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terça-feira, 3 de outubro de 2023

LINDOS CASOS DE BEZERRA DE MENEZES: O APOSTOLADO DA MEDICINA

                                            

         Deixou para seus colegas o retrato do verdadeiro médico, que deseja fazer da medicina um apostolado.

        Aqui transcrevemos seus conceitos incertos num de seus livros:


        - “ Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito lhe bate à porta.

O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro, - esse não é médico, é negociante da medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse é um desgraçado, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá nos vais-e-vens da vida.”

                                                              ***

Que página formosa, emocionante, digna de um apóstolo!

Deveria ser lida, relida e treslida por quantos fazem da medicina um negócio lucrativo, por isto mesmo que sem assistência espiritual, enterram os talentos e agravam suas missões. Seus doentes saem de seus consultórios mais doentes, mais descrentes, mais desesperados...

Os verdadeiros médicos, como os verdadeiros professores, procuram curar e encaminhar Espíritos ao roteiro do Bem, à disciplina do Amor, ao carreiro da Caridade. E tornam-se cada vez mais ricos da amizade dos clientes e alunos, das bênçãos de Deus, adquirindo uma boa consciência e a Paz do dever cumprido como sucedera com o coroável Médico dos Pobres.

 


Fonte: Livro – Lindos Casos de Bezerra de Menezes. Ramiro Gama. Capitulo 33.


segunda-feira, 21 de agosto de 2023

LINDOS CASOS DE BEZERRA DE MENEZES: BONDADE E RENÚNCIA


        A companheira do abnegado médico já havia combinado com o amigo Cordeiro para cobrar aos que pudessem pagar à razão de cinco mil reis por consulente. O dinheiro não passaria pelas mãos de Bezerra e deveria ser encaminhado a D. Cândida. Bezerra sabia disto e concordou desde que recebesse apenas dos que estivessem em condições de pagar...

        Certa vez, penetra no seu consultório da Farmácia Cordeiro uma pobre mulher com uma criança ao colo. Sentou-se e apresentou-lhe o filhinho para exame.

        O aspecto da pobre mulher como o da criança traduzia miséria e fome.

        Bezerra atende à criança. Sentiu-lhe o físico em mísero estado. E receitou, aconselhando à mãe sofredora:

        - Minha filha, dê a seu filho estes remédios de hora em hora. São remédios homeopáticos e, se desejar, pode comprá-los aqui mesmo...

        - Comprá-los, doutor, com que, se não tenho comigo nenhum níquel! Se eu e meu filho estamos até agora em jejum...

        O bondoso medico olhou para a mãe sofredora. Seus olhos mansos e verdes, refletindo compaixão, encheram-se de pranto.

        Ambos choravam!

        O ambiente deveria ser tocante e vestido de luz e amor!

        Abraçando-a, disse-lhe Bezerra: - Não se apoquente, minha filha, vou ajudá-la. Confiemos no amor da Virgem, que vela por todos nós.

        Procurou nos bolsos das calças e do paletó algum dinheiro e nada encontrou.

        Pôs-se a pensar, olhando para cima, como se fizesse uma prece muda e sentida.

        De repente, fazendo-a sentar-se, sai e procura seu amigo Cordeiro, também manso e bom.

        - Cordeiro, prometi-lhe não mexer no dinheiro das consultas, a fim de que você o encaminhe diretamente à minha esposa. Mas o caso de hoje é doloroso... Já rendeu alguma coisa?

        - Nada, porque os doentes, até agora, são pobre e como sua ordem é para receber apenas dos que podem pagar...

        - E o resultado de ontem, já o entregou?

        - Não, está ainda comigo.

        - Dê-me, então, este dinheiro e esperemos na proteção da Virgem, que há de nos mandar algum, mais tarde.

        Cordeiro lhe atendeu. Bezerra penetra o consultório.

        E, dirigindo-se à infeliz irmã em provas:

        - Tome, minha filha, este envelope. Com o dinheiro que está aí, compre remédios, também leite e alimentos para seu filho.

        A pobre mãe, de olhos surpresos, lacrimosos, lábios trêmulos, tartamudeia e nada pode dizer para lhe agradecer. Chora...

        E Bezerra, abraçando-a:

        - Nada de lágrimas, vamos, vá na santa Paz de Deus e que a Virgem a proteja e o seu filhinho. Ele há de ficar bom...

        Assim atendida, a sofredora mãe deixa o consultório.

        E, quando volta, da porta, para agradecer, ouve apenas a voz mansa e boa de Bezerra:

        - Entre aquele que estiver em primeiro lugar.

 

***

        No dia seguinte, Cordeiro e D. Cândida tiveram uma conversa longa. Ambos se inteiraram da ação meritória. Louvaram-na em silêncio. E, embora sabendo que outras ações assim iriam se dar, confiaram no Amor da Virgem, e, de fato, dali por diante, os poucos que podiam pagar, pagavam. Os clientes pobres, na maioria , nada pagavam. E o pouco com Deus penetrava na casa do Seareiro Espírita enchendo corpos e almas de seus familiares de algo abençoado pelo Amor do pai e Criador, que é Deus!

 

 

Fonte: Livro – Lindos Casos de Bezerra de Menezes. Ramiro Gama. Capitulo 32.



domingo, 23 de julho de 2023

LINDOS CASOS DE BEZERRA DE MENEZES: NO COMBATE A SI MESMO

De sua Carta a seu irmão Germano, tiramos esta pequena amostra de sua grandeza espiritual, de quem vivia de fato, no Bom Combate:

           “Eu me preocupo sem cessar com o que pode aproveitar à minha alma, considerando esta vida, com todas as glórias que oferece, uma simples parada (pouco) na infinitiva viagem que temos de fazer, em busca da casa do Pai. Creio, portanto, em Deus Pai todo Poderoso, Criador do Céu e da Terra e creio que sou um Espírito por Ele criado para a imortalidade.

            Não sou cristão, porque meus pais me criaram nessa lei e me batizaram; mas sim porque minha razão e minha consciência, livremente agindo, firmaram minha fé nessa doutrina sublime, que única na Terra, eleva os homens, em espírito, acima da sua condição carnal – e que por si mesma se revela obra de infinita sabedoria, a que o homem jamais pode chegar.

            Tendo diante dos meus olhos, da minha alma, o código sagrado da revelação messiânica, procuro sem descanso arrancar de mim os maus instintos naturais e substituí-los pelas virtudes cristãs. Tenho fé, tenho esperança e, quanto à caridade, procuro tê-la o mais que me é possível, na medida do ensino de S. Paulo. Não guardo ódio e perdôo as injúrias, evito fazer o mal e procuro fazer bem aos próprios que me odeiam.”

 

Fonte: Livro – Lindos Casos de Bezerra de Menezes. Ramiro Gama. Capitulo 31.



terça-feira, 11 de abril de 2023

LINDOS CASOS DE BEZERRA DE MENEZES: O ÚLTIMO DIA DE DR. BEZERRA DE MENEZES

                                        

        Dr. Bezerra de Menezes faleceu em decorrência de um acidente vascular cerebral em 11 de abril de 1900, quando tinha 68 anos de idade. Então hoje lembramos a sua desencarnação ocorrida há 123 anos.

        No livro Lindos Casos de Bezerra de Menezes, de Ramiro Gama, a sobrinha-neta de Dr. Bezerra, dona Fausta Bezerra Silva, narrou na tarde de 9 de agosto de 1962, momentos da vida de Bezerra de Menezes, dentre esses o seu último dia.

        Quando Dr. Bezerra de Menezes desencarnou, sua sobrinha-neta contava com doze anos de idade. Dr. Bezerra lhe dedicara particular estima por ela possuir um espírito sensível e os dons da vidência e audiência.

        E dona Fausta continua contando que...

        “No dia 10 de abril de 1900, às vésperas de seu desencarne, pedi à minha mãe para levar à sua casa. Sabia-o gravemente enfermo. Aqui e pelos morros havia um clima de tristeza. Todos sentíamos que íamos perder o nosso grande Amigo, o querido Médico dos pobres, o Anjo encarnado da caridade, um dos raros discípulos de Jesus, quando o Espiritismo codificado contava seus 43 anos de consolações.

        Ainda me lembro, emocionada.   

        Penetrei em seu quarto ornado de uma cama e outros moveis simples e sentei-me numa cadeira junto à sua cabeceira.

        Olhou-me e sorriu. Não falava. Somente, minutos antes de seu desencarne, voltou-lhe a voz e mesmo assim, como desejara, para orar à Virgem, de Quem foi devoto sincero e humilde e agradecer-lhe os socorros, a assistência, o amor imenso de mãe querida.

        Aquela cadeira tornou-se histórica.

        Desejei guardá-la e não o conseguir.

        Senti muito.

        Nela sentaram-se infinidades de pessoas, ricas e pobres, sãs e doentes, visitando-o nos seus últimos momentos.

        Diante da serenidade, do testemunho que nos deu de resignação na sua enfermidade, congestão cerebral agravada com a anasarca, todos choravam, evangelizados com aquela página de luz e dor, de humildade e fé.

        O ambiente que possibilitou, mesmo naquela conjuntura, foi de emoção e cura, até para os que, doentes do corpo e da alma, o procuravam no leito da agonia.

        E saíam, dali, melhorados.

        Aquela cadeira registrou prantos e milagres, vibrações sinceras e piedosos agradecimentos.

        No dia seguinte, às 11 horas e meia da manhã, como um justo, entregou sua alma ao Criador.

        Seu enterro foi uma apoteose. Gente dos morros, a cidade e dos subúrbios, homens e mulheres, levaram-lhe o corpo, a pé, daqui até ao cemitério São Francisco Xavier, no Caju.

        Está enterrado logo na entrada, ao lado direito da Capela.

        Há sempre flores no seu túmulo.

        Flores dos corações agradecidos ao Apostolo da Bondade nas terras do Brasil!”


Túmulo/Nicho de Dr. Adolfo Bezerra de Menezes
Cemitério de São Francisco Xavier,  também conhecido como Cemitério do Caju.
Rio de Janeiro, Brasil. Foto Ismael Gobbo



Desencarne
        Foi em meio a grandes dificuldades financeiras que sofreu um acidente vascular cerebral, que o deixou acamado, em janeiro de 1900. Durante três meses Bezerra de Menezes ficou sem poder falar ou se movimentar. Só os olhos se moviam. Houve verdadeira peregrinação à casa do médico dos pobres, no subúrbio modesto. Assim, como acontecia no seu consultório, pobres e ricos misturaram-se em sua casa para visitar o doente. Cada pessoa entrava uma a uma no quarto onde Bezerra ficava, sentava-se em uma cadeira, não falava nada, porque ele não poderia responder, ficava alguns minutos e saía comovida pelo olhar que Bezerra lhe dirigia. E as visitas seguiu-se dia e noite.
        Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900, às 11:30 horas da manhã, na Rua 24 de Maio. Tendo ao seu lado a dedicada companheira de tantos anos, Cândida Augusta. A cidade agitou-se com a noticia do seu desencarne, prestando-lhe homenagens.

 

Fonte: livro - Lindos Casos de Bezerra de Menezes, de Ramiro Gama. Uma entrevista com uma sobrinha-neta do Dr. Bezerra de Menezes.