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sábado, 18 de abril de 2026

SONO E SONHOS

 O SONO

    O sono, para o corpo físico, é uma morte de todos os dias, aparente e incompleta, durante a qual ele não perde sua integridade, cessando somente a atividade dos órgãos de relação com o mundo exterior; mas, em compensação, para o Espírito, o sono abre as portas do sonho, frestas mais ou menos amplas para a visão das estranhas cenas do mundo estranho do Além, suas paisagens de coloridos bizarros, suas luzes intensas e maravilhosas, seus misteriosos habitantes.

    Tudo no mundo dorme, seres e coisas, pelo menos aparentemente. Um terço de nossa vida, no mínimo passamos a dormir.

    Enquanto é dia e sob a influencia do Sol, cuja luz destrói as emanações fluídicas maléficas, predomina o dinamismo das forças materiais, regidas pela inteligência; mas, quando o Sol se vai e cai a noite, passam a imperar as forças negativas da astralidade inferior e o corpo humano adormece, então, sob seu domínio.

(...)

    Mas, como se dá o sono?
    Com o abandono provisório do corpo pelo Espírito, da mesma forma como a morte, quando o abandono é definitivo.



                       



OS SONHOS


Sonhos do Subconsciente
    São reproduções de pensamentos, ideias e impressões que afetam nossa mente na vigília; fatos comuns da vida normal, que se registram nos escaninhos da memória e que, durante o sono, continuam a preocupar o Espírito, com maior ou menor intensidade. Esses elementos, subindo do subconsciente, uns puxam os outros, se se pode assim dizer, e formam verdadeiros enredos, com reminisciências presentes e passadas, tornando tais sonhos quase sempre de difícil compreensão, justamente por serem confusos, complexos, extravagantes.

    Nesses sonhos do subconsciente, entram também outros fatores, como sejam o temperamento imaginativo ou emocional do indivíduo, seus recalques, mormente os de natureza sexual, perturbações fisiológicas momentâneas, etc. Os dormentes, nesses sonhos somente veem quadros formados em sua própria mente subconsciente, porque tais sonhos são unicamente auto-produtos mentais inferiores.

    Finalmente, o que os define e caracteriza, além de seu aspecto confuso e nebuloso, é a incoerência, a falta de nitidez, de luz e do colorido.



Sonhos Reais
    Enquanto o corpo físico repousa, o Espírito passa a agir no plano espiritual, no qual terá maior ou menor liberdade de ação, segundo sua própria condição evolutiva; uns se conduzem livremente, outros ficam na dependência de terceiros, mas todos são atraídos para lugares que lhes sejam afins ou correspondentes.

    Pois, justamente aquilo que vê, ouve ou sente, os contatos que faz com pessoas ou coisas desses lugares ou esferas de ação, é que constituem os sonhos reais que, como bem se compreende, não são mais elaborações da mente subconsciente individual, mas sim perfeitas visões, diretas e objetivas, desses mundos; verdadeiros desdobramentos, exteriorizações involuntárias do Espírito.

    Os encarnados, sujeitos como são às leis que regem o plano material, delas não se libertam senão com o desencarne e, por isso, mesmo quando exteriorizados durante o sono, as leis prevalecem, mantendo os véus de obscuridade vibratória entre os dois mundos.

    Essa é a razão porque os sonhos, mesmos os reais, são normalmente indistintos, nebulosos, de difícil recordação. Por isso, também, é que quanto há necessidade de obviar a esse estado de coisas, fazendo com que os sonhos sejam mais facilmente recordáveis, os agentes do invisível lançam na mente do adormecido poderosas sugestões, facilmente transformáveis, ao despertar, em imagens mentais alegóricas representativas dos ensinamentos, advertências ou experiências que o dormente deve recordar.

    Costumam, também, conduzir o adormecido a regiões ou instituições do espaço, proporcionando-lhes contatos e experiências necessárias ao seu aprendizado espiritual, dos quais a recordação, pelo referido processo, sempre de alguma forma permanece.

    E se isso acontece em relação aos Espíritos bons, também sucede com os maus que, valendo-se da lei das afinidades vibratórias, apoderam-se dos dormentes e os carregam para seus antros, inoculando-lhes ou alimentando em suas mentes desprotegidas, ideias ou tendências maléficas.

    Os médiuns, pois, que se guardem dessas infelizes possibilidades, purificando-se em corpo e espírito, para que sua tonalidade vibratória se eleve e orando e vigiando como o Divino Mestre recomendou.

    Conforme, porém, seu desenvolvimento espiritual, pode o Espírito, assim desdobrado, viajar em varias regiões etéreas, vê-las e compreendê-las; instruir-se, penetrar acontecimentos passados ou futuros, do setor dos chamados sonhos simbólicos ou proféticos.

    Nesse mundo diferente, no qual ingressamos diariamente, muita coisa está à nossa disposição, como auxilio ao nosso esforço evolutivo; material de estudo, elementos de investigação, contatos reparadores, conselhos e instruções de amigos desencarnados ou não, e de instrutores espirituais.

    A luminosidade, a nitidez, a clareza, a lógica e o colorido, eis as características inconfundíveis desses sonhos reais, únicos verdadeiros.

    Poucos são os que, ao despertar, se recordam dessa vida esquisita que viveram durante o sono. EM geral, só nos recordamos do último sonho, o que antecedeu o despertar e, esse mesmo, é logo varrido da memória com a interferência brutal dos acontecimentos materiais imediatos.

    No livro Os Mensageiros (psicografado por Chico Xavier) – Cap. 37 – (o Espírito) André Luiz, referindo-se aos encontros que se dão durante o sono, acrescenta: “Estas ocorrências nos círculos da crosta, dão-se aos milhares, todas as noites. Com a maioria de irmãos encarnados, o sonho apenas reflete perturbações fisiológicas ou setimentais a que se entregam, entretanto, existe grande número de pessoas que com mais ou menos precisão, estão aptas a desenvolver este intercâmbio espiritual”.

    Vivemos atualmente na carne, com perda de mais de um terço de nossa vida consciente, que escapa assim ao nosso controle, nas brumas do esquecimento do sono.




Fonte: Livro – Mediunidade. Edgard Armond. Cap. 9 e 10