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segunda-feira, 14 de agosto de 2023

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO



Instrução dos espíritos

            Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão contidos os destinos dos homens na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque aqueles que a tiverem praticado, encontrarão graça diante do Senhor. Esta divisa é a luz celeste, a coluna luminosa que guia o homem no deserto da vida para conduzi-lo à Terra Prometida, e brilha no céu como uma auréola santa na fronte dos eleitos, e na Terra está gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, vós os benditos de meu Pai. Vós reconhecereis pelo perfume de caridade que espargem ao seu redor. Nada exprime melhor o pensamento de Jesus, nada resume melhor os deveres do homem, do que esta máxima de ordem divina; o Espiritismo não podia provar melhor a sua origem do que dando-a por regra, porque ela é reflexo do mais puro Cristianismo; com um tal guia o homem não se perderá jamais. Aplicai-vos, pois, meus amigos, em compreender-lhe o sentido profundo e as consequências, e em procurar, por vós mesmos, rodas as suas aplicações. Submetei todas as vossas ações ao controle da caridade, e vossa consciência vos responderá; não somente ela vos evitará de fazer o mal, mas vos levará a fazer o bem: porque não basta uma virtude negativa, é preciso uma virtude ativa; para fazer o bem é preciso sempre a ação da vontade; para não fazer o mal basta, frequentemente, a inércia e a negligência.

            Meus amigos, agradecei a Deus que vos permitiu pudésseis gozar da luz do Espiritismo; não porque só aqueles que a possuem podem ser salvos, mas porque vos ajudando a melhor compreender os ensinamentos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos; fazei, pois, que em vos vendo, se possa dizer que o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, porque todos aqueles que praticam a caridade são os discípulos de Jesus, qualquer seja o culto a que pertençam. (PAULO, apóstolo, Paris, 1860).  

 


Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Cap. XV. Item 10.



segunda-feira, 7 de agosto de 2023

FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO. FORA DA VERDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO


           Enquanto a máxima: Fora da caridade não a salvação se apoia sobre o princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à felicidade suprema, o dogma: Fora da igreja não há salvação se apoia, não sobre a fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, mas sobre a fé especial em dogmas particulares; é exclusivo e absoluto; em lugar de unir os filhos de Deus, os divide; em lugar de os excitar ao amor de seus irmãos, alimenta e sanciona a irritação entre os sectários dos diferentes cultos que se consideram reciprocamente como malditos na eternidade, fossem eles parentes ou amigos neste mundo; desconhecendo a grande lei de igualdade diante do túmulo, os separa até no campo do repouso. A máxima: Fora da caridade não há salvação é a consagração do princípio da igualdade diante de Deus e da liberdade de consciência; com esta máxima por regra, todos os homens são irmãos, e, qualquer que seja a sua maneira de adorar a Deus, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros. Com o dogma: Fora da igreja não há salvação, eles se lançam anátema, se perseguem e vivem em inimizade; o pai não ora pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que se julguem reciprocamente condenados para sempre. Esse dogma, pois, é essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.

            Fora da verdade não há salvação seria o equivalente de: Fora da igreja não há salvação, e também exclusivista, porque não há uma só seita que não pretenda ter o privilégio da verdade. Qual é o homem que pode se gabar de possuí-la inteiramente, quando o circulo dos conhecimentos aumenta sem cessar, e as ideias se retificam a cada dia? A verdade absoluta não pertence senão aos Espíritos de ordem mais elevada, e a Humanidade terrestre não poderia pretendê-la, porque não lhe é dado tudo saber; ela não pode aspirar senão a uma verdade relativa e proporcional ao seu adiantamento. Se Deus houvesse feito da posse da verdade absoluta, a condição expressa da felicidade futura, isso seria uma sentença de proscrição geral; enquanto que a caridade, mesmo na sua acepção mais ampla, pode ser praticada por todos. O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo que a salvação independe da crença, conquanto que se observe a lei de Deus, não diz: Fora do Espiritismo não há salvação; e como não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não diz: Fora da verdade não há salvação, máxima que dividiria em lugar de unir, e perpetuaria o antagonismo.      

 

 

Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Cap. XV. Itens 8 e 9.



segunda-feira, 31 de julho de 2023

NECESSIDADE DA CARIDADE SEGUNDO SÃO PAULO

        Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens, e mesmo a língua dos anjos, se não tivesse caridade não seria senão como um bronze sonante, e um címbalo retumbante; e quando eu tivesse o dom de profecia, penetrasse todos os mistérios, e tivesse uma perfeita ciência de todas as coisas; quando tivesse ainda toda a fé possível, até transportar as montanhas, se não tivesse a caridade eu nada seria. E quando tivesse distribuído meus bens para alimentar os pobre, e tivesse entregue meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso não me serviria de nada.

        A caridade é paciente; é doce e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária e precipitada; não se enche de orgulho; não é desdenhosa; não procura seus próprios interesses; não se melindra e não se irrita com nada; não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

        Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, permanecem; mas, entre elas, a mais excelente é a caridade. (São Paulo, 1ª Epístola aos Coríntios, cap. XIII, v. de 1 a 7 e 13).

           

        São Paulo, de tal forma compreendeu essa verdade, que disse: “Ainda quando eu tivesse a linguagem dos anjos; quando eu tivesse o dom de profecia, e penetrasse todos os mistérios; quando eu tivesse toda a fé possível, até transportar as montanhas, se não tivesse caridade, eu nada seria. Entre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade.” Coloca, assim, sem equivoco, a caridade acima mesmo da fé, porque a caridade está ao alcance de todo o mundo, do ignorante e do sábio, do rico e do pobre, e porque independe de toda a crença particular.

         E fez mais: definiu a verdadeira caridade; mostrou-a não somente na beneficência, mas na reunião de todas as qualidades do coração, na bondade e benevolência para com o próximo.

 

 

Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Cap. XV. Itens 6 e 7.



domingo, 23 de julho de 2023

LINDOS CASOS DE BEZERRA DE MENEZES: NO COMBATE A SI MESMO

De sua Carta a seu irmão Germano, tiramos esta pequena amostra de sua grandeza espiritual, de quem vivia de fato, no Bom Combate:

           “Eu me preocupo sem cessar com o que pode aproveitar à minha alma, considerando esta vida, com todas as glórias que oferece, uma simples parada (pouco) na infinitiva viagem que temos de fazer, em busca da casa do Pai. Creio, portanto, em Deus Pai todo Poderoso, Criador do Céu e da Terra e creio que sou um Espírito por Ele criado para a imortalidade.

            Não sou cristão, porque meus pais me criaram nessa lei e me batizaram; mas sim porque minha razão e minha consciência, livremente agindo, firmaram minha fé nessa doutrina sublime, que única na Terra, eleva os homens, em espírito, acima da sua condição carnal – e que por si mesma se revela obra de infinita sabedoria, a que o homem jamais pode chegar.

            Tendo diante dos meus olhos, da minha alma, o código sagrado da revelação messiânica, procuro sem descanso arrancar de mim os maus instintos naturais e substituí-los pelas virtudes cristãs. Tenho fé, tenho esperança e, quanto à caridade, procuro tê-la o mais que me é possível, na medida do ensino de S. Paulo. Não guardo ódio e perdôo as injúrias, evito fazer o mal e procuro fazer bem aos próprios que me odeiam.”

 

Fonte: Livro – Lindos Casos de Bezerra de Menezes. Ramiro Gama. Capitulo 31.



segunda-feira, 17 de julho de 2023

MINUTO DE SABEDORIA: NÃO ESTEJA ANSIOSO


 Não esteja ansioso e preocupado, para não atrair moléstias para seu corpo.

A ansiedade é um fator bioquímico, que influencia as secreções glandulares, produzindo demasiada adrenalina, que estimula em exagero o sistema nervoso.

Daí à enfermidade é um passo.

O nervosismo prejudica fundamentalmente a saúde.

Portanto, não seja ansioso: faça constantemente afirmações positivas de saúde, e mantenha-se calmo e sereno. 

 


Fonte: Livro – Minutos de Sabedoria. De C. Torres Pastorino. Mensagem 15.


 

quarta-feira, 12 de julho de 2023

O LIVRO DOS ESPÍRITOS: MUNDO NORMAL PRIMITIVO

*As respostas são dos Espíritos Superiores.

LIVRO SEGUNDO / MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO I – DOS ESPÍRITOS

 

MUNDO NORMAL E PRIMITIVO

84 – Os espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?
- Sim, o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.

85 – Na ordem das coisas, qual dos dois é o principal, o mundo dos espíritos ou o mundo corpóreo?
- O mundo espírita; ele preexiste e sobrevive a tudo.

86 – O mundo corpóreo poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem alterar a essência do mundo espírita?
- Sim, eles são independentes; no entanto, sua correlação é incessante, porque reagem incessantemente um sobre o outro.

87 – Os espíritos ocupam uma região determinada e circunscrita no espaço?
- Os espíritos estão por toda a parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos. Estão sempre ao vosso lado, observando e agindo sobre vós sem o perceberdes, porque os espíritos são uma das forças da natureza e instrumentos de que Deus se serve para a realização dos seus desígnios providenciais; mas nem todos vão a toda parte, pois há regiões interditadas aos menos adiantados.



sexta-feira, 7 de julho de 2023

MENSAGEM: PASSO A PASSO


Não receies. Atende ao dever que abraçaste.

Nem sempre acertarás, mas corrige-te e anda.

Faze o bem que puderes, serve, constrói, semeia...

Tropeçarás talvez em pedras que não vias.

Talvez caias por vezes, mas ergue-te e prossegue.

Tudo pode mudar, menos o Amor de Deus.



Fonte: Livro – Tempo de Luz. Psicografia de Chico Xavier. Por Espíritos Diversos. Mensagem do Espírito Emmanuel. Cap. 6.



sexta-feira, 30 de junho de 2023

ENTREVISTA COM O ESPÍRITO DE MARILYN MONROE NA ESPIRITUALIDADE

        A morte não transforma ninguém, muitos creem que depois da morte física os indivíduos se transformam de forma instantânea em um ser de pureza, sabedoria, vivendo nas altas moradas... O caminho do espíritos depois da morte física, só pertence a ele indo de acordo de como viveu a experiência física, seu gênero de morte, de como encara a morte, o apego a matéria... Como o Cristo Jesus afirmou: “A cada um será dado segundo as suas obras.” Sendo assim, a felicidade dos espíritos é sempre proporcional à sua elevação (O Livro dos Espíritos, questão 967). Todos nós caminhamos para o despertar, que se dar de forma lenta, assim como o reequilíbrio depois da morte física, dependendo do estado de consciência, evolução de cada espírito.

 


        No livro Estante da Vida, psicografia de Chico Xavier, ditado pelo Espírito Irmão X, Capitulo 1. Encontramos uma entrevista com o espírito de Marilyn Monroe feita em 1969, pelo Espírito Irmão X. Acompanhemos abaixo a entrevista:

        Caminhávamos, alguns amigos, admirando a paisagem do Wilshire Boulevard, em Hollywood, quando fizemos parada, ante a serenidade do Memoriam Park Cemetery, entre o nosso caminho e os jardins de Glendon Avenue.

        A famosa mansão dos mortos mostrava grande movimentação de Espíritos libertos da experiência física, e estranhos.

        Tudo, no interior, tranquilidade e alegria.

        Os túmulos simples pareciam monumentos erguidos à paz, induzindo à oração. Entre as árvores que a primavera pintara de verde novo, numerosas entidades iam e vinham, muitas delas escoradas umas nas outras, à feição de convalescentes, sustentadas por enfermeiros em pátio de hospital agradável e extenso.

        Numa esquina que se alteava com o terreno, duas laranjeiras ornamentais guardavam o acesso para o interior de pequena construção que hospedava as cinzas de muitas personalidades que demandaram o Além, sob o apreço do mundo. A um canto, li a inscrição: Marilyn Monroe – 1926-1962. Surpreendido, perguntei a Clinton, um dos amigos que nos acompanhavam:

        - Estão aqui os restos de Marilyn, a estrela do cinema, cuja historia chegou até mesmo aos conhecimento de nós outros, os desencarnados de longo tempo no Mundo Espiritual?

        - Sim – respondeu ele, e acentuou com expressão significativa: - não se detenha, porém, a tatear-lhe a legenda mortuária... Ela está viva e você pode encontrá-la. Aqui e agora...

         - Como?

         O amigo indicou frondoso olmo chinês, cuja galharia compõe esmeraldino refúgio no largo recinto, e falou:

         - Ei-la que descansa, decerto em visita de reconforto e reminiscência...

        A poucos passos de nós, uma jovem desencarnada, mas ainda evidentemente enferma, repousava a cabeleira loura no colo de simpática senhora que a tutelava. Marilyn Monroe, pois era ela, exibia a face desfigurada e os olhos tristes. Informados de que nos seria licito abordá-la, para alguns momentos de conversa, aproximando-nos, respeitosos.

        Clinton fez a apresentação e aduzi:

        - Sou um amigo do Brasil que deseja ouvi-la.

        - Um brasileiro a procurar-me, depois da morte?

        - Sim, e porque não? – acrescentei – a sua experiência pessoal interessa a milhões de pessoas no mundo inteiro...

        E o dialogo prosseguiu:

        - Uma experiência fracassada...

        - Uma lição talvez.

         - Em que lhe poderia ser útil?

         - A sua vida influenciou muitas vidas e estimaríamos receber ainda que fosse um pequeno recado de sua parte para aqueles que lhe admiraram os filmes e que lhe recordam no mundo a presença marcante...

         - Quem gostaria de acolher um grito de dor?

         - A dor instrui...

         - Fui mulher como tantas outras e não tive tempo e nem disposição para cogitar de filosofia.

         - Mas fale mesmo assim...

         - Bem, diga então às mulheres que não se iludam a respeito de beleza e fortuna, emancipação e sucesso... Isso dá popularidade e a popularidade é um trapézio no qual raras criaturas conseguem dar espetáculos de grandeza moral, incessantemente, no circo do cotidiano.

         - Admite, desse modo, que a mulher deve permanecer no lar, de maneira exclusiva?

         - Não tanto. O lar é uma instituição que pertence à responsabilidade tanto da mulher quanto do homem. Quero dizer que a mulher lutou durante séculos para obter a liberdade... Agora que a possui nas nações progressistas, é necessário aprender a controlá-la. A liberdade é um bem que reclama senso de administração, como acontece ao poder, ao dinheiro, à inteligência...

         Pensei alguns momentos na fama daquela jovem que se apresentara à Terra inteira, dali mesmo, em Hollywood, e ajuntei:

         - Miss Monroe, quando se refere à liberdade da mulher, você quer mencionar a liberdade do sexo?

        - Especialmente.

        - Porque?

        - Concorrendo sem qualquer obstáculo ao trabalho do homem, a mulher, de modo geral, se julga com direito a qualquer tipo de experiência e, com isso, na maioria das vezes, compromete as bases da vida. Agora que regressei à Espiritualidade, compreendo que a reencarnação é uma escola com muita dificuldade de funcionar para o bem, toda vez que a mulher foge à obrigação de amar, nos filhos, a edificação moral a que é chamada.

        - Deseja dizer que o sexo...

         - Pode ser comparado à porta da vida terrestre, canal de renascimento e renovação, capaz de ser guiado para a luz ou para as trevas, conforme o rumo que se lhe dê.

        - Ser-lhe-ia possível clarear um pouco mais este assunto?

        - Não tenho expressões para falar sobre isso com o esclarecimento necessário; no entanto, proponho-me a afirmar que o sexo é uma espécie de caminho sublime para a manifestação do amor criativo, no campo das formas físicas e na esfera das obras espirituais, e, se não for respeitado por uma sensata administração dos valores de que se constitui, vem a ser naturalmente tumultuado pelas inteligências animalizadas que ainda se encontram nos níveis mais baixos da evolução.

        - Miss Monroe – considerei, encantado, em lhe ouvindo os conceitos - , devo asseverar-lhe, não sem profunda estima por sua pessoa, que o suicídio não lhe alterou a lucidez.

        - A tese do suicídio não é verdadeira como foi comentada – acentuou ela sorrindo. – Os vivos falam acerca dos mortos o que lhes vem à cabeça, sem que os mortos lhe possam dar a resposta devida, ignorando que eles mesmos, os vivos, se encontrarão, mais tarde, diante desse mesmo problema... A desencarnação me alcançou através de tremendo processo obsessivo. Em verdade, na época, me achava sob profunda depressão. Desde menina, sofri altos e baixos, em matéria de sentimento, por não saber governar a minha liberdade... Depois de noites horríveis, nas quais me sentia desvairar, por falta de orientação e de fé, ingeri, quase semi-inconsciente, os elementos mortíferos que me expulsaram do corpo, na suposição de que tomava uma simples dose de pílulas mensageiras do sono...

        - Conseguiu dormir na grande transição?

        - De modo algum. Quando minha governanta bateu à porta do quarto, inquieta ao ver a luz acesa, acordei às súbitas da sonolência a que me confiara, sentindo-me duas pessoas a um só tempo... Gritei apavorada, sem saber, de imediato, identifica-me, porque lograva mover-me e falar, ao lado daquela outra forma, a vestimenta l que me largara... Infelizmente para mim, o aposento abrigava alguns malfeitores desencarnados que, mais tarde, vim a saber, me dilapidaram as energias. Acompanhei, com indescritível angústia, o que se seguiu com o meu corpo inerme; entretanto, isso faz parte de um capitulo do meu sofrimento que lhe peço permissão para não relembrar...

        - Ser-lhe-á possível explicar-nos porque terá experimentado essa agudeza de percepção, justamente no instante em que a morte, de modo comum, traz anestesia e repouso?

        - Efetivamente, não tive a intenção de fugir da existência, mas, no fundo, estava incursa ao suicídio indireto. Malbaratara minhas forças, em nome da arte, entregara-me a excessos que me arrasaram as oportunidades de elevação... Ultimamente, fui informada por amigos daqui de que não me foi possível descansar, após a desencarnação, enquanto não me desvencilhei da influência perniciosa de Espíritos vampirizadores a cujos propósitos eu aderira, por falta de discernimento quanto às leis que regem o equilíbrio da alma.

        - Compreendo que dispõe agora de valiosos conhecimentos, em torno da obsessão...

        - Sim, creio hoje que a obsessão, entre as criaturas humana, é um flagelo muito pior que o câncer. Peçamos a Deus que a ciência no mundo se decida a estudar-lhe os problemas e resolvê-los...

        A entrevista mostrava sinais de fadiga e, pelos olhos da enfermeira que lhe guardava a cabeça no regaço amigo, percebi que não me cabia avançar.

        - Miss Monroe – conclui -, foi um prazer para mim este encontro em Hollywood. Podemos, acaso, saber quais são, na atualidade, os seus planos para o futuro?

        Ela emitiu novo sorriso, em que se misturavam a tristeza e a esperança, manteve o silencio por alguns instantes e afirmou:

        - Na condição de doente, primeiro, quero melhorar-me... Em seguida, como aluna no educandário da vida, preciso repetir as lições e provas em que fali... Por agora, não devo e nem posso ter outro objetivo que não seja reencarnar, lutar, sofrer e reaprender...

        Pronunciei algumas frases curtas de agradecimento e despedida e ela agitou a pequenina mão num gesto de adeus. Logo após, alinharei estas notas, à guisa de reportagem, a fim de pensar nas bênçãos do Espiritismo Evangélico e na necessidade da sua divulgação.

 


 

Fonte: Livro – Estante da Vida. Pelo Espírito Irmão X. Psicografia de Chico Xavier. Capitulo 1.


segunda-feira, 26 de junho de 2023

MENSAGEM: PRESENÇA DO OLHAR


“Se o teu olho está na luz, todo o teu Ser tem luz”

        O Espírito enxerga e sente por todo o seu Ser, porém, nos caminhos da carne os olhos simbolizam o foco de atenção do indivíduo.

        A forma como se olha o mundo reflete nesga da intimidade do Ser.

        Conforme sente, vive, experimenta as águas das emoções, isso terá inegável influencia sobre a forma como a vida, em volta, será percebida.

        O olhar malicioso caracteriza a alma envolta nas vibrações maliciosas.

        O ver de maneira pessimista reflete a inquietação negativa que viceja no coração.

        A percepção de permanentes tempestades, em volta, marca as turbulências intimas que angustiam o indivíduo.

        O otimismo que ilumina com o Sol da esperança significa a alma confiante, tomada pelas Santas energias do Bem, acreditando nos sagrados objetivos da existência.

        A alma que se permite irradiar a própria luz, como consequência de sua espiritualização, toca de forma sensível as emanações da vida.

        Quanto maior cota de Bondade no universo interno, mais as energias do ser interpenetram com as forças sutis que a tudo e todos permeia.

        O olhar enternecido pelos valores mais profundos é aquele que, em sua limpidez, enxerga com transparência os fenômenos da vida, transcendendo ao mundo das aparências e alcançando níveis mais delicados do Reino, que, em ultima instância, pontifica no santuário da alma, impregnando-a.

        Na trajetória de nossa educação íntima observemos como olhamos a vida e os outros.

        Servirá como termômetro de nossa realidade evolutiva, solicitando-nos a visão de aprendizado para modificar o que necessita sê-lo e aperfeiçoar o que precisa aformosear-se em nós.

        Estejamos abertos para compreender como olhamos, a fim de que possamos melhor aferir onde precisamos iluminar no escarninhos do nosso ser, visando maiores conquistas do Evangelho em nosso mundo íntimo.

        A presença da luz é o alimento do nosso ser: seu encantamento divino, sua natureza real, a realidade suprema da cada filho de Deus.

        E que nossa passagem em qualquer ambiente da vida represente sempre, a presença da luz clareando as sendas do Universo, falando de Deus.

 

Pelo Espírito Marta.
Psicografia de Frederico Menezes.

 

Fonte: Livro – Presença de Jesus. Pelo Espírito Marta. Psicografia de Frederico Menezes. Mensagem: Presença do Olhar.



terça-feira, 20 de junho de 2023

ABORTO ESPONTÂNEO, VISÃO ESPIRITUAL

                                          

        Na ocorrência de aborto espontâneo estaremos sempre diante de um mecanismo da Lei de Causa e Efeito, que compõe o conjunto de princípios da Doutrina Espírita. As causas desse tipo de interrupção natural da gravidez podem ser encontradas a partir de uma visão espiritual.

        Muitas vezes, o Espírito que vai renascer elege um programa ao qual se submeterá durante a reencarnação, cabendo ao próprio interessado fazer ajustes que julgue convenientes e que o seu livre-arbítrio permita. Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec explica que chega um momento, durante a fase gestacional, em que o ser se reconhece impossibilitado de assumir as tarefas para as quais se preparou, mudando de atitude e desistindo de levar adiante o processo reencarnatório, o que tem como consequência o aborto espontâneo.

        Noutras vezes, trata-se da gestação de indivíduos em degrau evolutivo muito primário, o que dificulta sua adaptação à forma física sem provocar danos ao metabolismo embrionário ou fetal. Também pode ser um Espírito que já foi abortado em outras vidas ou que se tornou inimigo implacável daquela que está na iminência de recebê-lo como filho.

        De outra forma, Espíritos que encerraram a encarnação anterior em decorrência de um suicídio ficaram em débitos perante as Leis Cósmicas, tendo como consequência essas reencarnações malsucedidas que resultam em aborto espontâneo na tentativa seguinte. A interrupção do renascimento será uma prova ou expiação que o ser se permite para resgatar aquele tempo de vida que não foi devidamente cumprido.

        Acrescentemos também que um expressivo número de mulheres pode provocar psiquicamente o aborto ao rejeitarem uma gestação e se negarem a receber a criança em seus braços. A mente materna, talvez inconscientemente, bombardeia o embrião ou o organismo fetal com energias psíquicas desarticuladoras do funcionamento celular, responsáveis por expulsar o reencarnante da câmara uterina.

        Em todas as circunstâncias descritas a própria densidade vibratória do reencarnante extermina a vida em formação, desencadeando a sua expulsão do útero materno.

        Não nos deveremos esquecer que os pais que estarão incursos no processo provacional ou expiatório de alguma forma se encontram implicados na trama ocorrida no pretérito daquele grupo.

        Muitas mulheres entram em desespero com o aborto espontâneo, desenvolvendo estados psicológicos que demandam acompanhamento especializado por profissionais da área de saúde. A mulher que vivenciou uma situação de aborto espontâneo, normalmente experimenta um trauma muito grande. É provável até que o episódio venha a exercer influência em futuras gestações.

        As alterações fisiológicas e psíquicas provenientes da interrupção da gravidez podem desencadear na mãe frustrada certos transtornos emocionais e mentais, como a depressão, que ela conseguirá superar após um período mais ou menos longo, a depender do seu esforço pessoal. Tudo isso estará previsto nos Códigos da Vida.

        Se considerarmos a vida do Espírito, o fenômeno da interrupção da gestação será percebido como uma experiência evolutiva, integrando a relação dos incidentes naturais que permeiam a nossa trajetória no rumo da felicidade. Essa interpretação vale tanto para o reencarnante, que teve a vida orgânica obstruída, quanto para os pais, particularmente a gestante, que momentaneamente estará privada de experimentar a maternidade.

        Poderemos dirigir-nos à mulher que experimentou semelhante sofrimento, sugerindo que ela procure adotar a paciência como conselheira. Vamos dizer-lhe que supere a dor, que persevere e que se prepare, pois numa situação desta ordem, invariavelmente ocorrerá, mais tarde, uma nova gestação. Aquele Espírito cuja reencarnação foi interrompida, se for bem-intencionado, retornará aos braços de quem o aguardava com carinho e ansiedade, permitindo que ela experimente a grande alegria de tornar-se mãe.

        Algumas mulheres têm muitas dificuldades para engravidar. Mesmo que biologicamente tudo esteja bem com a sua saúde, elas não conseguem iniciar ou terminar o processo gestacional.

        Conforme a Lei de Causa e Efeito, tudo aquilo que nos acontece hoje é o resultado de atos que praticamos ontem. Na ocorrência da dificuldade para engravidar ou levar até o final a gestação, podemos entender que se trata de pessoas que no passado se comprometeram negativamente na área da maternidade. Em face do mau uso da oportunidade de ser cocriadora da vida, a mulher retorna com esses fatores impeditivos para que possa ter êxito na condição maternal. Um dos exemplos desse mau uso é a prática do aborto.

        Desta forma, certos fatores que impedem a gravidez são biológicos, enquanto outros estão relacionados à estrutura psicológica da mulher. Mas, quando estes aspectos estão saudáveis e mesmo assim ela não consegue realizar o sonho de conceber um filho, é fácil concluir que nela está instalada uma dinâmica provacional-expiatória que traduz a sua necessidade evolutiva naquele momento.

        Como consequência, a candidata à maternidade desenvolve uma ansiedade imensa para alcançar o seu objetivo. Este estado ansioso converte-se em mais um fator impeditivo, porque produz uma descarga psíquica de alta intensidade que, de alguma forma, perturba a produção e a liberação dos óvulos pelo sistema reprodutor feminino, reforçando o bloqueio para que a gestação não aconteça, ou, se ocorrer, para que seja levada com êxito até o final.

         Entretanto, nós não estamos na Terra para sofrer nem para pagar algo, como afirmam muitos estudiosos superficiais do Espiritismo. Estamos na estrada terrena para nos reabilitarmos, matriculando-nos em um programa de reeducação para progredirmos. Por isso, o esforço pela conquista de serenidade perante os desafios da vida permitirá que a mulher modifique lentamente o plano das suas experiências. Cabe-lhe insistir no seu sonho, utilizando os recursos da oração, da prática das virtudes e da terapia bioenergética dos passes, que quase sempre propiciam uma reversão do processo e permitem que a mulher realize o desejo de ser mãe.

 

 

Fonte: Livro – Sexo e Consciência. Divaldo Franco, organizado por Luiz Fernando Lopez.