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quarta-feira, 12 de julho de 2023

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: MUNDO NORMAL PRIMITIVO

*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO SEGUNDO / MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO I – DOS ESPÍRITOS

 

MUNDO NORMAL E PRIMITIVO

84 – Os espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?
- Sim, o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.

85 – Na ordem das coisas, qual dos dois é o principal, o mundo dos espíritos ou o mundo corpóreo?
- O mundo espírita; ele preexiste e sobrevive a tudo.

86 – O mundo corpóreo poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem alterar a essência do mundo espírita?
- Sim, eles são independentes; no entanto, sua correlação é incessante, porque reagem incessantemente um sobre o outro.

87 – Os espíritos ocupam uma região determinada e circunscrita no espaço?
- Os espíritos estão por toda a parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos. Estão sempre ao vosso lado, observando e agindo sobre vós sem o perceberdes, porque os espíritos são uma das forças da natureza e instrumentos de que Deus se serve para a realização dos seus desígnios providenciais; mas nem todos vão a toda parte, pois há regiões interditadas aos menos adiantados.



domingo, 7 de maio de 2023

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS

*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO SEGUNDO / MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO I – DOS ESPÍRITOS

 

ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS

76 – Que definição se pode dar dos espíritos?
- Pode-se dizer que os espíritos são os seres inteligentes da Criação. Povoam o Universo fora do mundo material.

Nota: O vocábulo Espírito é empregado aqui para designar as individualidades dos seres extra-corpóreos, e não mais o elemento inteligente universal.

77 – Os espíritos são seres distintos da Divindade ou seriam apenas emanações ou porções da Divindade e chamados, por essa razão, filhos de Deus?
- Meu Deus! São sua obra absolutamente como um homem que faz uma máquina;  essa maquia é obra do homem e não ele mesmo. Sabes que quando o homem faz uma coisa bela, útil, ele a chama sua filha, sua criação. Pois bem, o mesmo se dá com relação a Deus: somos seus filhos, uma vez que somos sua obra.

78 – Os Espíritos tiveram princípio, ou existem como Deus, de toda a eternidade?
- Se os espíritos não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, ao passo que eles são sua criação e submetidos à sua vontade. Deus existe de toda eternidade e isto é incontestável; mas saber quando e comonos criou, não o sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se entenderes com isso que sendo Deus eterno, tem criado sem descanso; mas quando e como ele criou cada um de nós, digo-te, ainda, ninguém o sabe; aí é que está o mistério.

79 – Visto que existem dois elementos gerais no Universo – o elemento inteligente, e o elemento material – poder-se-á dizer que os espíritos são formados do elemento inteligente como os corpos inertes são formados do elemento material?
- Evidentemente; os espíritos são individualizações do princípio inteligente como os corpos são individualizações do princípio material. A época e o modo dessa formação é que são desconhecidos.

80 – A criação dos espíritos é permanente, ou só ocorreu na origem dos tempos?
- É permanente; quer dizer, Deus não cessou jamais de criar.

81 – Os espíritos se formam espontaneamente ou procedem uns dos outros?
- Deus os criou, como a todas as outras criaturas, pela sua vontade; mas, ainda uma vez, a origem deles é mistério.

82 – É exato dizer-se que os espíritos são imateriais?
- Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem insuficiente? Pode um cego de nascimento definir a luz? Imaterial não é o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que sendo o espírito uma criação, deve ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que não pode ser percebida pelos vossos sentidos.

Nota de Kardec: Dizemos que os espíritos são imateriais, porque sua essência difere de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Uma comunidade de cegos não teria termos para definir a luz e seus efeitos. Um cego de nascença crê possuir todas as percepções pelo ouvido, o odor, o gosto e o tato; ele não compreende as ideias que lhe dariam o sentido que lhe falta. Da mesma forma, com relação à essência dos seres sobre-humanos somos verdadeiros cegos. Não os podemos definir senão por comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da nossa imaginação.

83 – Os espíritos tem fim? Compreende-se que o principio de onde eles emanam seja eterno, mas o que perguntamos é se sua individualidade tem um termo e se, num tempo dado, mais ou menos longo, o elemento de que são formados não se dissemina e não retorna à massa donde saiu, como ocorre com os corpos materiais. É difícil de conceber-se que uma coisa que teve começo, possa não ter fim.
- Existem coisas que não compreendeis porque a vossa inteligência é limitada e isso não é razão para que as rejeiteis. A criação não compreende tudo o que seu pai compreende, nem o ignorante tudo o que o sábio compreende.
Dissemos que a existência do espíritos não tem fim; é tudo o que podemos dizer, por enquanto.



quarta-feira, 6 de julho de 2022

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: INTELIGÊNCIA E INSTINTO

*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO / AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO IV – PRINCÍPIO VITAL

 

INTELIGÊNCIA E INSTINTO


71 – A inteligência   é um atributo do princípio vital?
- Não, pois as plantas vivem e não pensam; tem apenas vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência; mas a inteligência não pode se manifestar senão por meio de órgãos materiais; é necessária a união com o espírito para intelectualizar a matéria animalizada.

NOTA DE KARDEC:
     A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer intercâmbio com o mundo exterior e de prover às suas necessidades.
   Podem distingui-se assim: 1º - os seres inanimados, constituídos de matéria, sem vitalidade nem inteligência, que são os corpos brutos; 2º - os seres animados não pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3º - os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo a mais um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.

 

72 – Qual é a fonte da inteligência?
- Já o dissemos: a inteligência universal.

- Poder-se-ia dizer que cada ser toma uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como toma a assimila o princípio da vida material?
- Isto não é mais que uma comparação e que não é exata, porque a inteligência é uma faculdade própria de cada ser, e constitui sua individualidade moral. De resto, como sabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar e esta é desse número, no momento.

 

73 – O instinto é independente da inteligência?
- Não, precisamente, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional e é por esse meio que todos os serem provêm às suas necessidades.

 

74 – Pode-se assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, quer dizer, precisar onde termina um e começa a outra?
- Não, porque frequentemente eles se confundem; mas se podem muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto e aqueles que pertencem à inteligência.

 

75 – É exato dizer-se que as faculdades instintivas diminuem à medida que aumentam as faculdades intelectuais?
- Não; o instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre e, algumas vezes, com mais segurança que a razão. Ele não se transvia nunca.

- Por que a razão não é sempre um guia infalível?
- Ela seria infalível se não fosse falseada pela má educação, pelo orgulho e o egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite a escolha e dá ao homem o livre-arbítrio.

NOTA DE KARDEC:
     O instinto é uma inteligência rudimentar que difere da inteligência propriamente dita, em que suas manifestações são quase sempre espontâneas, enquanto que as da inteligência são o resultado de uma combinação e de um ato deliberado.
     O instinto varia em suas manifestações, segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres que tem a consciência e a percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, quer dizer, à vontade e à liberdade. 


segunda-feira, 18 de abril de 2022

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: A VIDA E A MORTE

 *As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO / AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO IV – PRINCÍPIO VITAL

 

A VIDA E A MORTE

68 – Qual a causa da morte entre os seres orgânicos?
- O Esgotamento dos órgãos.

- Poder-se-ia comparar a morte à cessação do movimento de determinada maquina desorganizada?
- Sim; se a maquina está mal montada, a atividade cessa; se o corpo adoece, a vida se extingue.

69 – Por que uma lesão do coração, de preferência que a dos outros órgãos, causa a morte?
- O coração é máquina de vida; mas o coração não é o único órgão em que a lesão causa a morte; não é mais que uma das peças essenciais.

70 – Em que resultam a matéria e o princípio vital dos seres orgânicos, quando estes morrem?
- A matéria inerte se decompõe e toma nova forma; o princípio vital retorna à massa.

NOTA DE KARDEC: 
    Morrendo o ser orgânico, os elementos que o compõem experimentam novas combinações que formam novos seres, os quais tiram da fonte universal o princípio da vida e da atividade, o absorvem e assimilam para devolvê-lo à mesma fonte, quando deixarem de existir.
    Os órgãos estão, por assim dizer, impregnados de fluido vital. Esse fluido dá a todas as partes do organismo uma atividade que as une em certas lesões e restabelece as funções momentaneamente suspensas. Mas quando os elementos essenciais ao fundamento dos órgãos estão destruídos, ou muito profundamente alterados, o fluido vital é impotente para lhes transmitir o movimento da vida, e o ser morre.
    Os órgãos reagem, mais ou menos necessariamente, uns sobre os outros; é da harmonia do seu conjunto que resulta a sua ação recíproca. Quando uma causa qualquer destrói essa harmonia, suas funções cessam, como o movimento de um mecanismo cujas peças principais estão desarranjadas. Tal um relógio que se desgasta com o tempo ou se desconjunta por acidente, no qual a força motriz fica impotente para pô-lo em movimento.
    Temos uma imagem mais exata da vida e da morte num aparelho elétrico. Esse aparelho recolhe eletricidade, como todos os corpos da Natureza, em estado latente. Os fenômenos elétricos só se manifestam quando o fluido é posto em movimento por uma causa especial. Nesse caso, poder-se-ia dizer que o aparelho está vivo. Cessando a causa da atividade, o fenômeno cessa; o aparelho volta ao estado de inércia. Os corpos orgânicos seriam assim como espécies de pilhas ou aparelhos elétricos nos quais a atividade do fluido determina o fenômeno da vida; a cessação dessa atividade produz a morte.
     A quantidade de fluido vital não é fator absoluto para todos os seres orgânicos; varia segundo as espécies e não é fator constante, seja no mesmo indivíduo, seja nos indivíduos da mesma espécie. Existem alguns que são, por assim dizer, saturados, enquanto que outros dispõem apenas de uma quantidade suficiente; daí, para alguns, a vida é mais ativa, mais vibrante e, de certo modo, superabundante.
     A quantidade de fluido vital se esgota; pode vir a ser insuficiente para manter a vida, se não renova pela absorção a assimilação das substâncias que o contêm.
     O fluido vital se transmite de um indivíduo para outro. Aquele que tem o bastante, pode dá-lo àquele que tem pouco e, em certos casos, restabelecer a vida prestes a se apagar.


segunda-feira, 18 de outubro de 2021

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: SERES ORGÂNICOS E INORGÂNICOS

*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO / AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO IV – PRINCÍPIO VITAL

 

SERES ORGÂNICOS E INORGÂNICOS

Os seres orgânicos são aqueles que tem, em si mesmos, uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida. Eles nascem,crescem, reproduzem-se por si mesmos e morrem. São dotados de órgãos especiais para realizarem os diferentes atos da vida e que são apropriados às suas necessidades de conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. Os seres inorgânicos são todos aqueles que não tem vitalidade, nem movimento próprio e não se formam senão pela agregação da matéria. Tais são os minerais, a água, o ar, etc.

60 – É a mesma força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e nos corpos inorgânicos?
- Sim, a lei de atração é a mesma para tudo.

61 – Existe alguma diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e aquela dos corpos inorgânicos?
- A matéria é sempre a mesma, porém, nos corpos orgânicos, está animalizada.

62 – Qual é a causa da animalização da matéria?
- Sua união com o princípio vital.

63 – O princípio vital reside num agente particular ou não é mais que uma propriedade da matéria organizada; numa palavra, é um efeito ou uma causa?
- É uma coisa e outra coisa. A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria; esse agente sem a matéria não é a vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem esse agente. Ele dá a vida a todos os seres que o absorvem e assimilam.

64 – Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo; o princípios vital forma um terceiro?
- Sem dúvida, é um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas ele tem sua fonte na matéria universal modificada; é, para vós, um elemento como o oxigênio e o hidrogênio que, todavia, não são elementos primitivos, visto que tudo parte de um mesmo princípio.

- Parece resultar daí que a vitalidade não tem seu princípio num agente primitivo distinto, mas, numa propriedade especial da matéria universal, em razão de certas modificações?
- É a consequência do que dissemos.

65 – O princípio vital reside em alguns dos corpos que conhecemos?
- Ele tem sua fonte no fluido universal; é o que chamais de fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o elo entre o espírito e a matéria.

66 – O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos?
- Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá o movimento e atividade, e os distingue da matéria inerte, pois o movimento da matéria não é vida. Ela recebe esse movimento, não o dá.

67 – A vitalidade é um atributo permanente do agente vital ou se desenvolve apenas em razão do funcionamento dos órgãos?
- Não se desenvolve senão com o corpo. Não dissemos que esse agente sem a matéria não é a vida? É necessário a união dessas duas coisas para produzir a vida.

- Poder-se-á dizer que a vitalidade está em estado latente quando o agente vital não está unido ao corpo?
- Sim, é isso.

NOTA DE KARDEC: O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo que recebe estimulo da atividade íntima ou princípio vital que existe neles. O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos.
       Ao mesmo tempo que o agente vital estimula os órgãos, a ação dos órgãos entretém e desenvolve a atividade do agente vital, aproximadamente como se dá com o atrito, que desenvolve o calor.


quarta-feira, 28 de abril de 2021

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: CONSIDERAÇÕES E CONCORDÂNCIAS BÍBLICAS REFERENTES À CRIAÇÃO

*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO / AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III – CRIAÇÃO


59 – Os povos formaram ideias muito divergentes sobre a Criação, segundo o grau dos seus conhecimentos. A razão, apoiada na Ciência, reconheceu a impossibilidade de certas teorias. Aquela dada pelo espírito confirma a opinião admitida, há longo tempo, pelos homens mais esclarecidos.

A objeção que se pode fazer a essa teoria é que está em contradição com o texto dos livros sagrados; mas um exame sério faz reconhecer que essa contradição é mais aparente que real e que ela resulta da interpretação dada a um significado frequentemente alegórico.

A questão do primeiro homem, na pessoa de Adão, como única fonte da humanidade, não é o único ponto sobre o qual as crenças religiosas tiveram que se modificar. O movimento da Terra pareceu, em certa época, de tal forma oposto ao texto sagrado, que não houve tipo de perseguição que essa teoria não tivesse servido de pretexto e, todavia, a terra gira malgrado os anátemas, não podendo, hoje, ninguém contestá-lo sem agravar a sua própria razão.

A Bíblia diz, igualmente, que o mundo foi criado em seus dias e fica a época em torno de 4000 anos antes da era cristã. Antes disso a Terra não existiria; foi tirada do nada; o texto é formal. Eis que a Ciência positiva, a ciência inexorável, veio provar o contrário. A formação do globo está escrita em caracteres perenes no mundo fóssil, estando provado que os seis dias da criação indicam períodos, cada um podendo ser de varias centenas de milhares de anos. Isto não é um sistema, uma doutrina, uma opinião isolada, é um fato também constante como aquele do movimento da Terra e que a Teologia não pode se recusar a admitir, prova evidente do erro em que podem cair os que se atêm à letra das expressões de uma linguagem frequentemente figurada. É preciso concluir que a Bíblia é um erro? Não, mas que os homens se equivocaram ao interpretá-la.

A Ciência, escavando os arquivos da Terra, reconheceu a ordem pela qual os diferentes seres vivos apareceram em sua superfície, e esta ordem está de acordo com aquela indicada na Gênese, com a diferença de que esta obra, ao invés de sair milagrosamente das mãos de Deus, em algumas horas, se realizou sempre pela sua vontade, mas segundo a lei das forças da Natureza, em alguns milhões de anos. Deus ficou, por isso, menor ou menos poderoso? Sua obra ficou menos sublime por não ter o prestígio da instantaneidade?

Não, evidentemente; seria preciso fazer-se da divindade uma ideia bem mesquinha para não se reconhecer a sua onipotência nas leis eternas que estabeleceu para reger os mundos. A Ciência, longe de diminuir a obra divina, no-la mostra sob um aspecto mais grandioso e mais conforme as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pela razão mesma de se cumprir sem derrogar as leis da Natureza.

A Ciência, de acordo nisso com Moisés, coloca o homem em último lugar na ordem da criação dos seres vivos. Todavia, Moisés indica o dilúvio universal no ano 1654 do mundo, enquanto a Geologia nos mostra o grande cataclismo anterior à aparição do homem, atendendo que, até hoje, não se encontrou nas camadas primitivas qualquer traço de sua presença, nem de animais da mesma categoria sob o ponto de vista físico. Mas nada prova que isso seja impossível. Várias descobertas já fizeram surgir dúvidas a tal respeito. Pode ocorrer que, de um momento para outro, se adquira a certeza material dessa anterioridade da raça humana, e então se reconhecerá que, sob esse ponto, como sobre os outros, o texto bíblico é uma alegoria.

A questão é de saber se o cataclismo geológico é o mesmo a que assistiu Noé. Ora, o tempo necessário à formação das camadas fósseis não permite mais confundi-los e do momento em que se encontram os vestígios da existência do homem antes da grande catástrofe, ficará provado, ou que Adão não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde na noite dos tempos. Contra a evidencia não há raciocínios possíveis, e seria preciso aceitar esse fato como se aceitou aquele do movimento da Terra e dos seus períodos da Criação.

A existência do homem antes do dilúvio geológico, em verdade, é ainda hipotética, mas, eis aqui o que o é menos.

Admitindo-se que o homem apareceu pela primeira vez sobre a Terra, 4000 anos antes de Cristo, se 1650 anos depois toda a raça humana foi destruída, à exceção de uma só família, disso resulta que o povoamento da Terra de Noé, quer dizer, de 2350 anos antes da nossa era. Ora, quando os Hebreus emigraram do Egito, no décimo oitavo século,  encontraram esse país muito povoado e já bem avançado em civilização. A história prova que nessa época a Índia e outros países estavam igualmente florescentes, sem mesmo se levar em conta a cronologia de certos povos que remontam a uma época bem mais recuada. Seria preciso, pois, que, do vigésimo quarto ao décimo oitavo século, quer dizer, num espaço de 600 anos, não somente a posteridade de um único homem pudesse povoar todos os imensos países então conhecidos, supondo-se que os outros não o fossem, mas que, nesse curto intervalo, a espécie humana pudesse se elevar da ignorância absoluta do estado primitivo, ao mais alto grau de desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas.

          A diversidade das raças vem, ainda, em apoio desta opinião. O clima e os costumes produzem, sem dúvida, modificações nos caracteres físicos, mas se conhece até onde podem chegar as influencias dessas causas, e o exame fisiológico prova que há, entre certas raças, diferenças constitucionais mais profundas que aquelas que podem o clima produzir. O cruzamento das raças produz os tipos intermediários. Ele tende a apagar os caracteres extremos, mas não os produz; apenas cria variedades. Ora, para que houvesse cruzamento de raças era preciso que houvesse raças distintas, e como explicar sua existência dando-lhes um tronco comum e, sobretudo, ainda próximo? Como se admitir que, em alguns séculos, certos descendentes de Noé se transformaram a ponto de produzirem a raça etíope, por exemplo? Uma tal metamorfose não é mais admissível que a hipótese de um tronco comum para o lobo e o cordeiro, para o elefante e o pulgão, para o pássaro e o peixe. Ainda uma vez, nada pode prevalecer contra a evidência dos fatos. Tudo se explica, ao contrário, em se admitindo a existência do homem antes da época que lhe é vulgarmente assinalada; que as origens são diversas; que vivendo há seus mil anos, Adão tenha povoado uma região ainda desabitada; o dilúvio de Noé como uma catástrofe parcial confundida com o cataclismo geológico; tendo-se em conta, enfim, a forma alegórica particular ao estilo oriental e que se encontra nos livros sagrados de todos os povos. Por isso, é prudente não se negar, apressadamente, como falsas, doutrinas que cedo ou tarde, como tantas outras, podem desmentir aqueles que as combatem. As ideias religiosas, longe de perderem, se engrandecem, caminhando com a Ciência; esse é o único meio de não apresentarem, ao ceticismo, um lado vulnerável. 



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: PLURALIDADE DOS MUNDOS

 *As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO / AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III – CRIAÇÃO

 

55 – Todos os globos que circulam no espaço são habitados?
- Sim, e o homem da Terra está longe de ser, como crê, o primeiro em inteligência, em bondade e perfeição. Todavia, há homens que se creem muito fortes, que imaginam que somente seu pequeno globo tem o privilégio de abrigar seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que Deus criou o Universo só para eles.

NOTA DE KARDEC: Deus povoou os mundos de seres vivos, concorrendo todos ao objetivo final da Providência. Acreditar que os seres vivos estão limitados ao único ponto que habitamos no Universo, seria pôr em dúvida a sabedoria de Deus, que não fez nada inútil; Ele deve ter determinado para esses mundos um fim mais sério que o de recrear nossa visão. Nada, aliás, nem na posição, no volume ou na constituição física da Terra, pode razoavelmente fazer supor que só ela tenha o privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de mundos semelhantes.

56 – A constituição física dos diferentes globos é a mesa?
- Não, eles não se assemelham de modo algum.

57 – A constituição física dos mundos não sendo a mesma para todos, seguir-se-á tenha, organização diferente os seres que os habitam?
- Sem dúvida, como para vós os peixes são feitos para viverem na água e os pássaros no ar.

58 – Os mundos mais afastados do Sol estão privados de luz e de calor, uma vez que o Sol se mostra a eles apenas com a aparência de uma estrela?
- Crede, pois, que não existem outras fontes de luz e de calor além do Sol, e não considerais em nada a eletricidade que, em certos mundos, tem um papel que desconheceis, e muito mais importante que sobre a Terra? Aliás, não dissemos que todos os seres sejam da mesma matéria vossa e com órgãos dispostos como os vossos.

NOTA DE KARDEC: As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos devem ser apropriadas ao meio para o qual foram chamados a viver. Se não tivéssemos jamais visto os peixes, não compreenderíamos como esses seres podem viver dentro da água. Assim acontece em outros mundos que contém, sem dúvida, elementos que desconhecemos. Não vemos nós, sobre a Terra, as longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que há de impossível que, em certos mundos, a eletricidade seja mais abundante que sobre a Terra e desempenhe um papel de ordem geral cujos efeitos não podemos compreender? Esses mundos podem, pois, conter em si mesmos as fontes de calor e de luz necessárias aos seus habitantes.



sábado, 15 de agosto de 2020

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: DIVERSIDADE DAS RAÇAS HUMANAS

*As respostas são dos Espíritos Superiores,

LIVRO PRIMEIRO / AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III – CRIAÇÃO

 

52 – De onde vêm as diferenças físicas e morais que distinguem as variedades de raças humanas sobre a Terra?
- Do clima, da vida e dos costumes. O mesmo ocorre com dois filhos da mesma mãe que, educados um longe do outro e diferentemente, não se assemelham em nada quanto ao moral.

53 – O homem nasceu sobre diversos pontos do globo?
- Sim, e em épocas diversas, e isso é uma das causas da diversidade de raças; depois os homens, em se dispersando sob diferentes climas e aliando-se a outras raças, formaram os novos tipos. 

- Essas diferenças constituem espécies distintas?
- Certamente que não, todos são da mesma família; as diferentes variedades de um mesmo fruto impedem que pertençam à mesma espécie?

54 – Se a espécie humana não procede de um só, os homens devem deixar por isso de se reconhecerem como irmão?
- Todos os homens são irmãos em Deus, porque são animados pelo espírito e tendem ao mesmo fim. Quereis sempre tomar as palavras, literalmente.




sexta-feira, 31 de julho de 2020

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: POVOAMENTO DA TERRA. ADÃO.

*As respostas são dos Espíritos Superiores,

 LIVRO PRIMEIRO / AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III – CRIAÇÃO

 

50 – A espécie humana começou por um só homem?
- Não; aquele a quem chamais de Adão não foi o primeiro, nem o único que povoou a Terra.

 

51 – Podemos saber em que época viveu Adão?
- Mais ou menos na que assinalais: aproximadamente 4000 anos antes de Cristo.

NOTA DE KARDEC: O homem, cuja tradição se conservou sob o nome de Adão, foi um dos que sobreviveram, em certo país, após alguns dos grandes cataclismos que, em épocas diversas, perturbaram a superfície do globo e veio a ser o troco de uma das raças que hoje o povoam. As leis da natureza se opõem a que os progressos da Humanidade, constatados muito tempo antes de Cristo, tenham-se cumprido em alguns séculos, se o homem não estivesse sobre a Terra depois da época assinalada para a existência de Adão. Alguns consideram, e com muita razão, Adão como um mito ou uma alegoria, personificando as primeiras idades do mundo.





segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS


*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO/ AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III – CRIAÇÃO


43 – Quando a Terra começou a ser povoada?
-  No começo, tudo era caos; os elementos estavam em confusão. Pouco a pouco, cada coisa tomou o seu lugar; então, apareceram os seres vivos apropriados ao estado do globo.

44 – De onde vieram os seres que vivem sobre a Terra?
- A Terra continha os germes que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregam desde que cessou a força que os mantinha afastados, e eles formaram os germes de todos os seres vivos. Os germes estiveram em estado latente e inerte, coo a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício para a eclosão de cada espécie; então, os seres de cada espécie se reuniram e se multipicaram.

45 – Onde estavam os elementos orgânicos antes da formação da Terra?
- Eles estavam, por assim dizer, em estado de fluido pelo espaço, entre os Espíritos, ou em outros planetas, esperando a criação da Terra para começar uma nova existência sobre um novo globo.

NOTA DE KARDEC: A química nos mostra as moléculas dos corpos inorgânicos unindo-se para formarem cristais de uma regularidade constante, segundo cada espécie, desde que estejam nas condições desejadas. A menor perturbação nessas condições basta para impedir a reunião dos elementos, ou, pelo menos, a disposição regular que constitui o cristal. Por que não ocorreria o mesmo com os elementos orgânicos? Conservamos durante anos sementes de plantas e de animais que não se desenvolvem senão em uma dada temperatura e num meio propício; tem-se visto grãos de trigo germinarem depois de vários séculos. Há, portanto, nessas sementes, um princípio latente de vitalidade que aguarda uma circunstância favorável para se desenvolver. O que se passa diariamente sob nossos olhos, não pode ter existido desde a origem do globo? Essa formação de seres vivos, partindo do caos pela força da própria Natureza, diminuiu alguma coisa da grandeza de Deus? Longe disso, ela responde melhor à ideia que fazemos de sua força se exercendo sobre os mundos infinitos por meio de leis eternas. Essa teoria não resolve, é verdade, a questão da origem dos elementos vitais; mas Deus tem seus mistérios e pôs limite às nossas investigações.

46 – Existem, ainda, seres que nasçam espontaneamente?
- Sim, mas o germe primitivo existia já em estado latente. Sois testemunhas, todos os dias, desse fenômeno. Os tecidos dos homens e dos animais não encerram os germes de uma multidão de vermes que aguardam, para eclodir, a fermentação pútrida necessária à sua existência? É um pequeno mundo que dormita e que se cria.

47 – A espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos contidos no globo terrestre?
- Sim, e ela veio a seu tempo; foi o que levou a se dizer que o homem foi feito do limo da Terra.

48 – Podemos conhecer a época do aparecimento do homem e dos outros seres vivos sobre a Terra?
- Não; todos os vossos cálculos são quiméricos.

49 – Se o germe da espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos do globo, por que não se formam mais, espontaneamente, os homens como na sua origem?
- O princípio das coisas está nos segredos de Deus; todavia, pode-se dizer que os homens uma vez espalhados sobre a Terra, absorveram neles os elementos necessários à sua formação para os transmitir segundo as leis da reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos.


domingo, 9 de fevereiro de 2020

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: CRIAÇÃO – FORMAÇÃO DOS MUNDOS


*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO/ AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO III – CRIAÇÃO


FORMAÇÃO DOS MUNDOS

O Universo compreende a infinidade dos mundos que vemos e aqueles que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluidos que o enchem.


37 – O Universo foi criado ou existe de toda a eternidade como Deus?
- Sem duvidas que ele não pode fazer-se por si mesmo, e se fosse de toda a eternidade, como Deus, não poderia ser obra de Deus.

NOTA DE KARDEC: A razão nos diz que o Universo não pode se ter feito a si mesmo e que, não podendo ser obra do acaso, deve ser obra de Deus.

38 – Como Deus criou o Universo?
- Por sua vontade. Nada traduz melhor essa vontade todo-poderosa que estas belas palavras do Gênese: “Deus disse: que a luz seja: e a luz foi”.

39 – Poderemos conhecer  o modo da formação dos mundos?
- Tudo o que se pode dizer, e podeis compreender, é que os mundos se formam pela condensação da matéria disseminada pelo espaço.

40 – Os cometas seriam, como se pensa atualmente, um começo de condensação da matéria e de mundos em via de formação?
- Isso é exato; mas o que é absurdo é crer-se em sua influência. Quero dizer, a influência que vulgarmente se lhe atribui; porque todos os corpos celestes tem sua parte de influência em certos fenômenos físicos.

41 - Um mundo completamente formado pode desaparecer e a matéria que o compõe disseminar-se de novo no espaço?  
- Sim. Deus renova os mundos como renova os seres vivos.

42 – Poderemos conhecer a duração da formação dos mundos: da Terra, por exemplo?
- Nada te posso dizer a respeito,porque só o Criador o sabe, e bem louco seria quem pretendesse saber ou conhecer o número de séculos dessa formação.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO – ESPAÇO UNIVERSAL

*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO/ AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO II – ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO


ESPAÇO UNIVERSAL

35 – O espaço universal é infinito ou limitado?
- Infinito. Supõe-no limitado; que haveria além? Isto te confunde a razão, bem o sei, e, todavia, tua razão diz que não pode ser de outro modo. Ele é como o infinito em todas as coisas; não é na vossa pequenina espera que podereis compreendê-lo.

NOTA DE KARDEC: supondo-se um limite ao espaço, por mais distante que o pensamento o possa conceber, a razão diz que além há limite há alguma coisa, e assim, passo a passo, até o infinito, porque se essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda assim seria espaço.

36 – O vazio absoluto existe em alguma parte do espaço universal?
- Não, nada é vazio; o que te parece vazio está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e instrumentos.


domingo, 10 de novembro de 2019

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO – PROPRIEDADES DA MATÉRIA


*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO/ AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO II – ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO


PROPRIEDADES DA MATÉRIA

29 – A ponderabilidade é um atributo essencial da matéria?
- Da matéria como a entendeis, sim; mas não da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que forma esse fluido é imponderável para vós e nem por isso é menos o princípio da vossa matéria pesada.

30 – A matéria é formada de um só ou de vários elementos?
- De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais como corpos simples, não são verdadeiros elementos, mas transformações da matéria primitiva.

31 – De onde provêm as diferentes propriedades da matéria?
- São modificações que as moléculas elementares sofrem pela sua união, e em certas circunstâncias.

32 – Diante disso, os sabores, os odores, as cores, o som, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos não seriam mais que as modificações de uma só e mesma substancia primitiva?
- Sim, sem duvida, e que não existem senão pela disposição de órgãos destinados a percebê-los.
Nota de Kardec: Esse princípio é demonstrado pelo fato de que nem todos percebem as qualidades dos corpos do mesmo modo; um acha uma coisa agradável ao gosto, enquanto outro a acha ruim, alguns veem azul o que outros veem vermelho; o que é um veneno para uns é inofensivo ou salutar para outros.

33 – A mesma matéria elementar é suscetível de receber todas as modificações e de adquirir todas as propriedades?
- Sim, e isso é o que se deve entender quando dizemos que tudo está em tudo. (1)
Nota de Kardec: O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos que catalogamos como simples, não são mais que modificações de uma substância primitiva. Dada a impossibilidade, até o presente a que estamos submetidos, de remontarmos, a não ser pelo pensamento, a essa matéria primitiva, esses corpos são para nós verdadeiros elementos e podemos, sem maiores consequências, considerá-los como tais até nova ordem.

- Essa teoria parece dar razão à opinião daqueles que não admitem na matéria senão duas propriedades essenciais: a força e o movimento, e que pensam que todas as outras propriedades não são mais que efeitos secundários variado segundo a intensidade da força e a direção do movimento?
- Essa opinião é exata. É preciso ajuntar também: segundo a disposição das moléculas, com vês, por exemplo, num corpo opaco que pode torna-se transparente e vice-versa.

34 – As moléculas tem uma forma determinada?
- Sem duvida, as moléculas tem uma forma determinada, mas que não é para vós apreciável.

- Essa forma é constante ou variável?
- Constante para as moléculas elementares primitivas, mas variáveis para as moléculas secundárias que não são mais que aglomerações das primeiras; porque o que chamais moléculas está ainda distante da molécula elementar.

(1)    Este princípio explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores e que consiste em dar, pela ação da vontade, a uma substância qualquer, a água , por exemplo, propriedades diversas: um gesto determinado e mesmo as qualidades ativas de outras substâncias. Visto que não há senão um elemento primitivo e que as propriedades dos diferentes corpos não são senão modificações desse elemento, resulta que a substância mais inofensiva tem o mesmo princípio que a mais deletéria.
Assim, a água, que é formada de uma parte de oxigênio e duas de hidrogênio, torna-se corrosiva, se se duplica a proporção de oxigênio. Uma transformação análoga pode se produzir pela ação magnética dirigida pela vontade.




quinta-feira, 29 de agosto de 2019

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO – ESPÍRITO E MATÉRIA


*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO/ AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO II – ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO


ESPÍRITO E MATÉRIA.

21 – A matéria existe desde o princípio, como Deus, ou foi criada por ele em determinado momento?
- Só Deus o sabe. Entretanto, há uma coisa que a vossa razão deve indicar: Deus, modelo de amor e de caridade, jamais esteve inativo. Por mais distante que se consiga imaginar o início da sua ação, poder-se-á compreendê-lo um segundo sequer na ociosidade?

22 – Define-se, geralmente, a matéria como sendo o que tem extensão, impressiona os nossos sentidos e é impenetrável. São exatas estas definições?
- Do vosso ponto de vista essas definições são exatas, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que vos são desconhecidos. Por ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão vos cause aos sentidos; entretanto, é sempre matéria, embora para vós não o seja.
- Que definição podeis dar da matéria?
- A matéria é o laço que retém o espírito; é o instrumento de que ele se serve e, ao mesmo tempo, sobre o qual exerce a sua ação.
Nota de Kardec: Sob este ponto de vista, pode-se dizer que a matéria é o agente, o meio com o auxílio do qual e sobre o qual atua o espírito.

23 – Que é o espírito?
- O princípio inteligente do Universo.
- Qual é a natureza íntima do espírito?
- O espírito, com a linguagem humana, não é fácil de ser analisado. Porque o espírito não é uma coisa palpável, para vós ele não é nada; mas para nós é alguma coisa. Sabei bem: o nada é coisa nenhuma, e o nada não existe.

24 – O Espírito é sinônimo de inteligência?
-  A inteligência é um atributo essencial do espírito. Todavia, como ambos se confundem num princípio comum, para vós são a mesma coisa.

25 – O Espírito é independente da matéria ou não é mais que uma propriedade desta, como as cores são propriedades da luz e o som uma propriedade do ar?
- Ambos são distintos; mas é necessária a união do espírito e da matéria para dar inteligência à matéria.
- Esta união é igualmente necessária para a manifestação do Espírito? (Entendemos, aqui, por Espírito, o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades designadas sob esse nome).
- Ela é necessária para vós porque não tendes organização para perceber o espírito sem a matéria; vossos sentidos não estão aptos para isso.

26 – Pode-se conceber o espírito sem a matéria e a matéria sem o espírito?
- Pode-se, sem dúvida, pelo pensamento.

27 – Haveria assim, dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito?
- Sim, e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas; essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas, ao elemento material é preciso juntar o fluido universal, que desempenha papel intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, muito grosseira para que o espírito possa ter uma ação sobre ela. Ainda que, sob certo ponto de vista se possa incluí-lo no elemento material, ele se distingue por propriedades especiais; se fosse matéria não haveria razão para que o espírito também não o fosse. Ele está colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, suscetível, pelas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do espírito, de produzir uma infinita variedade de coisas das quais não conheceis senão uma pequena parte. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo agente que o espírito utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e jamais adquiriria as propriedades que a gravidade lhe dá.
- Esse fluido seria o que designamos sob o nome de eletricidade?
- Dissemos que ele é suscetível de inúmeras combinações e o que chamais fluido elétrico, fluido magnético são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão uma matéria mais perfeita, mais sutil, e que pode ser considerada como independente.

28 – Uma vez que o espírito é, ele mesmo, alguma coisa, não seria mais exato, e menos sujeito a confusões, designar esses dois elementos gerais pelas palavras: matéria inerte e matéria inteligente?
- As palavras pouco nos importam. Cabe a vós formular linguagem adequada a vos entenderdes. As controvérsias surgem, quase sempre, por não vos entenderdes sobre as palavras, visto que a vossa linguagem é incompleta para exprimir as coisas que não ferem os vossos sentidos.
Nota de Kardec: Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria que não é inteligente e vemos um princípio inteligente independente da matéria. A origem e a conexão dessas duas coisas nos são desconhecidas. Que elas tenham, ou não, uma fonte comum, com pontos de contato necessários; que a inteligência tenha sua existência própria ou que ela seja uma propriedade, um efeito; que seja mesmo, segundo a opinião de alguns, uma emanação da Divindade, é o que ignoramos. Elas nos parecem distintas e, por isso, admitimo-las como formando os dois princípios constituintes do Universo. Vemos, acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as outras e as governa, distinguindo-se por atributos essenciais. A esta inteligência suprema é que chamamos Deus.

sábado, 24 de agosto de 2019

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO - CONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DAS COISAS.


*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO PRIMEIRO/ AS CAUSAS PRIMEIRAS
CAPÍTULO II – ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO


CONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DAS COISAS.

17 – É dado ao homem conhecer o princípio das coisas?
- Não. Deus não permite que tudo seja revelado ao homem, neste mundo.

18 – Um dia o homem penetrará o mistério das coisas que lhe estão ocultas?
- O véu se levanta para ele à medida que se depura; contudo, para compreender certas coisas, precisa de faculdades, que ainda não possui.

19 – Pelas investigações científicas, não pode o homem penetrar alguns dos segredos da natureza?
- A ciência lhe foi dada para o seu adiantamento em todos os campos, mas Le não pode ultrapassar os limites fixados por Deus.
Nota de Kardec: Quanto mais é dado ao homem penetrar nesses mistérios, mais cresce sua admiração pelo poder e sabedoria do Criador; mas, seja por orgulho, seja por fraqueza, sua própria inteligência o faz joguete da ilusão. Ele amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho.

20 – Fora das investigações científicas, pode o homem receber comunicações de ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao testemunho dos sentidos?
- Sim, se Deus o julgar útil, pode revelar-lhe o que a ciência não consegue aprender.
Nota de Kardec: É por essas comunicações que o homem adquire, dentro de certos limites, o conhecimento do seu passado e do seu futuro.