensibilidade que só as mulheres sabem colocar.

        Há esposas que são curiosas em suas atitudes. Busca o espelho e adorna o cabelo com um penteado especial. Quando o marido vai acariciá-la, tocá-la na cabeça, dá um salto de desespero e solicita: “Não desmanche o meu penteado!” Mas ela está se penteando para quem? Não será para o marido? Eu entendo que ela queira embelezar-se para manter a sua autoestima, em primeiro lugar, mas de permitir que o seu marido mereça uma parte dessa história... Faculte ao seu marido despenteá-la um pouquinho! Eu não sei por que, mas o homem adora desmanchar o cabelo da esposa! A companheira pode até fazer melhor: quando o marido chegar do trabalho, sendo sábia, deve deixar o cabelo exposto... (risos)...

        Por sua vez, o marido tem obrigação de entender a indisposição momentânea da esposa. Ela passa por ciclos hormonais que apresentam fases de intensa alteração física e emocional. É necessário tratá-la como uma pessoa que merece o seu respeito, e não como um objeto que se usa e se descarta como melhor aprazer.

       A nossa viagem em busca do amor que liberta pode ser feita de desafios e dificuldades, que fazem parte do caminho ascensional. O espiritismo, ao nos falar de amor, liberta-nos definitivamente do pieguismo. Amor não é conivência. Muitas pessoas confundem os conceitos e não se dão conta de que a conivência é uma forma de covardia, pois é preciso coragem para dizer não. É uma palavra que podemos utilizar com naturalidade, sem cultivar a raiva daquele de quem discordamos.


Por
Divaldo Franco

Fonte: Sexo e Consciência. Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

REENCANTAR A VIDA A DOIS E ESTÍMULOS SEXUAIS INFERIORES

Muitos casais que se dizem amar verdadeiramente se utilizam do sexo
promíscuo para aquecer o relacionamento e torná-lo mais interessante (segundo eles próprios afirmam). Alguns chegam ao ponto de introduzir outras pessoas na relação sexual ou praticar a troca de casais. Espiritualmente falando, esta é uma escolha que poderá acontecer graves consequências para esses parceiros.

       Poderemos até admitir, em princípio, que os casais que assim procedem realmente se amem, mas certamente não se respeitam.

       Quando nós nos respeitamos a nossa prática sexual estará embasada em um critério de ética. E qualquer manifestação promíscua é um comportamento atentatório aos valores profundos que todos deveremos cultivar.

      O fato de uma determinada prática estar na moda não lhe atribui cidadania no plano da ética. Se a promiscuidade invadiu os espaços sociais isto não a credencia para que possamos dela nos utilizar sem qualquer consequência mais grave.

      Se um casal se ama de fato não tem necessidade de outros indivíduos para se imiscuírem em sua relação íntima, da mesma forma como também não terão necessidade de práticas de extremo apelo erótico, que atinjam o patamar dos transtornos sexuais classificados pela psiquiatria. Parceiros que agem assim não se amam, apenas se utilizam um do outro para aventuras eróticas que satisfaçam a sua sede desenfreada de novos expedientes sexuais, ainda mais porque também são influenciados pelos vampirizadores sexuais do mundo espiritual, que se valem da invigilância do casal para atenderem aos seus apetites, ao seu desvario e à sua ilustração por não disporem mais de corpo físico para continuarem a trajetória de desequilíbrios no campo do sexo.

      Seria conveniente que o casal parasse para meditar e verificasse que a cada dia essa sede vai lhes exigir novas experiências, cada uma delas mais degradante.

      As fantasias sexuais em um ambiente voltado para o ato sexual podem levar os parceiros a sintonizar com Espíritos ligados ao sexo, pois esta sintonia é o fruto de um intercâmbio psíquico.

      Os Espíritos se vinculam a nós produzindo um acoplamento mental, períspirito a períspirito. À medida que a nossa mente emite ondas de teor vibratório inferior elas encontrarão ressonância no mundo espiritual. Aqueles que sincronizam com essas ondas aproximam-se e começam a responder aos nossos apelos mentais. Desta maneira se estabelece um intercâmbio que permite que eles nos influenciem por meio da hipnose, provocando uma dependência emocional entre encarnado e desencarnado. A obsessão está instalada.

      Se o indivíduo deseja experimentar um bom relacionamento, que tenha a característica de ser um vínculo compensador, por que ele deveria fantasiar? Muitos parceiros e parceiras, quando estão tendo intimidades sexuais, optam por imaginar um artista de cinema ou alguém que está presente na mídia para produzir um clima de satisfação pessoal que o outro nem sequer irá perceber. Em outras ocasiões este parceiro poderá se valer da relação sexual em curso para imaginar cenas que são próprias de profundos transtornos mentais na área do sexo. Esta postura irá atrair entidades perversas e viciadas, com se comprazem neste comércio psíquico perturbador, fazendo com que a obsessão seja inevitável, no caso do indivíduo persistir neste comportamento imprevidente.

       Se um casal desejar ir a um motel com a finalidade de usufruir momentos de privacidade, corre o risco de absorver as energias de Espíritos inferiores.

       Por que em nosso lar não poderemos ter a privacidade que desejamos? Será que nos aproximamos da alma do nosso parceiro somente naqueles breves minutos? A privacidade deve ser um estado permanente das almas... Um casal que se ama tem mil momentos privativos no cotidiano.

      Daí, quando desejar a intimidade sexual com seu parceiro ou parceira, que procure ter muita tranquilidade, preparando-se psicologicamente. Que se prepare no ambiente da família, procurando ter reservas e cuidados para não ser perturbado, evitando o voyeurismo e a curiosidade dos filhos. E entregue-se em plenitude.

                            

       Os motéis podem dar conforto promíscuo, roupas contaminadas, lavadas às pressas ou não lavadas, apenas passadas a ferro rapidamente para tirar as dobras produzidas pela utilização do casal anterior. A psicosfera de um ambiente como este é a mais baixa, pois somente vai ali quem está atormentado. A população espiritual é hedionda, porque é composta por entidades enfermas. Aqueles encarnados que chegam abrem-se a esse intercâmbio. Como os motéis possuem uma boa e ilusória aparência, semelhante aos bordéis do século XIX, a pessoa passa a ver nesse lugar um fetiche, da mesma forma como outros indivíduos utilizam uma peça de roupa íntima, um cacho do cabelo do seu parceiro ou qualquer artifício dessa natureza para poder sentir estímulo sexual. Em breve a pessoa conseguirá se estimular somente estando num lugar semelhante a esse, perfeitamente perturbador. Isso porque Espíritos viciosos, que perderam o corpo, mas não perderam a função mental, acercam-se daqueles que trazem as distonias e as manipulam, gerando obsessões das mais sórdidas. É uma interdependência como aquela que ocorre em relação ao uso de drogas, álcool, tabaco e alimentos consumidos em excesso.

      Divaldo Franco narra no livro Sexo e Consciência, a seguinte situação: “Visitando bordéis em Salvador para atender a mulheres que nos solicitavam socorro, especialmente na área histórica da cidade, como no Pelourinho, não poucas vezes, ao entrarmos nos edifícios em que elas se entregavam ao nefando comércio da insensatez, defrontávamos as mais torpes apresentações espirituais. Vimos Espíritos que se metamorfosearam (que perderam relativamente a forma perispiritual) e se imantavam como verdadeiros polvos sobre a área do cerebelo, descendo pela espinha dorsal daquelas pobres meretrizes, que no conúbio com outros parceiros transmitiam-lhes as mesmas energias ou propiciavam que os sugadores de energias se transferissem para aqueles que mantinham com elas a relação sexual destituída de sentimentos. As formas-pensamento me agrediam. As lesmas psíquicas impregnavam o ambiente. Eram esgares transformados em formas mentais semelhantes à água-viva que encontramos no mar.
      No entanto, nesses bordéis, enquanto eu atendia mulheres portadoras de sífilis, tuberculose ou loucura, podia ver que, mesmo nesses lugares de desesperação, vez que outra raiava uma claridade específica de Espíritos superiores que vinham trazer à reencarnação entidades que necessitavam renascer naquele meio hostil e pernicioso, para recomeçarem a marcha sob o açodar de muitas aflições. A mim me espantaram muitas vezes, durante a juventude, esses ambientes, que são indefiníveis para os nossos padrões de compreensão. São lugares soturnos, com odores pútridos da eliminação da sudorese perispiritual dos Espíritos perturbadores. Ali eu encontrei pessoas exauridas e algumas delas desvitalizadas, não pela perda da energia glandular (porque não experimentam nada), mas pela perda do tônus vital, do fluido que os Espíritos sugam no momento do comércio infeliz.
       Ao longo dos anos eu não vi tormentos desta ordem apenas em ambientes de sordidez humana, um dos mais baixos degraus do processo de manifestação sexual. Também vi e vejo tormentos deste tipo em pessoas que vivem do sexo nos apartamentos de luxo. São homens e mulheres que brilham diante das luzes da sociedade, em seus momentos de glória, mas que permanecem igualmente sugados por esses Espíritos soezes, perversos e vampirizadores, que lhes estão roubando a flor juvenil, provocando o envelhecimento precoce e a degradação que logo mais chega, quando eles são expulsos desses lugares de destaque por outros sempre mais jovens, que lhes constituem perigosos competidores.”

                    

      Já em outro parte do mesmo livro citado acima( Sexo e Consciência), Divaldo conta-nos que: “Viajando muito e hospedando-me em várias residências, não poucas vezes eu vi Espíritos nobres postados diante do quarto dos casais para preservá-los da invasão de entidades vulgares, nos momentos em que os parceiros se buscavam para a completude sexual. Conforme já foi mencionado, mesmo aqueles guias que vêm em tarefa reencarnacionista, trazendo Espíritos para uma futura experiência, procedem com imenso respeito pelo casal. Quando se vai reencarnar um Espírito nobre os mentores espirituais fomentam a ternura nos parceiros e os inspiram a um relacionamento íntimo. Os pais são envolvidos em doces expectativa sem relação ao filho que está por vir, mas a intimidade conjugai não é presenciada pelos Mentores. Porque nós temos direito à privacidade. Quando esta privacidade é feita de vulgaridade ela se transforma em espetáculo público de Espíritos também vulgares. Eles veem, gargalham, estimulam, sugerem... É como se fosse um circo, pois, é a lei das afinidades psíquicas. Os vampirizadores participam da relação sexual, hora utilizando um, hora utilizando o outro. Chegam a tombar em volúpia, como se estivessem na convulsão do orgasmo, pois toda sensação encontra-se sob o comando da mente. Allan Kardec, com muita sabedoria, afirmou que o períspirito mantém as impressões do corpo físico e sofre os seus efeitos.”

       Em uma união feita de ternura, amor e cumplicidade há defesas para que a intimidade do casal não se torne um pasto de vampirização espiritual. Por isso, um dos graves problemas do exercício sexual sem a presença do amor é a porta que se abre para as obsessões muito virulentas.


Fonte: Sexo e Consciência. Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.