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quinta-feira, 18 de junho de 2020

O RAMO DA VIDEIRA E O ESPIRITISMO

Cepa Espírita da 1ª edição de O Livro dos Espírito (1857)


            O Espiritismo não possui um símbolo que o represente, priorizando uma linguagem denotativa. No entanto, o ramo da videira espírita ou cepa espírita, presente em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec,  que é a única gravura usada por Kardec na Codificação Espírita – é considerado pela Doutrina como a imagem metafórica perfeita da relação entre o espírito e o corpo humano, sendo uma representação gráfica da obra divina e tem sido usada normalmente como emblema do Espiritismo, embora absolutamente não constitua um símbolo sagrado.

Esta arte tem origem mediúnica, indicado por Espíritos para compor a obra, que marcaria o inicio da Doutrina Espírita. Quando Kardec já estava em trabalho para lançar O Livro dos Espíritos, ele recebeu uma comunicação mediúnica (a identidade do médium é desconhecida), esta mensagem foi assinada por vários espíritos, cujo texto seria utilizado dentro do prefácio do livro, intitulado “Prolegômenos”, que é a noção para os estudos. O referido parágrafo assim se expressa:

“Coloca no cabeçalho do livro a cepa de vinha que te desenhamos(1), porque ela é o emblema do trabalho do Criador; todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o espírito nela se encontram reunidos: o corpo é o tronco; o espírito é o licor; a alma ou o espírito unido à matéria é o grão. O homem purifica o espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o espírito adquire conhecimentos.”

(1)  Nota de rodapé de Kardec: A cepa da página anterior é o fac-símile daquela que foi desenhada pelos Espíritos.

Como está explicado na comunicação, o desenho representa o Trabalho de Deus, ou seja, a Criação. Embora pareça ilustrar especificamente a criação dos espíritos (os seres inteligentes, indivíduos, pessoas), não deixa de representar também o princípio material (da qual se originam os corpos físicos, substâncias, planetas etc.), ao se referir ao “corpo”, assim como o termo “espírito” pode representar o princípio espiritual (do qual se originam as individualidades, ou seja, os espíritos). 

O Galho da Videira – que dá sustentação aos frutos, significa a forma física, quer dizer, o corpo humano, pois é esse envoltório físico que possibilita a manifestação do espírito no mundo material.

O Licor da Uva – a essência, o líquido que contém o sabor, significa o espírito, pois este é a própria essência do Ser, a consciência, o indivíduo.

O Bago – a uva, a parte carnosa que contém o licor, é a representação da alma (espírito encarnado), da ligação entre o espírito e o organismo físico, intermediada pelo perispírito.



É interessante o tipo de fruto escolhido pelos espíritos para a representação da Obra Divina. A uva é a típica matéria-prima do vinho -  a bebida sagrada de varias religiões. Porém, desconsiderando esse caráter sacro, podemos supor que a escolha da espiritualidade tenha sido em função do valor histórico desta iguaria, uma vez que o seu cultivo data para mais de 6.000 a.C. e atravessa as mais tradicionais civilizações, sendo cultivado hoje em toda a parte do planeta – portanto, um fruto global.

A arte da cepa – a única utilizada na codificação espírita – tem sido bastante difundida como emblema do Espiritismo, contudo, simplesmente como metáfora, não tendo o caráter de símbolo sagrado ou mesmo de insígnia oficial, uma vez que o Espiritismo tem como um de seus fundamentos ser uma doutrina totalmente desprovida de formalidades, de liturgia, ritual, etc. Dois detalhes relacionados ao desenho da cepa espírita dão ênfase a esse desprovimento doutrinário:

1) A comunicação endereçada a Kardec indicava expressamente que a imagem fosse posta na cabeceira do livro. No entanto, ela foi reproduzida na seção intitulada prolegâmenos, já depois da introdução. A “não obediência” do codificador a essa indicação pode ter sido devido questões técnicas, afinal, em seu tempo, os recursos gráficos eram limitados e caríssimos. Entretanto, se fosse admitido o caráter sacra, não importasse como, o desenho deveria figurar-se na capa do livro.

2) O desenho original, reproduzido na edição de lançamento de  O Livro dos Espíritos, não é o mesmo que aparece na 2ª edição (veja o quadro a seguir), cuja alteração, fosse o caso de simbolismo religioso, poderia ser considerado adulteração. A “despreocupação” do codificador reflete bem o que importante é realmente a mensagem , não a forma.



Fonte: O Livro dos Espíritos
Site: Enciclopédia Espírita Online 



terça-feira, 14 de maio de 2019

O CONTROLE UNIVERSAL DO ENSINAMENTO DOS ESPÍRITOS

O texto abaixo está contido no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Karde, na introdução da obra, item II. Em que Kardec explica como se deu o recebimento da Doutrina e como se deu o controle dos ensinamentos passados pelos Espíritos Superiores. 
Há várias edições de editoras diversas dos livros acima,
em que as capas mudam, mas o conteúdo é o mesmo. 


        Se a Doutrina Espírita fosse uma concepção puramente humana, ela não teria por garantia senão as luzes daquele que a tivesse concebido; ora, ninguém neste mundo teria a pretensão fundada de possuir só para si a verdade absoluta. Se os Espíritos que a revelaram tivessem se manifestado a um único homem, nada lhe garantiria a origem, porque seria preciso crer sobre a palavra em quem dissesse ter recebido seus ensinamentos. Admitindo uma perfeita sinceridade da sua parte, quando muito, poderia convencer as pessoas do seu meio; poderia ter seus seguidores, mas não chegaria jamais a reunir a todos. 

       Deus quis que a nova revelação chegasse aos homens por uma via mais rápida e mais autentica; por isso encarregou os Espíritos de irem levá-la de um polo a outro, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir sua palavra. Um homem pode ser enganado, pode enganar a si mesmo, mas isso não ocorreria quando milhões veem e ouvem a mesma coisa: é uma garantia para cada um e para todos. Aliás, pode-se fazer desaparecer um homem, mas não se pode fazer desaparecerem as massas; podem-se queimar os livros, mas não se podem queimar os Espíritos; ora, queimem-se os livros, e a fonte da doutrina não seria, por isso, menos inesgotável, pelo fato mesmo de que ela não está na Terra, as surge de toda parte e cada um a pode haurir. Na falta dos homens para propagá-la, haverá sempre os Espíritos, que alcançam todo o mundo e que ninguém pode atingir.

        São, pois, os próprios Espíritos, em realidade, que fazem a propaganda, com a ajuda dos inumeráveis médiuns que eles suscitam de todos os lados. Se não tivesse havido um interprete único, por mais favorecido que fosse, o Espiritismo seria mal conhecido; o próprio intérprete, a qualquer classe que pertencesse, teria sido objeto de prevenções da parte de muitas pessoas; todas as nações não o teriam aceitado, ao passo que os Espíritos se comunicando por toda a parte, a todos os povos, a todas as seitas e a todos os partidos, são aceitos por todos. O Espiritismo não tem nacionalidade, está fora de todos os cultos particulares e não foi imposto por nenhuma classe social, uma vez que cada um pode receber instruções de seus parentes e de seus amigos de além-túmulo. Era preciso que fosse assim para que se pudessem chamar todos os homens à fraternidade; se não tivesse se colocado sobre um terreno neutro, ele teria mantido as dissensões ao invés de apaziguá-las.

        Esta universalidade no ensinamento dos Espíritos faz a força do Espiritismo, e é também a causa da sua propagação tão rápida; ao passo que a voz de um único homem, mesmo com o socorro da imprensa, empregaria séculos antes de chegar ao ouvido de todos, eis que milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente sobre todos os pontos da Terra, para proclamar os mesmos princípios, e transmiti-los aos mais ignorantes e aos mais sábios, a fim de que ninguém seja deserdado. É uma vantagem da qual não gozou nenhuma das doutrinas que surgiram até hoje. Se, pois, o Espiritismo é uma verdade, ele não teme nem a má vontade dos homens, nem as revoluções morais, nem as comoções físicas do globo, porque nenhuma dessas coisas pode atingir os Espíritos.

(...)

        Sabe-se que os Espíritos, em consequência da diferença que existe e suas capacidades, estão longe de, individualmente, estarem na posse de toda a verdade; que não é dado a todos penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens, e menos que certos homens; que há entre eles, como entre estes últimos, presunçosos e pseudo-sábios que creem saber o que não sabem e sistemáticos que tomam suas ideias pela verdade; enfim, que os Espíritos de ordem mais elevada, aqueles que estão completamente desmaterializados, são os únicos despojados das ideias e preconceitos terrestres; mas sabe-se também que os Espíritos enganadores não tem escrúpulos em se abrigarem sob nomes que tomam emprestados, para fazerem aceitar suas utopias. Disso resulta que, para tudo o que está fora do ensinamento exclusivamente moral, as revelações que cada um pode obter tem um caráter individual, sem autenticidade; que elas devem ser consideradas como opiniões pessoais de tal ou tal Espírito, e que haveria imprudência em aceitá-las e promulgá-las levianamente como verdades absolutas.

        O primeiro controle é, sem contradita, o da razão, ao qual é preciso submeter, sem exceção, tudo o que vem dos Espíritos; toda teoria em contradição manifesta com o bom senso, como uma lógica rigorosa e com os dados positivos que se possui, com qualquer nome respeitável que esteja assinada, deve ser rejeitada. Mas esse controle é incompleto em muitos casos, em consequência da insuficiência de luzes de certas pessoas, e da tendência de muitos em tomar seu próprio julgamento por único árbitro da verdade. Em semelhante caso, que fazem os homens que não tem em si mesmos uma confiança absoluta? Eles tomam o conselho de maior número, e a opinião da maioria é seu guia. Assim deve ser com respeito ao ensinamento dos Espíritos, que nos fornecem, eles mesmos, os meios de controle.

         A concordância no ensinamento dos Espíritos é, pois, o melhor controle; mas é preciso, ainda, que ela ocorra em certas condições. A menos segura de todas é quando o próprio médium interroga vários Espíritos sobre um ponto duvidoso; é bem evidente que, se está sob o império de uma obsessão ou se relaciona com um Espírito enganador, esse Espírito pode lhe dizer a mesma coisa sob nomes diferentes. Não há uma garantia suficiente na conformidade que se pode obter pelos médiuns de um único centro, porque eles podem sofrer a mesma influência.

         A garantia única, séria, do ensinamento dos espíritos está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente, por intermédio de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares.

        Concebe-se que não se trata aqui de comunicações relativas a interesses secundários, mas das que se prendem aos próprios princípios da doutrina. A experiência prova que, quando um princípio novo deve receber sua solução, ele é ensinado espontaneamente sobre diferentes pontos ao mesmo tempo, e de maneira idêntica, se não quanto à forma, pelo menos quanto ao fundo. Se, pois, apraz a um Espírito formular um sistema excêntrico, baseado sobre suas próprias ideias, e fora da verdade, pode-se estar certo que esse sistema ficará circunscrito,e cairá diante da unanimidade das instruções dadas por toda parte, alhures, como já se tem disso vários exemplos. Foi esta unanimidade que fez cair todos os sistemas parciais que despontaram na origem do Espiritismo, quando cada um explicava os fenômenos à sua maneira, e antes que se conhecessem as leis que regem as relações do mundo visível e do mundo invisível.

        Tal é a base a qual nos apoiamos quando formulamos um princípio da doutrina; não é porque está de acordo com as nossas ideias que o damos como verdadeiro; não nos colocamos, de modo algum, como árbitro supremo da verdade, e não dizemos a ninguém: “Crede em tal coisa, porque nós vo-la dizemos”. Nossa opinião não é, aos nossos próprios olhos, senão uma opinião pessoal que pode ser justa ou falsa, porque não somos mais infalíveis que um outro. Não é porque um princípio nos é ensinado que ele é para nós a verdade, mas porque recebeu a sanção da concordância.

        Na nossa posição, recebemos as comunicações de perto de mil centros espíritas sérios,disseminados sobre os diversos pontos do globo, estamos em condições de ver os princípios sobre os quais essa concordância se estabelece; é esta observação que nos tem guiado até hoje, e é, igualmente, a que nos guiará nos novos campos a que o Espiritismo está chamado a explorar. É assim que, estudando atentamente as comunicações chegadas de diversas partes, tanto da França como do exterior, reconhecemos, na natureza toda especial das revelações, que há tendência para entrar em um novo caminho, e que é chegado o momento de dar um passo à frente. Essas revelações, por vezes feitas com palavras veladas, frequentemente, passaram desapercebidas para muitos daqueles que as obtiveram; muitos outros acreditam tê-las com exclusividade. Tomadas isoladamente, para nós seria sem valor; só a coincidência lhes dá gravidade; depois, quando é chegado o momento de liberá-las à luz da publicidade, cada um, então se lembra de ter recebido instruções no mesmo sentido. É este o movimento geral que observamos, que estudamos, com a assistência dos nossos guias espirituais, e que nos ajuda a julgar da oportunidade para fazermos uma coisa ou dela nos abstermos.

       Este controle universal é uma garantia para a unidade futura do Espiritismo, e anulará todas as teorias contraditórias. É nele que, no futuro, se procurará o critério da verdade. O que fez o sucesso da doutrina formulada em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns, foi que, por toda parte, cada um pode receber diretamente dos Espíritos a confirmação do que eles contêm. Se, de todas as partes, os Espíritos tivessem vindo contradizê-los, esses livros teriam, depois de tanto tempo, suportado a sorte de todas as concepções fantásticas. O próprio apoio da imprensa não os teria salvo do naufrágio, ao passo que, privados desse apoio, não tiveram um caminho menos rápido, porque tiveram o apoio dos Espíritos, cuja boa vontade compensou, em muito, a má vontade dos homens. Assim o será com todas as ideias emanadas dos Espíritos ou de homens que não puderam suportar a prova deste controle, do qual ninguém pode contestar o poder.

(...)

        O princípio da concordância é, ainda, uma garantia contra as alterações que poderiam infligir ao Espiritismo as seitas que gostariam de se apoderar dele em seu proveito, e acomodá-lo à sua maneira. Quem tentasse desviá-lo do seu objetivo providencial, fracassaria, pela simples razão de que os Espíritos, pela universalidade de seu ensinamento, farão cair toda modificação que se afaste da verdade.

        Resulta de tudo isso uma verdade capital: é que quem quisesse se colocar contra a corrente de ideias, estabelecidas e sancionadas, poderia causar uma pequena perturbação local e momentânea, mas jamais dominar o conjunto, mesmo no presente, e ainda menos no futuro.

        Disso resulta mais: que as instruções dadas pelos Espíritos sobre os pontos da doutrina ainda não elucidados, não seriam lei, porquanto ficariam isoladas; que elas não devem, por conseguinte, ser aceitas senão com todas as reservas e a título de informação.

        Daí a necessidade de se ter, na sua publicação, a maior prudência, e, no caso em que se acreditasse dever publicá-las, importaria não as apresentar senão coo opiniões individuais, mais ou menos prováveis, mas tendo, em todos os casos, necessidade de confirmação. É esta confirmação que se precisa alcançar antes de se apresentar um princípio como verdade absoluta, se não se quer ser acusado de leviandade ou de credulidade irrefletida.

        Os Espíritos superiores procedem, nas suas revelações, com uma extrema sabedoria; eles não abordam as grandes questões da doutrina senão gradualmente, à medida que a inteligência está apta a compreender verdades de uma ordem mais elevada, e que as circunstâncias são propícias para a emissão de uma ideia nova. É por isso que, desde o princípio, eles não disseram tudo, e não disseram tudo ainda hoje, não cedendo jamais à impaciência de pessoas apressadas que querem colher os frutos antes de amadurecidos. Seria, pois, supérfluo querer antecipar o tempo assinalado para cada coisa pela Providência, porque então, os Espíritos verdadeiramente sérios recusariam positivamente seu concurso; mas os Espíritos levianos, pouco se incomodando com a verdade, respondem a tudo; é por essa razão que, sobre todas as questões prematuras, há sempre respostas contraditórias.

        Os princípios acima não são o resultado de uma teoria pessoal, mas a consequência inevitável das condições nas quais os espíritos se manifestam. É evidente que, se um espírito diz uma coisa de um lado, enquanto que milhões de espíritos dizem o contrario alhures, a presunção da verdade não pode estar com aquele que está só, ou quase só na sua opinião ora, pretender ter razão sozinho contra todos, seria tão ilógico da parte de um espírito, como da parte dos homens. Os espíritos verdadeiramente sábios, se não se sentem suficientemente esclarecidos sobre uma questão, não a decidem jamais de um modo absoluto; eles declaram não tratá-la senão sob seu ponto de vista, e aconselham esperar sua confirmação.

        Por grande, bela e justa que seja uma ideia, é impossível que ela reúna, desde o princípio, todas as opiniões. Os conflitos que dela resultam são a consequência inevitável do movimento que se opera; são mesmo necessários para melhor fazer ressaltar a verdade, e é útil que eles ocorram no princípio para que as ideias falsas sejam mais prontamente desgastadas. Os espíritas que nisso concebessem alguns temores devem estar, pois, tranquilizados. Todas as pretensões isoladas cairão, pela força das coisas, diante do grande e poderoso critério do controle universal.

        Não é à opinião de um homem que se deverá aliar-se, mas à voz unânime dos espíritos; não é um homem, não mais nós que um outro, que fundará a ortodoxia espírita; não é, tampouco, um espírito vindo se impor a quem quer que seja; é a universalidade dos espíritos se comunicando sobre toda a Terra por ordem de Deus; aí está o caráter essencial da doutrina espírita, sua força e sua autoridade. Deus quis que sua lei fosse assentada sobre uma base inabalável, por isso não a fez repousar sobre a cabeça frágil de um único homem.

(...)


Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Introdução – item II.


sexta-feira, 26 de abril de 2019

AS DÚVIDAS MAIS FREQUENTES SOBRE A DOUTRINA ESPÍRITA

Confira algumas das Dúvidas mais frequentes enviadas à Federação Espírita Brasileira (FEB) e suas respostas, embasadas na Doutrina Espírita. São mais esclarecimentos sobre como é, o que é o Espiritismo. Para quem está conhecendo agora a Doutrina Espírita é um ótimo meio de instrução,e para quem já conhece não custa nada ler e aprender mais ainda: 


• O que é o Espiritismo?
É o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas
Allan Kardec
obras de Allan Kardec que constituem a Codificação Espírita: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.
“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.” Allan Kardec (O que é o Espiritismo – Preâmbulo)
“O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.” Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo – cap. VI – 4)

• O que é reencarnação?
Os Espíritos reencarnam tantas vezes quantas forem necessárias ao seu aprimoramento. O objetivo da reencarnação é a evolução.

• O que é mediunidade?
A mediunidade, que permite a comunicação dos Espíritos com os homens, é uma faculdade que muitas pessoas trazem consigo ao nascer, independentemente da religião ou da diretriz doutrinária de vida que adotem. Mas atenção: prática mediúnica espírita só é aquela que é exercida com base nos princípios da Doutrina Espírita e dentro da moral cristã. Portanto, em hipótese alguma o médium poderá cobrar dinheiro, exigir ou aceitar qualquer forma de recompensa (presentes, dádivas, agrados, etc.) por suas atividades mediúnicas.

• O que são os Espíritos?
Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo. Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade. Os Espíritos preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação.

• O que o Espiritismo informa sobre Jesus?

Jesus é o guia e modelo para toda a Humanidade. E a Doutrina que ensinou eexemplificou é a expressão mais pura da Lei de Deus. A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade.

• Onde vivem e o que fazem os Espíritos desencarnados?
Além do mundo corporal, habitação dos Espíritos encarnados, que são os homens, existe o mundo espiritual, habitação dos Espíritos desencarnados. Eles estudam, trabalham e desenvolvem diversas atividades no mundo espiritual.

• O Espiritismo tem entre seus princípios a crença em Deus?
Sim. O Espiritismo explica que Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. É eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom. O Universo é criação de Deus. Abrange todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais. Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor. Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.

• O Espiritismo tem, entre seus princípios, a existência de vida em outros mundos?
Sim. A Doutrina Espírita esclarece que no Universo há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de evolução: iguais, mais evoluídos e menos evoluídos que os homens.

• Quantos adeptos do Espiritismo há no Brasil?
De acordo com o Censo 2010 (IBGE), há 3,8 milhões de espíritas no Brasil.

• Quantos Centros Espíritas existem no Brasil?
Cadastrados junto à Federação Espírita Brasileira há 14 mil Centros Espíritas.

• Os Espíritos sabem todas as coisas?
Os Espíritos são as almas dos homens que já perderam o corpo físico. A exemplo do que observamos na Humanidade encarnada, o conhecimento que eles têm é correspondente ao seu grau de adiantamento moral e intelectual. A morte é uma passagem para a vida espiritual e não dá valores morais ou de inteligência a quem não os tem.

• Os Espíritos podem reencarnar em corpos de animais?
Não. Os Espíritos evoluem sempre. Em suas múltiplas existências corpóreas podem estacionar, mas nunca regridem. A rapidez do seu progresso intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à perfeição.

• Espiritismo é o mesmo que Umbanda ou Candomblé?
Não. O Espiritismo é uma doutrina que surgiu na França, em 1857. O Candomblé (de origem africana) e a Umbanda (originária do Brasil) são doutrinas espiritualistas.

• Todos os Espíritos são iguais?
Não. Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado: Espíritos Puros, que atingiram a perfeição máxima; Bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina; Espíritos Imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas paixões inferiores.

• Somente pelo Espiritismo se pode ter contato com os Espíritos?
Não. As relações dos Espíritos com os homens são constantes e sempre existiram. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, sustentam-nos nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os imperfeitos nos induzem ao erro.

• O que é lei de causa e efeito?

É uma lei criada por Deus e que dispõe que o homem tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas consequências de suas ações. O que fazemos de mal e de bem retornará para nós nessa mesma vida ou em existência posteriores. A vida futura reserva aos homens penas e gozos compatíveis com o procedimento de respeito ou não à Lei de Deus.

• O que é a prece, de acordo com o Espiritismo?
A prece é um ato de adoração a Deus. Está na lei natural e é o resultado de um sentimento inato no homem, assim como é inata a ideia da existência do Criador. A prece torna melhor o homem. Aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. É este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.
                                  
                                   

• Nas instituições espíritas há algum tipo de pagamento?
Não. Toda a prática espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do Evangelho: “Dai de graça o que de graça recebestes”.

• O Espiritismo revela algo novo?
Sim. O Espiritismo revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida. Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.

• O Espiritismo tem rituais ou sacerdotes?
Não. A prática espírita é realizada com simplicidade, sem nenhum culto exterior, dentro do princípio cristão de que Deus deve ser adorado em espírito e verdade. O Espiritismo não tem sacerdotes e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior.

• O Espiritismo é proselitista? Existem campanhas para que as pessoas se tornem Espíritas.
Não. O Espiritismo não impõe jamais os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-lo a submeterem os seus ensinos ao crivo da razão, antes de aceitá-los.

• Como o Espiritismo se relaciona com as demais religiões?
O Espiritismo respeita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre todos os povos e entre todos os homens, independentemente de sua raça, cor, nacionalidade, crença, nível cultural ou social. Reconhece que “o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza”.



Fonte: Conteúdo do texto do Site da Federação Espírita Brasileira. 
Imagens colocadas pelo Blog Jardim Espírita, para ilustrar a postagem.



quinta-feira, 25 de maio de 2017

ESPERANÇA

Porque tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenham esperança. 
– Paulo (Romanos, 15:4.)

             A esperança é a luz do cristão.

            Nem todos conseguem, por enquanto, o voo sublime da fé, mas a força da esperança é tesouro comum.

           Nem todos podem oferecer, quando querem, o pão do corpo e a lição espiritual, mas ninguém na Terra está impedido de espalhar os benefícios da esperança.

           A dor costuma agitar os que se encontram no “vale da sombra e da morte”, onde o medo estabelece atritos e onde a aflição percebe o “ranger de dentes”, nas “trevas exteriores”, mas existe a luz interior que é a esperança.

          A negação humana declara falências, lavra atestados de impossibilidade, traça inextricáveis labirintos, no entanto, a esperança vem de cima, à maneira do Sol que ilumina do alto e alimenta as sementeiras novas, desperta propósitos diferentes, cria modificações redentoras e descerra visões mais altas.

          A noite espera o dia; a flor, o fruto; o verme, o porvir... O homem, ainda mesmo que se mergulhe na descrença ou na dúvida, na lágrima ou na dilaceração, será socorrido por Deus com a indicação do futuro.

         Jesus, na condição de Mestre divino, sabe que os aprendizes nem sempre poderão acertar inteiramente, que os erros são próprios da escola evolutiva e, por isto mesmo, a esperança é um dos cânticos sublimes do seu Evangelho de Amor.

        Imensas tem sido, até hoje, as nossas quedas, mas a confiança do Cristo é sempre maior. Não nos percamos em lamentações. Todo momento é instante de ouvir Aquele que pronunciou o “Vinde a mim...”

        Levantemo-nos e prossigamos, convictos de que o Senhor nos ofereceu a luz da esperança, a fim de acendermos em nós mesmos a luz da santificação espiritual.

Pelo Espírito Emmanuel.
Psicografia de Chico Xavier.

Fonte: Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Chico Xavier. Coleção Fonte Viva.





“Fortalecemos nossa esperança em dias melhores, em nós mesmos e acima de tudo em Deus. Que como um Pai não deixa nenhum do seus filhos desamparados, segundo a sua obra. Que na escuridão da caminhada evolutiva os ensinos do Evangelho que Cristo nos trouxe possa ser a luz nos momentos escuros e a esperança de claridade futura. Que tenhamos a certeza que nunca estaremos desamparados, que o Amor de Deus, imensurável para nós, sempre está nos auxiliando, seja das maneiras mais desconhecidas e mais inesperadas que possamos imaginar. Que a luz de Mestre Jesus e sua energia nos ampare sempre, e que fortaleça a nossa esperança no futuro, no amor, na caridade... Que a esperança sempre floresça em nossos corações como uma lida flor perfumada.” - Jardim Espírita. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

160 ANOS DO O LIVRO DOS ESPÍRITOS


         O Livros dos Espíritos, em francês - Le Livre des Esprits , publicado em 18 de abril de 1857, completa 160 anos de seu lançamento em 2017. O Livros dos Espíritos é o marco inicial da Doutrina Espírita, sendo o primeiro livro sobre o Espiritismo. Marcando também esta data de 18 de abril de 1857 a fundação do Espiritismo, que, até então, não possuía senão elementos esparsos sem coordenação, a partir desse momento, também, a doutrina fixa a atenção dos homens sérios (deixando para trás as distrações que eram as mesas girantes) e toma um desenvolvimento rápido. Em poucos anos, essas ideias acharam numerosos adeptos em todas as classes da sociedade e em todos os países. Esse sucesso, sem precedente, liga-se sem duvida as simpatias que essas ideias encontraram, mas deveu-se também, em grande parte, à clareza, que é um dos caracteres distintivos dos escritos do pedagogo, autor, tradutor, filosofo, educador Hippolyte Léon Denizard Rivail, que usou o pseudônimo de Allan Kardec para assinar todas as suas obras espíritas. Aproveitando seus recursos intelectuais e experiência no magistério, Kardec resolveu dar ao livro básico da codificação uma metodologia didática, a qual se revelou altamente indicada para as circunstâncias de implantação da nova doutrina. O método escolhido foi o de perguntas e respostas por parte dos espíritos, divididas em quatro grupos bem definidos de ideias, recebendo, cada um, o nome de parte ou “livro”.

         O Livros dos Espíritos foi lançado no Palais Royal (que é um palácio e jardim localizado no 1° arrondissement de Paris, França). A obra na forma de perguntas e respostas, os espíritos explicaram tudo o que a humanidade estava preparada para receber e compreender, esclarecendo-a quanto aos eternos enigmas de sabermos de onde viemos, por que aqui estamos, e para onde vamos, facilitando, assim, ao homem, a compreensão dos mais difíceis problemas que o envolvem. Allan Kardec, quando redigiu seus livros, escreveu para o povo, em linguagem simples.

   
     Originalmente em sua primeira edição contou com apenas 501 questões, mas três anos mais tarde, em 18 de março de 1860, Kardec lançou a segunda edição francesa de O Livros dos Espíritos. Para a segunda edição, Allan Kardec reuniu
Segunda edição de O Livro dos Espíritos
subsídios suficientes para publica-la, fundindo mais um conjunto de instruções que possuía, e aproveitando para dar à distribuição das matérias uma ordem muito mais metódica, inserindo notas explicativas, tendo O Livros dos Espíritos naquela reimpressão, sido revisto quase como um novo trabalho, embora os princípios não hajam sofrido nenhuma alteração, salvo pequeníssimo número de exceções, que são antes complementos e esclarecimentos que verdadeiras modificações. Para esta revisão, Kardec manteve contato com grupos espíritas de cerca de 15 países da Europa e das Américas. Foi nesta segunda edição que aparecem 1018 perguntas e respostas, sendo que algumas edições atuais trazem 1019 perguntas e respostas, acréscimo que, segundo a FEB (Federação Espírita Brasileira), foi devido a Kardec não ter numerado a pergunta imediatamente após a 1010, aquela que seria a 1011. Assim, sendo, o livro teria, na pratica 1019 e não, 1018 perguntas.


     

        Como um observador e cientifico que era, Kardec sempre usava diferentes
médiuns para atestar a veracidade das informações, além disso eram lhe enviadas varias mensagens psicografadas de diferentes lugares, cidades, países, que Kardec nunca esteve e que não conhecia os médiuns. É o Controle Universal do Ensino dos Espíritos, que Kardec definiu da seguinte forma: “Uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos – a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares diferentes.

            Foi Kardec que criou as palavras “espírita” e “ Espiritismo”, segundo as palavras do estudioso: “Para coisas novas, nomes novos”. Os estudos eram ininterruptos e, com diversos testes e análises racionais, sob crivos filosóficos, científicos e religioso.

        O Livro dos Espíritos, divide-se em quatro partes ou “livros” (como vimos no inicio da postagem) como comumente se dividiam as obras filosóficas à época, que abordam respectivamente:
Das causas primárias - abordando as noção de divindade, Criação e elementos fundamentais do Universo.

Do mundo dos Espíritos - analisando a noção de espírito e toda a série de imperativos que se ligam a esse conceito, a finalidade de sua existência, seu potencial de autoaperfeiçoamento, sua pré e sua pós-existência e ainda as relações que estabelece com a matéria.
Das leis morais - trabalhando com o conceito de Leis de ordem Moral a que estaria submetida toda a Criação, quais sejam as leis de: adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e justiça, amor e caridade.
Das esperanças e consolações - PENAS E GOZOS TERRENOS: 1) Felicidade e infelicidade relativas, 2) Perda de pessoas amadas; 3) Decepções, afeições destruídas; 4) Uniões antipáticas; 5) Medo da morte; 6) Desgosto da vida; suicídio. PENAS E GOZOS FUTUROS: 1) O nada; a vida futura; 2) Intuição das penas e dos gozos futuros; 3) Intervenção de Deus nas penas e recompensas; 4) Natureza das penas e dos gozos futuros; 5) Penas temporais; 6) Expiação e arrependimento; 7) Duração das penas futuras; 8) Ressurreição da carne; 9) Paraíso, inferno, purgatório, paraíso perdido.

“Com este livro, a 18 de abril de 1857, raiou para o mundo a era espírita (...) O livro dos espíritos é o código de uma nova fase da evolução humana. É exatamente essa a sua posição na história do pensamento. Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para o outro e depois esquecer num canto da estante. Nosso dever é estudá-lo e meditá-lo, lendo-o e relendo-o constantemente.Sobre este livro se ergue todo um edifício: o da doutrina espírita. Ele é a pedra fundamental do espiritismo, o seu marco inicial. O espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou, com ele se impôs e consolidou no mundo”– Herculano Pires

terça-feira, 13 de outubro de 2015

ALLAN KARDEC: MINHA PRIMEIRA INICIAÇÃO NO ESPIRITISMO


O texto a seguir está contido na segunda parte do livro Obras Póstumas, Allan Kardec. O próprio Kardec redigiu este relato, sobre a sua iniciação nos estudos da espiritualidade, o que iria formar posteriormente a Doutrina Espírita, o Espiritismo. Este relato nos possibilita de uma forma mais direta e íntima entender o inicio do Espiritismo, por meio das palavras do próprio Allan Kardec.


Foi em 1854 que ouvi falar, pela primeira vez, das mesas girantes. Um dia, encontrei o Sr. Fortier, o magnetizador, que conhecia há muito tempo; ele me disse: Sabeis a singular propriedade que se acaba de descobrir no magnetismo? Parece que não são somente os indivíduos que se magnetizam, mas as mesas que se fazem girar e caminhar à vontade. – “É muito singular, com efeito, respondi; mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode muito bem agir sobre os corpos inertes e fazê-los mover.” Os relatos, que os jornais publicaram, de experiências feitas em Nantes e Marselha, e em algumas outras cidades, não podiam deixar duvida sobre a realidade do fenômeno.

Algum tempo depois revi o Sr. Fortier, e ele me disse: “Eis que é muito mais extraordinário; não só se faz a mesa girar magnetizando-a, mas a faz falar; interrogada ela responde. – Isto, repliquei, é uma outra questão; crerei nisso quando o vir, e quando se me tiver provado que uma mesa tem um cérebro para pensar, nervos para sentir, e que possa se tornar sonâmbula; até lá, permiti-me nisso não ver senão uma história de fazer dormir.”

Este raciocínio era lógico; eu concebia a possibilidade do movimento por uma força mecânica, mas, ignorando a causa e a lei do fenômeno, parecia-me absurdo atribuir inteligência a uma coisa puramente material. Estava na posição dos incrédulos de nossos dias que negam porque não veem senão um fato do qual não se dão conta. Há 50 anos, se se tivesse dito, pura e simplesmente, a alguém que se podia transmitir um despacho a 500 léguas, e receber-lhe a resposta em uma hora, se vos riria na cara, não teriam faltado excelentes razões cientificas para provar que a coisa era materialmente impossível. Hoje, quando a lei da eletricidade é conhecida, isto não espanta ninguém, mesmo os camponeses. Ocorre o mesmo com todos os fenômenos espíritas ; para quem não conhece as leis que o regem, parecem sobrenaturais, maravilhosos, e, por consequência, impossíveis e ridículos; uma vez conhecida a lei, o maravilhoso desaparece; a coisa nada mais tem que repugne à razão, porque se lhe compreende a possibilidade.

Disso, estava, pois, no período de um fato inexplicado, em aparência contrário às leis da Natureza, e que a minha razão repelia. Ainda nada tinha visto, nem nada observado; as experiências, feitas na presença de pessoas honradas e dignas de fé, me confirmaram na possibilidade do efeito puramente material, mas a ideia de uma mesa falante não entrava ainda no meu cérebro.

No ano seguinte, era no começo de 1855, encontrei o Sr. Carlotti, um amigo de vinte e cinco anos, que me entreteve com esses fenômenos durante quase uma hora, com o entusiasmo que punha em todas as ideias novas. O Sr. Carlotti era Corso, de uma natureza ardente e enérgica; sempre estimara nele as qualidades que distinguem uma grande e bela alma, mas desconfiava de sua exaltação. Foi primeiro que me falou da intervenção dos espíritos, e me contou tantas coisas surpreendentes que, longe de me convencer, aumentou as minhas duvidas. Sereis um dia dos nossos, disse-me. Não digo não, respondi-lhe; veremos isso mais tarde.

Algum tempo depois, pelo mês de maio de 1855, me encontrei na casa da sonâmbula, Sra. Roger, com o Sr. Fortier, seu magnetizador; encontrei o Sr. Pâtiere a Sra. de Plainemaison que me falaram desses fenômenos no mesmo sentido do Sr. Carlotti, mas num outro tom. O Sr. Pâtier era um funcionário publico, de uma certa idade, homem muito instruído, de um caráter sério, frio e calmo; sua linguagem firme, isenta de todo entusiasmo, fez sobre mim uma viva impressão, e, quando me ofereceu para assistir às experiências, que ocorriam na casa da Sra. de Plainemaison, rua Grange-Batelière, nº 18, aceitei prontamente. O encontro foi marcado para a terça-feira, mas, às oito horas da noite.

Foi lá, pela primeira vez, que fui testemunha do fenômeno das mesas girantes, e isso em condições tais que não me era mais possível a duvida. Vi também algumas tentativas, muito imperfeitas, de escrita medianímica, sobre uma ardósia, com a ajuda de uma cesta. As minhas ideias estavam longe de ser detidas, mas havia ali um fato que deveria ter uma causa. Entrevi, sob essas futilidades aparentes e a espécie de jogo que se fazia desses fenômenos, alguma coisa de seria, e como a revelação de uma nova lei, que me prometia aprofundar.

Logo se ofereceu a ocasião de observar mais atentamente do que não o havia feito ainda. Num dos saraus da Sra. de Plainemaison, conheci a família Baudin, que morava então na rua Rochechouart. O Sr. Baudin ofereceu-me para assistir às sessões semanais que ocorriam em sua casa, e para as quais fui, desde esse momento, muito assíduo.

Essas reuniões eram bastante numerosas; além dos habituais, ali se admitia, sem dificuldade, a quem pedisse. As duas médiuns eram as Srtas. Baudin, que escreviam sobre uma ardósia com a ajuda de uma cesta, dita pião, descrita em O Livro dos Médiuns. Esse modo, que exige o concurso de duas pessoas, excluía toda possibilidade de participação das ideias do médium. Ali, vi comunicações seguidas, e respostas dadas às perguntas propostas, algumas vezes mesmo a perguntas mentais que acusavam, de maneira evidente, a intervenção de uma inteligência estranha.

Os assuntos tratados eram geralmente frívolos; ocupava-se ali sobretudo de todas as coisas ligadas à vida material, ao futuro, em uma palavra, a nada de verdadeiramente sério; a curiosidade e o divertimento eram os principais móveis dos assistentes. O espírito que se manifestava habitualmente, tomava o nome de Zéfiro, nome perfeitamente em relação com o seu caráter e o da reunião; todavia, era muito bom, e se declarara o protetor da família; frequentemente, se ele tinha a palavra para rir, sabia também, em caso de necessidade, dar sábios conselhos, e manejar, sendo o caso, o epigrama mordaz e espirituoso. Logo travamos conhecimento, e ele me deu, constantemente, provas de uma grande simpatia. Não era um espírito muito avançado, mas, mais tarde, assistido pelos espíritos superiores, me ajudou nos meus primeiros trabalhos. Disse depois que deveria se reencarnar, e dele não ouvi mais falar.

Foi lá que fiz os meus primeiros estudos sérios em Espiritismo, menos ainda pela revelação do que pela observação. Apliquei a essa nova ciência, como o fizera até então, o método da experimentação; jamais ocasionei teorias preconcebidas: observava atentamente, comparava, deduzia as consequências; dos efeitos procurava remontar às causas, pela dedução e o encadeamento lógico dos fatos, não admitindo uma explicação como válida senão quando podia resolver todas as dificuldades da questão. Foi assim que sempre procedi em meus trabalhos anteriores, desde a idade de 15 a 16 anos. Compreendi, desde logo, a seriedade da exploração que iria empreender; entrevi, nesses fenômenos, a chave do problema, tão obscuro e tão controverso, do passado e do futuro da Humanidade, a solução do que havia procurado em toda a minha vida; era, em uma palavra, toda uma revelação nas ideias e nas crenças; seria preciso, pois, agir com circunspecção, e não levianamente; ser positivo e não idealista, para não se deixar iludir.

Um dos primeiros resultados de minhas observações foi que os espíritos, não sendo outros senão as almas dos homens, não tinham a soberana sabedoria, nem a soberana ciência; que o seu saber estava limitado ao grau de seu adiantamento, e que a sua opinião não tinha senão o valor de uma opinião pessoal. Essa verdade, reconhecida desde o princípio, me preservou do grande escolho de crer em sua infalibilidade, e me impediu de formular teorias prematuras sobre o dizer de um só ou de alguns.

Só o fato da comunicação com os espíritos, seja o que for que se possa dizer, provava a existência do mundo invisível ambiente; era já um ponto capital, um campo imenso aberto à nossa exploração, a chave de uma multidão de fenômenos inexplicados; o segundo ponto, não menos importante, era o de conhecer o estado desse mundo, seus costumes, podendo-se assim se exprimir; vi logo que, cada espírito, em razão de sua posição pessoal e de seus conhecimentos, dele me desvendava uma fase, absolutamente como se chega a conhecer o estado de um país interrogando os habitantes de todas as classes e de todas as condições, cada um podendo nos ensinar alguma coisa, e nenhum, individualmente, não podendo nos ensinar tudo; cabe ao observador formar o conjunto com a ajuda de documentos recolhidos de diferentes lados, colecionados, coordenados e controlados uns pelos outros. Agi, pois, com os espíritos, como o teria feito com os homens; foram para mim, desde o menor ao maior, meios de me informar, e não reveladores predestinados.

Tais foram as disposições com as quais empreendi, e sempre persegui os meus estudos espíritas; observar, comparar e julgar, tal foi a regra constante quer segui.
Até as sessões na casa do Sr. Baudin, não tivera nenhum objetivo determinado; comecei ali a procurar resolver os problemas que me interessavam do ponto de vista da filosofia, da psicologia e da natureza do mundo invisível; chegava a cada sessão com uma série de perguntas preparadas, e metodicamente arrumadas; elas eram sempre respondidas com precisão, profundidade, e de maneira lógica. Desde esse momento as reuniões tiveram um outro caráter; entre os assistentes se encontravam pessoas sérias que por elas tomaram um vivo interesse, e se me ocorria de ali faltar, estava-se como inativo; as perguntas fúteis perderam seu atrativo para a maioria. De início, não tivera em vista senão a minha própria instrução; mais tarde, quando vi que isso formava um conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, tive o pensamento de publicá-las para a instrução de todo o mundo. Foram as mesmas perguntas que, sucessivamente desenvolvidas e completadas, fizeram a base de O Livro dos Espírito.

No ano seguinte, em 1856, segui ao mesmo tempo as reuniões espíritas que se tinham na rua Tiquetone, na casa do Sr. Roustan e Srta. Japhet, sonâmbula. Essas reuniões eram sérias e mantidas com ordem. As comunicações ocorriam por intermédio da Srta. Japhet, médium, com a ajuda de uma cesta de bico.

Meu trabalho estava em grande parte terminado, e tomava as proporções de um livro, mas pretendia fazê-lo controlado por outros espíritos, com a ajuda de diferentes médiuns. Tive o pensamento de fazê-lo um motivo de estudos para as reuniões do Sr. Roustan; ao cabo de algumas sessões, os espíritos disseram que preferiam revê-lo na intimidade, e me assinalaram, para esse efeito, certos dias para trabalhar, em particular, com a Srta. Japhet, a fim de fazê-lo com mais calma e também para evitar as indiscrições e os comentários prematuros do público.

Não me contentava com essa verificação; os espíritos dela me fizeram a recomendação. As circunstancias, tendo me colocado em relação com outros médiuns, cada vez que a ocasião se apresentava, disso aproveitava para propor algumas das questões que me pareciam as mais espinhosas. Foi assim que mais de dez médiuns prestaram a sua assistência para esse trabalho. Foi da comparação e da fusão de todas essas respostas coordenadas, classificadas, e muitas vezes refundidas no silêncio da meditação, que formei a primeira edição de O Livro dos Espíritos, que apareceu a 18 de abril de 1857.

Até o fim desse mesmo ano, as suas senhoritas Baudin se casaram; as reuniões não mais ocorreram, e a família se dispersou. Mas, então, as minhas relações começaram a se estender, e os espíritos multiplicaram, para mim, os meios de instrução para os meus trabalhos ulteriores.

Fonte: Obras Póstumas. Allan Kardec.

sábado, 3 de outubro de 2015

ALLAN KARDEC


O seu nome é Hippolyte-Léon-Denizard Rivail, nasciddo em Lyon, em 3 de outubro de 1804. Seu pai era o magistrado Jean-Baptiste-Antoine Rivail e sua mãe era Jeanne Duhamel. Era chamado na família de “Hippolite”, na sociedade era chamado de “Professor Rivail”, e na literatura dos seus livros didáticos de “H-L-D Rivail”. De antiga família lionesa de orientação católica, e que tinham tradição na magistratura e em advocacia, mas Rivail, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.


Estudos – educação
Fez seus estudos na escola do maior pedagogo do século XIX, de fama mundial: João Henrique Pestalozzi, a Escola de Pestalozzi, no Castelo Yverdon, em Yverdon-les-Bains, na Suiça (país protestante). Hippolyte-Léon-Denizard Rivail dotado de uma inteligência notável e atraído para o ensino pelo seu caráter e as suas aptidões especiais, desde os quatorze anos de idade ensinava aos seus colegas que tinham adquirido menos do que ele. Foi nessa escola que se desenvolveram as ideias que deveriam, mais tarde, colocá-lo na classe dos homens de progresso e dos livre pensadores.  Aos dezoito anos, bacharelou-se em Ciências e Letras; aos vinte anos renomado autor de livros didáticos.  E tornou-se um dos mais distintos discípulos e ativo propagador do método de Pestalozzi,  que exerceu uma grande influência sobre a reforma dos estudos na Alemanha e na França.



Falava os idiomas: francês, alemão, inglês e holandês, além de dominar perfeitamente os idiomas italiano e espanhol. E alguns fontes cita que também tinha conhecimentos do Latim, do Grego, do Gaulês e de algumas línguas latinas nas quais se exprimia corretamente.

Trabalho na educação
Em 1824, quando concluiu seus estudos, Rivail voltou para a França, Paris. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para a Alemanha diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração.
Era membro de varias sociedades sábias, como o Instituto Histórico de Paris; da Academia Royale d’Arras, que, em concurso de 1831, o premiou por uma dissertação notável sobre esta questão: “Qual é o sistema de estudos mais em harmonia com as necessidades da época?”; após o ano de 1834, tornou-se membro da Real Academia de Ciências Naturais.
Lecionava as matérias: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês.
Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público, e publicou um plano para aperfeiçoamento do ensino público.
Entre 1835 a 1840, manteve em sua residência, à rua Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros.Nesse período, preocupado com a didática, para a tornar atraente e interessante aos sistemas de educação, elaborou um manual de aritmética, que foi adotado por décadas nas escolas francesas, e um quadro mnemônico da História da França, que visou facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país.
Rivail, ilustrou-se por trabalhos de uma natureza educacional, com o objetivo de esclarecer as massas e ligá-las mais à sua família e ao seu país. Entre as suas numerosas obras de educação, citaremos as seguintes:
- Plano Proposto para a melhoria da instrução pública (1828);
- Curso prático e teórico de aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para uso dos professores primários e das mães de família (1829);
- Gramática Francesa Clássica (1831);
- Manual dos Exames para os diplomas de capacidade;
- Soluções  arrazoadas das perguntas problemas de aritmética e de geometria (1846);
- Catecismo gramatical da língua francesa (1848);
- Programa de cursos usuais de química, física, astronomia, fisiologia, que ele professava no Lycée Polymathique;
- Ditado normal dos exames da Prefeitura e da Sorbonne, acompanhado de Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849), obra muito estimada na época de sua aparição.

Diplomas obtidos
Lista dos principais diplomas obtidos por Denizard Rivail durante a sua carreira de professor e diretor de colégio.
- Diploma da Sociedade Francesa de Estatística Universal, fundada em Paris, em 22 de novembro de 1820, por César Moreau.
- Diploma da Sociedade de Emulação e de Agricultura do Departamento do Ain – 1828 (Rivail fora designado para expor e apresentar em França o método de Pestalozzi);
- Diploma de fundador da Sociedade de Previdência dos Diretores de Colégios e Internatos de Paris – 1829;
- Diploma da Sociedade Gramatical, fundada em Paris em 1807, por Urbain Domergue – 1829;
- Medalha de Ouro, 1° prêmio, conferida pela Sociedade Real d’Arrás, no concurso realizado em 1831, sobre educação e ensino.
- Diploma do Instituto Histórico, fundado em 24 de dezembro de 1833 e organizado a 6 de abril de 1834. Presidente: Michaud, membro da academia francesa. 
- Diploma da Sociedade de Educação Nacional, constituída pelos diretores de Colégios e de Internatos da França – 1835. Presidente: Geoffroy de Saint-Hilaire.
- Diploma do Instituto de Línguas, fundado em 1837. Presidente: Conde Le Peletier-Jaunay.
- Diploma da Sociedade para a instrução Elementar – 1847. Secretário geral: H. Carnot.
- Diploma da Sociedade de Incentivo à Indústria Nacional, fundada por Jomard, membro do Instituto.

A esposa  de Hippolyte-Léon-Denizard Rivail -  Allan Kardec 

Em 6 de fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet. Filha única, seu pai era o tabelião Julien-Louis Boudet e sua mãe era Julie-Louise Seigneat de Lacombe. Amélie Gabrielle Boudet, nasceu em 23 de novembro de 1795, Thiais, Departamento do Sena, era conhecida na intimidade familiar pelo diminutivo Gaby. De acordo com o seu biografo, Henri Sausse, Amélie Gabrielle Boudet foi professora com diploma de primeira classe, tendo se formado na primeira Escola Normal Leiga, de orientação Pestalozziana, localizada no Boulevard Saint-Germain, em Paris, cidade onde viveu toda a sua vida. Tendo sido também poetisa e artista plástica, com domínio das técnicas tradicionais. 
E de acordo com o pesquisador espírita Silvino Canuto de Abreu, Amélie Gabrielle Boudet foi professora de Letras e Belas Artes.
Tendo sido autora das seguintes obras:
- Contos Primaveris (1825);
- Noções de Desenho (1826); e
- O Essencial em Belas Artes (1828).
Amélie Gabrielle Boudet, colaborou permanentemente com os estudos do marido, tornando-se grande incentivadora do trabalho da Codificação Espírita e de difusão.  Depois do desencarne de seu esposo, em 1869, assumiu todos os encargos necessários à gestão do Espiritismo, na França e no mundo.
Costuma-se dividir a sua vida em grandes fases ou períodos, que são:
- de 1795 a 1832, como senhorita Amélie Gabrielle Boudet;
- de 1832 a 1857, como a senhora Rivail;
- de 1857 a 1869, como a senhora Allan Kardec;
- de 1869 a 1883, como a viúva Allan Kardec.
Amélie Gabrielle Boudet, faleceu em 21 de janeiro de 1883, em sua residência, em Paris, sendo sepultado dois dias após junto ao esposo, no cemitério do Père-Lachaise. Saindo o cortejo de sua casa na Villa Ségur. Atualmente, um centro de estudos espíritas em Paris homenageia-a com o seu nome.

Na ilustração: Allan Kardec e sua esposa Amélie Gabrielle

Das mesas girantes à Codificação
 Nascido na religião católica, e estudante em um país protestante, não seguia nenhuma destas religiões. Foi em 1854 que Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das mesas girantes, que era o maior entretenimento na época. Foi o seu amigo de muito tempo o Sr. Fortier, que era um magnetizador, que falou sobre os fenômenos à Rivail, mas ele não deu muita atenção, nem importância ao relato naquele momento. 
No ano seguinte, no começo de 1855, encontrou o Sr. Carlotti, que era um amigo de vinte e cinco anos, em que conversaram sobre o fenômeno das mesas girantes por quase uma hora.  Algum tempo depois, pelo mês de maio de 1855, Rivail, aceitou o convite do Sr. Carlotti para ir a uma dessas sessões, na casa da sonâmbula Sra. Roger. A partir daí Rivail interessou-se pelo estudo  sobre esse fenômeno, e se empenhou principalmente em deduzir-lhe as consequências filosóficas. Nele entreviu, desde o inicio, o principio de novas leis naturais; as que regem as relações do mundo visível e do mundo invisível; reconheceu na ação deste último uma das forças da natureza, cujo conhecimento deveria lançar luz sobre uma multidão de problemas reputados insolúveis, e compreendeu-lhe a importância do ponto de vista religioso. Demonstrou que os fatos falsamente qualificados de sobrenaturais estão submetidos a leis, ele os fez entrar na ordem dos fenômenos da natureza, e destruindo assim o último refugio do maravilhoso, e um dos elementos da superstição.
Rivail percebendo que o movimento e as respostas complexas das mesas deviam-se à intervenção de espíritos, dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científicos, filosóficos e moral.
Foi, em 18 de abril de 1857 com a publicação de O Livro dos Espíritos, que data a verdadeira fundação do Espiritismo, que, até então, não possuía senão elementos esparsos sem coordenação, e cuja importância não pudera ser compreendida por todos; a partir desse momento, também, a doutrina fixa a atenção dos homens sérios e toma um desenvolvimento rápido. Em poucos anos, essas ideias acharam numerosos adeptos em todas as classes da sociedade e em todos os países. Esse sucesso, sem precedente, liga-se sem duvida as simpatias que essas ideias encontraram, mas deveu-se também, em grande parte, à clareza, que é um dos caracteres distintivos dos escritos de Allan Kardec, usando este pseudônimo para assinar todas as suas obras espíritas. Aproveitando seus recursos intelectuais e experiência no magistério, Kardec resolveu dar ao livro básico da codificação uma metodologia didática, a qual se revelou altamente indicada para as circunstâncias de implantação da nova doutrina. O método escolhido foi o de perguntas e respostas por parte dos espíritos, divididas em quatro grupos bem definidos de ideias, recebendo, cada um, o nome de parte ou “livro”.
Como um observador e cientifico que era, Kardec sempre usava diferentes médiuns para atestar a veracidade das informações,além disso eram lhe enviadas varias mensagens psicografadas de diferentes lugares, cidades, países, que Kardec nunca esteve e que não conhecia os médiuns. É o Controle Universal do Ensino dos Espíritos, que Kardec definiu da seguinte forma: “Uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos – a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares diferentes”.
Foi Kardec que criou as palavras “espírita” e “ Espiritismo”, segundo as palavras do estudioso: “Para coisas novas, nomes novos”. Os estudos eram ininterruptos e, com diversos testes e análises racionais, sob crivos filosóficos, científicos e religioso.
As suas obras espíritas que são a base do Espiritismo, foram:
-  O Livro dos Espíritos, para a parte filosófica e cuja primeira edição apareceu em 18 de abril de 1857;
- O Livro dos Médiuns, para a parte experimental e científica (janeiro de 1861);
- O Evangelho Segundo o Espiritismo, para a parte moral (abril de 1864);
- O Céu e o Inferno, ou a Justiça de Deus Segundo o Espiritismo (agosto de 1865);
- A Gênese, os Milagres e as Predições (janeiro de 1868);
- A Revista Espírita, jornal de estudos psicológicos, coletânea mensal começada em 1º de janeiro de 1858.

Fundou em Paris em 1º de abril de 1858, a primeira Sociedade Espírita regularmente constituída, sob o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, cujo objetivo exclusivo era o estudo de tudo o que pode contribuir para o progresso desta nova ciência.

A publicação da Revista Espírita foi dirigida por Kardec até a sua morte, em 1869, e circula até hoje em português, francês e espanhol, editada pelo Conselho Espírita Internacional, apesar de ter sofrido algumas interrupções.

Kardec, tirou de seu próprio bolso o investimento para a publicação de O Livro dos Espíritos, assim como também investiu nas obras posteriores lançadas. Mas, toda a renda dos livros da Doutrina Espírita, Allan Kardec investia no próprio Espiritismo, nunca tirou proveito dos lucros dos livros nem da revista. Encontramos no livro obras póstumas, a seguinte afirmativa de Allan Kardec: “É que jamais pedi a ninguém, que ninguém nada deu, jamais, a mim pessoalmente; em uma palavra, que não vivo às custas de ninguém, uma vez que, das somas que foram voluntariamente confiadas, nenhuma parcela dela foi desviada em meu proveito.” (...) “Pois bem, senhores, o que me proporcionou esse suplemento de recursos foi o produto de minhas obras. Digo-o com alegria, foi com o meu próprio trabalho, com os frutos de minhas vigílias que provi, em maior parte pelo menos, às necessidades materiais da instalação da Doutrina. Trouxe assim uma considerável conta-parte para a caixa do Espiritismo; aqueles que ajudam a propagação das obras, não poderão, pois, dizer que trabalham para me enriquecer, uma vez que o produto de todo livro vendido, de toda assinatura da Revista, aproveita à Doutrina e não ao indivíduo.”   


Como surgiu o pseudônimo Allan Kardec
O pseudônimo Allan Kardec surgiu pela necessidade de diferenciar as obras pedagógicas escritas pelo professor Rivail, das obras da Codificação Espírita. Pois, como seu nome Hippolyte-Léon-Denizard Rivail era conhecidíssimo, seria melhor adotar um pseudônimo para não interferir no programa da Codificação, porque as obras espíritas deveriam florescer pelo seu valor e, não pelo autor que o subscrevia, assim não iria prejudicar o êxito das obras espíritas.  
A escolha do pseudônimo veio por meio de uma comunicação espiritual, numa noite, em reunião com as médiuns Baudin, o espírito protetor daquela família, conhecido como Zéfiro ou Espírito Z, fez uma revelação que provocou forte emoção no professor Rivail. O espírito lhe contou que já o conhecia de outras existências, ao tempo da civilização Druida, viviam nas Gálias, tendo sido ele um grão-sacerdote de nome Allan Kardec.  Vem daí a escolha de Allan Kardec, para assinar as obras espíritas.
Uma curiosidade é que Lyon, a segunda maior cidade francesa depois de Paris e o berço de Rivail, já foi a antiga Lugdunum, local de povoação celta-druida.


A aparência de Allan Kardec por Anna Blackwell
Anna Blackwell, que conheceu de perto Allan Kardec, cujas obras fundamentais traduziu para a língua inglesa, descreveu da seguinte maneira o codificador: “Allan Kardec era de estatura meã. Robusto, cabeça ampla, redonda, firme, com feições bem pronunciadas e olhos pardoclaros, mais parecia alemão que francês. Era ativo e tenaz, mas de temperamento calmo, precavido e  realista até quase à frieza, cético por natureza e por educação, argumentador lógico e preciso, e eminente prático em suas idéias e ações, distanciado assim do misticismo que do entusiasmo. Ponderado, lento no falar, sem afetação, com inegável dignidade, resultante da seriedade e da honestidade, traços definitivos de caráter, nunca provocando qualquer comentário a respeito do assunto a que consagrava sua vida, recebia amavelmente os numerosos visitantes que acorriam de todas as partes do mundo para conversar com ele a respeito das ideias de que era i mais autorizado expoente, respondendo às consultas e às objeções, resolvendo dificuldades, e dando informações a todos os investigadores sérios, com os quais falava franca e animadamente.
Em algumas ocasiões apresentava fisionomia radiante com um sorriso agradável e prazenteiro, se bem que, por causa da sobriedade do seu todo, jamais o viram rir. Entre os milhares de visitantes, encontravam-se pessoas de alto nível no mundo social, literário, artístico e científico. O imperador Napoleão III, cujo interesse pelos fenômenos espíritas não era nenhum segredo, mandou chama-lo varias vezes, e com ele manteve longas palestras, nas Tulherias, acerca das doutrinas expostas no O Livro dos Espíritos”.

Selos comemorativos no Brasi
Selos comemorativos no Brasil


Últimos anos e desencarne
           Kardec passou os anos finais da sua vida dedicado-se à divulgação do Espiritismo.
          Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a chegar e o ultimo a sair no trabalho, Allan Kardec faleceu, no dia 31 de março de 1869, aos 64 anos de idade, em decorrência da ruptura de um aneurisma. Estava em meio de preparativos para uma mudança de local, necessitada pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações, no dia seguinte a morte de Kardec, ele deveria desocupar o imóvel, indo para a casa da Villa Ségur. A partir de então, os escritórios da Revue iriam para a Rue de Lille, Libririe Spirite, que sediaria também a Société Parisienne dês Études Spirites (SPES). Havia numerosas obras que estavam no ponto de terminar, ou que esperavam o tempo oportuno para aparecer.
           Morreu como viveu, trabalhando. Apesar, que há muitos anos, sofria de uma doença do coração, que não podia ser combatida senão pelo repouso intelectual e uma certa atividade material; mas inteiramente dedicado à sua obra, recusava-se a tudo o que podia absorver um dos seus instantes, às expensas de suas ocupações prediletas. O corpo se lhe tornava pesado e lhe recusava os seus serviços, mas o seu Espírito, mais vivo, mais enérgico, mais fecundo, estendia sempre mais o círculo de sua atividade.
       
  O corpo foi sepultado ao meio-dia de 2 de abril, no cemitério de Montmartre. Estima-se que mais de mil pessoas acompanharam o cortejo, que seguiu pelas ruas de Grammont, Laffitte, Notre-Dame-de-Larette, Fontaine e pelo Boulevard de Clichy.
Na primeira reunião da SPES após o fato, os membros presentes lançaram a ideia de se levantar um monumento ao mestre, que logo recebeu adesão de espíritas de muitas cidades. Foi assim que se fez construir o famoso dólmen do cemitério Père-Lachaise, para onde os restos mortais de Kardec foram transladados em 29 de março de 1870. Quando inaugurado, o dólmen não registrava a célebre frase: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir em cessar, tal é a lei”. Que foi esculpida ainda em 1870. O monumento druida está, desde então, no famoso cemitério que também é considerado um museu, por ter sido ali sepultado divesos grandes vultos franceses e mesmo de outros países. O de Kardec é o túmulo mais visitado e o mais florido de todos.



“O Espiritismo, tirando-me da obscuridade, veio me lançar num caminho novo; em pouco tempo encontrei-me arrastado por um movimento que estava longe de prever. Quando concebi a ideia de O Livro dos Espíritos, a minha intenção era de não me pôr em evidência e ficar desconhecido; mas, prontamente ultrapassado, isso não me foi possível: devi renunciar aos meus gostos de solidão, sob pena de abdicar a obra empreendida e que crescia cada dia; foi-me necessário seguir o impulso e tomar-lhe as rédeas. À medida que ela se desenvolvia, um horizonte mais vasto se desenrolava diante de mim e lhe recuava os limites; compreendi, então, a imensidade de minha tarefa, e a importância do trabalho que me restava a fazer para completá-la; as dificuldades e os obstáculos, longe de me assustarem, redobraram a minha energia; vi o objetivo e resolvi alcançá-lo com a assistência dos bons espíritos. Sentia que não tinha tempo a perder e que não o perdi nem em visitas inúteis, nem em cerimônias ociosas; essa foi a obra de minha vida; dei-lhe todo o meu tempo, sacrifiquei-lhe o meu repouso, a minha saúde, porque o futuro estava escrito diante de mim em caracteres irrecusáveis.” – Allan Kardec.