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segunda-feira, 22 de maio de 2023

JOSÉ ARIGÓ

         José Pedro de Freitas, nascido em Fazenda do Fria, Congonhas do Campo – Minas Gerais, 18 de outubro de 1921. Médium brasileiro, conhecido como José Arigó ou simplesmente Zé Arigó.

        Desenvolveu suas atividades mediúnicas em Congonhas/MG durante cerca de 20 anos, tornando nacional e internacionalmente conhecidas as cirurgias e curas realizadas por intermédio de sua faculdade mediúnica, pelo espírito Dr. Fritz, um médico alemão falecido em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial.

        Significado do nome Arigó : Aquele trabalhador que não exerce função intelectual, e sim tem direito a seu salário por exercer trabalho braçal, árduo, bruto, independente de inteligência. Também conhecido como caipira, jeca etc...



Relato do próprio J. Herculano Pires

        “Zé Arigó era uma mistura de trabalhador rural com caminhoneiro. Seria difícil imaginá-lo como cirurgião”...

        Arigó, um dos 08 filhos de um sitiante. Embora tenha tido uma infância normal, afirma ter sido perseguido por uma luz muito brilhante, que quase o cegava. Depois começou a ouvir uma voz que falava uma língua estrangeira.

        Com 25 anos, casou-se com Arlete André, sua prima de 4º grau, e deixou a casa paterna, indo trabalhar numa Mina de ferro. Enquanto os filhos chegavam, um atrás do outro, Arigó começou a ter muitos pesadelos dores de cabeça muito fortes.

        Nos sonhos, sempre ouvia a mesma voz gutural, num idioma que não entendia. Certa noite, teve um sonho nítido: Estava numa sala de cirurgia, entre médicos e enfermeiras, usando trajes antigos, reunidos em torno de um paciente. Quem Dirigia a operação era um homem alto e calvo, cuja voz era muito familiar a Arigó.

 

Sua Preparação Espiritual

        Noite após noite, repetiu-se o mesmo sonho, e, depois de algum tempo, a figura central dos sonhos se apresentou como o Dr. Adolpho Fritz, médico alemão desencarnado durante a 1ª Guerra Mundial. E ele disse a Arigó que o escolhera como médium que deveria levar a cabo sua obra.

        Outros Espíritos, que tinham sido médicos quando encarnados, também o ajudariam. Arigó deveria dedicar-se a tarefa de curar os enfermos e aflitos.

         Acordando assustado, Arigó pulou da cama e saiu correndo para a rua, aos gritos, nu, chorando . Os parentes e vizinhos o levaram para casa, com muito cuidado, vendo-o chorar copiosamente. Os médicos solicitaram exames clínicos e psicológicos, cujos resultados apontaram para uma situação de plena normalidade, mas os pesadelos e as dores de cabeça continuavam. O padre da cidade tentou ajudá-lo com sessões de exorcismo (achava o padre que Arigó estivesse endemoninhado), mas não obteve nenhum resultado.

        Pressionado pela desagradável situação, Arigó resolveu atender, para experiência, aos pedidos feitos em sonho pelo médico alemão. Tendo encontrado um amigo aleijado, que era obrigado a usar muletas para andar, Arigó se viu de repente gritando:

        - Já é tempo de você largar estas muletas! E arrancando-as, ordenou ao homem que caminhasse, o que ele fez, e continuou a andar perfeitamente deste dia em diante.


O Caso do Senador Brasileiro Lúcio Bittencourt

        Estava fazendo campanha naquele distrito eleitoral, para tentar a reeleição, e também para a eleição de Getúlio Vargas.Os médicos haviam diagnosticado que Lúcio Bittencourt sofria de câncer pulmonar, aconselharam-no a operar-se imediatamente, de preferência nos Estados Unidos. (Tinham, na verdade, pouca esperança de êxito na operação).

        Resolveu adiar a cirurgia para depois da campanha eleitoral e quando foi a Congonhas do Campo, ficou conhecendo Arigó, que já fora dirigente sindical, e, impressionado com o seu magnetismo convidou-o para participar de um comício em Belo Horizonte, onde ficaram hospedados no mesmo hotel.

        Mais tarde, estando Lúcio Bittencourt estendido na cama, pensativo, preocupado com sua enfermidade, viu a porta do quarto abrir-se vagarosamente. Um vulto escuro, que lhe parecia ser de Arigó, entrou no quarto a acendeu a luz. Era realmente Arigó, de pé, imóvel, com uma navalha aberta na mão. Estarrecido, o senador tentou sentar-se mas uma estranha fraqueza dominou-o e ele caiu deitado de costas. Tudo se tornou confuso e afinal escureceu de todo. Na manhã seguinte, ao acordar, verificou que o paletó de seu pijama estava rasgado nas costas e coberto de sangue já coagulado. O câncer fora removido com absoluto sucesso, como se confirmou mais tarde, o senador ficou completamente curado.

 

O Caso do Dr. Puahrich



        Apesar da perseguição da Igreja e das autoridades, Arigó fundou uma clínica, onde tratava gratuitamente até 200 pessoas por dia.

        Dois cientistas norte-americanos (Dr. Puahrich e Dr. Belk) vieram especialmente para estudar e testar os fenômenos com Arigó, acompanhados de dois intérpretes da Universidade do Rio de Janeiro.

        O Dr. Puahrich era portador de um tumor, sem caráter maligno, um lipoma, há mais de sete anos, dentro do cotovelo esquerdo, que, apesar de indolor, incomodava um tanto. Uma cirurgia normal levaria cerca de 20 minutos para removê-lo. Depois de angustiosa indecisão, o Dr. Puahrich resolveu pedir a Arigó para extirpar o lipoma.

        Quando Puahrich chegou a clínica, na manhã seguinte, Arigó virou-se para os pacientes, que já enchiam a sala e perguntou:

         - Alguém aí tem um bom canivete brasileiro para usar neste americano?

        Embora horrorizado, Puahrich não podia mais recuar. De todos os lados apareceram canivetes. Arigó escolheu um e voltou-se para o paciente: - Arregace a manga, doutor! -Olhe para lá! - recomendou Arigó.

        Alguns segundos depois, Puahrich sentiu na palma da mão algo macio, juntamente com o canivete. Era o lipoma. Olhou para seu braço e notou a parte onde ficava o tumor totalmente desinchada. Havia apenas uma pequena incisão, de menos de cinco centímetros de comprimento e uma pequena quantidade de sangue. O americano experimentou apenas uma vaga sensação e declarou mais tarde:

        - Nada senti. Não podia acreditar no que aconteceu e, entretanto, acontecera pois, quanto a isso, não pode haver mais dúvida.

        A cirurgia não foi seguida de qualquer infecção e o ferimento cicatrizou completamente. Tudo filmado por Jorge Rizzini ficou muito nítido e mostrou que a operação durara apenas cinco segundos. Os americanos não tiveram mais dúvidas e ficaram totalmente convencidos da veracidade dos fenômenos.

        Arigó continuou a exercer a medicina, sem jamais aceitar pagamento pelos seus serviços.


Nosso amigo, nosso irmão Arigó

        Aparentemente rude, simplório, bom apetite, leigo, mas para os que conviveram com ele, alegre, bonachão, simpático. Católico fervoroso, sem nenhuma instrução sobre Espiritismo, leis da física, ciência ou religião. Porém dotado de um senso ético, coração bondoso, forte senso de justiça.


        Apesar de sua família (seus pais) terem tido uma boa condição social, a vida de Arigó teve vários altos e baixos, exerceu várias profissões desde agricultor, trocador de ônibus, trabalhador de minas, comerciante (mais emprestava que ganhava), dentre outras atividades..

        Mesmo sem saber Zé Arigó era acompanhado por uma equipe Espiritual da mais elevada Luz. Houve uma ocasião em que Arigó havia marcado uma noitada com os amigos. Foi trabalhar em um prédio como ajudante, passaria o dia trabalhando e á noite iria para o encontro, que deveria ser com amigos, regado a bebidas e mulheres. Na hora da saída ele entrou no banheiro para ser arrumar, porém não o viram lá, a porta do banheiro travou por fora.

        Todos foram embora e Zé Arigó passou o final de semana inteiro preso no banheiro, só sendo liberado na segunda pela manhã quando os trabalhadores retornaram ao trabalho depois do final de semana. Com certeza isto foi uma ajuda do plano espiritual para que ele Arigó não se envolvesse em situações comprometedoras e energias inferiores.

        Ele mesmo conta que sempre houve impedimentos nas ações menos edificantes.

        Arigó não entendia o que acontecia a ele, então por algumas vezes a equipe espiritual permitiu que ele perdesse os sentidos para atuar em seus semelhantes e realizar as cirurgias, o que depois quando ele voltava a si, era a ele relatado o ocorrido, e mesmo assim ele não acreditava. Por mais provas que ele recebia, ainda relutava muito, com medo de estar cometendo heresia.

        Após muitos acontecimentos, provas, e curas enfim Zé Arigó resolveu aceitar sua condição. Tudo o que ele mais queria era ajudar o próximo, e aceitando a companhia dos Espíritos iria contribuir para curas então tudo bem, vamos curar!

        Nunca houve uma morte ou uma infecção, nenhuma complicação para as pessoas que foram atendidas por Zé Arigó. Os cientistas, os médicos, as pessoas não entendiam como podia facas e objetos cortantes enferrujados nunca causarem males!

        Sendo assim, Arigó dispôs suas faculdades para a equipe espiritual, que era composta por Dr. Fritz (especialista em tumores e câncer), Frei Fabiano de Cristo (responsável pela equipe espiritual, ficava em um local em profunda meditação, energizando o local e as pessoas, emitindo uma Luz Verde que tinha o efeito de energizar, fazer assepsia, e também ação calmante nos pacientes, devido a isto nunca ocorria infecções, dores ou sangramentos nas intervenções cirúrgicas), Drº Takahashi (ginecologista japonês), Drº Charles Pierre (oftalmologista Francês), dentre outros médicos que compunham a equipe...

        Arigó foi preso por 2 vezes, as denúncias partiram da Sociedade Brasileira de Medicina em união com a Igreja católica. Foi denunciado como charlatão, e curandeiro. Foi liberto por um indulto expedido pelo Presidente Kubitschek. em 1956, e condenado em 1964 a 16 meses de prisão, onde foi para a prisão dirigindo o próprio jipe, pois a polícia não tinha carro disponível. Arigó disse que agora sim teria tempo para ler o Evangelho.


A Prisão de Arigó



        Após a prolongada leitura da sentença, Arigó levantou-se e agradeceu ao Juiz e ao Promotor Marcelo José de Paula. Nessa altura, já havia gente chorando no recinto do tribunal. Parentes e amigo José Arigó A emoção redobrou, quando uma tia de Arigó, entrando na sala de audiências, bradou em pranto convulsivo:
        - “Conforme-se, meu filho, porque até Jesus foi condenado!”

        E o trabalho continuou até mesmo na prisão...


        Arigó recebeu vários ilustres conhecidos, vários cientistas, jornalistas, políticos, gente que veio de fora do Brasil para conhecer o fenômeno José Arigó.

        Á todos impressionou por seu carisma, humildade, sinceridade, a muitos auxiliou na cura, muitos foram desmascarados pela equipe espiritual!

        Na foto acima, Francisco Cândido Xavier e o médium Dr. Waldo Vieira de Uberaba, em viajarem para os Estados Unidos e a Europa, em 1964, a serviço Doutrinário, foram visitar José Arigó, em Conselheiro Lafaiete..


Abaixo alguns exemplos de como se dava as cirurgias





O desencarne  de Arigó


        Arigó teve um sonho em que previa para breve a sua passagem para o plano espiritual, através de uma morte violenta. No dia 11 de junho de 1971, ele esteve na clínica, como de costume, mas avisou aos seus pacientes que teria que ir a uma cidade vizinha, a fim de apanhar um carro de segunda mão, que acabava de comprar.

        E, às 12h 23 do dia 11 de janeiro de 1971, o médium Zé Arigó, ao voltar de um sítio perto de Congonhas do Campo - MG, foi acometido por um mal súbito que o fez perder repentinamente o controle de seu carro Opala que, passando a contramão, bateu de frente num veículo do DNER. Na violência do choque, desencarnou por traumatismo crâniano. Assim, nosso querido irmão José Arigó retornou à Pátria Espiritual.
Atualmente o Trabalho de Zé Arigó

O Trabalho atual de Zé Arigó

    Integra a Equipe Espiritual do Dr. Fritz Auxiliando da mesma forma amorosa irmãos que buscam o amparo as suas dores físicas e enfermidades, muitas incuráveis pela medicina Terrena. Atua na Casa Espírita Caminheiros da Fraternidade, como Responsável pela Triagem do Tratamento Médio Espiritual, sob a direção de Dr. Fritz.










quarta-feira, 15 de março de 2023

DR. FRITZ


        Pouco se sabe sobre Dr. Adolph Fritz Frederick Yeperssoven, o Dr. Fritz, que ficou muito conhecido por ser o espírito que atua por vários médiuns realizando cirurgias físicas sem dores ou sangramentos e com a cura das respectivas doenças.

        O que se sabe é que Dr. Fritz teria nascido entre as décadas de 1860 e 1870 na Polônia e criado na Alemanha desde sua infância. Formou-se médico pela Universidade de Berlim. Ele teria atuado na Primeira Guerra Mundial salvando vidas de soldados feridos em batalha. No livro Encontro Com Rr. Fritz, de Alessane Mota diz que a versão mais aceita sobre a vida terrena do Dr. Fritz é que ele teria ingressado no quadro de Saúde do Exército Alemão, no posto de Capitão, como Clínico Geral na época da Primeira Guerra. Teria ele atendido aos feridos na arena de batalha onde, por ausência de instrumentos apropriados, acumulou experiência no atendimento em situações críticas, sem a devida estrutura para a prática cirúrgica, aprendendo a se utilizar dos limitados recursos que o front lhe oferecia (faltam pesquisas mais aprofundadas no sentido de descobrir mais detalhes da experiência terrena do Dr. Fritz). Seu desencarne aconteceu no final da guerra, por volta de 1918, quando as equipes médicas teriam sido atingidas por um tipo de bomba.

        No Brasil seu nome ganhou destaque através do médium José Pedro de Freitas, conhecido como Arigó. E desde então vários médiuns relatam operar sob o comando de Fritz. Ainda segundo o livro Encontro Com Rr. Fritz, de Alessane Mota, a entidade nunca falou em incorporações simultâneas, no entanto vários médiuns afirmam incorporar o espírito do Dr. Fritz.

        O escritor espírita e comunicador da Rádio Boa Nova e TV Mundo Maior, Paulo Henrique de Figueiredo, em suas pesquisas práticas teve a oportunidade em vários momentos de conversar com o espírito de Dr. Adolph Fritz. Em entrevista, Paulo acrescentou pontos interessantes sobre as cirurgias espirituais e pilares da medicina. Confira:


O que a Doutrina Espírita fala sobre o Dr. Fritz?
Em verdade o nome do Dr. Fritz começou a ser conhecido a partir do Arigó, que foi um médium extraordinário. Ele não era espírita e sim espiritualista, mas no momento que começou a se tornar público, e inclusive a sofrer perseguições, um grupo grande de pesquisadores espíritas como Herculano Pires e Jorge Rizzini se aproximaram, pesquisaram o fenômeno, constataram a veracidade e até o defenderam. Esse foi o momento inicial do Fritz no Brasil.


Por que vários médiuns recebem o espírito do Dr. Fritz?
Há uma coisa que ocorre toda vez que isso se torna público, gera uma comoção e também ocorre perseguição. Kardec já dizia: Quando uma coisa é verdadeira, torna-se séria a perseguição. Todos os médiuns que eu tive contato, quando fica público, acaba durando um tempo pequeno, porquê começa primeiro as multidões de pessoas, depois a exploração da mídia; aí começam as perseguições. Hoje existem vários médiuns que não atuam em público, eles atuam para diversas pessoas, mas não aceitam que vá para a mídia.


Mais de um espírito pode realizar este trabalho?

Após o Arigó, muitos outros médiuns começaram atuar no mesmo campo, que a gente pode chamar de mediunidade de efeitos físicos e não só mediunidade de cura. Quase todos eles são representados pelo espírito do Fritz, ou Hans. Quando é um médico alemão é normalmente o Fritz ou é o Hans. O que acontece é o seguinte, Fritz e Hans é como se falasse José aqui no Brasil. Então, em verdade, o espírito primeiro que trabalhava com Arigó escolheu um nome genérico, justamente para não se identificar, da mesma forma que o André Luiz. São grupos de espíritos especializados em cura usam a mediunidade para fazer a divulgação por meio dos médiuns do quanto eles ajudam nos processos críticos de saúde que são as cirurgias. Então esses grupos de espíritos adotam um nome, não importa qual seja. Se é sério, eles usam o mesmo nome, não necessariamente é um espírito só, apesar de que há um Fritz, que foi aquele do Arigó, que eu tive o contato com ele, conversando por meio de médiuns.


O que diz Kardec?

Segundo Kardec, nós temos várias formas de atuação sobre a saúde. O magnetismo animal, magnetismo espiritual, a homeopatia, a mediunidade de cura e a medicina comum; são os cinco pilares da medicina. E ele propõe que no futuro esses cinco pilares combinem, porque eles atuam de forma diferente, então eles são complementares e não concorrentes.
Os curadores foram já anunciados por Kardec, não necessariamente espíritas, então até naquela época o fenômeno ocorre independente de ser no meio espírita ou não. Então kardec noticiou, acompanhou e registrou os casos que ficaram famosos na época, inclusive ele foi visitar pessoalmente e verificar alguns deles.


Como comprovar a veracidade das cirurgias?

Tem que ter registro médico. Então teria que ter todos os pacientes, quantas vezes foram atendidos e o médico tem que dizer se a cura foi fora do normal. Por ingenuidade pode não estar havendo o fenômeno e as pessoas nem percebem. A única forma de saber é fazer os registros médicos com os rigores da ciência, então teria que ser médicos, inspirar um protocolo e registrar todas as intervenções e saber como chegou, como saiu e estatisticamente ver se vai ter o resultado, porque um caso ou outro não quer dizer nada, você não consegue identificar o que curou. Agora se estatisticamente o grupo atendido por aquela pessoa tem um resultado de cura maior que o já registrado na medicina comum, a gente teria um indício de que ali teria algo a mais. A gente sempre tem que levar em conta que em qualquer um desses casos também pode haver charlatanismo e pessoas de má fé em todos os campos da mediunidade que simulam o fenômeno.


Quais as diferenças de cirurgias espirituais para as realizadas por Fritz?
Existem os fenômenos que são explícitos que tem o corte e alguns que não tem.
A área da cura, segundo o espiritismo, é ampla porque tem várias coisas que têm que levar em consideração. Uma delas foi o que o Franz Anton Mesmer descobriu, que é a ação de um corpo saudável sobre um corpo doente. Então o passe foi na época de Kardec um instrumento de um tratamento que era chamado de magnetismo animal. O passe não era a cura, o passe era uma das coisas no tratamento e a ação do magnetismo animal é semelhante a ação homeopática. Então o remédio homeopático incita os sintomas no ciclo da cura e Mesmer descobriu algo semelhante. O passe magnético, que era aplicado de vinte minutos à meia hora, incita no paciente o processo da cura.
Quando Kardec começou a estudar esses fenômenos ele viu também que havia uma ação de um espírito bom sobre a pessoa doente, então ele atuava no perispírito da pessoa por sintonia.
Kardec vai explicar que qualquer intervenção que uma pessoa faz sobre outra, os dois podem estar combinados, ai ele vai classificar como uma terceira coisa. Então o magnetismo humano é comum, é fisiológico, o magnetismo espiritual também, agora a terceira coisa é a mediunidade de cura, é um dom, da mesmo forma que tem psicógrafo, a psicofonia. E como eu lhe falei, ela envolve efeitos físicos que permitem que os espíritos atuam no corpo dos outros materialmente.


Por que as pessoas não sentem dor nas cirurgias de efeitos físicos?

O médium de efeitos físicos exala uma substância, que na França o Richet deu o nome de ectoplasma. É uma substância fisiológica do corpo do médium que ele exala por todos os orifícios, olho, nariz, boca, e podem exalar e manter invisível ou pode ficar visível com uma aparência branca leitosa. Quando ele está visível, eles usam essa substância que está sempre ligada ao médium. Por exemplo, ele exala essa substância o bastante, e a raridade é o quanto consegue exalar, pode então torna a substância leitosa, o espírito em sintonia com o médium torna aquela substância com mais forma, daí que vem a materialização.
O que ocorre é o seguinte, alguns médiuns que tem essa propriedade ao invés de fazer uma materialização simplesmente ou um transporte eles usam isso para intervir no corpo.        Então eles causam alterações fisiológicas usando esses efeitos físicos, eles então conseguem fazer com que a pessoa não tenha sangue, não sinta dor, então eles fazem intervenções na fisiologia da pessoa, no sistema nervoso para que afaste a dor e o sangramento. E também a precisão que eles podem não cortar, mas atuar dentro do organismo alterando algo que seja necessária, cortando um coágulo, cortando as artérias que levam sangue até o tumor, uma série de intervenções.


Qual o objetivo da Espiritualidade nessas cirurgias?
Eu fiz exatamente essa pergunta para o Fritz. Qual o objetivo? O objetivo não é substituir a medicina. O objetivo é primeiro despertar a atenção das pessoas da medicina. Segundo, atuar em pessoas que são desprezadas pela medicina.
Eu fui semana passada num médium de cura que faz intervenções físicas, ele faz cortes, e ele me chamou para ver uma paciente que ele estava curando, o Fritz, que ela tinha um tumor no pé do tamanho de um melão pequeno e ela foi simplesmente abandonada pelos médicos e todos que ela foi não deram continuidade e mandam procurar outro. Então quando ela chegou no Fritz ele começou a usar bisturi elétrico e intervenções espirituais e água magnetizada e vários recursos deles mesmo que já está regredindo o tumor e ele já estava com risco de gangrenar e já voltou a ter circulação, então voltou a ser um material orgânico vivo.


Bônus da Entrevista

A conversa que eu tive com o Fritz começou por um médium no Rio de Janeiro e acabou na Bahia. Foi incrível, eu comecei a conversar por meio de um médium com o Fritz no Rio de Janeiro, só que ai a gente não terminou a conversa e quando eu fui visitar um médium de cura na Bahia o Fritz virou para mim e falou: Olha, eu queria continuar aquela conversa com você. Eu parava, sabe quando você fica extasiado, o médium não sabe, ninguém sabe que eu conversei com você. Tudo bem, mas vamos continuar conversando. Foi uma situação absolutamente incrível.

Fritz me disse o seguinte: Não é nossa intenção substituir a medicina, nossa atuação não é uma alternativa a cura dos médicos, nós temos uma dupla intenção. Primeiro, chamar a atenção das pessoas para a questão de que existem espíritos, e eles atuam se relacionando com a gente. E a segunda questão fundamental é que os médicos podem ter ajuda dos espíritos, e eles tem mesmo sem saber.

Então Fritz contou também que essas grandes equipes de médicos espirituais atuam nos hospitais. Eles pedem para sempre fazer preces; familiares, as pessoas que vão ser operadas, porque isso facilita a nossa ajuda (Espiritualidade). Eles vão nos hospitais e auxiliam nas operações.

Muitas vezes têm médiuns de efeitos físicos nas proximidades que nem sabem que são médiuns e eles acabam se tornando auxiliares nas intervenções médicas. O Fritz me falou naquela ocasião que aos poucos os espíritos seja divulgado, que a espiritualidade seja compreendida e essa atuação deles, que é em paralelo, se torne uma operação em conjunto, que a medicina abrace a espiritualidade e todos possam ajudar no trabalho em conjunto.



Fonte: Site TV Mundo Maior 
           Livro Encontro Com Rr. Fritz, de Alessane Mota


quarta-feira, 8 de setembro de 2021

ANDRÉ LUIZ

        

        O Espírito André Luiz é considerado um dos grandes nomes do Espiritismo no Brasil. Tendo se apresentado a Chico Xavier informando que escreveriam juntos alguns livros. Até 1944 com a publicação do livro Nosso Lar ninguém havia contado com tanta riqueza de detalhes como seria o mundo espiritual, com a sua série de livros A Vida no Mundo Espiritual, de 13 volumes assinados escritos ao longo de 25 anos contando histórias do plano espiritual. As obras mostraram na prática, por meio de personagens, o funcionamento da codificação de Allan Kardec.

        Quando o Espírito André Luiz se apresentou à Chico Xavier informando que escreveriam alguns livros com ele, o médium aceitou e pediu o nome que seria assinado nos livros, mas desejando manter o anonimato, possivelmente respeitando os parentes que ainda estavam encarnados, sendo uma das hipóteses; escolheu um nome aleatório, como havia um rapaz dormindo na cama ao lado naquele momento, que era André Luiz, o meio-irmão de Chico, foi esse o nome que o espírito escolheu como pseudônimo para assinar as obras. O espírito André Luiz afirmou que optou pelo anonimato, porque: “existência humana apresenta grande maioria de vasos frágeis, que não podem conter ainda toda a verdade.”

        No livro Nosso Lar há uma pista de quem teria sido o espírito André Luiz quando vivo, que tendo sido um médico sanitarista conhecido no Rio de Janeiro do início do século 20. Especula-se os nomes de:
         - Oswaldo Cruz: que foi um médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro. Pioneiro no estudo das moléstias tropicais, como febre amarela e varíola e da medicina experimental no Brasil, fundou em 1900 o Instituto Soroterápico Federal no bairro de Manguinhos, no Rio de Janeiro, transformado em Instituto Oswaldo Cruz, hoje a Fundação Oswaldo Cruz, respeitada internacionalmente.
E a segunda teoria que é a mais sustentada é que teria sido:
        - Carlos Chagas: que foi um biólogo, médico sanitarista, infectologista, cientista e bacteriologista brasileiro, que trabalhou como clínico e pesquisador. Atuante na saúde pública do Brasil, iniciou sua carreira no combate à malária. Destacou-se ao descobrir o protozoário Trypanosoma cruzi (cujo nome foi uma homenagem ao seu amigo Oswaldo Cruz) e a tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas. Ele foi o primeiro e até os dias atuais permanece o único cientista na história da medicina a descrever completamente uma doença infecciosa: o patógeno, o vetor (Triatominae), os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia. Esta hipótese é confirmada pelo médium Waldo Vieira, que trabalhou junto de Chico Xavier na psicografia de algumas obras da coleção A vida no Mundo Espiritual.

        Outra hipótese para o anonimato do espírito é por motivação jurídica. A teoria é que Chico Xavier queria se proteger de um processo, como aconteceu no caso de Humberto de Campos, quando a viúva do escritor requisitou os direitos autorais dos livros psicografados por Chico. Se o médium lançasse o livro atribuído a uma figura publica tão notória quanto Carlos Chagas ou Oswaldo Cruz, estaria abrindo a possibilidade de ser levado novamente aos tribunais caso as famílias julgassem que deveriam receber os direitos autorais pelas obras supostamente escritas pelos parentes.

        Quem o Espírito André Luiz foi realmente, na verdade não importa, devemos ter curiosidade para estudar as suas obras trazidas por meio de Chico Xavier e de Waldo Vieira, e tantas outras obras que vai muito além que a coleção A Vida no Mundo Espiritual, nos deixando com a mente bem ocupada, e em ótima companhia. As obras mediúnicas do espírito André Luiz tem uma influência enorme e considerável sobre o movimento Espírita, as descrições do plano espiritual, tornando mais preciso e detalhado nosso conhecimento do mundo espiritual, estabelecendo novo patamar de compreensão da vida espiritual.

        É interessante observar que o primeiro livro de André Luiz causou grande impacto pela novidade de suas informações, alguns chegaram a contestar suas descrições de uma vida espiritual muito semelhante a que levamos na Terra, mas o acúmulo de evidências - deste mensagens descrevendo de modo fragmentário a vida espiritual, até obras completas de outros espíritos, por médiuns como Yvonne A. Pereira - provaram sua veracidade. O mais curioso é que descrições semelhantes já existiam desde os primeiros tempos do "Modern Spiritualism" - por exemplo, as que foram registradas por Andrew Jackson Davis (nasc. 1826 - desenc. 1910) - mas tinham caido no esquecimento.


“Somos arquitetos de nossa própria estrada e seremos conhecidos pela influência  que projetamos naqueles que nos cercam.” – André Luiz


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

EURÍPEDES BARSANULFO

            Grande nome do Espiritismo, Eurípedes Barsanulfo, tem uma história de vida inspiradora. Para começarmos a desbravar um pouco sobre a sua biografia, encontramos no livro “Eurípides, o Homem e a Missão”, de Corina Novelino, a revelação do Espírito Emmanuel feita a Chico Xavier, dizendo que nos tempos evangélicos Eurípides fora educado por Inácio, pupilo de João, o Evangelista, que se tornara grande propagador da Boa Nova. Adolescente ainda, Eurípides naquela reencarnação passada substituíra o Benfeitor na pregação na Palestina, onde também manteve contatos com João e fora martirizado.  Assim, temos uma pequena amostra da evolução espiritual de Eurípides Barsanulfo. Há quem afirme ainda que Eurípedes, fora a reencarnação do escravo Rufo, um cristão praticante que aparece no livro Ave Cristo, de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier.



            Eurípides Barsanulfo, foi um educador, político, jornalista e médium, um dos expoentes e pioneiros do Espiritismo no Brasil. Nasceu em 1º de maio de 1880, na cidade de Sacramento, em Minas Gerais. E faleceu em 1º de novembro de 1918, aos 38 anos de idade, também na cidade de Sacramento.

                Os seus pais foram Hermógenes Ernesto de Araújo (Seu Mogico) e D. Jerônima de Almeida (Dona Meca), ambos a princípio, podres de haveres materiais, mas ricos de virtudes cristãs, as quais enchiam o lar honrado de alegria e paz. Eurípides foi o terceiro de 15 irmão, muito jovem ainda, teve de enfrentar as vicissitudes do lar, promovendo os meios de auxiliá-lo. Cresceu e viveu sempre ao lado de seus progenitores, para os quais foi um verdadeiro arrimo. Desde cedo, na sua infância, Eurípides já dava sinais de bondade e preocupação com as pessoas necessitadas, manifestando os nobres sentimentos de que era dotado, mostrando-se um menino admirável pela sua inteligência precoce, pela sua dedicação ao trabalho e ao estudo, com uma grande capacidade de aprendizagem.

 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Dr. BEZERRA DE MENEZES

          


         Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, mais conhecido como Dr. Bezerra de Menezes. Nasceu em 29 de agosto de 1831, na fazenda Santa Bárbara, no lugar chamado Riacho das Pedras, município cearense de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, estado do ceará. E desencarnou na cidade do Rio de Janeiro – RJ, em 11 de abril de 1900, com 68 anos de idade. Bezerra de Menezes foi médico, militar, escritor, jornalista, político, filantropo e expoente do Espiritismo. Sendo também conhecido como O Médico dos Pobres.

        Os seus pais eram Antônio Bezerra de Menezes, capitão das antigas milícias e tenente-coronel da Guarda Nacional,  desencarnou em Maraguape, em 29 de setembro de 1851, de febre amarela. E a mãe de bezerra chamava-se Fabiana de Jesus Maria bezerra, era senhora do lar, nascida em 29 de setembro de 1791, desencarnou em Fortaleza, aos 91 anos de idade, perfeitamente lúcida, em 5 de agosto de 1882.

        Em 1838, Adolfo com sete anos de idade, ingressou na escola publica da Vila do Frade (adjacente ao Riacho do Sangue, atual Jaguaretama) onde, em dez meses aprendeu os princípios da educação elementar, a ler, a escrever e fazer contas simples.

        No ano de 1842, a sua família mudou-se para a antiga Vila de Maioridade (Serra dos Martins), no Rio Grande do Norte, por consequência de perseguições políticas e dificuldades financeiras. Lá na Serra dos Martins, Bezerra de Menezes com 11 anos foi matriculado na aula pública de latim, aprendendo o idioma em dois anos, e passou a substituir o professor em classe, em suas faltas.


       Em 1846, a família voltou para o Ceará, fixando residência em Fortaleza. Adolfo foi matriculado no Tradicional Liceu, que era dirigido pelo seu irmão mais velho, o Dr. Manoel Soares da Silva Bezerra. Lá concluiu os estudos preparatórios, destacou-se entre os primeiros alunos.

       Bezerra queria torna-se médico, e não advogado como os irmãos. Mas, não havia faculdade de medicina no Nordeste, o curso de medicina era na sede da Corte, a cidade do Rio de Janeiro; e o seu pai enfrentava dificuldades financeiras e não tinha como custear a viagem, no entanto, os parentes se sensibilizaram e contribuíram com 400 mil réis para pagar a sua viagem para o Rio de Janeiro.

       Foi assim que no ano do falecimento de seu pai, em 1851, que Adolfo pegou o navio e mudou-se para a então sede do império para cursar medicina, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Foto do Monumento em Homenagem a Dr Bezerra de Menezes,
no local onde ficava sua residência em Riacho do Sangue -CE,
hoje Jaguaretama. (Fonte desta imagem e informação do blog
Iluminado Guia Bezerra de Menezes)
        Em novembro de 1852, com 21 anos de idade, ingressou como residente no Hospital da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Para prover os seus estudos, dava aulas particulares de filosofia e matemática.

        Em 1856, graduou-se, com a defesa da tese: “Diagnóstico do Cancro”. Nessa
altura abandonou o ultimo patronímico, passando a assinar apenas Adolfo Bezerra de Menezes. Neste mesmo ano, o Governo Imperial decretou a reforma do corpo de Saúde do Exército Brasileiro, e nomeou para chefia-lo como Cirurgião-Mor, o Dr. Manuel Feliciano Pereira Carvalho, que foi professor de Bezerra, que convidou Bezerra para trabalhar como seu assistente. Com o emprego remunerado estável, começou o caminho do Médico dos Pobres, pois Bezerra não esqueceu dos necessitados. Isto porque antes de ingressar no Exército, Bezerra e um colega de faculdade que tinha condição financeira, entraram em acordo para abrirem um consultório em uma sala no centro comercial do Rio de Janeiro. Mas, quase não tinha pacientes. Mas a casa onde bezerra morava ficava repleta de doentes, então começou a atender gratuitamente os membros da família e depois aos domingos. Sua fama correu pelo bairro e os pacientes apareciam; mas ninguém pagava, pois eram pobres e dinheiro nunca foi mencionado. Assim, Bezerra continuava atendendo aqueles que não podiam pagar. O consultório do centro da cidade começou a ficar movimentado, também com clientes que pagavam, mas o dinheiro que recebia no consultório era gasto com os pobres em remédios, roupas e auxilio em dinheiro.
Em 27 de abril de 1857 candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina, com a memória “algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento”. O acadêmico José Pereira Rego leu o parecer na sessão de 11 de maio, tendo a eleição transcorrido em 18 de maio, e a posse em 1 de junho de 1857.  E neste mesmo ano, passou a colaborar na “Revista da Sociedade Físico-Química”.


        No ano de 1858 candidatou-se a uma vaga de substituto da Seção de Cirurgia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Saindo neste ano a sua nomeação oficial como assistente do Corpo de Saúde do Exército, no posto de Cirurgião-Tenente. Ainda no ano de 1858, com a vida mais organizada, casou-se em 6 de novembro, com Maria Cândida Lacerda, com quem teve dois filhos.

Primeira Esposa de Dr. Bezerra de Menezes,
Maria Cândida.
 
        Nesta época, tinha posição social: além de médico, era jornalista, escrevendo para os principais jornais da cidade; no meio militar era muito respeitado. Não demorou muito até que lhe oferecessem um lugar na chapa de um partido para as eleições do Poder Legislativo. Sua esposa Dona Maria, foi uma das maiores incentivadoras da candidatura de Bezerra de Menezes. Os moradores de São Cristovão, bairro onde morava e clinicava, também queriam tê-lo como representante na Câmara Municipal.

       Foi assim  que em 1860 foi eleito por um grupo de São Cristovão. Tendo havido uma tentativa de impugnar seu diploma sob o pretexto de que um militar não poderia ser eleito. Levando Bezerra a ter que escolher entre a carreira militar ou a política. Segundo os conselhos de sua esposa, escolheu a vida política, renunciando à patente militar.

       No período de 1859 a 1861 exerceu a função de redator dos Anais Brasilienses de Medicina, periódico da Academia Imperial de Medicina.

       Em 24 de março de 1863, a sua esposa Maria Cândida de Lacerda, desencarnou. Depois de uma doença rápida e repentina, que a levou ao falecimento em menos de vinte dias. Deixando o marido com dois filhos, um de três anos e outro com um ano de idade. Com o desencarne da esposa buscou consolação na Bíblia, que passou a ler com frequência.



        No ano de 1864, Bezerra foi reeleito vereador.

        Em 21 de janeiro de 1865, casou novamente com Cândida Augusta de Lacerda Machado, que era irmã materna de sua primeira esposa, e que cuidava de seus filhos até então. Teve sete filhos com ela, e permaneceram casados até a morte.
Já em franca atividade médica, Bezerra de Menezes demonstrava o grande coração que iria semear, até o fim do século, sobretudo entre os menos favorecidos financeiramente, o carinho, a dedicação e o alto valor profissional.

Cândida Augusta, segunda esposa de Dr. Bezerra de Menezes
       Em 1867, dando continuidade a sua carreira política, foi eleito deputado-geral (que corresponde atualmente a deputado federal) pelo Rio de Janeiro, apesar da oposição de outros políticos. Empossado em 1867, a câmara dos deputados foi dissolvida no ano seguinte, em 1868, devido à ascensão do Partido Conservador.

        Afastado temporariamente da política, dedicou-se ao empreendedorismo. Em 1870, foi sócio fundador da Companhia Estrada de Ferro Macaé e Campos, na província do Rio de Janeiro. No ano de 1872, empenhou-se na construção da Estrada de Ferro Santo Antônio de Pádua, que pretendia estendê-la até ao Rio Doce, mas não conseguiu concretizar. Foi um dos diretores da Companhia Arquitetônica de Vila Isabel, fundada em Outubro de 1873, por João Batista Viana Drummond, para empreender a urbanização do bairro de Vila Isabel.

        Em 1875, foi presidente da Companhia Ferro-Carril de São Cristovão, período em que os trilhos da empresa alcançaram os bairros do Caju e da Tijuca.

       Em meio a sua carreira empresarial, retornando à política entre aos anos de 1873 a 1885, como vereador , e ocupando varias vezes as funções de presidente interino da Câmara Municipal, efetivando-se em julho de 1878, cargo que corresponderia atualmente ao de prefeito.

       Foi eleito deputado geral pela Província do Rio de Janeiro no período de 1877 a 1885, ano em que encerrou a sua carreira política. Neste período acumulou o exercício da presidência da câmara e do Poder Executivo Municipal. Em sua atuação como deputado, destacou-se com ideias pioneiras, como: Regulamentar o Trabalho Doméstico através de projeto de lei, visando conceder a essa categoria inclusive o aviso prévio de 30 dias; denunciou os perigos da poluição que já afetava a população do Rio de Janeiro, promovendo providência para combatê-la. Foi membro, a partir de 1882 das Comissões de Obras Públicas, Redação e Orçamento.

       Assim, em 1885 encerrou as suas atividades políticas, tendo atuado por 30 anos como político definiu a política certa vez em mensagem ao deputado Freitas Nobre: “A ciência de criar o bem de todos.” E outra missão o aguardava...



O Espiritismo
        Bezerra de Menezes conheceu a Doutrina Espírita quando foi lançado a tradução de O Livro dos Espíritos em português, no ano de 1875. Foi oferecido a Bezerra um exemplar da obra com dedicatória pelo tradutor, o também médico Dr. Joaquim Carlos Travassos, que se ocultou sob o pseudônimo de Fortúnio. Sobre o contato com a obra, Bezerra de Menezes  afirmou:
“ Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ‘Ora, Deus! Não hei de ir para o inferno por ler isto... Depois, é ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas.’ Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para o meu espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!... Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no ‘O Livro dos Espíritos’. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: ‘Parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como diz vulgarmente , de nascença.’”   

        Contribuiu para a sua adesão o contato com as “curas extraordinárias” obtidas pelo médium João Gonçalves do Nascimento (1844-1916), em 1882.

        Nesta época o Espiritismo no Brasil buscava organizar-se: em 1876 surgiu a primeira sociedade espírita no Rio de Janeiro; em 1883, Augusto Elias da Silva, interessado na difusão dos ensinos espíritas, fundava a revista O Reformado, é o periódico mais antigo do Brasil, ainda em circulação. Elias da Silva consultava Bezerra sobre as melhores diretrizes a seguir em defesa dos ideais espíritas. Pois, o Espiritismo sofria perseguições e era combatido veementemente. A imprensa era fonte diária de críticas ferozes, os sermões eram cheios de insultos e insinuações contra o Espiritismo. E Bezerra aconselhava Elias da Silva a não seguir o caminho do ataque, de não combater o ódio com o ódio, mas antes combater o ódio com amor. E foi desta forma que Bezerra conduziu toda a sua vida e o seu trabalho, dentro e fora do Movimento Espírita Brasileiro. E passou a colaborar com a redação de artigos doutrinários.

        Em 1º de janeiro de 1884 foi fundada a Federação Espírita Brasileira (FEB), que promoveria a doutrinação, a disciplina e o intercâmbio de experiências entre os diversos centros já existentes. Bezerra foi um dos primeiros a ser convidado para assumir a posição de presidente da organização, mas não aceitou por não se considerar capaz de tamanha responsabilidade. O primeiro presidente da FEB foi o Marechal Ewerton Quadros e a revista O Reformador tornou-se órgão oficial da FEB.

        Somente em 16 de agosto de 1886, aos 55 anos de idade, Bezerra de Menezes, perante grande publico, em torno de 1.500 a 2.000 pessoas, no salão de Conferência da Guarda Velha, em discurso, justificou a sua opção definitiva de abraçar os princípios da Consoladora Doutrina. O evento chegou a ser referido em nota publicada pelo “O Paiz”, que era o jornal de maior circulação da época.

        Daí por diante Bezerra de Menezes foi catalisador de todo o movimento espírita
no Brasil. Com sua cultura privilegiada, aliada ao descortino de homem publico e ao inexcedível amor ao próximo.

        Em 1887, passou a escrever uma série chamada “Espiritismo – Estudo Filosóficos”, que era publicado aos domingos no jornal “O Paiz”, com o  pseudônimo de Max, no período de 23 de outubro de 1887 à dezembro de 1893.

       Em 1888, Bezerra perdeu dois filhos. Reagiu e continuou trabalhando.

       No ano seguinte, 1889, Dr. Bezerra tornou-se presidente da Federação Espírita Brasileira. Nesse período, iniciou o estudo sistemático de “O Livro dos Espíritos”, uma vez por semana, nas sextas feiras; passou a redigir O Reformador; exercendo ainda a tarefa de doutrinador de espíritos obsessores.       

       Inspirado principalmente por mensagem ditada mediunicamente pelo Espírito Allan Kardec em janeiro do mesmo ano, através do médium Frederico Júnior, em que Kardec lhe transmitiu a mensagem intitulada: “Instruções de Allan Kardec aos Espíritas do Brasil.” Em determinado ponto da mensagem Kardec perguntou: “Onde está a escola de médiuns?”, e isto ficou na mente de Bezerra. Na realidade ele não encontrou uma escola de médiuns em lugar algum. A solução foi fundar ele meso a escola de médiuns. Muitos foram contra a ideia, mas mesmo assim instalou a escola de médiuns na casa espírita chamada “Centro” (que ele mesmo fundara para promover o estudo do Evangelho e de O Livro dos Espíritos). Mas ninguém passou a frequentar a escola, mesmo chamando a todos, mas ninguém comparecia.

       Organizou e presidiu um Congresso Espírita Nacional, em 14 de abril, no Rio de Janeiro. Com a presença de 34 delegações de instituições de diversos estados. Assumiu a presidência do Centro da União Espírita do Brasil, em 21 de abril. Já em 22 de dezembro de 1890, oficiou ao então presidente do Brasil, Marechal Deodoro da Fonseca, em defesa dos direitos e da liberdade dos espíritas contra certos artigos do Código Penal Brasileiro de 1890; em que a recém proclamada República vivia com receio de conspiração daqueles contrários ao novo regime e por isso o Código Civil impunha limites às associações das pessoas, dentre as quais as reuniões espíritas. Reuniões de qualquer natureza eram denunciadas à polícia sob suspeita de conspiração. Por isso O Reformador teve sua publicação suspensa; e casas espíritas chegaram a fechar.

        Dr. Bezerra, continuava escrevendo os artigos doutrinários no jornal “O Paiz”, ia ao “Centro Ismael”, e trabalhou em um romance chamado “Lázaro, o leproso”, publicado em 1892.

        De 1890 a 1891 foi vice-presidente da FEB na gestão de Francisco de Menezes Dias da Cruz, época em que traduziu o livro “Obras Póstumas” de Allan Kardec, publicado em 1892.

       Em 1893, a situação ficou crítica. Dr. Bezerra estava desprovido de recursos materiais, falido, pois o que possuía sempre repartia com os mais necessitados. No mês de setembro, houve o fechamento de todas as sociedades, espíritas ou não. No Natal encerrou a redação dos artigos semanais  “Estudos Filosóficos” do jornal “O Paiz”.

       Em 1895, foi convidado a reassumir a presidência da FEB. Pediu auxilio à Espiritualidade para decidir se deveria aceitar o convite, e prometeu seguir o que lhe fosse indicado. E foi na sessão das sextas feiras do Grupo Ismael,que o Espírito Agostinho manifestou-se pelo médium Frederico Junior, e Agostinho instruiu que Bezerra tomasse o cargo da presidência e se pusesse como elemento conciliador capaz de unir e erguer os espíritas, prometendo auxiliá-lo em mais esta tarefa. Naquela mesma noite Bezerra de Menezes aceitou o cargo, permanecendo presidente até a data  de seu falecimento, em 1900. Nesta gestão iniciou o estudo semanal de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, fundou a primeira livraria espírita no Brasil, e ocorreu a vinculação ao Grupo Ismael e a assistência aos necessitados.  


Desencarne
       Foi em meio a grandes dificuldades financeiras que sofreu um acidente vascular cerebral, que o deixou acamado, em janeiro de 1900. Durante três meses Bezerra de Menezes ficou sem poder falar ou se movimentar. Só os olhos se moviam. Houve verdadeira peregrinação à casa do médico dos pobres, no subúrbio modesto. Assim, como acontecia no seu consultório, pobres e ricos misturaram-se em sua casa para visitar o doente. Cada pessoa entrava uma a uma no quarto onde Bezerra ficava, sentava-se em uma cadeira, não falava nada, porque ele não poderia responder, ficava alguns minutos e saía comovida pelo olhar que Bezerra lhe dirigia. E as visitas seguiu-se dia e noite. 

       Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900, às 11:30 horas da manhã, na Rua 24 de Maio. Tendo ao seu lado a dedicada companheira de tantos anos, Cândida Augusta. A cidade agitou-se com a noticia do seu desencarne, prestando-lhe homenagens. No dia seguinte, na primeira página do jornal “O Paiz”, foi lhe dedicado um longo necrológico, chamando-o de “Eminente Brasileiro”. Recebeu ainda homenagem da Câmara Municipal do então Distrito Federal pela conduta e pelos serviços dignos.

        Morreu pobre, embora seu consultório estivesse cheio de pacientes sem recursos financeiros para pagar consulta. Foi preciso constituir-se uma comissão para angariar donativos para a manutenção da família. A comissão fora presidida pelo jornalista e político Quintino Bocaiuva.

       Por ocasião do desencarne de Bezerra de Menezes, Leon Denis – um dos maiores discípulos de Kardec, assim se pronunciou sobre Bezerra: “Quando tais homens deixam de existir, enluta-se não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo.”

       Pela sua atuação destacada no movimento espírita do Brasil, Bezerra de Menezes foi considerado um modelo para os adeptos do Espiritismo. Com índole carinhosa, perseverança, disposição amorosa para superar os desafios, a sua militância na divulgação e na reestruturação do movimento espírita no país, Bezerra de Menezes foi de extrema relevância para o movimento espírita do Brasil.

       Dr. Bezerra de Menezes continua, em espírito, a orientar a influenciar o movimento espírita. É patrono de centenas de instituições espíritas em todo o mundo. Também continua a prestar assistência espiritual e de saúde juntamente com sua equipe de benfeitores espirituais em varias casas espíritas, e intermediando a favor de muitos em hospitais e em suas casas.

       Por sua postura de medico caridoso, atendendo pessoas que necessitavam, mas não podiam pagar, ficou conhecido como “O médico dos pobres”. É relatado em suas biografias o episódio que bezerra doou o seu anel de formatura em medicina a uma mãe para que comprasse os medicamentos que seu filho precisava. E afirmou como um verdadeiro médico deve ser:

      “O médico verdadeiro é isto: não tem direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto... O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado e achar-se fatigado ou por ser alta à noite, mau o caminho e o tempo, ficar perto ou longe do morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro – esse não é médico, é negociante da medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura.” (Dr. Bezerra de Menezes)