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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

É VALIDO FAZER PRECE PELOS DESENCARNADOS?

Encontramos no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, o texto a seguir sobre prece pelos desencarnados e pelos espíritos sofredores. Como é importante realizar prece para eles, sendo essas orações um vento de esperança e de luz em seu espírito.




Da prece pelos mortos e pelos espíritos sofredores

         18. A prece é reclamada pelos espíritos sofredores; ela lhes é útil porque vendo que pensam neles, sentem-se menos abandonados, menos infelizes. Mas a prece tem sobre eles uma ação mais direta: reergue-lhes a coragem, excita-lhes o desejo de se elevarem pelo arrependimento e pela reparação, e pode desviá-los do pensamento do mal. É nesse sentido que ela não só pode aliviar, mas abreviar seus sofrimentos.

        19. Certas pessoas não admitem a prece pelo mortos, porque, na sua crença, não há para a alma senão duas alternativas: ser salva ou condenada às penas eternas, e, num e noutro caso, a prece  é inútil. Sem discutir o valor dessa crença, admitamos por um instante a realidade das penas eternas e irremissíveis, e que as nossas preces sejam impotentes para lhes por um termo. Perguntamos se, nessa hipótese, é lógico, caridoso e cristão rejeitar a prece pelos condenados? Essas preces, por impotentes que sejam para os livrar, não são, para eles, um sinal de piedade que pode dulcificar seu sofrimento? Sobre a Terra, quando um homem é condenado perpetuamente, no caso mesmo que ele não tenha nenhuma esperança de obter graça, é proibido a uma pessoa caridosa ir sustentar suas correntes para lhe aliviar o peso? Quando alguém está atacado de um mal incurável, porque não oferecer nenhuma esperança de cura, é preciso abandoná-lo sem nenhum alívio? Imaginai que, entre os condenados, pode se encontrar uma pessoa que vos foi cara, um amigo, talvez um pai, uma mãe ou um filho, e porque, segundo vós, não poderá esperar sua graça, lhe recusaríeis um copo de água para estancar-lhe a sede? Um bálsamo para secar-lhes as feridas? Não faríeis por ele o que faríeis por um prisioneiro? Não lhe daríeis um testemunho de amor, uma consolação? Não, isso não seria cristão. Uma crença que resseca o coração não pode se aliar com a de um Deus que coloca, em primeiro lugar entre os deveres, o amor ao próximo.

         A não eternidade das penas não implica a negação de uma penalidade temporária, porque Deus, na sua Justiça, não pode confundir o bem e o mal. Ora, negar, nesse caso, a eficácia da prece, seria negar a eficácia da consolação, do encorajamento e dos bons conselhos. Seria negar a força que se haure na assistência moral daquele que nos querem bem.

        20. Outros se fundamentam numa razão mais especiosa: a imutabilidade dos decretos divinos. Deus, dizem eles, não pode mudar as suas decisões a pedido de suas criaturas; sem isso nada seria estável no mundo. O homem, pois, nada tem a pedir a Deus, não tem senão que se submeter a adorá-lo.

        Há, nessa ideia, uma falsa aplicação da imutabilidade da lei divina, ou melhor, ignorância da lei no que concerne à penalidade futura. Essa lei é revelada pelos  Espíritos do Senhor, hoje que o homem está maduro para compreender o que, na fé, está conforme ou contrário aos atributos divinos.

        Segundo o dogma da eternidade absoluta das penas, ao culpado não se tem em conta seus remorsos e seu arrependimento; para ele, todo desejo de se melhorar é supérfluo e está condenado a permanecer perpetuamente no mal. Se está condenado por um tempo determinado, a pena cessará quando esse tempo tiver expirado; mas quem diz que, então, terá mudado para melhores sentimentos? Quem diz que, a exemplo de muitos condenados na Terra, na sua saída da prisão, não será tão mau quanto antes? No primeiro caso, seria manter na dor do castigo um homem que retornou ao bem; no segundo, agraciar aquele que permaneceu culpado. A lei de Deus é mais previdente que essa; sempre justa, equitativa e misericordiosa, não fixa nenhuma duração à pena, qualquer que seja; ela se resume assim:

        21. “O homem suporta sempre a consequência das suas faltas; não há uma só infração à lei de Deus que não tenha punição.

        A severidade do castigo é proporcional à gravidade da falta.

        A duração do castigo, para qualquer falta, é indeterminada e está subordinada ao arrependimento do culpado e seu retorno ao bem. A pena dura tanto quanto a obstinação no mal, e seria perpétua se a obstinação fosse perpétua, de curta duração se o arrependimento chega logo.

         Desde que o culpado clame por misericórdia, Deus o ouve e lhe envia a esperança. Mas o simples remorso do mal não basta, pois é preciso a reparação. Por isso, o culpado é submetido a novas provas, nas quais pode sempre, por sua vontade, fazer o  bem em reparação ao mal que fez.

         O homem é, assim, constantemente, o árbitro de sua própria sorte, podendo abreviar seu suplício ou prolongá-lo indefinidamente. Sua felicidade, ou sua infelicidade, dependem da sua vontade de fazer o bem.”

         Tal é a lei; lei imutável e conforme a bondade e a justiça de Deus.        

         O espírito culpado e infeliz pode, assim, sempre salvar-se a si mesmo: a lei de Deus lhe diz em que condições pode fazê-lo. Frequentemente, o que lhe falta é a vontade, a força, a coragem; se, por nossas preces, nós lhe inspiramos essa vontade, se o sustentamos e encorajamos; se, por nossos conselhos, nós lhe damos as luzes que lhe faltam, ao invés de solicitar a Deus a derrogação da sua lei, nos tornamos instrumentos para a execução da sua lei de amor e de caridade, na qual ele nos permite, assim, participar dando, nós mesmos, uma prova de caridade.   

Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec.


Leia também. Link para: PRECE PELAS ALMAS SOFREDORAS


domingo, 16 de outubro de 2016

TUDO É AMOR

Observa, amigo, em como do amor tudo provém e no amor tudo se resume. 

Vida é o Amor existencial. 

Razão é o Amor que pondera. 

Estudo é o Amor que analisa. 

Ciência é o Amor que investiga. 

Filosofia é o Amor que pensa. 

Religião é o Amor que busca Deus. 

Verdade é o Amor que se eterniza. 

Ideal é o Amor que se eleva. 

Fé é o Amor que se transcende. 

Esperança é o Amor que sonha. 

Caridade é o Amor que auxilia. 

Fraternidade é o Amor que se expande. 

Sacrifício é o Amor que se esforça. 

Renúncia é o Amor que se depura. 

Simpatia é o Amor que sorri. 

Altruísmo é o Amor que se engrandece. 

Trabalho é o Amor que constrói. 

Indiferença é o Amor que se esconde. 

Desespero é o Amor que se desgoverna. 

Paixão é o Amor que se desequilibra. 

Ciúme é o Amor que se desvaira. 

Egoísmo é o Amor que se animaliza. 

Orgulho é o Amor que enlouquece. 

Sensualismo é o Amor que se envenena. 

Vaidade é o Amor que se embriaga. 

Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do Amor, não é senão o próprio Amor que adoeceu gravemente. 

Tudo é Amor. 

Não deixes de amar nobremente. 

Respeita, no entanto, a pergunta que te faz, a cada instante, a Lei Divina: Como? 



Pelo Espírito André Luiz.
Psicografia de Chico Xavier.


Fonte: Apostilas da Vida.


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

“VOCÊ AMARIA ASSIM?”

         Encontramos no livro Sexo e Consciência, de Divaldo Franco – Organizado por Luiz Fernando Lopez, esta emocionando história real narrada por Divaldo Franco, segue o texto:





“Você amaria assim?”

         Há muitos anos eu li uma página que me comoveu profundamente. O título é uma pergunta: Você amaria assim?. Trata-se da história real de um casal que residia nos arredores de Boston, no estado americano de Massachusetts.

         Era um casal de meia idade que trabalhava afanosamente para cumprir com todos o seus compromissos: a hipoteca da casa, o automóvel e outros bens. Estavam casados há 20 anos. Conheceram-se na escola, namoraram, noivaram e casaram.

        No ano de 1947, depois da segunda guerra mundial, o marido dirigiu-se à sua mulher e lhe disse:

        - Luísa, acabo de receber uma proposta extraordinária para trabalhar na reconstrução do Japão, arrasado pelos estertores da guerra que acaba de se encerrar. O que eu ganharia em um mês é muito mais do que em um ano trabalhando nos Estados Unidos. Na minha condição de engenheiro, eu poderei oferecer tecnologia aos nipônicos e receberei em troca uma sólida fortuna que nos libertará dos débitos e nos dará uma aposentadoria antecipada. Já que não tivemos filhos, vamos preparar nosso futuro. Mas eu terei que morar no Japão durante um ano.

        A esposa recebeu a proposta com receio e retrucou:
        

        - Mas, meu bem, é um período muito largo! Um ano parece que não passa nunca! Especialmente quando as pessoas estão separadas...

        - Não vejo desta forma, querida! Eu creio que o tempo passa muito rápido quando temos uma meta. As metas são a manifestação mais explícita da nossa necessidade e nos aproximam daquilo a que aspiramos.

        Por fim, o marido convenceu a esposa e viajou ao Japão.


        Naquela época, o telefone internacional era muito difícil de ser utilizado. Por isso, o marido comunicava-se com a esposa por intermédio de cartas e de cartões que enviava periodicamente, numa linha de correspondência especial que os Estados Unidos mantinham para suas tropas, suas autoridades legais e seus técnicos enviados ao Japão para a missão de reconstrução que mencionamos.

        Algumas vezes, ele conseguia comunicar-se através das ondas de rádio, em equipamentos do governo americano. E ambos choravam profundamente... Era uma saudade que corroia o peito como um ácido poderoso...

        Seis meses, oito meses... No décimo mês ele fez uma carta longa e lhe disse:
     
       “Os meus serviços são tão excelentes, que eu recebi uma nova proposta para ficar mais seis meses no Japão. Retornarei à América como um homem rico e não terei mais necessidade de trabalhar. Eu penso que você me concederá esses próximos oito meses: dois que faltam para completar o contrato anterior e seis que se referem ao novo contrato que me propuseram.”

        Ela ficou entristecida e respondeu-lhe que já estava esgotada. Seu sistema nervoso e sua saúde apresentavam distúrbios que precisavam ser cuidados. Entretanto, reconhecia que não havia outra alternativa, já que ele era tão importante para a reconstrução daquele pais despedaçado pelo confronto armado. Enfim, declarou que concordava.

        Depois de alguns meses as cartas começaram a diminuir. Ela entendeu que lhe faltava tempo para escrever e resolveu contentar-se com os postais. Porém, em pouco tempo, essa forma de comunicação também começou a torna-se rara.


        Ao completar-se o quarto mês do novo contrato, faltando, por tanto dois meses para o seu retorno aos Estados Unidos, ele enviou-lhe uma carta extensa, na qual expunha:    
  
      “Peço que você me perdoe e que me compreenda. Os homens são diferentes biológicas psicologicamente das mulheres. O período de minha ausência, foi realmente muito longo... E eu não suportei a solidão e o trabalho áspero. Acabo de casar-me com uma japonesa. Solicitei o divórcio pelos meios legais e imediatamente providenciei a minha nova união conjugal. Eu não quis lhe contar antes para não a magoar. Perdoe-me! Eu sei que você me ama e que teve resistências para suportar esta vida de solidão e abstinência intima. Mas eu não consegui. Apaixonei-me pela camareira japonesa que vinha arrumar o meu apartamento. Ela é uma mulher pequenina, do tipo tímida e ao mesmo tempo muito simpática. É realmente uma pessoa de perfil diferente daquelas com as quais estamos acostumados na América. Não dez nenhum movimento para seduzir-me. Fui eu que me apaixonei e a conquistei, pois a amei profundamente. Você será capaz de me perdoar? 

        Ao terminar a leitura, a esposa experimentou um grande choque emocional. Estava divorciada e nem sequer fazia ideia! Todos os seus sonhos de mulher e toda a sua vida pareciam ruir diante de algumas palavras numa correspondência. Como aquela carta era cruel! Como pode um pedaço de papel destruir uma vida? Então ela o odiou com todas as forças da alma! Logo em seguida pegou a carta e rasgou-a, entrando em um estado de intensa deterioração afetiva.


        Transcorridos vários dias, depois de meditar, ela respondeu ao ex-marido:
    
       “Eu o amo muito! Não sei se sou capaz de lhe perdoar, mas pelo menos sou capaz de entender você. Eu gostaria de saber qual é o nome da sua nova esposa.”

         Ele, posteriormente informou que a esposa japonesa se chamava Aiko e ambos continuaram a manter uma tímida correspondência.

         Quatro meses depois ele escreveu mais uma vez e comunicou-lhe:
        
        “Quero dar-lhe uma notícia de grande importância para minha vida. Dentro de alguns meses eu serei pai! Infelizmente, em nosso longo casamento de vinte anos, Deus não nos abençoou com a alegria de ter filhos. Mas agora eu serei pai!”.

        Luísa leu a carta e sentiu um misto de amargura e de alegria. Era como se ele estivesse dizendo que a culpa por não terem tido filhos era dela. Embora essa ideia não estivesse explícita, a mensagem subliminal parecia impregnar as palavras do ex-marido.

        Quando a criança nasceu, ele enviou nova correspondência para dar a notícia:

        “Tornei-me pai de uma menina linda! E como eu amo muito você, coloquei o seu nome na minha filha. Desta forma você estará sempre próxima de mim, pois eu não consigo esquecê-la”.


       A notícia chegava à ex-esposa como um duro golpe que ela teve que assimilar. Em seguida, reuniu todas as forças para manter-se digna e gentil, enviando um presente para a menina que acabara de nascer.

        Dez meses depois, uma carta do antigo companheiro informa que todos estavam muito bem, que a menina crescia de forma saudável e que a sua esposa japonesa estava grávida novamente. Ao mesmo tempo ele enviava uma fotografia sua com a nova família.

        Transcorridos mais alguns meses, ele comunicou que a gravidez estava indo muito bem e que as expectativas em torno do parto eram as melhores possíveis. No entanto, algo de estranho acontecera. Ele estava com um problema respiratório, mas os médicos ainda não haviam definido o diagnostico da doença. Tudo que ele podia dizer é que frequentemente sentia uma dor intensa no peito e que respirava com dificuldade. Provavelmente se tratava de uma consequência do consumo prolongado de cigarros, uma vez que há muitos anos ele era tabagista.

         A criança veio à luz e o pai enviou as notícias, colocando no final da carta uma informação breve sobre o seu estado de saúde:


        “Os médicos me disseram que eu tenho um câncer de pulmão. A minha sobrevida é de apenas quatro meses no máximo...”.

        A informação produziu um grande impacto na ex-esposa, que se preparava para receber em breve mais uma dolorosa notícia.

        Mais tarde ela recebeu uma carta de Aiko, a esposa japonesa. Era um texto mal redigido, em um inglês sinuoso, repleto de incorreções gramaticais e ideias desconexas. Contudo, foi o suficiente para que ela entendesse que o marido de ambas havia desencarnado, o que a fez entrar em estado de profunda tristeza...

        Decorrido algum tempo, a viúva nipônica enviou-lhe uma correspondência revelando que passava por grandes dificuldades financeiras. A situação no Japão era terrível! E na verdade o marido não recebia um salário de enormes proporções, pois a sua função não era das mais importantes. Quando estava encarnado ele preferiu projetar uma imagem de abundância para não preocupar a ex-mulher nos Estados Unidos.


         Quando terminou de ler a carta, ela meditou demoradamente e decidiu enviar-lhe um cheque com uma importante soma em dinheiro. Afinal, as duas crianças eram filhas do homem que ela amou durante toda a vida.

        Dois anos depois, a japonesa comunicou que continuava muito difícil cuidar das crianças em meio à recessão instalada em seu país. A adaptação à nova era apresentava desafios quase insuperáveis. Por ser uma japonesa casada com um americano, a jovem mãe sofria o preconceito e a rejeição de quase todos ao seu redor. As suas filhas, mestiças, padeciam com as provocações constantes dos cidadãos americanos que residiam no Japão.


        Nessa época, os Estados Unidos estavam recebendo os familiares dos americanos que se haviam casado fora do país. Mas o Departamento de Estado era muito severo ao selecionar aqueles que seriam admitidos em solo americano. E como a japonesa não contava com nenhuma ajuda, tornava-se pouco provável a sua transferência.

        Quando a viúva americana analisou o contexto doloroso em que se encontravam a jovem mãe, tomou uma decisão corajosa e nobre. Fez uma carta muito longa e propôs à japonesa:

        “Você gostaria que eu educasse as suas duas filhas aqui na América? Elas aprenderiam o inglês e estariam em segurança comigo. Eu moro em uma casa enorme nos arredores de Boston, uma verdadeira mansão na qual elas ficariam muito bem acomodadas. Eu educaria as suas crianças como se fossem minhas próprias filhas. Eu as educaria para você, fazendo por elas tudo aquilo que estiver ao meu alcance. Sei que para uma mãe deve ser terrível separar-se de suas crianças. Não sou mãe, mas tenho uma ideia do que significa isso. Porém, se você ama as suas filhas e deseja para elas a felicidade, creio que se faz necessário alguma renúncia da sua parte, pois desta forma o futuro das meninas estaria garantido.”

        Para surpresa de Luísa, a jovem mãe aceitou a proposta e marcou a data em que as crianças viajariam. A primeira esposa tentou obter apoio governamental para que a viúva japonesa também imigrasse, mas seu esforço foi em vão.

         Finalmente chegou o dia tão esperado. A comissária de bordo encarregou-se de cuidar das meninas durante a longa viagem aérea de muitas horas, pois que possuía uma escala no território americano do Havaí.


        O texto jornalístico no qual li esta história reproduz a narração da própria viúva americana em relação ao seu encontro com as meninas. As palavras aproximadas são as seguintes:

        “Viajei de Boston a Nova York e cheguei ao aeroporto John Kennedy. Comecei a imaginar como deveria receber as duas crianças. Eu já estava com mais de quarenta anos e não possuía experiência com o mundo infantil. As meninas estavam com 3 e com quase 5 anos. Pensava em contratar uma enfermeira e uma pedagoga para me ajudar. Faria o que fosse possível. De repente eu fui chamada pelo serviço de som do aeroporto para que comparecesse ao setor de desembarque. Uma funcionaria da companhia aérea conduziu até mim as duas japonesinhas. Eram duas meninas lindas, que pareciam duas bonequinhas de porcelana de tão delicadas. Quando se aproximaram, falando somente algumas palavras em inglês, saltaram-me nos ombros e me chamaram tia-mãe. E ambas tocaram profundamente o meu coração.”

        Luísa levou as meninas para casa como se estivesse levando o marido de volta ao seu lar, procurando educá-las com carinho e dedicação. Matriculou-as em uma escola especial que acolhia crianças que não falavam o idioma inglês. E continuou mantendo correspondência com a mãe das meninas.

        Dois anos depois, as meninas estavam completamente integradas à cultura americana e se encontravam imensamente felizes. As duas já falavam corretamente o inglês, pois as crianças apresentam grande facilidade para absorver conteúdos novos, principalmente um novo idioma que estejam exercitando constantemente. No entanto, a mãe adotiva não poderia esquecer que uma criança necessita da presença da mãe biológica para ser plenamente feliz. Por isso, resolveu investir novamente na vinda de Aiko para os Estados Unidos, embora estivesse consciente da dificuldade que enfrentaria para atingir aquele objetivo. Se a japonesa fosse viúva de um saldado americano, o Departamento de Estado providenciaria a sua entrada no país sem fazer nenhum objeção. Mas como era apenas esposa de um engenheiro, o interesse das autoridades constituídas em admiti-la não era o mesmo.


         Após meditar a respeito, Luísa teve uma ideia que poderia ser a solução definitiva para contornar o obstáculo. Foi ao jornal de sua cidade e contou a história em detalhes, dando subsídios para que a jornalista publicasse uma matéria especial no periódico. A noticia teve tanta repercussão, que foi reproduzida no jornal The Washington Post, adquirindo notoriedade em todo o país. A intenção era sensibilizar a sociedade para que o governo Americano se sentisse na obrigação de intervir a favor de Aiko. O plano deu certo! Enfim, a japonesa conseguiu o direito de ir morar nos Estados Unidos.

        Alguns meses mais tarde, Luísa encontrava-se novamente no Aeroporto Kennedy. Estava esperando aquela que lhe roubara o marido. Levava as duas meninas, agora vestidas com um traje adequado à cultura americana.

        Quando o avião pousou ela fez uma reflexão, que em suas próprias palavras fica mais fácil de compreender:

        “Como será que Aiko vai me ver? Como será que eu vou vê-la? Será que restou entre nós alguma mágoa? Eu vou olhar para ela e vou pensar: O que ela tem melhor do que eu? Ela é muito pequena e certamente não tem a minha elegância. O que foi que ele viu nela? Às vezes parece que os homens são meio atormentados, pois se veem atraídos por mulheres com uma aparência física muito singular. Eles gostam das coisas diferentes somente para contrariar a opinião geral...”


         A viúva americana se deparava naquele instante com um ressentimento profundo que ela não havia percebido antes. E, quando experimentava o auge deste dilema, concluiu que a situação constrangedora era uma via de ao dupla. Pensou consigo mesma: “Ela também deve estar num grande conflito! Vem para um país estrangeiro sem falar o idioma, e vai ficar na casa da mulher que foi a primeira esposa do seu marido... Não é uma situação confortável...”

         A anfitriã não teve tempo de reflexionar muito porque a imigrante acabara de chegar ao setor de desembarque internacional. Luísa viu sair pela porta uma mulher que era muito jovem, quase uma menina, de pequena estatura. Não tinha certeza, mas deveria ser ela. Estava com um sorriso no rosto, apesar de não conseguir ocultar a tristeza estampada na face. Sentaram-se e abraçaram-se efusivamente. Aiko, que estava trêmula, chorou longamente nos braços de sua nova amiga. Naquele instante, Luísa experimentou um estranho sentimento. A jovenzinha parecia uma filha que chegava de longe para aconchegar-se ao seu coração.


         Levou-a para Boston e colocou-a no apartamento anexo à sua casa, para que tivesse independência, transferindo as meninas para o quarto ao lado daquele em que a mãe estava instalada.

         Imediatamente começou a ajudá-la de várias formas. Matriculou-a num curso de inglês e resolveu estudar japonês para facilitar a comunicação entre ambas, pois a japonesa estava muito traumatizada com a guerra e com a morte do marido.

         Algum tempo depois, a viúva americana transferiu a hospede para dentro de sua mansão.


         Aiko era muito inteligente, e logo se destacou nos estudos de matemática, ingressando oportunamente numa universidade americana onde concluiu o curso com brilhantismo, o que permitiu ter sucesso profissional em um período relativamente curto.

         Os anos se passaram... a primeira esposa estava com mais de sessenta anos de idade. As meninas estavam crescidas e chamavam-na de mãe, o que era muito compreensível, embora também chamasse Aiko pelo mesmo nome, porém, em japonês.

        Neste momento da sua vida, Luísa entendeu que era hora de definir alguns aspectos que não poderiam ser adiados. Escreveu seu testamento e deixou sua decisão nos seguinte termos:

       “Inicialmente Deus me brindou com um grande amor! E este amor, por alguma razão que desconheço, Deus resolveu subtrair do meu caminho. Mas como o Criador é muito sábio, Ele multiplicou por três aquele amor que se foi. Sou imensamente feliz, porque Deus substituiu um amor ausente por três pérolas do Oriente, que são os amores da minha vida. Portanto, todos os bens que acumulei, tanto aqueles que adquirir com meu marido quanto aqueles que conquistei posteriormente, através do meu trabalho, eu ofereço à minha filha japonesa Aiko e às minhas netinhas.”

        Menos de dois meses depois de redigir o seu testamento, a nobre senhora desencarnou. Contudo, foi um retorno feliz para a outra margem do rio da vida...

        Ao concluir a narrativa da história, na reportagem a que me referi no início, o jornalista resolve fazer uma pergunta de grande significação ao leitor: “Você amaria assim?”. É exatamente a questão que deu o título à reportagem.

        Sempre que eu conto essa linda história, em palestras e seminários pelo mundo, concluo a reflexão fazendo a mesma pergunta, deixando a cada um a tarefa de respondê-la para si mesmo. Será que o seu amor seria tão grande que pudesse dar este verdadeiro salto quântico sobre uma experiência dolorosa? Será que poderia superar com todos os méritos uma traição, um abandono, uma ingratidão, um conflito conjugal?


        Se nós afirmamos nossa plena confiança no Criador do Universo, devemos permitir que o Amor de Deus represente a linha direcional para que tenhamos uma orientação em todas as nossas transições evolutivas. E dessa forma, poderemos fazer ao outro apenas aquilo que gostaríamos que o outro nos fizesse.

        O verdadeiro amor é aquele que liberta, rompendo as algemas do egoísmo, do orgulho e do ressentimento. A libertação pelo amor, como afirma o Espírito Joanna de Ângelis, é o luminoso caminho para encontrarmos a plenitude e praticarmos a caridade. Porque a caridade é o amor no seu mais alto grau, na sua manifestação mais sublime. É um ato de caridade oferecer alimento a quem tem fome ou disponibilizar um medicamento a quem necessita de cuidados de saúde. No entanto, as atitudes de caridade moral, representadas pelo perdão, pelo sorriso generoso , pela doação de ternura e pela renuncia aos embustes do nosso ego, são as expressões mais elevadas da caridade.



Fonte: Livro Sexo e Consciência de Divaldo Franco. Organizado por Luiz Fernando Lopes.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

MENSAGEM CONSOLADORA

          As chamadas cartas consoladoras veio ser mais conhecidas com Chico Xavier, e que o médium sempre explicava que o telefone toca sempre de lá para cá, significando que uma das características deste fenômeno mediúnico é que é necessário que o desencarnado esteja em condições e merecimento e a quem ele dirija sua comunicação. Outro fato é o conteúdo da mensagem trazer provas ou evidências de legitimidade que só as pessoas íntimas do desencarnado poderiam identificar e constatar.

          Esta mensagem consoladora é do livro Escrínio de Luz, de Chico Xavier. Em que contém a mensagem e em seguida as provas da sua autenticidade:


MENSAGEM CONSOLADORA

         Mãezinha!
        Deus nos ampare.
        Este é um momento em que preciso agradecer a Deus e lembrar de Deus. Consigo falar alguma coisa no lápis e isto é muito para seu filho.
        Rogo ao seu carinho e ao carinho dos nossos: não chorem mais.
        Esqueçamos o quadro a que a senhora se prendeu; naquela madrugada de maio, o dia raiou de novo para nós.
        A via Anchieta foi para mim uma estrada maior.
        A vida, Mãezinha, será sempre assim: um caminho que se abre em outro caminho, até que cheguemos a Deus.
        Sei quanto se passou, agora que a calma se fez.
        Reporto-me ao assunto unicamente para informar.

        O choque dos veículos foi quase que uma explosão nos meus ouvidos. Quis reagir, mas não consegui.
        A hemorragia não era simples, o cérebro cedera, desejei falar à companheira que me seguia, mas o pensamento de improviso se tornou nebuloso e a expressão verbal impossível.
        Ouvi gritos que se lançaram dentro da noite a terminar; mas depois foi um sono quase suave, sonhava que me via de regresso à casa para festejar o seu dia.
        Sonhava... Sonhava... até que despertei em nosso próprio ninho doméstico. Suas lágrimas e o choro dos entes queridos caíam sobre o meu corpo físico.
        Nada mais vi e nem sei quantas horas de anestesia consegui desfrutar.
        Ainda hoje, na ânsia em que me vejo de responder aos seus apelos, ainda não sei medir o tempo.
        Abeirei-me de seu regaço e pedi-lhe para não chorar; entretanto, houve um silêncio entre nós que eu não soube explicar a mim próprio.
        Nossas lágrimas se misturaram sem se tocarem.
        De repente, um amigo surgiu e me afirmou que era o vovô Frei Wandenberg.
        Aqueles olhos doces e serenos me inspiraram confiança e acolhi-me nos braços deles!
        Novamente dormi para acordar na escola-hospital, onde me encontro ainda.
        Tenho pedido a Deus que me desse este instante.
        Não pensem na morte.
        Vivam! É preciso viver.
        Lembrei-me facilmente de nossas leituras e de nossas conversações sobre o mundo espiritual e tudo isso me auxiliou.
        Luto ainda para equilibrar-me.
        Familiares do papai me visitaram e me ampararam.
        Também muitas dedicações dos queridos Fernandes.
        Agora, mãezinha, se lhes posso pedir alguma coisa, além dos sacrifícios que fizeram por mim, ajudem-me com a paz e com a resignação.
        Preciso retomar os meus estudos, mas isso exige serenidade.
        Perdoe-me se me decidi a descer para Santos, naquela noite.
        Desculpem por tudo.
        Orem pela companheira que não tem qualquer culpa e que no íntimo ainda sofre.
        Mãezinha, o amor é luz de compreensão. Abençoe o seu filho e abençoe também quantos me compartilharam a experiência.
        Aqui vejo que só o bem faz a conta da vida que permanece.
        Pensemos nisso e auxilie agora a nossa Valéria na realização de seus ideais e aspirações de menina.
        Deus abençoará a irmãzinha para que ela lhe seja um tesouro de bênçãos que há de nos enriquecer de confiança e alegria.
        Conforte os nossos do coração, diga-lhes que não morri, que estou forte e sonhando novas formas de ser útil às criancinhas, aos doentes, aos necessitados e aos cegos.
        Sei que posso esperar a sua cooperação e a cooperação dos nossos, e aguardarei esse amparo.
        Quanto pudermos, mãezinha, estendamos o bem aos outros.
        A passagem na Terra é muito rápida; caminhemos plantando flores de paz e amor; sua ternura assim me ensinou e assim prosseguiremos.
        Peço a Jesus, agora que valorizo a prece sentindo-lhe a importância real, para que fortaleça minha querida mãezinha e abençoe meu querido pai, a fim de que todos os amigos, embora em planos diferentes, consigamos avançar no rumo da vida
superior.
        Mãezinha, agradeço de todo o meu coração as suas orações junto de minhas lembranças, porém, não chore mais; recorde que a vejo pelas forças do coração e ajude-me a ser forte tanto quanto preciso ser.
        Agradeço as flores queridas que seu filho encomendara para o seu formoso dia, o dia sublime das Mães, e que ficaram para mim mesmo.
        De tudo soube depois que a tempestade das idéias conflitantes cessou em meus pensamentos.
        Nossa vida prosseguirá, nosso amor não tem despedida.
        Reflitamos nisso e confiemos em Deus, sempre unidos.
        Amigos espirituais me auxiliam a escrever e agora, minha querida mãezinha, devo encerrar esta prova de carinho e fidelidade.
        Não fique triste.
        A medicina prosseguirá onde estou e como estou com o amparo de Jesus e dos sábios mensageiros do bem, crescerei em conhecimentos novos para servir.
        Agradeça a todos de casa por mim. Fale por mim, querida mãezinha, aquilo que continuo desejando escreverem matéria de carinho e não posso.
        Através da oração e da saudade, do serviço aos nossos semelhantes e da fé viva em Deus, estaremos mais juntos.
        Isto, mãezinha, é tudo o que hoje posso dizer.
        Guarde a nossa paz, a nossa alegria e receba aquele beijo de seu filho, sempre seu filho do coração,
Charles.

(Uberaba, 8 de junho de 1973)

DRAMÁTICA PROVA DE AUTENTICIDADE

        A "Mensagem Consoladora", recebida pelo médium Xavier, na madrugada de 8 para 9 de junho de 1973, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba, Minas, foi primeiramente publicada em "A Nova Era", de Franca, Estado de São Paulo, de 31-7-73 ("A Nova Era", 31/7/73, ano XLVI, N° 1.390.), com ligeira nota da Redação afirmando que "a mensagem em si e os dados nela contidos são autênticos e totalmente comprovados pela família de Charles".

        O Sr. Murilo Matias de Faria, que titulou a página mediúnica, enriqueceu-a com dados substanciais que absolutamente não deixam margem a qualquer dúvida, em "O Semeador", órgão da Federação Espírita do Estado de São Paulo, de agosto de 1973 ("O Semeador", agosto de 1973, ano 30, n° 355.), dados estes que tomamos a liberdade de transcrever, na íntegra, eliminando apenas a disposição numérica no corpo da mensagem, por motivos óbvios.
Estudemos estas dramáticas "EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS":
" 1. O DESASTRE - Na madrugada de 14 de maio de 1972, às 4:30 horas, houve um grande acidente na Via Anchieta, na altura do quilômetro 22,5 e o Volks placa BZ-8158 que Charles dirigia bateu em um ônibus. No acidente, veio o jovem a desencarnar.

2. A COMPANHEIRA - Estava com Charles no veículo sinistrado, uma acompanhante que, por motivos particulares e desconhecidos por todos, se evadiu no momento do acidente, permanecendo até o presente com a sua identidade ignorada, coisa que deixou a mãezinha de Charles muito constrangida.

3. O DIA DAS MÃES - O dia da desencarnação de Charles era "O Dias das Mães", 14 de maio, do ano de 1972.

4. O NOME - Esmeralda Cerboncini, obstetra, atualmente residente à Rua Guapeva, 188 - Água Rasa - São Paulo, mãe de Charles, quando estava em trabalho de parto para dar à luz a Charles, no Hospital da Escola Paulista de Medicina, pensando que fosse desencarnar, pois há 15 dias vinha sofrendo desesperadamente e sem solução, desejou confessar-se e solicitou a presença de um padre. Acontece que naquele Hospital havia um frei em tratamento do coração e foi este quem a atendeu em confissão e lhe disse que, antes de ele tornar a vê-la, ela já teria tido um belo garoto, e este frei, tão logo saiu da sala, teve uma para cardíaca, vindo a desencarnar. Como a presença daquele frei lhe fora tão confortadora e estimulante, encorajando-a e dando-lhe muita confiança e por motivo de ter o mesmo acertado no prognóstico do sexo da criança, D. Esmeralda quis que ele a visitasse já que começava a estimá-lo. Protelaram esse encontro; e tanto ela insistiu que veio a saber do ocorrido. Isto marcou-lhe fundo no sentimento de mãe reconhecida e grata. Solicitou da Madre Fontenele o nome daquele bondoso Frei Wandenberg e se empenhou com o seu marido, Sr. Reynaldo Cerboncini, a darem à criança o nome daquele que lhe fez a última confissão e que desencarnava enquanto seu filho nascia... D. Esmeralda já tinha um nome para dar à criança, caso fosse homem, o de Charles, em memória de um bondoso mestre de música que tanto a ajudara na sua infância pobre de menina amante da sétima arte. Depois de muita luta no cartório conseguiram registrar a criança com o nome de Charles Wandenberg Fernandes Cerboncini. Quando Charles, já no Grupo, quis saber o porquê desse Wandenberg no seu nome, a mãe - para não entrar em tais detalhes que talvez ele não fosse compreender-, disse-lhe ser o nome do vovô. Mas, quando Charles, já no Ginásio, verificou que os seus avós não tinham esse nome, soube de toda a verdade e corroborou o já aceito: Vovô Wandenberg. Somente seus pais e ele, Charles, sabiam deste pormenor, mais ninguém.

5. FERNANDES - Nome da família da mãe de Charles. Pai de D. Esmeralda.

6. O CURSO - Charles desencarnou com 22 anos e 28 dias. Era um jovem dinâmico, estudioso, formado em música pelo Conservatório Santa Cecília e desejava formar-se em Medicina.

7. A VIAGEM TRÁGICA - Toda a família descera para Santos no dia 13 de maio de 1972, e Charles ficou em São Paulo estudando, pois iria para lá no domingo logo de manhã. Acontece que uma jovem pediu aos amigos de Charles o endereço dele e encontrando-o, solicitou-lhe que a levasse para Santos, o que ele fez, saindo de São Paulo no sábado de madrugada, quando ocorreu o desastre.

8. EXPERIÊNCIA - Daqueles que sofreram e sentem a partida de um ente querido e daqueles que também desencarnaram naquele acidente, pois vários veículos foram
envolvidos e muitos sucumbiram.

9. VALÉRIA CERBONCINI - Irmã de Charles, com 13 anos de idade.

10. AJUDA FRATERNA - Charles sempre ajudou aos cegos, aos necessitados e às crianças em geral, pois seu coração de jovem detinha sentimentos de fraternidade que eram uma constante em toda a sua curta vida. Fazia muito mais do que aquilo que a sua própria família sabia, em esforços pessoais no sentido de ajudar a minorar os sofrimentos de seus semelhantes.

11. BUQUÊ DE FLORES - Charles havia encomendado à floricultura, na sexta-feira, um lindo ramalhete de flores para a sua adorada mãezinha, e quando ele desceu para Santos, naquela madrugada, não esquecera de levá-lo para ela, e este mesmo buquê serviu para ele mesmo, conforme diz a mensagem.

12. O BEIJO - Era um costume sadio e carinhoso que Charles tinha, toda a vez que se dirigia à sua mãe através de bilhetinhos, ele colocava no fim dos dizeres: um beijo do seu filho, sempre seu filho do coração... A mensagem assim termina.
Pelos doze itens acima, comprova-se a identidade do Espírito, uma vez que D. Esmeralda nada disse a Chico Xavier. Ela foi sozinha para Uberaba, ainda em roupa de trabalho, a fim de, mais uma vez, tentar em indo lá, receber alguma mensagem, um consolo, e saber do querido Chico como poderia ajudar ao Charles além de suas preces... porque, apesar de católica, D. Esmeralda acreditava que os chamados mortos poderiam comunicar-se com os vivos na carne (e agora ela tem certeza...) e a mensagem veio, em 52 páginas psicografadas em alta madrugada, num ambiente de orações, tranquilidade, em que o Alto chega a nós como dádiva do Pai. Quero, ainda, comentar a narração deu um detalhe importante de toda esta linda história que fez D. Esmeralda acreditar e ter esperanças na pessoa e na mediunidade cristalina do médium de Uberaba, o humilde Chico. Quando Charles desencarnou, devido à hemorragia, pois que não sofreu nenhuma fratura, seu corpo estava perfeito, somente havia dois cortes nas suas faces e esses cortes não foram devidamente suturados, e esvaiu-se em sangue por mais de 5 horas, pois o corpo ficou como que abandonado até que a família o localizasse. D. Esmeralda, com tanto conhecimento entre médicos, vira seu amado filho morrer por falta de assistência e então se revoltou e abandonou tudo, ficando assim como que desarvorada, à cata de consolações, à procura dos porquês, querendo explicações... e quando soube que o Chico Xavier estaria autografando livros na Casa Transitória em São Paulo, no mês de maio último, pediu ao seu marido que a levasse a ele. Ela queria vê-lo. O casal chegou lá pelas 9 horas e recebeu o cartão nº 4.366; pelos seus cálculos, estariam perto do Chico dali a umas 20 horas. Não poderiam esperar e ela necessitava falar-lhe. Soube então que o Chico estava numa reunião particular, com várias personalidades, deputados, vereadores, pois tratavam da concessão do título de “Cidadão Paulistano” ao médium, e ela conseguiu, por fim, se adentrar no recinto, com muita dificuldade, segurando entre as mãos e com a capa apertada e virada para o seu colo, o livro que o seu marido lhe comprara na entrada. Assim que ela se alojou muito mal entre aqueles que estavam por detrás do Chico, um rapaz lhe disse: “Dona, agora não é hora, o Chico só vai autografar livros depois das 14 horas”. Ela respondeu-lhe: "Mas não me interessa autógrafo, pois eu já tenho o livro, eu queria era cumprimentar o Chico!" Nisso, entre toda aquela barulheira e apertos e empurrões, Chico ouviu o que ela disse e voltando-se, sem a mirar, tocando-lhe nos ombros, por entre outros ombros, lhe diz: "Filha, você tem o livro? Então leia a página 107..." (ele não tinha visto o livro e nem sabia qual livro era...), e incontinenti, os presentes os distanciaram pelo acúmulo de gente e ela saiu da sala e, no carro com o marido, abriram o livro naquela indicada página e ambos com os olhos marejados, leram o seguinte:
À FRENTE DA MORTE

Não olvides que, além da morte, continua vivendo e lutando o Espírito amado que partiu...

Tuas lágrimas são gotas de fel em sua taça de esperança.

Tuas aflições são espinhos a se lhe implantarem no coração.

Tua mágoa destrutiva é como neve de angústia a congelar-lhe os sonhos.

Tua tristeza inerte é sombra a escurecer-lhe a nova senda.

Por mais que a separação te lacere a alma sensível, levanta-te e segue para a frente, honrando-lhe a confiança, com a fiel execução das tarefas que o mundo te reservou.

Não vale a deserção do sofrimento, porque a fuga é sempre a dilatação do labirinto em que nos arroja a invigilância, compelindo-nos a despender longo tempo na recuperação do rumo certo.

Recorda que a lei de renovação atinge a todos e ajuda quem te antecedeu na grande viagem, com o valor de tua renúncia e com a fortaleza de tua fé, sem esmorecer no trabalho - nosso invariável caminho para o triunfo.

Converte a dor em lição e a saudade em consolo, porque, de outros domínios vibratórios, as afeições inesquecíveis te acompanham os passos, regozijando-se com as tuas vitórias solitárias, portas adentro de teu mundo interior.

Todas, as provas objetivam o aperfeiçoamento do aprendiz e, por enquanto, não passamos de meros aprendizes na Terra, amealhando conhecimento e virtude, em gradativa e laboriosa ascensão para a vida eterna.

Deus, na Suprema Sabedoria e na Suprema Bondade, não criaria a inteligência e o amor, a beleza e a vida, para arremessá-los às trevas.

Repara em torno dos próprios passos.

A cada noite do mundo segue-se o esplendor do alvorecer.

O Inverno áspero é sucedido pela Primavera estuante de renascimento e floração.

A lagarta, que hoje se arrasta no solo, amanhã librará em pleno espaço com asas multicolores de borboleta.

Nada perece.

Tudo se transforma na direção do Infinito Bem.

Compreendendo, assim, a Verdade, entesourando-lhe as bênçãos, aprendamos a encontrar na morte o grande portal da vida e estaremos incorporando, em nosso próprio espírito, a luz inextinguível da gloriosa imortalidade. 


Fonte: Francisco Cândido Xavier, Escrínio de Luz, pelo Espírito de Emmanuel,
Casa Editora "O Clarim", Matão, Estado de São Paulo, pp. 107-108.

domingo, 25 de setembro de 2016

PERGUNTA DE UM LEITOR: Sobre Comunicação Espiritual

          Recebemos a seguinte pergunta do nossa amiga leitora Rossana:

Bom eu sei que a comunicação ocorre de lá pra ca Mas não teria uma forma do encarnado Se comunicar com um espírito desencarnado.


Resposta:

          Você fala no sentido do encarnado procurar um determinado espírito para a comunicação?

          Bem, sabemos que para podermos nos comunicar com determinado espírito é necessário que ambas as partes tenham merecimento, permissão e que seja algo relevante para a comunicação. Não é pelo nosso chamamento que determinado espírito pode vim até nós.

          Há a questão também de que nem todo local é “limpo” para que haja uma comunicação mediúnica saudável, real... No sentido que somos cercados por espíritos ainda preso a matéria, alguns com sentimentos ainda inferiores, ou que gostam de fazer brincadeiras desagradáveis... Nisto estes espíritos podem se apresentarem se passando por determinado espírito que estamos querendo nos comunicar. Por isso, que o local indicado para comunicações e sessões mediúnica são as casas espíritas kardecistas, em que a equipe espiritual tem todo o cuidado de preparar o ambiente para que haja as comunicações mediúnicas, assim como tem o preparo da equipe de médiuns encarnados também, para que não tenha interferências espirituais inferiores desagradáveis.

         É como Chico Xavier nos informou “o telefone toca sempre de lá para cá.” Exercer a mediunidade é ser canal, é ser ponte do mundo espiritual para o mundo material. E percebemos que quanto mais pedimos para nos comunicar com determinado espírito mais não conseguimos, porque na vida tudo tem seu tempo. É a natureza. A semente tem seu tempo para brotar, a flor tem seu tempo para florir e secar, o fruto tem seu tempo para amadurecer. E cada um de nós encarnados ou desencarnados temos o nosso tempo para estarmos prontos para todas as circunstâncias da vida. Percebemos que tudo em relação a espiritualidade acontece de uma forma natural, suave, sem imposições e sem querências.

        Espero que a minha resposta tenha sido útil.

Deus conosco.
Paz, Luz e Harmonia.
Jardim Espírita.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

PERGUNTA DE UM LEITOR: Sobre as Colônias Espirituais – Nosso Lar e Alvorada Nova

Recebemos a seguinte pergunta do nosso amigo leitor Marcos Magagnatto:

Eu Gostaria De Saber Mais Sobre As Colônias Espiritual Nosso Lar E Alvorada Nova



Resposta:

         Em relação a informações seguras sobre a Colônia Espiritual Nosso Lar, os livros de André Luiz, psicografados por Chico Xavier, são as fontes mais seguras. Sendo indicado os livros: Nosso Lar, Os Mensageiros, Ação e Reação, Libertação, Entre a Terra e o Céu... Todos tratam de cidades, colônias e postos de socorro espirituais. Todos esses livros pelo espírito André Luiz e psicografado por Chico Xavier.

         E de uma forma simplificada passamos as seguintes informações sobre as colônias espirituais Nosso Lar e Alvorada Nova:

COLÔNIA ESPIRITUAL NOSSO LAR

Esta é a colônia espiritual mais conhecida do Brasil, em que ganhou até filme a partir do livro Nosso Lar – pelo espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier.

Fundada em meados do século XVI,  por portugueses, desencarnados no Brasil, localizada em algum ponto acima da cidade do Rio de Janeiro.

Essa colônia foi noticiada e descrita pela primeira vez no livro Nosso Lar, de Chico Xavier, alegadamente pelo espírito de André Luiz.

Na época desse Relato, aproximadamente por volta de 1950, Nosso Lar contaria com cerca de um milhão de habitantes espirituais, divididos entre várias tarefas, dentro e fora da colônias, designadas pela governadoria, em seus seis ministérios, a saber: Regeneração, Auxílio, Esclarecimento, União Divina, Comunicação e Elevação. 



 Essa cidade espiritual, como também outras, para onde seriam levados os espíritos socorridos vindos de várias partes do Umbral e da Crosta Terrestre, e contaria com uma vasta rede viária, meios de transporte, arborização, praças, teatros, hospitais, escolas e outros.

Dividida em setores de trabalho (economia), lazer e residenciais, como qualquer metrópole terrena, a cidade de Nosso Lar apresentaria em sua planta um formato semelhante a uma grande estrela de seis pontas, ficando a Governadoria ao centro e em cada ramificação lateral a área destinada a cada um dos ministérios. Contaria ainda com postos de socorro espiritual espalhados por vários pontos das regiões do Brasil.

A cidade estaria localizada na ionosfera terrestre, lembrando que a ionosfera é uma das camadas da atmosfera terrestre, que possui extensão de 400 km (começa a cerca de 50 km da crosta terrestre e termina aproximadamente a 500 km acima dela).

Segundo o mesmo relato, o espírito André Luiz terá dito: Tudo é uma cópia melhorada do que temos na Terra.




COLÔNIA ESPIRITUAL ALVORADA NOVA

Visão Geral de Alvorada Nova
Trata-se de uma comunidade com cerca de duzentos mil habitantes, localizada em região umbralina, na quarta camada ao redor da crosta terrestre, no mesmo grau de inclinação da cidade de Santos — Estado de São Paulo, desenvolvendo-se diuturnamente sob a orientação da Superioridade Divina.

É uma cidade espiritual criada há mais tempo que a maioria das colônias que permeiam as zonas umbralinas deste planeta. Sua existência perde-se de vista em nossos calendários comuns.

Foi planejada há muitos séculos por aqueles que, sendo os Engenheiros Construtores de Jesus, conhecem a Terra do seu passado longínquo ao seu futuro distante. O Brasil nem mesmo existia na face do globo e Alvorada Nova já estava fixando seus primeiros alicerces através dos trabalhadores de Cristo que sabiam da destinação do nosso país como Pátria do Evangelho, tendo ciência da importância da sua localização nas camadas vibratórias ao redor do planeta.

Tem-se conhecimento de que Cairbar Schutel vem desenvolvendo aí, desde o seu retorno ao mundo espiritual, relevante trabalho contando em todas as tarefas com inúmeros colaboradores desencarnados e encarnados.

Essa colônia foi noticiada e descrita pela primeira vez no livro Nosso Lar, de Chico Xavier, alegadamente pelo espírito de André Luiz:

"– Partiu daqui a interessante formação de Ministérios?

– Sim, os missionários da criação de "Nosso Lar" visitaram os serviços de "Alvorada Nova", uma das colônias espirituais mais importantes que nos circunvizinham e ali encontraram a divisão por departamentos. Adotaram o processo, mas substituíram a palavra departamento por Ministério, com exceção dos serviços regeneradores, que, somente com o Governador atual, conseguiram elevação. Assim procederam, considerando que a organização em Ministérios é mais expressiva, como definição de espiritualidade."

A segunda informação sobre Alvorada Nova foi dada no livro Os Mensageiros de Chico Xavier, pelo espírito de André Luiz:

"Aniceto voltou a considerar, após silêncio mais longo:

— Estive pessoalmente, a semana passada, em “Alvorada Nova”, que fica em zonas mais altas, e vim a saber que avançados núcleos de espiritualidade superior, dos planetas vizinhos, desde as primeiras declarações desta guerra, determinaram providências de máxima vigilância, nas fronteiras vibratórias mantidas conosco. Ensinam-nos os vizinhos beneméritos que devemos suportar, nos próprios ombros, toda a produção de mal que levarmos a efeito. Somos, finalmente, a casa grande, obrigada a lavar a roupa suja nas próprias dependências."

Essa cidade espiritual, como também outras, para onde seriam levados os espíritos
Trem Magnético de Alvorada nova
socorridos vindos de várias partes do umbral e da crosta terrestre
, contaria com uma vasta rede viária, meios de transporte, 
arborização, praças, teatros, hospitais, escolas e outros.


Série de livro Alvorada Nova

Alvorada Nova lançado em 1992, é o primeiro dos livros coordenados por Abel Glaser (dirigente, desde 1963, do Lar Escola Cairbar Schutel e coordenador de grupo de médiuns, o Grupo de Estudos 
Cairbar Schutel), que compõem uma coleção também conhecida como Série Alvorada Nova, atribuída ao espírito Cairbar Schutel e seus emissários. Foi editado pela Casa Editora O Clarim, fundada por Cairbar Schutel. Alvorada Nova é um romance não convencional que versa sobre a colônia espiritual homônima, espécie de cidade onde se reúnem espíritos para aprender e trabalhar entre uma encarnação e outra.

Mapa Alvorada Nova

Desenhos minuciosos dos mapas da cidade Alvorada Nova, assim como a arquitetura das edificações, departamentos e casas, que ilustram o livro, foram criados pelas médiuns do grupo, através de suas observações realizadas durante desdobramentos (saídas do corpo) de março a novembro de 1987, conduzidas e orientadas pelos espíritos Cairbar Schutele seus emissários.

Segundo este livro, os espíritos 
Cairbar Schutel e Scheilla dirigem a cidade espiritual Alvorada Nova. Cairbar é o coordenador-geral e Scheilla coordena o hospital Casa de Repouso.

Casa de Repouso ou Hospital de Scheilla


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

ESPÍRITO QUE COMETEU DEZ SUICÍDIOS

         Certa vez uma mulher com uma criança nos braços, procurou Chico Xavier em busca de ajuda, e lhe falou:
         – Chico, meu filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora está com uma doença nas pernas e os médicos querem amputar as duas para salvar a vida dele. Há uma resposta para mim no Espiritismo?

        Foi com a intervenção de Emmanuel que a resposta veio:

         – Chico, explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços suicidou-se nas dez últimas encarnações e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas as possibilidades de se matar novamente. Mas, agora que está aproximadamente com cinco anos, procura um rio, um precipício para se atirar. Avise nossa irmã que os médicos amigos estão com a razão.
As duas pernas dele vão ser amputadas, em seu próprio benefício, para que ele fique mais algum tempo na Terra, a fim de que diminua a ideia do suicídio.”


         Bendita seja a oportunidade que Deus concede sempre a todos sem discriminação dos atos. Nesta história Emmanuel nos esclarece que, o espírito desta criança antes de reencarnar já estava consciente dos seus atos e compromissos assumidos com as Leis de Deus, que os seus erros ao cometer vários suicídios o fez acumular, e para sanar tais dividas difíceis, sem cair novamente nos mesmos erros, seria necessário que reencarna-se com todas estas dificuldades físicas por meio de várias deficiências. E se os médicos não amputassem as suas duas pernas por causa de uma doença abençoada que o fez mudar os rumos da sua existência, este espírito voltaria a cometer o mesmo erro de dar fim a sua própria vida, assim seria o décimo primeiro suicídio de um espírito com ideia fixa nesta ato. E ao invés dele ir se regenerando de tais atos, iria acumular mais dividas, se não fosse uma doença que possibilitasse a perda das suas duas pernas. Iria perder está grande e difícil oportunidade de ir se reacostumando a viver na matéria sem dar fim a sua própria vida. Assim, seu corpo físico deficiente serviu como um veiculo de correção para o inicio da sua regeneração, sem ter as forças necessária pra cometer tal ato novamente, pois esta vida seria de extrema necessidade para ele ir mudando o seu pensamento de cometer suicídio. A Divindade Trabalha por meios que desconhecemos.

          Lembremos sempre que o suicídio é uma falsa solução, que tudo fica muito mais complicado do que as provações que temos que superar aqui no plano terreno. A vida não cessa, podemos encarar a vida com coragem moral e sofrer de forma abnegada, com perseverança, e no final olharmos para trás e vermos as provações superadas e assim progredirmos; ou podemos complicar ainda mais a nossa vida, a nossa estrada evolutiva, contrair mais dividas, deixar nosso espírito doente com um ato desse que deixa as nossas provações muito mais difíceis, complicadas... A vida não termina com a morte, a vida segue com os mesmos aspectos e ainda mais real do que imaginamos. Então, vivamos as nossas dificuldades, provações, expiações porque necessitamos delas para a nossa evolução, e estas coisas todas passam, mas o suicídio não. Fé sincera em Deus para todos os momentos, pois Ele sabe o que necessitamos e não nós.


sábado, 3 de setembro de 2016

Divaldo Franco no Programa do Jô

        Entrevista do médium Divaldo Franco no Programa do Jô, em
1º de setembro de 2016.