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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

RELATO DE SUICIDA: O PAI E O CONSCRITO

     

         No começo da guerra com a Itália, em 1859, um negociante de Paris, pai de família, gozando da estima geral de todos os seus vizinhos, tinha um filho que fora sorteado para o serviço militar; achando-se, por sua posição, na impossibilidade de exonerá-lo do serviço, teve a ideia de se suicidar a fim de insentá-lo, como filho único de viúva. Foi evocado um ano depois, na Sociedade de Paris, a pedido de uma pessoa que o conhecera e que desejava conhecer a sua condição no mundo dos Espíritos.

        (A São Luís.) Quereis nos dizer se podemos evocar o homem de quem se acaba de falar? – R. Sim, ele ficará mesmo muito feliz, porque será um pouco aliviado.


        1.   
Evocação. – R. Oh! Obrigado! Eu sofro muito, mas... é justo; entretanto, ele me perdoará. 

        O espírito escreve com grande dificuldade; os caracteres são irregulares e mal formados; depois da palavra mas, se detém, tenta em vão escrever, e não faz se não alguns traços indecifráveis e pontos. É evidente que é a palavra Deus que ele não pode escrever. 
        
        2.   
Preenchei a lacuna que deixastes. – R. Eu sou indigno.

         3. Disseste que sofreis, sem dúvida, errastes em vos suicidar, mas é que o motivo que vos levou a esse ato não vos mereceu nenhuma indulgência? – R. A minha punição será menos longa, mas a ação nem por isso foi menos má.

        4.    Poderíeis nos descrever a punição que sofreis? – R. Sofro duplamente, na minha alma e no meu corpo; sofro neste último, embora não o possua mais, como o amputado sofre no membro ausente.

        5.
   
A vossa ação teve o vosso filho por único motivo, e não fostes solicitado por nenhuma outra causa? – R. só o amor paternal me guio; em favor desse motivo, a minha pena será abreviada.

        6. Prevedes o fim de vossos sofrimentos? – R. Não lhe conheço o fim; mas estou seguro de que esse fim existe, o que me é um alívio.

        7.
    Ainda há pouco, não pudestes escrever o nome de Deus; entretanto, temos visto espíritos muito sofredores escrevê-lo; isso faz parte de vossa punição? – R. Eu o poderia, com grandes esforços de arrependimento.

        8.
    Pois bem! Fazei grandes esforços, e tratai de escrevê-lo; estamos convencidos, de que se a isso chegardes, ser-vos-á um alívio.O espírito acabou por escrever, em caracteres irregulares, trementes e muito grosso: “Deus é muito bom.”

        9.
    Nós vos sabemos reconhecido por vir ao nosso chamado, e pediremos a Deus por vós, a fim de chamar-lhe a misericórdia sobre vós. – R. Sim, se vos apraz.

        10.
    (A São Luís.) Quereis nos dar a vossa apreciação pessoal sobre o ato do espírito eu acabamos de evocar? – R. Este espírito sofre justamente, porque lhe faltou confiança em Deus, o que é uma falta sempre punível; a punição seria terrível e muito longa se não estivesse, em seu favor, um motivo louvável, que era o de impedir seu filho de ir ao encontro da morte; Deus, que vê o fundo dos corações, não o puniu senão segundo as suas obras. 

        Observações. -  À primeira vista, este suicídio parece desculpável, porque pode ser considerado como ato de devotamento; com efeito o é, mas não completamente. Assim como disse o Espírito e São Luis, a esse homem faltou a confiança em Deus. Por sua ação, talvez impediu o destino de seu filho de se cumprir; primeiro, não estava certo que este fosse morto na guerra, e talvez essa carreira devesse dar-lhe oportunidade de fazer alguma coisa que seria útil ao seu adiantamento. Sua intenção, sem dúvida, era boa, assim lhe foi tida em conta; a intenção atenua o male merece indulgência, mas não impede o que é mau de ser m; sem isso, em favor do pensamento, poder-se-ia desculpar todos os delitos, e poder-se-ia mesmo matar sob o pretexto de prestar serviço. Uma mãe que mata o seu filho na crença de que o envia direto ao céu é menos culpada, porque o fez numa boa intenção? Com esse sistema, justificar-se-iam todos os crimes que um fanatismo cego cometesse nas guerras religiosas.

        Em princípio, o homem não tem o direito de dispor de sua vida, porque esta lhe foi dada em vista dos deveres que deveria cumprir na Terra, por isso, não deve abreviá-la voluntariamente, sob nenhum pretexto. Como tem o seu livre-arbítrio, ninguém pode impedi-lo, mas sofre-lhe sempre as consequências. O suicídio mais severamente punido é aquele que se cumpre pelo desespero, e tendo em vista livrar-se das misérias da vida; sendo essas misérias, ao mesmo tempo, prova e expiações, subtrair-se delas é recuar diante da tarefa que se aceitara, às vezes mesmo diante da missão que se deveria cumprir.

        O suicídio não consiste somente no ato voluntário que produz a morte instantânea; está também em tudo o que se faz, em conhecimento de causa, que deve apressar, prematuramente, a extinção das forças vitais.

        Não se pode assemelhar ao suicídio o devotamento daquele que se expõe à morte iminente para salvar o seu semelhante; primeiro, porque não há, no caso, nenhuma intenção premeditada de subtrair-se à vida, e, em segundo lugar, não há perigo do qual a Providência não possa nos tirar, se a hora de deixar a Terra não chegou. Se a morte ocorre em tais circunstâncias, é um sacrifício meritório, porque é uma abnegação em proveito de outrem. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, n.s 53, 65, 66, 67)


Fonte: Livro – O Céu e o inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Cap. V. 



domingo, 18 de setembro de 2022

VAMOS FALAR SOBRE SUICÍDIO?


Segundo o CVV(Centro de Valorização da Vida), a cada hora uma pessoa tira a sua vida no Brasil, mesmo período no qual outras três tentam se matar. Sendo considerado pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública. E este tema deveria ser discutido em todos os lugares: nos lares, nos ambientes de trabalho, nas escolas, nas religiões... Mas, ainda há grande tabu, preconceito e vergonha nessa luta. Pois, a morte por suicídio toca em questões de crenças, escolhas, barreiras sociais...

Para o CVV quanto para a OMS, trata-se de um problema que se pode prevenir na grande maioria das vezes, a OMS estima que 90% dos casos de suicídio podem serem prevenidos desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional, e esse é um dos maiores esforços do CVV. Estudar e discutir sobre o suicídio é uma das formas mais eficientes de se promover a prevenção, pois esta só é possível quando a população, os profissionais de saúde, os jornalistas e governantes tem informações suficientes para conduzir as medidas adequadas e ao seu alcance nessa frente.

A população LGBTQIA+ é uma das que mais sofrem com essa epidemia silenciosa. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, LGBTQIA+ tem cinco vezes mais chances de cometer suicídio do que heterossexuais cisgêneros e a depender do ambiente que está inserido, esse número pode subir até 20 vezes.

No site Carta Capital com a matéria intitulada - Um olhar espírita sobre o suicídio: você não está sozinho. Conta-se tal relato de um amparo do CVV: “Do outro lado da linha, uma voz suave e firme atendeu ao meu chamado. Passava das duas da manhã. A insistência afetiva da atendente me encorajou a dizer as primeiras palavras: não está tudo bem! Você gostaria de conversar sobre o que te aflige? Disse ela. Chorei. Lembro que fiquei quase uma hora chorando e ela, pacientemente, me ouvindo. De vez em quando dizia que estava ali para me acolher e que eu podia confiar nela. A voz da atendente lembrava a voz da minha mãe, motivo, inclusive, do meu sofrimento. Sabe, disse tentando conter o choro, sempre fui um bom filho, mas minha mãe não aceita o fato de eu ser gay. Ela disse que sente vergonha de mim e por isso estou pensando em me matar, para ela não ter mais que sentir vergonha de mim. Ela me fez desistir da ideia.”

Tal empatia, permite que as pessoas falem dos seus sofrimentos, por se sentirem seguras, sem serem julgadas, acolher aqueles que estão nos seus momentos de mais desespero, são meios de evitar que parem de pensar que o suicídio é solução para suas dores e problemas.


sexta-feira, 9 de setembro de 2022

PRECE POR UM SUICIDA

Prefácio. 

O homem não tem jamais o direito de dispor da própria vida, porque só a Deus cabe tirá-lo do cativeiro terrestre, quando o julgo oportuno. Todavia, a justiça divina pode abrandar os seus rigores em favor das circunstâncias, mas reserva toda a sua severidade para aquele que quis se subtrair às provas da vida. O suicida é como o prisioneiro que se evade da prisão, antes de expirar a sua pena, e que, quando é recapturado, é mantido mais severamente. Assim ocorre com o suicida que crê escapar às misérias presentes, e mergulha em infelicidades maiores.

Prece.

Sabemos, ó meu Deus, a sorte reservada àqueles que violam as vossas leis, abreviando voluntariamente os seus dias; mas sabemos também que a vossa misericórdia é infinita: dignai-vos estendê-la sobre a alma de (dizer o nome da pessoa que cometeu suicídio) Possam as nossas preces e a vossa comiseração abrandar a amargura dos sofrimentos que ele experimenta por não ter tido a coragem de esperar o fim das suas provas!

Bons espíritos, cuja missão é assistir os infelizes, tomai-o sob a vossa proteção; inspirai-lhe o arrependimento de sua falta, e que a vossa assistência lhe dê a força de suportar com mais resignação as novas provas que terá de sofrer para repará-la. Afastai dele os maus espíritos que poderiam, de novo, levá-lo ao mal, e prolongar os seus sofrimentos, fazendo-o perder o fruto das suas futuras provas.

Vós, cuja infelicidade é o objeto das nossas preces, que a nossa comiseração possa abrandar-vos a amargura, fazer nascer em vós a esperança de um futuro melhor! Esse futuro está nas vossas mãos; confiai-vos à bondade de Deus, cujo seio está aberto a todos os arrependidos, e não permanece fechado senão para os corações  endurecidos.

 

Fonte: Coletânea De Preces Espíritas. Allan Kardec. itens 71 e 72.


terça-feira, 8 de setembro de 2020

HISTÓRIA DE SUICÍDIO POR CIÚMES

Estamos no setembro amarelo, mês de prevenção contra o suicídio. E como espíritas temos a convicção de que a morte não é o fim, a vida continua.

No livro Sexo e Consciência, Divaldo Franco, organizado por Luiz Fernando Lopes. Divaldo Franco relata a seguinte história sobre suicídio, que nos leva a refletir sobre como as ilusões do mundo físico nos entorpece, podendo a nos levar a atos como o suicídio.

Em uma oportunidade eu tive notícias de um suicídio que me impressionou muito. Desde então comecei a orar por aquela pessoa desconhecida. Era uma jovem senhora que tirou a própria vida quando descobriu que o marido tinha uma amante.                      

Dez anos depois, em um momento de oração e meditação, ela me apareceu e contou-me o seu sofrimento no mundo espiritual, ainda demonstrando profundo desespero.

Vinte anos mais tarde ela veio ao meu encontro novamente. Já estava mais serena, embora estivesse amargurada devido a uma dolorosa constatação. Após as dores excruciantes da substância tóxica que havia ingerido, ela agora vivia as dores morais, ao observar os filhos que deixou na orfandade e a mãezinha que enlouqueceu de dor. Porque o suicida não mata somente ele. Mata também aqueles que o amam. E um ato de vingança contra os outros e contra a sociedade, que expõe as feridas não cicatrizadas de um drama psicológico de alta complexidade.

Profundamente entristecida, ela me concedeu o seguinte depoimento:

— Divaldo, o que mais me dói é a raiva que eu tenho de mim mesma! Eu me matei por ciúmes daquele homem! Nesses vinte anos em que estou do lado de cá eu nunca mais o tinha visto. Agora que estou lúcida, fui recentemente atraída até ele. E confesso-lhe que tive dificuldades de reconhecê-lo. Ele está com setenta anos, com mal de Parkinson, envelhecido e com clemência em fase avançada. Parece uma bola de carne de tão deteriorado e doente! Então eu pensei: “Meu Deus! Foi por causa dessa coisa que eu me matei? Eu merecia agora um castigo ainda maior! Onde está aquele homem lindo, sedutor, sexualmente atraente, másculo e confiante?!”.

Essa é uma importante lição para vermos como a juventude e o corpo são ilusões que o tempo dilui.

 

Fonte: Livro – Sexo e Consciência, Divaldo Franco, organizado por Luiz Fernando Lopes.



quarta-feira, 24 de junho de 2020

DEPOIMENTO DE UMA SUICIDA

            Este depoimento de uma suicida está no livro Estante da Vida, psicografia de Chico Xavier, pelo Espírito Irmão X, capítulo 2. Esta entrevista nos leva ao conhecimento do que pode ocorrer com os suicidas, lembrando que cada caso é um caso, e não existem dois casos iguais. Mas, esta experiência desta suicida nos leva a reflexão do que pode ocorrer com o suicida depois da morte do corpo físico, nos trazendo melhor compreensão, para nos conscientizarmos de que suicídio nunca vai ser a melhor opção, e nunca será uma saída para soluções de problemas, e sim, complicar mais ainda a situação e a vida, levando a sofrimentos inimagináveis.


Depoimento

Aqui vai, meu amigo, a entrevista rápida  que você solicitou ao velho jornalista desencarnado com uma suicida comum. Sabe você, quanto eu, que não existem casos absolutamente iguais. Cada um de nós é um mundo por si. Para nosso esclarecimento, porém, devo dizer-lhe que se trata de jovem senhora que, há precisamente catorze anos, largou o corpo físico, por deliberação própria, ingerindo formicida. 

Mais alguns apontamentos, já que não podemos transformar o doloroso assunto em novela de grande porte: ela se envenenou no Rio, aos trinta e dois de idade, deixando o esposo e um filhinho em casa; não era pessoa de cultura excepcional, do ponto de vista de cérebro, mas caracterizava-se, na Terra, por nobres qualidades morais, moça tímida, honesta, operosa, de instrução regular e extremamente devotada aos deveres de esposa e mãe. 

Passemos, no entanto, às suas onze questões e vejamos as respostas que ela nos deu e que transcrevo, na íntegra:

A irmã possuía alguma fé religiosa, que lhe desse convicção na vida depois da morte?                         Seguia a fé religiosa, como acontece a muita gente que acompanha os outros no jeito de crer, na mesma situação com que se atende aos caprichos da moda. Para  ser sincera, não admitia fosse encontrar a vida aqui, como a vejo, tão cheia de problemas ou, talvez, mais cheia de problemas que a minha existência no mundo.

 Quando sobreveio a morte do corpo, ficou inconsciente ou consciente?                                                  Não conseguia sequer mover um dedo, mas, por motivos que ainda não sei explicar, permaneci completamente lúcida e por muito tempo.

Quais as suas primeiras impressões ao verificar-se desencarnada?                                                         Ao lado de terríveis sofrimentos, um remorso indefinível tomou conta de mim. Ouvia os lamentos do meu marido e de meu filho pequenino, debalde gritando também, a suplicar socorro. Quando o rabecão me arrebatou o corpo imóvel, tentei ficar em casa mas não pude. Tinha a impressão de que eu jazia amarrada ao meu próprio cadáver pelos  nós de uma corda grossa. Sentia em mim, um fenômeno de repercussão que não sei definir, todos os baques do corpo ao veículo em correria; atirada com ele a um comportamento do necrotério, chorava de enlouquecer. Depois de poucas horas, notei que alguém me carregava para a mesa de exame. Vi-me desnuda de chofre e tremi de vergonha. Mas a vergonha fundiu-se no terror que passei a experimentar ao ver que dois homens moços me abriam o ventre sem nenhuma cerimônia, embora o respeitoso silêncio com que se davam à pavorosa tarefa. Não sei o que me doía mais, se a dor indescritível que me percorria a forma, em meu novo estado de ser, quando os golpes do instrumento cortante me rasgavam a carne. Mas, o martírio não ficou nesse ponto, porque eu, que horas antes me achava no conforto do meu leito domestico, tive de aguentar duchas de água fria na vísceras expostas, como se eu fosse um animal dos que eu vira morrer, quando menina, no sítio de meu pai ... Então, clamei ainda mais por socorro, mas ninguém me escutava, nem via..

Recorreu à prece no sofrimento?                                                                                                                 Sim, mas orava, à maneira dos loucos desesperados, sem qualquer noção de Deus... Achava-me em franco delírio de angústia, atormentada por dores físicas e mentais... Além disso, para salvar o corpo que eu mesma destruíra, a oração era um recurso de que lançava mão, muito tarde. 

Encontrou amigos ou parentes, em suas primeiras horas no plano espiritual?                                       Hoje sei que muitos deles procuravam auxiliar-me, mas inutilmente, porque a minha condição de suicida me punha em plenitude de forças físicas. As energias do corpo abandonado como que me eram devolvidas por ele e me achava tão materializada em minha forma espiritual quanto na forma terrestre. Sentia-me completamente sozinha, desamparada... 

Assistiu ao seu próprio enterro?                                                                                                                   Com o terror que o meu amigo é capaz de imaginar. 

Não havia espíritos benfeitores no cemitério?                                                                                             Sim, mas não poderia vê-los. Estava mentalmente cega de dor. Senti-me sob a terra, sempre ligada ao corpo, como alguém a se debater num quarto abafado, lodoso e escuro... 

Que aconteceu em seguida?                                                                                                                          Até agora, não consigo saber quanto tempo estive na cela do sepulcro, seguindo, hora a hora, a decomposição de meus restos... Houve, porém, um instante em que a corda magnética cedeu e me vi libertada. Pus-me de pé sobre a cova. Reconhecia-me fraca, faminta, sedenta, dilacerada...Não havia tomado posse de meus próprios raciocínios, quando me vi cercada por uma turma de homens que, mais tarde, vim a saber serem obsessores cruéis. Deram-me voz de prisão. Um deles me notificou que o suicídio era falta grave, que eu seria julgada em corte de justiça e que não me restava outra saída, senão acompanhá-los ao tribunal. Obedeci e, para logo, fui por eles encarcerada em tenebrosa furna, onde pude ouvir o choro de muitas outras vítimas. Esses malfeitores me guardaram em cativeiro e abusavam da minha condição de mulher, sem qualquer noção de respeito ou misericórdia... Somente após muito tempo de oração e remorso, obtive o socorro de espíritos missionários, que me retiraram do cárcere, depois de enormes dificuldades, a fim de me internarem num campo de tratamento.

 Por que razão decidiu matar-se?                                                                                                                  Ciúmes de meu esposo, que passara a simpatizar com outra mulher.

Julga que a sua atitude lhe trouxe algum benefício?                                                                                  Apenas complicações. Após seis anos de ausência, ferida por terríveis saudades, obtive permissão para visitar a residência que eu julgava como sendo minha casa no Rio. Tremenda surpresa!... Em nada adiantara o suplício. Meu esposo, moço ainda, necessitava de companheira e escolhera para segunda esposa a rival que eu abominava... Ele e meu filho estavam sob os cuidados da mulher que suscitava ódio e revolta... Sofri muito em meu orgulho abatido. Desesperei-me. Auxiliada pacientemente, contudo, por instrutores caridosos, adquiri novos princípios de compreensão e conduta... Estou aprendendo agora a converter aversão em amor. Comecei procedendo assim por devotamento ao meu filho, a quem ansiava estender as mãos, e só possuía, no lar, as mãos dela, habilitadas a me prestarem semelhante favor... A pouco e pouco, notei-lhe as qualidades nobres de caráter e coração e hoje a amo, deveras, por irmã  de minh’alma... Como pode observar, o suicídio me intensificou a luta íntima e me impôs, de imediato, duras obrigações.

 Que aguarda para o futuro?                                                                                                                         Tenho fome de esquecimento e de paz. Trabalho de boa vontade em meu próprio burilamento e qualquer que seja a provação que me espere, nas corrigendas que mereço, rogo à Compaixão Divina me permita nascer na Terra, outra vez, quando então conto retornar o ponto de evolução em que estacionei, para consertar as terríveis consequências do erro que cometi.

                                                               ***

Aqui, meu caro, termina o curioso depoimento em que figurei na posição de seu secretário

Sinceramente, não sei porque você deseja semelhante entrevista com tanto empenho. Se é para curar doentia ansiedade em pessoa querida, inclinada a matar-se, é possível que você alcance o objetivo almejado. Quem sabe? O amor tem força para converter e instruir. Mas se você supõe que esta mensagem pode servir de instrumento para alguma transformação na sociedade terrena, sobre os alicerces da verdade espiritual, não estou muito certo quanto ao êxito do tenta-me. Digo isso, porque, se estivesse aí, no meu corpo de carne, entre o frango assado e o café quente, e se alguém me trouxesse a ler a presente documentação, sem duvida que eu julgaria tratar-se de uma história da carochinha.

 

Fonte: Livro – Estante da Vida. Psicografia de Chico Xavier. Pelo Espírito Irmão X. Capítulo 2 – Depoimento. 


terça-feira, 10 de setembro de 2019

10 DE SETEMBRO - DIA MUNDIAL DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO


          A campanha é em setembro, mas falar sobre prevenção do suicídio em todos os meses do ano é fundamental! 

         Nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas. O dado, da Organização Mundial da Saúde (OMS), indica que a prevenção é fundamental para reverter essa situação, garantindo ajuda e atenção adequadas.

         A primeira medida preventiva é a educação. É preciso perder o medo de se falar sobre o assunto. O caminho é quebrar tabus e compartilhar informações. Esclarecer, conscientizar, estimular o diálogo e abrir espaço para campanhas contribuem para tirar o assunto da invisibilidade e, assim, mudar essa realidade.

        Hoje, 32 brasileiros se suicidam diariamente. No mundo, ocorre uma morte a cada 40 segundos. Aproximadamente 1 milhão de pessoas se matam a cada ano. Sabe-se que os números são muito maiores, pois a subnotificação é reconhecida. Além disso, os especialistas estimam que o total de tentativas supere o de suicídios em pelo menos dez vezes.

        Mas como buscar ajuda se muitas vezes a pessoa sequer sabe que pode receber apoio e que o que ela sente naquele momento é mais comum do que se divulga? Ao mesmo tempo, como é possível oferecer ajuda a um amigo ou familiar se também não sabemos identificar os sinais e muito menos temos familiaridade com a abordagem mais adequada?

        É fato que o suicídio é um fenômeno complexo, de múltiplas determinações, mas saber reconhecer os sinais de alerta pode ser o primeiro e mais importante passo.

        Isolamento, mudanças marcantes de hábitos, perda de interesse por atividades de que gostava, descuido com aparência, piora do desempenho na escola ou no trabalho, alterações no sono e no apetite, frases como “preferia estar morto” ou “quero desaparecer” podem indicar necessidade de ajuda.

        O suicídio é um ato de comunicação. Quem se mata, na realidade tenta se livrar da dor, do sofrimento, que de tão imenso, parece insuportável.

       O importante é a pessoa saber que não está sozinha, e que muitas outras compartilham também dessa dor, e que tem pessoas para lhe escutar como a ONG CVV – Como vai você? 


        O CVV é uma das ONGs mais antigas do país. Fundado em São Paulo em 1962, atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio por meio do telefone 188, e também por chat, e-mail e pessoalmente. É membro fundador do Befrienders Worldwide e ativo junto ao IASP (Associação Internacional para Prevenção do Suicídio), Abeps (Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio) e outros órgãos internacionais que atuam pela causa.

        Hoje, cerca de 3 mil voluntários, em mais de 110 postos, prestam serviço voluntário e gratuito 24 horas por dia, nos 365 dias do ano, aos que querem e precisam conversar sobre seus sentimentos, dores e descobertas, dificuldades e alegrias. De forma sigilosa e sem julgamentos, o voluntário do CVV busca ouvir aquele que liga com profundo respeito, aceitação, confiança e compreensão, valorizando a vida e, consequentemente, prevenindo o suicídio

       Após a implantação do telefone 188, por meio de acordo com o Ministério da Saúde que garantiu gratuidade da tarifação telefônica, registramos cerca de 3 milhões de atendimentos por ano.

       Todas as formas de acesso podem ser conferidas no site www.cvv.org.br, onde também é possível se informar sobre o Posto CVV mais próximo e como se tornar voluntário.

Fonte: site setembro amarelo: https://www.setembroamarelo.org.br/


terça-feira, 3 de setembro de 2019

MÚSICA ESPÍRITA: VIVER É A MELHOR OPÇÃO

SETEMBRO AMARELO – MÊS DE PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

          É preciso falar sobre o suicídio, e levar o máximo de informação possível sobre esta questão em que nos últimos tempos está se apresentando tão forte na sociedade. Por isso a grande importância do SETEMBRO AMARELO, QUE É O MÊS INTERNACIONAL DA  PREVENÇÃO AO SUICÍDIO, para termos informações suficiente para compartilharmos quando necessário.

        Para refletirmos um pouco sobre este tema, posto a música: Viver é a melhor opção, do cantor espírita Carlinhos Conceição, canção esta que faz parte do CD Libertação. Uma canção com uma letra belíssima para nos conscientizarmos cada vez mais sobre este tema importantíssimo para as nossas vidas, e para ajudarmos a quem estiver precisando.


Música: Viver é a Melhor Opção
Cantor: Carlinhos Conceição
CD: Libertação





quinta-feira, 8 de setembro de 2016

ESPÍRITO QUE COMETEU DEZ SUICÍDIOS

         Certa vez uma mulher com uma criança nos braços, procurou Chico Xavier em busca de ajuda, e lhe falou:
         – Chico, meu filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora está com uma doença nas pernas e os médicos querem amputar as duas para salvar a vida dele. Há uma resposta para mim no Espiritismo?

        Foi com a intervenção de Emmanuel que a resposta veio:

         – Chico, explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços suicidou-se nas dez últimas encarnações e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas as possibilidades de se matar novamente. Mas, agora que está aproximadamente com cinco anos, procura um rio, um precipício para se atirar. Avise nossa irmã que os médicos amigos estão com a razão.
As duas pernas dele vão ser amputadas, em seu próprio benefício, para que ele fique mais algum tempo na Terra, a fim de que diminua a ideia do suicídio.”


         Bendita seja a oportunidade que Deus concede sempre a todos sem discriminação dos atos. Nesta história Emmanuel nos esclarece que, o espírito desta criança antes de reencarnar já estava consciente dos seus atos e compromissos assumidos com as Leis de Deus, que os seus erros ao cometer vários suicídios o fez acumular, e para sanar tais dividas difíceis, sem cair novamente nos mesmos erros, seria necessário que reencarna-se com todas estas dificuldades físicas por meio de várias deficiências. E se os médicos não amputassem as suas duas pernas por causa de uma doença abençoada que o fez mudar os rumos da sua existência, este espírito voltaria a cometer o mesmo erro de dar fim a sua própria vida, assim seria o décimo primeiro suicídio de um espírito com ideia fixa nesta ato. E ao invés dele ir se regenerando de tais atos, iria acumular mais dividas, se não fosse uma doença que possibilitasse a perda das suas duas pernas. Iria perder está grande e difícil oportunidade de ir se reacostumando a viver na matéria sem dar fim a sua própria vida. Assim, seu corpo físico deficiente serviu como um veiculo de correção para o inicio da sua regeneração, sem ter as forças necessária pra cometer tal ato novamente, pois esta vida seria de extrema necessidade para ele ir mudando o seu pensamento de cometer suicídio. A Divindade Trabalha por meios que desconhecemos.

          Lembremos sempre que o suicídio é uma falsa solução, que tudo fica muito mais complicado do que as provações que temos que superar aqui no plano terreno. A vida não cessa, podemos encarar a vida com coragem moral e sofrer de forma abnegada, com perseverança, e no final olharmos para trás e vermos as provações superadas e assim progredirmos; ou podemos complicar ainda mais a nossa vida, a nossa estrada evolutiva, contrair mais dividas, deixar nosso espírito doente com um ato desse que deixa as nossas provações muito mais difíceis, complicadas... A vida não termina com a morte, a vida segue com os mesmos aspectos e ainda mais real do que imaginamos. Então, vivamos as nossas dificuldades, provações, expiações porque necessitamos delas para a nossa evolução, e estas coisas todas passam, mas o suicídio não. Fé sincera em Deus para todos os momentos, pois Ele sabe o que necessitamos e não nós.


quinta-feira, 28 de abril de 2016

VOCÊ CONHECE O CVV?

         O Centro de Valorização da Vida – CVV; presta serviço de prevenção do suicídio, e apoio emocional, é um trabalho voluntário e gratuito, para todas as pessoas que querem e precisam conversar sobre suas dores, descobertas, dificuldades e alegrias. A pessoa que procura o CVV tem sigilo assegurado, total privacidade e anonimato. 

O CVV tem como slogan, a frase: Como Vai Você?

        O CVV, foi fundado em São Paulo em 1962, sendo uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como Utilidade Pública Federal em 1973. A instituição é mantida com as contribuições dos próprios voluntários e por doações de pessoas e segmentos da sociedade que reconhecem a importância do trabalho. Não está vinculada a nenhuma religião, governo ou partido político.

        O Centro de Valorização da Vida, realiza mais de um milhão de atendimentos anuais, com aproximadamente 2.000 voluntários em 18 estados, mais o Distrito Federal. Esses contatos são feitos pelo telefone 141 (24 horas), pessoalmente (nos 72 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br via chat, Volp (Skype) e e-mail. Os voluntários se revezam para o atendimento 24 horas por dia, inclusive aos domingos e feriados; trabalhando no sentido de compreender a pessoa que procura o CVV, com diálogos compreensivo, valorizando a vida do necessitado, o atendimento ocorre em clima de profundo respeito e confiança.

         Os voluntários são pessoas que queiram realizar serviço voluntário, maiores de 18 anos, de boa vontade, dispostas a conversar com as pessoas em seus momentos emocionais difíceis. Os voluntários passam por um curso teórico oferecido pelo Posto do Centro de Valorização da Vida, este curso é gratuito e ministrado periodicamente. Os atendentes, possuem as mais diversas formações, mas quando estão em atividade no CVV, deixam de lado o seu lado profissional, seja psicólogo, dona de casa, estudante, médico, professor, etc. e focam apenas no seu lado de voluntário.

         Como comentado anteriormente, o CVV recebe uma média superior a um milhão de ligações por ano. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, cerca de 3 mil pessoas por dia cometem suicídio em todo o mundo. E segundo dados de 2015, 38 brasileiros tiram a própria vida por dia e outros cerca de 200 tentam o suicídio no mesmo período.

         Para saber mais sobre o CVV - Centro de Valorização da Vida, e para entrar em contato em busca de ajuda acesse o site do CVV: http://www.cvv.org.br/index.php


domingo, 24 de abril de 2016

HISTÓRIA DO SUICÍDIO DE UMA MÃE DEPOIS DA MORTE NATURAL DO FILHO

Como vimos na postagem anterior sobre o suicídio que prolonga a separação dos que se amam, há um relato desta natureza no livro O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Na segunda parte do livro, no capítulo V de comunicações com espíritos suicidas encontramos o relato com o título: Uma Mãe e seu filho, em que os médiuns evocaram o filho e a mãe. Transcrevo abaixo para que possa servir de exemplo da postagem anterior, para melhor entender por meio de uma história real. 



Uma Mãe e seu filho

         No mês de março de 1865, o Sr. C..., negociante numa pequena cidade perto de Paris, tinha, em sua casa, seu filho, com idade de vinte e um anos, gravemente enfermo. Esse jovem, sentindo-se no momento de expirar, chamou sua mãe e ainda teve forças para abraçá-la. Esta disse-lhe, vertendo lágrimas abundantes: “Vai, meu filho, precede-me, não tardarei em seguir-te.” Ao mesmo tempo ela saiu escondendo a cabeça entre as mãos.

        As pessoas que se achavam presentes a esta cena pungente, consideraram as palavras da senhora C... como simples explosão de dor, que o tempo e a razão deveriam apaziguar. Entretanto, tendo o doente sucumbido, foi procurada em toda a casa, e encontrada enforcada no celeiro. O enterro da mãe se fez ao mesmo tempo que o de seu filho.

        Evocação do filho, vários dias depois do fato. – P. Tendes conhecimento da morte de vossa mãe, que se suicidou, sucumbindo ao desespero que vossa perda lhe causou?

        R. Sim, e sem o desgosto que me causou o cumprimento de sua fatal resolução, eu seria perfeitamente feliz. Pobre e excelente mãe! Ela não pode suportar a prova dessa separação momentânea, e tomou, para se reunir ao filho que amava tanto, o caminho que deverá dele afastá-la, ai! Por muito tempo. Assim, ela retardou indefinidamente essa reunião que seria rápida se a submissão as vontades do Senhor enchesse sua alma, e se fosse resignada, humilde e arrependida, diante da prova que iria sofrer, e a expiação que iria purificá-la!

        Orai! Oh! Orai por ela!... E sobretudo não a imiteis, mães comovidas pelo triste relato de sua morte! Não creiais que ela amava melhor que outras mães, esse filho que era a sua alegria e seu orgulho; não, não amava melhor, mas faltou-lhe coragem e resignação. Mães que me escutais, quando virdes a agonia velar os olhos extintos de vossos filhos, lembrai-vos de que, como o Cristo, eles sobem o cume do Calvário, de onde deverão se elevar à glória eterna.

Benjamin C...

        Evocação da mãe. – Quero ver meu filho! Tendes o poder de me devolver?... Os cruéis!... Pegaram-me para conduzi-lo à luz, e me deixaram na noite!... Eu o quero, eu o quero... ele me pertence!... Nada foi, pois, senão o amor maternal?... O quê! Ter carregado nove meses, nutrido com seu leite a carne de sua carne, o sangue de seu sangue; ter guiado seus primeiros passos; tê-lo ensinado a balbuciar o nome sagrado de Deus e o doce nome de mãe; ter feito dele um homem pleno de atividade, de inteligência, de honestidade, de retidão, de amor filial, e perdê-lo quando realizava as esperanças que se conceberam dele, que um futuro brilhante se lhe abria à frente! Não, Deus não é justo; não é o Deus das mães; não compreendo o seu desespero e a sua dor... e quando me dou à morte para não deixar meu filho, me arrebata de novo!... Meu filho! Meu filho! Onde estás?

        O evocador. Pobre mãe, nos compadecemos com a vossa dor; mas tomastes um triste meio para estar reunida ao vosso filho; o suicídio é um crime aos olhos de Deus, e deveríeis pensar que ele pune toda infração às suas leis. A privação da visão de vosso filho é a vossa punição.

        A mãe. Não; eu acreditava Deus melhor que os homens; eu não cria em seu inferno, mas na reunião das almas que se amam como nos amamos; eu me enganei... Não é o Deus justo e bom, uma vez que não compreendeu a imensidade de minha dor e de meu amor!... Oh! Quem me devolverá o meu filho! Perdi-o, pois, para sempre? Piedade! Piedade, meu Deus!

        O evocador. Vejamos, acalmai o vosso desespero; pensai que há um meio para rever o vosso filho, esse não é blasfemando contra Deus, como o fazeis. Em lugar de vo-lo tornar favorável, atraireis sobre vós maior severidade.

       A mãe. Disseram-me que não o reveria mais; compreendi que foi para um paraíso que o conduziram. E eu, estou, pois, no inferno?... O inferno das mães!... Ele existe, não o vejo senão muito.

       O evocador. Vosso filho não está perdido sem retorno, crede-me; certamente o revereis; mas é necessário merecê-lo pela vossa submissão à vontade de Deus, ao passo que, pela vossa revolta, podeis retardar esse momento indefinidamente. Escutai-me: Deus é infinitamente bom, mas é infinitamente justo. Jamais pune sem causa, e se vos infligiu grandes dores na Terra, foi porque as merecestes. A morte de vosso filho era uma prova para a vossa resignação; infelizmente, nela sucumbistes quando viva, e eis que, depois de vossa morte, nela sucumbis de novo; como quereis que Deus recompense os seus filhos rebeldes? Mas ele não é inexorável; acolhe sempre o arrependimento do culpado. Se aceitásseis, sem murmurar e com humildade, a prova que vos enviava por essa separação momentânea, e se esperásseis pacientemente que lhe aprouvesse vos retirar da Terra, na vossa entrada no mundo em que estais, imediatamente reveríeis o vosso filho, que viria vos receber e estender os braços; teríeis a alegria de vê-lo radioso, após esse tempo de ausência. O que fizestes, e o que fazeis ainda neste momento, coloca uma barreira entre vós e ele. Não creiais que ele esteja perdido nas profundezas do espaço; não, está mais perto de vós do que não o credes; mas um véu impenetrável oculta-o à vossa visão. Ele vos vê, e vos ama sempre, e geme da triste posição onde vos mergulhou a vossa falta de confiança em Deus; chama, com todos seus votos, o momento afortunado de se vos mostrar; só de vós depende apressar ou retardar esse momento. Orai a Deus, e dizei comigo:

       “Meu Deus, perdoai-me por haver duvidado de vossa justiça e de vossa bondade; se me punistes reconheço que mereci. Dignai-vos aceitar o meu arrependimento e a minha submissão à vossa santa vontade.”

        A mãe. Que clarão de esperança vindes de fazer luzir em minha alma! Foi um relâmpago na noite que me cerca. Obrigada, eu vou orar. Adeus.

C...

       A morte, mesmo pelo suicídio,não produziu nesse espírito a ilusão de se crer ainda vivo; ele tem perfeita consciência de seu estado; é que, em outros, a punição consiste nessa própria ilusão, nos laços que os predem aos seus corpos. Esta mulher quis deixar a Terra para seguir o seu filho, no mundo em que ele entrou: era necessário que ela soubesse que estava nesse mundo para ser punida, não o reencontrando ali. Sua punição é precisamente saber que não vive mais corporalmente, e no conhecimento que tem de sua situação. Assim é que cada falta é punida pelas circunstâncias que a acompanham, e que não há punições uniformes e constantes para as faltas do mesmo gênero.

Fonte: O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Cap. V.


segunda-feira, 18 de abril de 2016

O SUICÍDIO: VIOLÊNCIA QUE PROLONGA A SEPARAÇÃO

         O suicídio é falsa solução, e causa desarmonia com as Leis Divinas. No livro A Outra Vez Em Que Eu Morri, do palestrante espírita Frederico Menezes, no capítulo 8 há um excelente explicação sobre o suicídio e o fato dele não possibilitar o reencontro dos espíritos. Vejamos abaixo o texto:


          Tanto pelos depoimentos de quem atentou contra a própria vida e retomou das portas do mundo espiritual (caso de pessoas que foram dadas como mortas), quanto os daqueles que, em estado de transe, descrevem suas encarnações anteriores em que praticam algum suicídio, a noticia é uma só: o ato suicida é uma agressão ao equilíbrio da Lei e, ao invés de resolver os problemas de quem sobre, os prolonga, acrescentados por dolorosos conflitos de consciência. Enquanto os que vivenciam a “quase morte”contra sua vontade, ou seja em acidentes não provocados ou por enfermidades, passam por momentos de paz e sentimentos poderosos de felicidade num ambiente com certa radiosidade, reencontrando, inclusive, parentes e amigos, estimulando-lhes a querer permanecer envoltos naquela luz amorosa, aqueles que tentaram o suicídio veem-se em uma atmosfera de tormenta, angustia e opressão. Não há luminosidade, um sentimento de solidão e medo caracteriza a experiência de quase morte. Quando retoma ao corpo, reflete melhor sobre o fato e a vida, terminando por reconhecer que o suicídio é a pior saída que se tem. Aliás, nem é saída.

         Nos depoimentos relacionados à reencarnação, o fato se repete. Quem se viu tirando a própria vida descreve um turbilhão de sofrimentos, uma sensação profunda de vergonha e culpa. O suicida verifica que tentou fugir da vida e caiu na própria vida, em condições bem mais complexas.

        Estes depoimentos que são verificados por pesquisadores nos quatro cantos do planeta, também são confirmados nas reuniões mediúnicas que ocorrem nas instituições espíritas, reuniões de amparo e socorro espiritual.

        Os espíritos suicidas apresentam-se em condições deploráveis, isto após muito tempo de agonias sem conta, na realidade imediata à vida física.

        Claro que a Misericórdia de Deus funciona aliviando circunstâncias e prodigalizando recursos para que os que vivem este martírio possam se reerguer perante a própria consciência e reiniciar a jornada no rumo de luz. E é ponto claro: não conseguem encontrar ou pelo menos perceber os entes queridos desencarnados que sofrem com seu gesto lamentável e o estado em que se encontram.

        O interessante é que o Espiritismo explica e demonstra que esse estado doloroso não é uma punição Divina. Deus não tem nossas falhas de caráter. É um fenômeno natural. São leis da natureza que violentadas no gesto suicida desarmonizam-se. O corpo espiritual, energético, suscetível a campos magnéticos, (como tudo que constitui o universo), tem natureza vibratória, ou seja, suas moléculas tem um ritmo vibratório. O gesto suicida desarticula este ritmo, agride a estrutura magnética e, em consequência, gera sofrimento que é o efeito de toda desarmonia. Além do mais, a consciência é o local onde o senso divino (as leis de Deus) está estabelecido. Aí sim, é o aspecto moral.


         Aprendemos com os Espíritos Superiores que ao reencarnamos trazemos uma determinada cota de energia vital, propiciadora do período de tempo que passamos reencarnados. Isto não seria feito aleatoriamente. É de acordo com a necessidade de cada um de nós. São mobilizados recursos imensos para que o espírito mergulhe numa existência física. Ora, a agressão provocada pelo suicídio, rompe ligações magnéticas que prendem a alma ao corpo porém o fluido vital, que não se esgota no cumprimento de sua finalidade, segue com o ser para o mundo espiritual, intensificando, inclusive, as sensações físicas inerentes à vida carnal. Este assunto comporta outras abordagens mais profundas, não sendo o objetivo desse nosso volume. Pretendemos abordar a questão em livro específico.

        O certo é que o suicídio é um complicador que prende o ser a um estado deplorável, provocando inclusive, futuras experiências na carne muito mais incômodas e sofridas. Óbvio que cada caso tem, perante as leis da vida, seus méritos e deméritos, atenuantes e agravantes, por isto, as reações ao suicídio ganham impacto e nuances em suas dores, muito pessoais, diríamos assim. Além de todo sofrimento que gera, o suicídio retarda, e muito, segundo temos verificado em comunicações mediúnicas, nosso reencontro com os amados. Eles estão em outra dimensão e o suicida está emparedado em vibrações de baixa potência, realimentado pelos dramas de consciência.


Fonte: A outra vez em que eu morri. De Frederico Menezes.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

SETEMBRO AMARELO: CINCO LEMBRETES ANTISSUICÍDIO




Cinco lembretes Antissuicídio

1 – A vida não se acaba com a morte
A morte não significa o fim, mas somente uma passagem para uma outra vida: a espiritual.

2 – Os problemas não se acabam com a morte
 Eles são provas ou expiações que nos possibilitam a evolução espiritual, quando os enfrentamos com coragem e serenidade. Quem acredita estar escapando dos problemas pela porta do suicídio, está somente adiando a sua solução.

3 – O sofrimento não se acaba com a morte
O suicídio só faz aumentar o sofrimento. Os espíritos de suicidas que puderam se comunicar conosco descrevem as dores terríveis que tiveram de sofrer, ao adentrar o Mundo Espiritual, devido ao rompimento abrupto dos liames entre o espírito e o corpo. Para alguns suicidas,  o desligamento é tão difícil, que eles chegam a sentir seu corpo se decompondo. Além disso, há o remorso por ter transgredido a lei de Deus, perante a qual suicidar-se equivale a cometer um assassinato.

4 – A morte não apaga as nossas faltas
A responsabilidade pelas faltas cometidas é inevitáveis e intransferíveis. Elas permanecem em nossa consciência até que as reparemos.

5 – A Doutrina Espírita propicia esperança e consolação quando oferece a certeza da continuidade infinita da vida, que é tanto mais feliz quanto melhor suportamos as provas do presente.

Rita Foelker


Para compreender mais o tema, leia as postagens seguintes:

sábado, 4 de maio de 2013

O SUICÍDIO PARA O ESPIRITISMO - O LIVRO DOS ESPÍRITOS

SUICÍDIO É ILUSÃO. NÃO SE MATE, VOCÊ NÃO MORRE.


DESGOSTO DA VIDA. SUICÍDIO

943. Donde nasce o desgosto da vida, que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos?
“Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade. Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto obra com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera.”

944. Tem o homem o direito de dispor da sua vida?
“Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.”
a) Não é sempre voluntário o suicídio?
“O louco que se mata não sabe o que faz.”

 945. Que se deve pensar do suicídio que tem como causa o desgosto da vida?
“Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes teria sido tão pesada.”

 946. E do suicídio cujo fim é fugir, aquele que o comete, às misérias e às decepções deste mundo?
“Pobres Espíritos, que não têm a coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que carecem de energia e de coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Ai, porém, daqueles que esperam a salvação do que, na sua impiedade, chamam acaso, ou fortuna! O acaso, ou a fortuna, para me servir da linguagem deles, podem, com efeito, favorecê-los por um momento, mas para lhes fazer sentir mais tarde, cruelmente, a vacuidade dessas palavras.”
a) — Os que hajam conduzido o desgraçado a esse ato de desespero sofrerão as conseqüências de tal proceder?
“Oh! esses, ai deles! Responderão como por um assassínio.”

 947. Pode ser considerado suicida aquele que, a braços com a maior penúria, se deixa morrer de fome?
“É um suicídio, mas os que lhe foram causa, ou que teriam podido impedi-lo, são mais culpados do que ele, a quem a indulgência espera. Todavia, não penseis que seja totalmente absolvido, se lhe faltaram firmeza e perseverança e se não usou de toda a sua inteligência para sair do atoleiro. Ai dele, sobretudo, se o seu desespero nasce do orgulho. Quero dizer: se for quais homens em quem o orgulho anula os recursos da inteligência, que corariam de dever a existência ao trabalho de suas mãos e que preferem morrer de fome a renunciar ao que chamam sua posição social! Não haverá mil vezes mais grandeza e dignidade em lutar contra a adversidade, em afrontar a crítica de um mundo fútil e egoísta, que só tem boa vontade para com aqueles a quem nada falta e que vos volta as costas assim precisais dele? Sacrificar a vida à consideração desse mundo é estultícia, porquanto ele a isso nenhum apreço dá.”

 948. É tão reprovável, como o que tem por causa o desespero, o suicídio daquele que procura escapar à vergonha de uma ação má?
“O suicídio não apaga a falta. Ao contrário, em vez de uma, haverá duas. Quando se teve a coragem de praticar o mal, é preciso ter-se a de lhe sofrer as conseqüências. Deus, que julga, pode, conforme a causa, abrandar os rigores de sua justiça.”

 949. Será desculpável o suicídio, quando tenha por fim obstar a que a vergonha caia sobre os filhos, ou sobre a família?
“O que assim procede não faz bem. Mas, como pensa que o faz, Deus lhe leva isso em conta, pois que é uma expiação que ele se impõe a si mesmo. A intenção lhe ate-nua a falta; entretanto, nem por isso deixa de haver falta. Demais, eliminai da vossa sociedade os abusos e os preconceitos e deixará de haver desses suicídios.”
Aquele que tira a si mesmo a vida, para fugir à vergonha de uma ação má, prova que dá mais apreço à estima dos homens do que à de Deus, visto que volta para a vida espiritual carregado de suas iniqüidades, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida corpórea. Deus, geralmente, é menos inexorável do que os homens. Perdoa aos que sinceramente se arrependem e atende à reparação. O suicida nada repara.

 950. Que pensar daquele que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor?
“Outra loucura! Que faça o bem e mais certo estará de lá chegar, pois, matando-se, retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma idéia falsa. Uma falta, seja qual for, jamais abre a ninguém o santuário dos eleitos.”

951. Não é, às vezes, meritório o sacrifício da vida, quando aquele que o faz visa salvar a de outrem, ou ser útil aos seus semelhantes?
“Isso é sublime, conforme a intenção, e, em tal caso, o sacrifício da vida não constitui suicídio. Mas, Deus se opõe a todo sacrifício inútil e não o pode ver de bom grado, se tem o orgulho a manchá-lo. Só o desinteresse torna meritório o sacrifício e, não raro, quem o faz guarda oculto um pensamento, que lhe diminui o valor aos olhos de Deus.”
Todo sacrifício que o homem faça à custa da sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque resulta da prática da lei de caridade. Ora, sendo a vida o bem terreno a que maior apreço dá o homem, não comete atentado o que a ela renuncia pelo bem de seus semelhantes: cumpre um sacrifício. Mas, antes de o cumprir, deve refletir sobre se sua vida não será mais útil do que sua morte.

 952. Comete suicídio o homem que perece vítima de paixões que ele sabia lhe haviam de apressar o fim, porém a que já não podia resistir, por havê-las o hábito mudado em verdadeiras necessidades físicas?
“É um suicídio moral. Não percebeis que, nesse caso, o homem é duplamente culpado? Há nele então falta de coragem e bestialidade, acrescidas do esquecimento de Deus.”
a) — Será mais, ou menos, culpado do que o que tira a si mesmo a vida por desespero?
“É mais culpado, porque tem tempo de refletir sobre o seu suicídio. Naquele que o faz instantaneamente, há, muitas vezes, uma espécie de desvairamento, que alguma coisa tem da loucura. O outro será muito mais punido, por isso que as penas são proporcionadas sempre à consciência que o culpado tem das faltas que comete.”

 953. Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?
“É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, malgrado às aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?”
a) — Concebe-se que, nas circunstâncias ordinárias, o suicídio seja condenável; mas, estamos figurando o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é encurtada de alguns instantes.
“É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.”
b) — Quais, nesse caso, as conseqüências de tal ato?
“Uma expiação proporcionada, como sempre, à gravidade da falta, de acordo com as circunstâncias.”

 954. Será condenável uma imprudência que compromete a vida sem necessidade?
“Não há culpabilidade, em não havendo intenção, ou consciência perfeita da prática do mal.”

 955. Podem ser consideradas suicidas e sofrem as conseqüências de um suicídio as mulheres que, em certos países, se queimam voluntariamente sobre os corpos dos maridos?
“Obedecem a um preconceito e, muitas vezes, mais à força do que por vontade. Julgam cumprir um dever e esse não é o caráter do suicídio. Encontram desculpa na nulidade moral que as caracteriza, em a sua maioria, e na ignorância em que se acham. Esses usos bárbaros e estúpidos desaparecem com o advento da civilização.”

956. Alcançam o fim objetivado aqueles que, não podendo conformar-se com a perda de pessoas que lhes eram caras, se matam na esperança de ir juntar-se-lhes?
“Muito diverso do que esperam é o resultado que colhem. Em vez de se reunirem ao que era objeto de suas afeições, dele se afastam por longo tempo, pois não é possível que Deus recompense um ato de covardia e o insulto que lhe fazem com o duvidarem da sua providência. Pagarão esse instante de loucura com aflições maiores do que as que pensaram abreviar e não terão, para compensá-las, a satisfação que esperavam.” (934 e seguintes)

 957. Quais, em geral, com relação ao estado do Espírito, as conseqüências do suicídio?
“Muito diversas são as conseqüências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma conseqüência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento. Mas, a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.”
A observação, realmente, mostra que os efeitos do suicídio não são idênticos. Alguns há, porém, comuns a todos os casos de morte violenta e que são a conseqüência da interrupção brusca da vida. Há, primeiro, a persistência mais prolongada e tenaz do laço que une o Espírito ao corpo, por estar quase sempre esse laço na plenitude da sua força no momento em que é partido, ao passo que, no caso de morte natural, ele se enfraquece gradualmente e muitas vezes se desfaz antes que a vida se haja extinguido completamente. As conseqüências deste estado de coisas são o prolongamento da perturbação espiritual, seguindo-se à ilusão em que, durante mais ou menos tempo, o Espírito se conserva de que ainda pertence ao número dos vivos. (l55 e 165)
A afinidade que permanece entre o Espírito e o corpo produz, nalguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo no Espírito, que, assim, a seu mau grado, sente os efeitos da decomposição, donde lhe resulta uma sensação cheia de angústias e de horror, estado esse que também pode durar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção. Não é geral este efeito; mas, em caso algum, o suicida fica isento das conseqüências da sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia, de um modo ou de outro, a culpa em que incorreu. Assim é que certos Espíritos, que foram muito desgraçados na Terra, disseram ter-se suicidado na existência precedente e submetido voluntariamente a novas provas, para tentarem suportá-las com mais resignação. Em alguns, verifica-se uma espécie de ligação à matéria, de que inutilmente procuram desembaraçar-se, a fim de voarem para mundos melhores, cujo acesso, porém, se lhes conserva interdito. A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil, pois que só decepções encontram. A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Entretanto, por que não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de pôr termo aos seus sofrimentos? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta, somente por constituir infração de uma lei moral, consideração de pouco peso para certos indivíduos, mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, antes o contrário é o que se dá, como no-lo ensinam, não a teoria, porém os fatos que ele nos põe sob as vistas.