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quinta-feira, 14 de setembro de 2023

MÁS PALESTRAS

 


“Não vos enganeis; as más conversações corrompem os bons costumes.”
Paulo ( I Coríntions, 15:33)

        A conversação menos digna deixa sempre o traço da inferioridade por onde passou. A atmosfera de desconfiança substitui, imediatamente, o clima da serenidade, o veneno de investigações doentias espalham-se com rapidez. Depois da conversação indigna, há sempre menos sinceridade e menor expressão de força fraterna.

        Em seu berço ignominioso, nascem os fantasmas da calunia que escorregam por entre criaturas santamente intencionadas, tentando a destruição de lares honestos; surgem as preocupações inferiores que espiam de longe, enegrecendo atitudes respeitáveis; emerge a curiosidade criminosa, que comparece onde não é chamada, emitindo opiniões desabridas, induzindo os que a ouvem á mentira e à demência.

        A má conversação corrompe  os pensamentos mais dignos. As palestras proveitosas sofrem-lhe, em todos os lugares, a perseguição implacável, e imprescindível se torna manter-se o homem em guarda contra o seu assédio insistente e destruidor.

        Quando o coração se entregou a Jesus, é muito fácil controlar os assuntos e eliminar as palavras aviltantes.

        Examina sempre as sugestões verbais que te cercam no caminho diário. Trouxeram-te denúncias, más notícias, futilidade, relatórios malsãos da vida alheia? Observa como ages. Em todas as ocasiões, há recursos para retificares amorosamente, porquanto podes renovar todo esse material, em Jesus Cristo.


Pelo Espírito Emmanuel.
Psicografia de Chico Xavier.

 

Fonte: Livro – Pão Nosso. Ditado pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Chico Xavier.



quinta-feira, 7 de setembro de 2023

RELATO DE SUICIDA: O PAI E O CONSCRITO

     

         No começo da guerra com a Itália, em 1859, um negociante de Paris, pai de família, gozando da estima geral de todos os seus vizinhos, tinha um filho que fora sorteado para o serviço militar; achando-se, por sua posição, na impossibilidade de exonerá-lo do serviço, teve a ideia de se suicidar a fim de insentá-lo, como filho único de viúva. Foi evocado um ano depois, na Sociedade de Paris, a pedido de uma pessoa que o conhecera e que desejava conhecer a sua condição no mundo dos Espíritos.

        (A São Luís.) Quereis nos dizer se podemos evocar o homem de quem se acaba de falar? – R. Sim, ele ficará mesmo muito feliz, porque será um pouco aliviado.


        1.   
Evocação. – R. Oh! Obrigado! Eu sofro muito, mas... é justo; entretanto, ele me perdoará. 

        O espírito escreve com grande dificuldade; os caracteres são irregulares e mal formados; depois da palavra mas, se detém, tenta em vão escrever, e não faz se não alguns traços indecifráveis e pontos. É evidente que é a palavra Deus que ele não pode escrever. 
        
        2.   
Preenchei a lacuna que deixastes. – R. Eu sou indigno.

         3. Disseste que sofreis, sem dúvida, errastes em vos suicidar, mas é que o motivo que vos levou a esse ato não vos mereceu nenhuma indulgência? – R. A minha punição será menos longa, mas a ação nem por isso foi menos má.

        4.    Poderíeis nos descrever a punição que sofreis? – R. Sofro duplamente, na minha alma e no meu corpo; sofro neste último, embora não o possua mais, como o amputado sofre no membro ausente.

        5.
   
A vossa ação teve o vosso filho por único motivo, e não fostes solicitado por nenhuma outra causa? – R. só o amor paternal me guio; em favor desse motivo, a minha pena será abreviada.

        6. Prevedes o fim de vossos sofrimentos? – R. Não lhe conheço o fim; mas estou seguro de que esse fim existe, o que me é um alívio.

        7.
    Ainda há pouco, não pudestes escrever o nome de Deus; entretanto, temos visto espíritos muito sofredores escrevê-lo; isso faz parte de vossa punição? – R. Eu o poderia, com grandes esforços de arrependimento.

        8.
    Pois bem! Fazei grandes esforços, e tratai de escrevê-lo; estamos convencidos, de que se a isso chegardes, ser-vos-á um alívio.O espírito acabou por escrever, em caracteres irregulares, trementes e muito grosso: “Deus é muito bom.”

        9.
    Nós vos sabemos reconhecido por vir ao nosso chamado, e pediremos a Deus por vós, a fim de chamar-lhe a misericórdia sobre vós. – R. Sim, se vos apraz.

        10.
    (A São Luís.) Quereis nos dar a vossa apreciação pessoal sobre o ato do espírito eu acabamos de evocar? – R. Este espírito sofre justamente, porque lhe faltou confiança em Deus, o que é uma falta sempre punível; a punição seria terrível e muito longa se não estivesse, em seu favor, um motivo louvável, que era o de impedir seu filho de ir ao encontro da morte; Deus, que vê o fundo dos corações, não o puniu senão segundo as suas obras. 

        Observações. -  À primeira vista, este suicídio parece desculpável, porque pode ser considerado como ato de devotamento; com efeito o é, mas não completamente. Assim como disse o Espírito e São Luis, a esse homem faltou a confiança em Deus. Por sua ação, talvez impediu o destino de seu filho de se cumprir; primeiro, não estava certo que este fosse morto na guerra, e talvez essa carreira devesse dar-lhe oportunidade de fazer alguma coisa que seria útil ao seu adiantamento. Sua intenção, sem dúvida, era boa, assim lhe foi tida em conta; a intenção atenua o male merece indulgência, mas não impede o que é mau de ser m; sem isso, em favor do pensamento, poder-se-ia desculpar todos os delitos, e poder-se-ia mesmo matar sob o pretexto de prestar serviço. Uma mãe que mata o seu filho na crença de que o envia direto ao céu é menos culpada, porque o fez numa boa intenção? Com esse sistema, justificar-se-iam todos os crimes que um fanatismo cego cometesse nas guerras religiosas.

        Em princípio, o homem não tem o direito de dispor de sua vida, porque esta lhe foi dada em vista dos deveres que deveria cumprir na Terra, por isso, não deve abreviá-la voluntariamente, sob nenhum pretexto. Como tem o seu livre-arbítrio, ninguém pode impedi-lo, mas sofre-lhe sempre as consequências. O suicídio mais severamente punido é aquele que se cumpre pelo desespero, e tendo em vista livrar-se das misérias da vida; sendo essas misérias, ao mesmo tempo, prova e expiações, subtrair-se delas é recuar diante da tarefa que se aceitara, às vezes mesmo diante da missão que se deveria cumprir.

        O suicídio não consiste somente no ato voluntário que produz a morte instantânea; está também em tudo o que se faz, em conhecimento de causa, que deve apressar, prematuramente, a extinção das forças vitais.

        Não se pode assemelhar ao suicídio o devotamento daquele que se expõe à morte iminente para salvar o seu semelhante; primeiro, porque não há, no caso, nenhuma intenção premeditada de subtrair-se à vida, e, em segundo lugar, não há perigo do qual a Providência não possa nos tirar, se a hora de deixar a Terra não chegou. Se a morte ocorre em tais circunstâncias, é um sacrifício meritório, porque é uma abnegação em proveito de outrem. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, n.s 53, 65, 66, 67)


Fonte: Livro – O Céu e o inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Cap. V.