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segunda-feira, 28 de julho de 2025

CASA ESPIRITUAL



Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual. (I Pedro, 2:5.)



    Cada homem é uma casa espiritual que deve estar, por deliberação e esforço do morador, em contínua modificação para melhor.

    Valendo-nos do símbolo, recordamos que existem casas ao abandono, caminhando para a ruína, e outras que se revelam sufocadas pela hera entrelaçada ou transformadas em redutos de seres traiçoeiros e venenosos da sombra; aparecem, de quando em quando, edificações relaxadas, cujos inquilinos jamais se animam a remover o lixo desprezível e observam-se as moradias fantasiosas, que ostentam fachada soberba com indisfarçável desorganização interior, tanto quanto as que se encontram penhoradas por hipotecas de grande vulto, sendo justo acrescentar que são raras as residências completamente livres, em constante renovação para melhor.

    O aprendiz do Evangelho precisa, pois, refletir nas palavras de Simão Pedro, porque a lição de Jesus não deve ser tomada apenas como carícia embaladora e sim por material de construção e reconstrução da reforma da casa íntima.

    Muita vez, é imprescindível que os alicerces de nosso santuário interior sejam abalados e renovados.

Cristo não é somente uma figuração filosófica ou religiosa nos altiplanos do pensamento universal. É também o restaurador da casa espiritual dos homens.

    O cristão sem reforma interna dispõe apenas das plantas do serviço. O discípulo sincero, porém, é o trabalhador devotado que atinge a luz do Senhor, não em benefício de Jesus, mas, sobretudo, em favor de si mesmo.



Pelo Espírito Emmanuel.
Psicografia de Chico Xavier.



Fonte: Livro – Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Chico Xavier. Capitulo 133.



segunda-feira, 5 de maio de 2025

NECESSIDADE ESSENCIAL

   Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. – Jesus (Lucas, 22:32) 



        Justo destacar que Jesus, ciente de que Simão permanecia num mundo em que imperam as vantagens de caráter material, não intercedesse, junto ao Pai, a fim de que lhe não faltassem recursos físicos, tais como a satisfação do corpo, a remuneração substanciosa ou a consideração social.

        Declara o Mestre haver pedido ao supremo Senhor para que em Pedro não se enfraqueça o dom da fé.

        Salientou, assim, o Cristo, a necessidade essencial da criatura humana, no que se refere à confiança em Deus, num círculo de lutas onde todos os benefícios visíveis estão sujeitos à transformação e à morte.

        Testemunhava que, de todas as realizações sublimes do homem atual, a fé viva e ativa é das mais difíceis de serem consolidadas. Reconhecia que a segurança espiritual dos companheiros terrestres não é obra de alguns dias, porque pequeninos acontecimentos podem interrompê-la, feri-la, adiá-la. A ingratidão de um amigo, um gesto impensado, a incompreensão de alguém, uma insignificante dificuldade, podem prejudicar-lhe o desenvolvimento.

        Em plena oficina humana, portanto, é imprescindível reconheças a transitoriedade de todos os bens transferíveis que te cercam. Mobiliza-os sempre, atendendo aos superiores desígnios da fraternidade que nos ensinam a amar-nos uns aos outros com fidelidade e devotamento. Convence-te, porém, de que a fé viva na vitória final do espírito eterno é o óleo divino que nos sustenta a luz interior para a divina ascensão.

Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Chico Xavier.




Fonte: Livro – Vinha de Luz. Psicografia de Chico Xavier. Pelo Espírito Emmanuel. Capitulo 45.





segunda-feira, 8 de julho de 2024

“TOMAI E COMEI, ESTE É O MEU CORPO. TOMAI E BEBEI, ESTE É O MEU SANGUE.” VISÃO ESPÍRITA

        O homem vai pouco a pouco compreendendo e vivendo, novas expressões ou faces do Conhecimento Universal. Adquirir conhecimento exige vivê-lo primeiro. Nada se conhece, neste mundo, se não vivemos o ensinamento, que o anuncia. Não os iludamos, acreditando que conquistaremos o ensinamento sem vivê-lo! Todos os seres inteligentes do Universo, recebem o Ensinamento pela palavra de um Mestre, mas tem que vivê-lo para entendê-lo e assimilá-lo.

        Por isso, disse Jesus: “Tomai e comei, este é o meu corpo. Tomai e bebei, este é o meu sangue.”

        Os ensinamentos de Jesus, são sangue, corpo e vida! É preciso absorvê-lo. Assimilá-lo, para que sejamos um só com Ele. Não há outro modo ou outro caminho. Quem não entender assim nunca o compreenderá e o amará. É preciso devorá-lo todo, engoli-lo inteiro  e senti-lo em toda a sua plenitude com o Pai. Para Ele não há meios termos. Ou tudo ou nada, Jesus não se dá pela metade nem aceita a metade. Assim são todos os verdadeiros iniciados. Ele queria e devia ser amado com intensidade, com voracidade, com coragem e com amor. Quem não fez isso ainda terá de fazê-lo porque Ele nos espera ainda e eternamente. Nele está o Pai e o verdadeiro Senhor. Só nele encontraremos a porta que existe para nós que somos filhos do seu amor. Ele nos escolheu para segui-lo e conosco, Ele tem compromisso, embora outros Iniciados tenham compromisso com outras criaturas. Como a galinha tem os seus pintos, os Iniciados tem os seus filhos espirituais. Cada um cuida dos seus com carinho e com amor. Na Espera do nosso mundo que compreende a região solar, Jesus dirige, segundo as tradições mais antigas do sol, todo o sistema solar, com seus deuses, anjos e iniciados.

        Por isso, também afirmou: “Ninguém vai ao Pai a não ser por mim. Eu sou a Porta...”

        A porta da salvação e do entendimento, acrescentamos nós:
“Batei e abrir-se-vos-à.
Pedi e Obtereis.
A todo que bate se lhe abrirá.
A todo que pede se lhe dará.
A todo que busca achará.”

        Seremos sempre transformados  e passaremos de Esfera a Esfera e no interior de nós mesmos sob o impulso do pensamento e das vibrações de nosso Senhor Jesus Cristo, na Esfera da nossa criação espiritual. E em Jesus Cristo fomos gerados e n’Ele viveremos eternamente.


Pelo Espírito Aglon.

Fonte: Livro -  Aglon e os Espíritos do Mar. Pelo Espírito de Júlio Verne. Obra mediúnica de R.A. Ranieri.


quarta-feira, 3 de abril de 2024

O CÂNTICO DAS BEM-AVENTURANÇAS!

        O Sermão da Montanha, também conhecido como o Sermão do Monte ou o Cântico das Bem-Aventuranças, é uma das passagens mais icônicas do Novo Testamento e uma parte fundamental do ensinamento de Jesus Cristo no Cristianismo. Este discurso é encontrado nos Evangelhos de Mateus, capítulos 5 a 7, e Lucas, capítulo 6, e contém uma série de ensinamentos e princípios morais que têm influenciado profundamente a ética e a espiritualidade cristãs ao longo dos séculos.


        O Sermão da Montanha é um conjunto de instruções e bênçãos proferidas por Jesus durante o seu ministério na região da Galileia. Ele é considerado um guia para uma vida piedosa e moral, abordando questões como a humildade, a misericórdia, a justiça e o amor ao próximo. É um chamado à pureza e à retidão de coração.

        No contexto histórico, o Sermão da Montanha foi pregado por Jesus para seus discípulos e outras pessoas que se reuniram para ouvi-lo no Monte das Beatitudes ou das Bem-Aventuranças, próximo ao Mar da Galileia. [No Velho Testamento (Números 34:11; Josué 13:27), o Mar da Galileia é chamado de Kinneret e deriva da palavra Kinnor, que no hebraico significa harpa, porque seu formato natural se assemelha à forma de uma harpa ou lira cristã. Ainda recebe as denominações de Lago de Tiberíades e de Lago de Genesaré ou Guinossar.] Era uma época em que a sociedade estava cheia de desigualdades, conflitos e injustiças, e as palavras de Jesus desafiaram as normas culturais da época, instando as pessoas a viverem de maneira diferente.

        Cada bem-aventurança no Sermão da Montanha aborda uma qualidade ou atitude desejável, como a pobreza de espírito, o luto, a mansidão, a fome e sede de justiça, a misericórdia, a pureza de coração, a busca pela paz e a disposição de sofrer perseguição por causa da justiça. Cada uma dessas bem-aventuranças enfatiza a importância de viver de acordo com os princípios de Jesus e promete recompensas espirituais.

        A atualidade dos ensinamentos no Sermão da Montanha é notável. As lições de Jesus sobre compaixão, perdão, amor ao próximo e a busca da justiça continuam a ser relevantes na sociedade contemporânea. Eles oferecem um guia para enfrentar desafios éticos e morais, promovendo uma vida de paz, compreensão e empatia em um mundo frequentemente marcado por conflitos, egoísmo e desigualdades.

        Em resumo, o Sermão da Montanha é uma das passagens mais significativas da Bíblia, que oferece orientação espiritual e moral para os cristãos. Ele foi pregado por Jesus em um contexto de desigualdade e injustiça, e as bem-aventuranças destacam a importância de qualidades como humildade, misericórdia e justiça. Esses ensinamentos têm uma aplicação atemporal em nossas vidas, incentivando-nos a buscar um caminho de amor, compaixão e justiça em nosso dia a dia.

        Na perspectiva espírita, as Bem-Aventuranças que encabeçam o Sermão do Monte são interpretadas como uma série de virtudes interconectadas, começando com a humildade como a principal delas. Essas virtudes se acumulam à medida que progredimos espiritualmente, formando um caminho de crescimento interior. Além disso, enfatizam a importância da compreensão da vida futura para uma apreciação completa dos ensinamentos de Jesus. A vida após a morte é fundamental para entender o propósito mais profundo por trás das Bem-Aventuranças e das lições de Cristo, fornecendo um contexto espiritual mais amplo que lança luz sobre a evolução contínua da alma. Sem essa perspectiva, muitos aspectos dos ensinamentos de Jesus podem permanecer incompreendidos e subestimados. Portanto, a visão espírita enriquece o entendimento das Bem-Aventuranças, ligando virtudes e vida futura como elementos essenciais para a compreensão plena dos ensinamentos de Jesus.

Por Geraldo Campetti

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

MÁS PALESTRAS

 


“Não vos enganeis; as más conversações corrompem os bons costumes.”
Paulo ( I Coríntions, 15:33)

        A conversação menos digna deixa sempre o traço da inferioridade por onde passou. A atmosfera de desconfiança substitui, imediatamente, o clima da serenidade, o veneno de investigações doentias espalham-se com rapidez. Depois da conversação indigna, há sempre menos sinceridade e menor expressão de força fraterna.

        Em seu berço ignominioso, nascem os fantasmas da calunia que escorregam por entre criaturas santamente intencionadas, tentando a destruição de lares honestos; surgem as preocupações inferiores que espiam de longe, enegrecendo atitudes respeitáveis; emerge a curiosidade criminosa, que comparece onde não é chamada, emitindo opiniões desabridas, induzindo os que a ouvem á mentira e à demência.

        A má conversação corrompe  os pensamentos mais dignos. As palestras proveitosas sofrem-lhe, em todos os lugares, a perseguição implacável, e imprescindível se torna manter-se o homem em guarda contra o seu assédio insistente e destruidor.

        Quando o coração se entregou a Jesus, é muito fácil controlar os assuntos e eliminar as palavras aviltantes.

        Examina sempre as sugestões verbais que te cercam no caminho diário. Trouxeram-te denúncias, más notícias, futilidade, relatórios malsãos da vida alheia? Observa como ages. Em todas as ocasiões, há recursos para retificares amorosamente, porquanto podes renovar todo esse material, em Jesus Cristo.


Pelo Espírito Emmanuel.
Psicografia de Chico Xavier.

 

Fonte: Livro – Pão Nosso. Ditado pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Chico Xavier.



segunda-feira, 28 de agosto de 2023

SOFRER POR ANTECIPAÇÃO

“A cada dia basta o seu mal”

Por que acrescentamos espinhos em nosso coração ante a “possibilidade” de sofrimento no futuro?

Quantas vezes não nos envolvemos em fluidos nocivos por inquietação precoce ante fatos que, muitas vezes, não chegam a concretizar-se?

Contorna qualquer ansiedade por dores que não se justificam presentemente.

 As dificuldades reais que atravessamos no presente já representam cotas abençoadas de ensinamentos redentores, para nos fixar em temores futuros.

 Não esqueças que o livre-arbítrio pode alterar destinos e a previdência dos céus conhece tuas forças e necessidades, alterando rumos, a te aliviar, tanto quanto possível, a jornada.

Com certeza, não vale que te perturbes por situações que podem não ser exatamente como pensas.

Vive cada dia na busca de fazer o melhor, guardando a convicção de que quem produz o melhor qualifica-se a conquistar vultosos créditos morais, reorganizando planos, reordenando lutas, redirecionando provas e contribuindo a multidão de deslizes anteriores, apresentando-se como candidato feliz a novas etapas evolutivas na terra ou em outros mundos de progresso.

Acima de nossas impressões existe a lei sapiente, ordenadora da vida, cuja direção empreendida é sempre na rota que nos favoreça com o sumo bem.

 

 Fonte: Livro – Ajuda-te. Ditado pelo Espírito Marta. Psicografia de Frederico Menezes. Cap. 12.

 

terça-feira, 16 de maio de 2023

DEIXAI AOS MORTOS O CUIDADO DE ENTERRAR SEUS MORTOS

Ele disse a um outro: segui-me, e ele lhe respondeu: Senhor, permiti-me ir antes enterrar meu pai. Jesus lhe respondeu: deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos, mas por vós ide anunciar o reino de Deus. (São Lucas, cap. IX, v 59,60)



Nos ensinos de Jesus não devemos nos apegar a letra; lembremos de Paulo quando escreveu aos Coríntios: “porque a letra mata e o espírito vivifica.” (2 Coríntios 3:6). O sentido espiritual é o enfoque dos ensinos de Mestre Jesus; nos possibilitando conclusões com lógica. Pois, se observarmos apenas a letra, chegaremos em conclusões equivocadas e sem o sentido real do ensinamento.

Assim quando Jesus instruiu: “deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos”, Ele se referiu aos indivíduos “Mortos de Espírito”, os mortos espirituais, que são os que ainda não despertaram para a conscientização espiritual, sendo ainda prisioneiros das ilusões do mundo material, que vive pela matéria, é um ensinamento para chamar a atenção para as coisas espirituais.

No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXIII. Itens 7 e 8, Allan Kardec nos explica:            

            Que podem significar estas palavras: “Deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos?” As considerações precedentes mostram primeiro que, na circunstância em que foram pronunciadas, não poderiam exprimir uma censura contra aquele que considera um dever de piedade filial ir enterrar seu pai; elas encerram, porém, um sentido profundo, que só um conhecimento mais completo da vida espiritual poderia fazer compreender.
           A vida espiritual, com efeito, é a verdadeira vida; é a vida normal do espírito; sua existência terrestre não é senão transitória e passageira; é uma espécie de morte comparada ao esplendor e à atividade da vida espiritual. O corpo não é senão uma veste grosseira que reveste momentaneamente o espírito, verdadeira cadeia que o prende à gleba da Terra, e da qual se sente feliz de estar livre. O respeito que se tem pelos mortos não se prende à matéria, mas, pela lembrança, ao espírito ausente; é análogo àquele que se tem pelos objetos que lhe pertenceram, que tocou, e que aqueles que o amam guardam como relíquia. É o que esse homem não poderia compreender por si mesmo; Jesus lho ensina, dizendo: Não vos inquieteis com o corpo, mas pensai antes no espírito; ide ensinar o reino de Deus; ide dizer aos homens que sua pátria não está na Terra, mas no céu,porque lá somente está a verdadeira vida.

E o Espírito Emmanuel na mensagem Acorda e Ajuda, do Livro Fonte Viva, psicografia de Chico Xavier, nos esclarece:

Jesus não recomendou ao aprendiz deixasse aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres e sim conferisse “aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos.”
             Há, em verdade, grande diferença.
             O cadáver é carne sem vida, enquanto quem um morto é alguém que se ausenta da vida.
         Há muita gente que perambula nas sombras da morte sem morrer.
         Trânsfugas da evolução, cerram-se entre as paredes da própria mente, cristalizados no egoísmo ou na vaidade, negando-se a partilhar a experiência comum.
         Mergulham-se em sepulcros de ouro, de vício, de amargura e ilusão.
         Se vitimados pela tentação da riqueza, moram em túmulos de cifrões, se derrotados pelos hábitos perniciosos, encarceram-se em grades de sombra; se prostrados pelo desalento, dormem no pranto da bancarrota moral, e, se atormentados pelas mentiras com que envolvem a si mesmos, residem sob as lápides, dificilmente permeáveis, dos enganos fatais.

Na mesma mensagem, Emmanuel ainda nos orienta segundo esse ensino de Jesus:
            Aprende a participar da luta coletiva.
            Sai, cada dia, de ti mesmo, e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angustias de teu irmão e ajuda quanto possas.
            Não te galvanizes na esfera do próprio “eu”.
            Desperta e vive com todos, por todos e para todos, porque ninguém respira tão somente para si.
            Em qualquer parte do Universo, somos usufrutuários do esforço e do sacrifício de milhões de existências.
             Cedamos algo de nós mesmos, em favor dos outros, pelo muito que os outros fazem por nós.
             Recordemos, desse modo, o ensinamento do Cristo.
             Se encontrares algum cadáver, dá-lhe a bênção da sepultura, na relação das tuas obras de caridade mas, em se tratando da jornada espiritual. Deixa sempre “os mortos o cuidado de enterrar os seus mortos.”
           

Jesus falava uma frase, mas interpretando se torna sempre um grande texto em todos os sentido! Cristo ontem, Cristo hoje, Cristo Sempre!


segunda-feira, 6 de junho de 2022

A MULHER ADÚLTERA E NÓS


        Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras. Ao romper da manhã. Voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar.
        Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: “ Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. Moises mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso?” Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo.
        Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: “Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.” Inclinando-se novamente, escrevia na terra. A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: “Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?” Respondeu ela: “Ninguém, Senhor.” Disse-lhe então Jesus: “Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.” (João 8:1-11)

***

        Antes de refletir sobre essa passagem da vida de Jesus é bom entendermos a Lei Judaica perante o Adultério, pois: O adultério, dentro da lei judaica, é um termo dirigido à relação sexual com mulheres judias casadas. A mulher que traiu seu marido com um amante se torna uma adúltera, pela lei judaica. O amante também é passível de punições (espirituais) e antigamente, tanto a mulher adúltera quanto o amante estavam passíveis da pena de morte. Por outro lado, um homem judeu casado que tiver um relacionamento físico com uma mulher solteira, não comete adultério segundo a lei judaica. Isso acontece porque em termos bíblicos, homens judeus podiam ter mais de uma esposa ou concubinas. A proibição da poligamia é uma proibição rabínica. Mas os judeus não encoraja a poligamia e sempre deixou claro que casamentos poligâmicos carregam problemas. Sendo o casamento monogâmico o tipo ideal e criado diretamente por Deus na figura de Adão e Eva.

***


Naquele momento Jesus não poderia fazer muita coisa perante uma multidão enfurecida e amparada segundo a lei judaica e querendo o experimentar para o também condenar.

Mas, quem realmente era essa mulher?
Quais as circunstâncias que a levou a cometer tal erro?
Será que foi pela sua vontade ou imposta a tal circunstância?
O que colocou tal mulher nessa situação?
Será que só seria ela a “culpada”?
O que teria sido ela ou feito em vidas passadas para está em tal situação?
Será que ela sabia o que é o amor? A infinita misericórdia e ternura de Deus?
Ou será que já tinha um vislumbre sobre o que é Deus?

Tantas perguntas mais além, mais o Amigo Sublime de todos nós, Jesus, chegou com a sua simplicidade e magnetismo inenarrável e lhe deu um olhar, não se importou em saber quem ela foi, quem ela era, ou o que ela fazia, ou fez, Jesus a olhou com dignidade, vendo quem ela poderia ser, quem ela seria, com todas as suas potencialidades, para recomeçar, Jesus não se apegou aquele momento, Ele enxergou nela o que ninguém viu, Ele viu o futuro, Ele viu o que ela ainda não era, e quem nem ela e ninguém que estavam ali imaginaria que ela seria capaz ser. Jesus se interessou pelo o que ela seria a partir dali, e do que aquele momento iria proporcionar de entendimento para aquela mulher se renovar e abrir as portas da transformação da sua vida, se perpetuando para as suas vidas futuras na matéria. Ele lhe deu uma nova oportunidade, recomeço, coisa que ninguém ali iria lhe dar.

E é assim em nossa trajetória de vidas após vida, de reencarnação após reencarnação, essa mulher é um grande exemplo de cada um de nós, quem sabe o que fomos em nossas vidas passadas? Será que fomos como ela ou pior que ela?  E Jesus através dos séculos nos vem lançando o seu olhar sublime para nos fisgar a seguir pelos caminhos da luz.

Raros são os que tem a capacidade de saber de algumas de suas vidas passadas, não é nada fácil, a verdade é que nem imaginamos quem fomos e os atos que fomos capazes de fazer, não é para todos saber de tais verdades, devido ser um grande fardo muitas vezes, por isso que Deus em sua Infinita Bondade e Sabedoria lança sobre nós o véu do esquecimento de nossas vidas passadas, pois nem todos estão aptos a saber quem foi e o que fez, não somos “santos” nem “anjos”, para sabermos o que fomos temos que ter já uma madureza emocional, psicológica, espiritual, para não nos levarmos de volta a lugares escuros, pois segundo o que progredimos fica-se pasmo dos atos feitos e que hoje não somos mais capazes de fazer.

O Cristo Jesus olhou para nós, como ele sempre olha e olhou através dos séculos, com o seu olhar sublime e de ternura, a diferença é que em um momento certo da nossa trajetória, quando estávamos aptos a sermos acolhidos, como aquela Mulher que teve olhos de ver naquele momento a sublime luz de Jesus através do seu olhar de amor, que nos permite mergulhar em nosso interior, sem nenhum orgulho e enxergar as nossas faltas, erros, mesmo tendo sido e feito coisas absurdas e terríveis, ter se permitido cair o véu do orgulho, da vaidade, da soberba, da ganância, da luxuria...  para se encontrar, olhar para si mesmo e se reinventar, recomeçar, seguir para a luz. O olhar de Jesus não apenas salvou aquela Mulher, mas nos salvou também e nos salva a cada dia perante as nossas fraquezas, enganos, incertezas, faltas... nos permitindo recomeçar e ver o que há de melhor dentro de nós. Jesus sempre esteve a nos observar só esperando o momento do nosso despertar, enxergando o que podemos ser. Somos, fomos como essa Mulher que Jesus estendeu as mãos em meio ao julgamento de todos, e muitas vezes somos nós que julgamos cruelmente a nós mesmos, enquanto que vem o Mestre Jesus e nos dar uma nova oportunidade de vida, pela misericórdia de Deus.

        Apesar dos nossos esforços louváveis para o nosso melhoramento, ainda não queremos ter contato com os “tipos” de pessoas que Jesus escolheu, que estendeu as mãos, que ajudou, a verdade é que Jesus sempre escolhia, lançava seu olhar para os que nós consideramos os “piores” os “indignos”, pois são esses que mais precisam dele. E ainda somos assim.  Como esta Mulher Adúltera, ninguém iria querer uma mulher assim do lado, e quem sabe estaríamos ainda jogando não mais pedra (quem sabe também), mas jogamos ainda palavras, olhares de reprovação, mas antes de fazer isto não sabemos se fomos como ela ou pior que ela. Sempre o Cristo Jesus vai ser o maior exemplo aqui na terra, não julgar, quem tiver sem pecado que atire a primeira palavra, o primeiro olhar de julgamento, pois não fomos santos em nossas vidas passadas. Quem nem mesmo o Cristo Jesus não condenou e nem jogou pedras.

      Jesus com a sua sublime visão quando nos olha ver quem seremos, nos conduzindo quando os nossos olhos não podem ver, nos ajudando a compreender a vida a nossa trajetória e aceitar, quando esquecemos de quem somos o Mestre Jesus vem nos relembrar e nos valorizar. A vida é feita sempre de recomeços, por isso as reencarnações, novas e grandes oportunidades que nos transformam concedida pela Divina Misericórdia, oh como temos que ser tão gratos a Deus quem nem imaginamos. Assim, Jesus nos olha e pergunta: “Ninguém te condenou? Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.”

Escrito pelo Blog Jardim Espírita. 



segunda-feira, 16 de maio de 2022

O MAIOR MANDAMENTO

1.      Os Fariseus, tendo sabido que ele tinha feito calar a boca aos Saduceus, reuniram-se; e um deles, que era doutor da lei, veio lhe fazer esta pergunta para o tentar: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus lhe respondeu: Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e de todo o vosso espírito; é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo, que é semelhante àquele: Amareis vosso próximo como a vós mesmos. Toda a lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos. (São Mateus, cap. XXII, v. 34 a 40).

2.  Fazei aos homens tudo o que quereis que eles vos façam; porque é a lei e os profetas. (idem, cap. VII, v.12).

3. O reino dos céus é comparado a um rei que quis tomar conta aos seus servidores; e tendo começado a fazê-lo, se lhe apresentou um deles que lhe devia dez mil talentos. Mas como ele não tinha os meios de lhos restituir, seu senhor recomendou que o vendessem a ele, sua mulher e seus filhos, e tudo o que ele tinha, para satisfazer a sua dívida. O servidor, lançando-se-lhe aos pés, suplicou-lhe dizendo: Senhor, tende um pouco de paciência e eu lhe restituirei o total. Então o senhor desse servidor, tocado de compaixão, o deixou ir e remiu-lhe a dívida. Mas esse servidor, mal tendo saído, encontrou um de seus companheiros eu lhe devia cem dinheiros, tomou-o pela garganta, quase sufocando-o e dizendo-lhes: Restitui-me o que me deves. E seu companheiro, lançando-se-lhe aos pés, suplicou-lhe dizendo: Tende um pouco de paciência e eu vos restituirei o total. Mas ele não quis escutá-lo; e se indo, fê-lo colocar na prisão, para nela o ter até que lhe restituísse o que lhe devia.
    Os outros servidores, seus companheiros, vendo o que se passava, extremamente aflitos, foram informar a seu senhor de tudo o que havia ocorrido. Então o senhor fazendo-o vir, lhe disse: Meu servidor, eu vos isentei de tudo o que me devíeis, porque me pedistes isso; não seria preciso, pois, que tivésseis piedade do vosso companheiro, como tive piedade de vós? E o senhor, encolerizado, o entregou às mãos dos carrascos, até que pagasse tudo o que lhe devia.
    É assim que meu Pai, que está no céu, vos tratará, se cada um não perdoar, do fundo do coração, ao seu irmão, as faltas que lhe tiverem cometido. (São Mateus, cap. XVIII, v. 23 a 35).


        4. “Amar o próximo como a si mesmo: fazer para os outros o que queríamos que os outros fizessem por nós” é a mais completa expressão da caridade, porque resume todos os deveres para com o próximo. Não se pode ter guia mais seguro, a esse respeito, que tomando por medida, do que se deve fazer para os outros, o que se deseja para si. Com qual direito se exigiria dos semelhantes mais de bons procedimentos, de indulgência, de benevolência e de devotamento do que se os tem para com eles? A pratica dessas máximas tende à destruição do egoísmo; quando os homens as tomarem por normas de sua conduta e por base de suas instituições, compreenderão a verdadeira fraternidade e farão reinar, entre eles, a paz e a justiça; não haverá mais nem ódios nem dissensões, mas união, concórdia e benevolência mútua.


Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Cap. XI, itens 1 à 4.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

CULTIVA A PAZ


E, se ali houver algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, ela voltará para vós. – Jesus (Lucas, 10:6)

  Em verdade, há muitos desesperados na vida humana. Mas quantos se apegam, voluptuosamente, à própria desesperação? Quantos revoltados fogem à luz da paciência? Quantos criminosos choram de dor por lhes ser impossível a consumação de novos delitos? Quantos tristes escapam, voluntariamente, às bênçãos da esperança?

    Para que um homem seja filho da paz, é imprescindível trabalhe intensamente no mundo íntimo, cessando as vozes da inadaptação à Vontade Divina e evitando as manifestações de desarmonia perante as leis eternas.

    Todos rogam a paz no planeta atormentado de horríveis discórdias, mas raros se fazem dignos dela.

    Exigem que a tranquilidade resida no mesmo apartamento onde mora o ódio gratuito aos vizinhos, reclamam que a esperança tome assento com a inconformação e rogam à fé lhes aprove a ociosidade, no campo da necessária preparação espiritual.

   Para esmagadora maioria dessas criaturas comodistas a paz legítima é realização muito distante.

    Em todos os setores da vida, a preparação e o mérito devem anteceder o benefício.

  Ninguém atinge o bem-estar em Cristo, sem esforço no bem, sem disciplina elevada de sentimentos, sem iluminação do raciocínio. Antes da sublime edificação, poderão registrar os mais belos discursos, vislumbrar as mais altas perspectivas do plano superior, conviver com os grandes apóstolos da Causa da Redenção, mas poderão igualmente viver longe da harmonia interior, que constitui a fonte divina e inesgotável da verdadeira felicidade, porque se o homem ouve a lição da paz cristã, sem o propósito firme de se lhe afeiçoar, é da própria recomendação do Senhor que esse bem celestial volte ao núcleo de origem, como intransferível conquista de cada um.  

Pelo Espírito Emmanuel.
Psicografia de Chico Xavier.


Fonte: Livro – Vinha de Luz. Psicografia de Chico Xavier. Pelo Espírito Emmanuel. Capítulo 65.


quarta-feira, 17 de março de 2021

O TEMPO


Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. – Paulo. (Romanos, 14:6.)


A maioria dos homens não percebe ainda os valores infinitos do tempo.

Existem efetivamente os que abusam dessa concessão divina. Julgam que a riqueza dos benefícios lhes é devida por Deus.

Seria justo, entretanto, interrogá-los quanto ao motivo de semelhante presunção.

Constituindo a Criação universal patrimônio comum, é razoável que todos gozem as possibilidades da vida; contudo, de modo geral, a criatura não medita na harmonia das circunstâncias que se ajustam na Terra, em favor de seu aperfeiçoamento espiritual.

É lógico que todo homem conte com o tempo, mas, se esse tempo estiver sem luz, sem equilíbrio, sem saúde, sem trabalho?

Não obstante a oportunidade da indagação, importa considerar que muito raros são aqueles que valorizam o dia, multiplicando-se em toda parte as fileiras dos que procuram aniquilá-lo de qualquer forma.

A velha expressão popular “matar o tempo” reflete a inconsciência vulgar, nesse sentido.

Nos mais obscuros recantos da Terra, há criaturas exterminando possibilidades sagradas. No entanto, um dia de paz, harmonia e iluminação é muito importante para o concurso humano, na execução das Leis Divinas.

Os interesses imediatistas do mundo clamam que o “tempo é dinheiro”, para, em seguida, recomeçarem todas as obras incompletas na esteira das reencarnações… Os homens, por isso mesmo, fazem e desfazem, constroem e destroem, aprendem levianamente e recapitulam com dificuldade, na conquista da experiência. Em quase todos os setores de evolução terrestre, vemos o abuso da oportunidade complicando os caminhos da vida; entretanto, desde muitos séculos, o Apóstolo nos afirma que o tempo deve ser do Senhor.



Fonte: livro - Caminho, verdade e vida, ditado pelo Espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, da FEB Editora.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

O NECESSÁRIO

                                                      

                                                    Mas uma só coisa é necessária. – Jesus
(Lucas, 10:41)
 

                Terás muitos negócios próximos ou remotos, mas não poderás subtrair-lhes o caráter de lição, porque a morte te descerrará realidades com as quais nem sonhas de leve...

Administrarás interesses vários, entretanto, não poderás controlar todos os ângulos do serviço, uma vez que a maldade e a indiferença se insinuam em todas as tarefas, prejudicando o raio de ação de todos os missionários da elevação. 

Amealharás enorme fortuna, todavia, ignorarás, por muitos anos, a que região da vida te conduzirá o dinheiro.

Improvisarás pomposos discursos, contudo, desconheces as consequências de tuas palavras. 

Organizarás grande movimento em derredor de teus passos, no entanto, se não construíres algo dentro deles para o bem legítimo, cansar-te-ás em vão.

Experimentarás muitas dores, mas, se não permaneceres vigilante no aproveitamento da luta, teus dissabores correrão inúteis.

Exaltarás o direito com o verbo indignado e ardoroso, todavia, é provável não estejas senão estimulando a indisciplina e a ociosidade de muitos.

“Uma só coisa é necessária”, asseverou o Mestre, em sua lição a Marta, cooperadora dedicada e ativa.

Jesus desejava dizer que, acima de tudo, compete-nos guardar, dentro de nós mesmos, uma atitude adequada, ante os desígnios do Todo-Poderoso, avançando, segundo o roteiro que nos traçou a divina Lei. Realizando esse “necessário”, cada acontecimento, cada pessoa e cada coisa se ajustarão, a nossos olhos, no lugar que lhe é próprio. Sem essa posição espiritual de sintonia com o celeste Instrutor, é muito difícil agir alguém com proveito.

 

Fonte: Livro – Vinha de Luz. Psicografia de Chico Xavier. Pelo Espírito Emmanuel.



domingo, 26 de julho de 2020

CONVIDAR OS POBRES E OS ESTROPIADOS

                Ele disse também aquele que o havia convidado: Quando derdes a jantar ou a ceiar, para isso não convideis nem vossos amigos, nem vossos irmãos, nem vossos parentes, nem vossos vizinhos que serão ricos, de medo que eles vos convidem em seguida, a seu turno, e que, assim, retribuam o que haviam recebido de vós. Mas quando fizerdes um festim, convidai para ele os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos; e estareis felizes porque não terão meios para vo-lo retribuir; porque isso vos será retribuído na ressurreição dos justos.

                Um daqueles que estavam à mesa, tendo ouvido essas palavras, lhe disse: Feliz aquele que comer do pão no reino de Deus! (São Lucas, cap. XIV, v de 12 a 15).

 


“Quando fizeres um festim, disse Jesus, para ele não convideis os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados.” Estas palavras, absurdas se tomadas ao pé da letra, são sublimes se nelas se procura o espírito. Jesus não podia ter querido dizer quem em lugar dos amigos, é preciso reunir à sua mesa os mendigos da rua; sua linguagem era quase sempre figurada, e a homens incapazes de compreenderem as nuanças delicadas do pensamento, seria preciso imagens fortes, produzindo o efeito de cores berrantes. O fundo do pensamento se revela nessas palavras: “Sereis felizes porque não terão meios para vo-lo retribuir”; quer dizer que ao se deve fazer o bem com vistas a uma devolução, mas pelo único prazer de fazê-lo. Para dar uma comparação surpreendente, disse: Convidai para os vossos festins os pobres, porque sabeis que estes não poderão nada vos retribuir; e por festins é preciso entender, não o repasto propriamente dito, mas a participação na abundância de que desfrutais. 

Estas palavras podem, entretanto, também receber sua aplicação num sentido mais literal. Quantas pessoas não convidam à sua mesa senão aqueles que podem, como dizem, lhes honrar, ou que podem convidá-las, a seu turno! Outras, ao contrário, encontram satisfação em receber aqueles de seus parentes ou amigos que são menos felizes; ora, quem é que não os possui entre os seus? É, por vezes, prestar-lhes um grande serviço sem aparentá-lo. Estes, sem irem recrutar os cegos e os estropiados, praticam a máxima de Jesus, se o fazem por benevolência, sem ostentação, e se sabem dissimular o benefício por uma sincera cordialidade.

 

Fonte: livro -  O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Cap. XIII. Itens 7 e 8.


sexta-feira, 3 de abril de 2020

AJUDA-TE, E O CÉU TE AJUDARÁ

Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porque todo aquele que pede recebe, quem procura acha, e se abrirá àquele que bater à porta.
Também, qual é o homem dentre vós que dá uma pedra ao filho quando lhe pede o pão? Ou se lhe pede um peixe, lhe dará uma serpente? Se, pois, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, com quanto mais forte razão vosso Pai, que está nos céus, dará os verdadeiros bens aqueles que lhos pedem. (São Mateus, cap. VII, v. de 7 a 11).




2. Sob o ponto de vista terrestre, a máxima: Buscai e achareis é análoga a esta: Ajuda-te, e o céu te ajudará. É o princípio da Lei do Trabalho, e, por conseguinte, da Lei do Progresso, porque o progresso é filho do trabalho, e o trabalho coloca em ação as forças da inteligência.
Na infância da Humanidade, o homem não aplica sua inteligência senão à procura de sua alimentação, dos meios de se preservar das intempéries e de se defender dos seus inimigos; mas Deus lhe deu,  a mais do que ao animal, o desejo incessante do melhor, e é este desejo do melhor que o impele à procura dos meios de melhorar sua posição, que o conduz às descobertas, às invenções, ao aperfeiçoamento da ciência, porque é a ciência que lhe proporciona o que lhe falta. Através das suas pesquisas, sua inteligência aumenta, sua moral se depura; às necessidades do corpo sucedem as necessidades do espírito; após o alimento material, é preciso o alimento espiritual, e é assim que o homem passa da selvageria à civilização.
Mas o progresso que cada homem cumpre, individualmente, durante a sua vida, é bem pouca coisa, imperceptível mesmo num grande número; como então a Humanidade poderia progredir sem a preexistência e a reexistência da alma? As almas, indo-se cada dia para não mais voltarem, a Humanidade se renovaria sem cessar com os elementos primitivos, tendo tudo a fazer, tudo a aprender; não haveria, pois, razão para que o homem fosse mais avançado hoje do que nas primeiras idades do mundo, uma vez que, a cada nascimento, todo o trabalho intelectual estaria por recomeçar. A alma, ao contrário, voltando com o seu progresso realizado, e adquirido cada vez alguma coisa a mais, é assim que ela passa gradualmente da barbárie à civilização material, e desta à civilização moral. (Ver cap. IV, n° 17).

3. Se Deus houvesse isentado o homem do trabalho do corpo, seus membros estariam atrofiados; se o houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto animal; por isso, lhe fez o trabalho uma necessidade e lhe disse: Procura e acharás, trabalha e produzirás; dessa maneira, serás o filho das tuas obras, delas terás o mérito e serás recompensado segundo o que tiveres feito.

4. É pela aplicação desse princípio que os espíritos não vem poupar o homem do trabalho das pesquisas, trazendo-lhes descobertas e invenções feitas e prontas para produzir, de maneira a não ter que tomar senão o que se lhe colocasse na mão, sem ter o trabalho de se abaixar para recolher, nem mesmo o de pensar. Se assim fosse, o mais preguiçoso poderia se enriquecer, e o mais ignorante tornar-se sábio de graça, e um e outro se dar o mérito do que não teriam feito. Não, os Espíritos não vem isentar o homem da lei do trabalho, mas mostrar-lhe o fim que deve atingir e o caminho que a ele conduz, dizendo-lhe: Caminha e chegarás. Encontrarás pedra sob os teus passos: olha, e tira-as tu mesmo; nós te daremos a força necessária, se a quiseres empregar. (O Livro dos Médiuns, cap. XXVI, n°s 291 e seguintes).

5. Sob o ponto de vista moral, aquelas palavras de Jesus significam: Pedi a luz que deve clarear o vosso caminho, e ela vos será dada; pedi a força de resistir ao mal, e a tereis; pedi a assistência dos bons espíritos, e eles virão vos acompanhar e, como o anjo de Tobias, vos servirão de guias; pedi bons conselhos, e não vos serão jamais recursados; batei à nossa porta, e ela vos será aberta, mas pedi sinceramente, com fé fervor e confiança; apresentai-vos com humildade e não com arrogância; sem isso, sereis abandonados às vossas próprias forças, e as próprias quedas que tereis serão a punição do vosso orgulho.
Tal é o sentido destas palavras: Procurai e achareis, batei e se vos abrirá.


Fonte: Livro -  O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Cap. XXV – Itens 1 à 5.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

AS TESTEMUNHAS

“Portanto, nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço.” — Paulo. 
(HEBREUS, CAPÍTULO 12, VERSÍCULO 1.) 


          Este conceito de Paulo de Tarso merece considerações especiais, por parte dos aprendizes do Evangelho. Cada existência humana é sempre valioso dia de luta — generoso degrau para a ascensão infinita — e, em qualquer posição que permaneça, a criatura estará cercada por enorme legião de testemunhas. Não nos reportamos tão-somente àquelas que constituem parte integrante do quadro doméstico, mas, acima de tudo, aos amigos e benfeitores de cada homem, que o observam nos diferentes ângulos da vida, dos altiplanos da espiritualidade superior.


         Em toda parte da Terra, o discípulo respira rodeado de grande nuvem de testemunhas espirituais, que lhe relacionam os passos e anotam as atitudes, porque ninguém alcança a experiência terrestre, a esmo, sem razões sólidas com bases no amor ou na justiça.

         Antes da reencarnação, Espíritos generosos endossaram as súplicas da alma arrependida, juizes funcionaram nos processos que lhe dizem respeito, amigos interferiram nos serviços de auxílio, contribuindo na organização de particularidades da luta redentora… Esses irmãos e educadores passam a ser testemunhas permanentes do tutelado, enquanto perdura a nova tarefa e lhe falam sem palavras, nos refolhos da consciência. Filhos e pais, esposos e esposas, irmãos e parentes consangüíneos do mundo são protagonistas do drama evolutivo. Os observadores, em geral, permanecem no outro lado da vida.

         Faze, pois, o bem possível aos teus associados de luta, no dia de hoje, e não te esqueças dos que te acompanham, em espírito, cheios de preocupação e amor. 


Fonte: Site da Federação Espírita Brasileira. https://www.febnet.org.br/blog/geral/mensagens-espiritas/as-testemunhas/


quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

NATAL

“Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens”.
(Lucas, 2:14).


As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande Renovador, não
apresentaram qualquer ação de reajuste violento. 


Glória a Deus no Universo Divino. 
Paz na Terra. 
Boa vontade para com os Homens. 


O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranquilidade ao mundo, 
não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir. 


Nem castigo ao rico avarento.
Nem punição ao pobre desesperado.
Nem desprezo aos fracos.
Nem condenação aos pecadores.
Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.
Nem anátema contra o gentio inconsciente.
Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, 
para o serviço da Boa Vontade. 


A justiça do “olho por olho” e do “dente por dente” encontrara, enfim, o Amor 
disposto à sublime renúncia até à cruz. 


Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria, 
assinalaram júbilo inexprimível... 


Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria. 


O algoz seria digno de piedade. 
O inimigo converter-se-ia em irmão transviado. 
O criminoso passaria à condição de doente. 
Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em Sídon, 
os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores.
Em Jerusalém, os enfermos não mais sofreriam relegados ao abandono 
nos vales de imunidade.

*

Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a,
transitou, vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento.


Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos, 
recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros. 


Natal! Boa Nova! Boa Vontade!... 
Estendamos a simpatia a todos e comecemos a viver 
realmente com Jesus, sob nos esplendores de um novo dia. 


Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Chico Xavier.



Fonte: Livro Antologia Mediúnica Do Natal. Psicografia: Francisco Cândido Xavier. 
Espíritos Diversos. 


sexta-feira, 2 de agosto de 2019

O PODER DA FÉ

Quando veio até o povo, um homem se aproximou dele, lançou-se-lhe de joelhos aos pés, e lhe disse: Senhor, tende piedade de meu filho, que está lunático e sofre muito, porque ele cai frequentemente no fogo e frequentemente na água. Eu o apresentei aos vossos discípulos, mas não puderam curá-lo. E Jesus respondeu, dizendo: Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui essa criança. E Jesus, tendo ameaçado o demônio, ele saiu da criança, que foi curada no mesmo instante. Então os discípulos vieram encontrar Jesus em particular, e lhe disseram: Por que não puderam, nós outros, expulsar esse demônio? Jesus lhe respondeu: É por causa da vossa incredulidade. Porque eu vô-lo digo em verdade: se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daqui para ali, e ela se transportaria, e nada vos seria impossível. (São Mateus, cap. XVII, v. de 14 a 20).


                No sentido próprio, é certo que a confiança nas próprias forças torna capaz de executar coisas materiais que não se pode fazer quando se duvida de si; mas aqui é unicamente no sentido moral que é preciso entender essas palavras. As montanhas que a fé transporta são as dificuldades, as resistências, a má vontade, numa palavra, que se encontra entre os homens, mesmo quando se trata das melhores coisas; os preconceitos da rotina, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo, as paixões orgulhosas, são outras tantas montanhas que barram o caminho de todo aquele que trabalha pelo progresso da humanidade. A fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem vencer os obstáculos, nas pequenas como nas grandes coisas; a que é vacilante dá a incerteza, a hesitação de que se aproveitam aqueles que se quer combater; ela não procura os meios de vencer, porque não crê poder vencer.

                Noutra acepção, a fé se diz da confiança que se tem no cumprimento de uma coisa, da certeza de atingir um fim; ela dá uma espécie de lucidez que faz ver, no pensamento, o fim para o qual se tende e os meios de atingi-lo, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com certeza. Num e noutro caso, ela pode fazer realizar grandes coisas.

                 A fé sincera e verdadeira é sempre calma; dá a paciência que sabe esperar, porque tendo seu ponto de apoio na inteligência e na compreensão das coisas, está certa de chegar; a fé incerta sente a sua própria fraqueza; quando está estimulada pelo interesse, torna-se colérica e crê suprir a força pela violência. A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrario, é uma prova de fraqueza e de duvida de si mesmo.

                É preciso se guardar de confundir a fé com a presunção. A verdadeira fé se alia à humildade; aquele que a possui coloca sua confiança em Deus mais do que em si mesmo, porque sabe que, simples instrumento da vontade de Deus, não pode nada sem Ele; por isso, os bons espíritos vêm em sua ajuda. A presunção é menos a fé do que o orgulho, e o orgulho é sempre castigado, cedo ou tarde, pela decepção e pelos fracassos que lhe são infligidos.

                O poder da fé recebe uma aplicação direta e especial na ação magnética; por ela o home age sobre o fluido, agente universal, lhe modifica as qualidades e lhe dá uma impulsão, por assim dizer, irresistível. Por isso, aquele que, a um grande poder fluídico normal junta uma fé ardente, pode, apenas pela vontade dirigida para o bem, operar esses fenômenos estranhos de cura e outros que, outrora, passariam por prodígios e que não são, todavia, senão consequências de uma lei natural. Tal o motivo pelo qual Jesus disse aos seus apóstolos: se não curastes é que não tínheis a fé.


Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Cap.: XIX – itens de 1 à 5.